Supernova 2007ck e Supernova 2007co – Supernovas coincidentes

Num episódio de Star Trek: Voyager (Caminho das Estrelas – Voyager) – The Q and the Grey – a tripulação da Voyager é testemunha de várias supernovas. Ora, supernovas são acontecimentos raros, daí que este fenómeno acontecer com uma elevada frequência num curto espaço de tempo é visto pela comandante Janeway como bastante anormal.
No episódio é-nos explicado que este fenómeno – Supernovas aos montes – é devido a uma guerra civil entre os Q. Os Q, para quem não sabe, são seres extraterrestes e muitíssimo evoluídos que vivem num espaço-tempo superior ao nosso; são omnipotentes, omnipresentes, podem fazer tudo aquilo que quiserem, afectam o nosso universo como quiserem e de maneiras que nós não compreendemos; basicamente são deuses. E estes deuses estavam em guerra – tal como alguns dos nossos mitos antigos – e a guerra deles afectava o nosso universo de várias maneiras, sendo que uma delas era a quantidade de supernovas vistas por nós.

Isto vem a propósito que no espaço de 16 dias, observamos 2 supernovas.
A Supernova 2007ck é uma supernova tipo II, e foi observada a 19 de Maio.
A Supernova 2007co é uma supernova tipo I, e foi observada a 4 de Junho.

Ambas as supernovas foram detectadas na mesma galáxia, chamada de MCG +05-43-16, que está localizada na constelação de Hércules, a 380 milhões de anos-luz.

Claro que isto não tem nada a ver com o episódio de Star Trek referido antes, a não ser pela situação de que esta galáxia nunca tinha tido supernovas antes (que tenhamos detectado) e agora num espaço de tempo bastante curto ter tido 2 supernovas.

double-sn.jpg

Estas duas explosões estelares são de tipos diferentes, e daí que tiveram causas diferentes.
A SN 2007ck, que é tipo II, é a morte natural de uma estrela massiva, quando se acaba o combustível e a estrela colapsa rapidamente (que na gíria se considera como uma explosão).
A SN 2007co, que é tipo I, dá-se quando uma estrela anã branca está a retirar material de outra estrela perto dela, atinge uma massa crítica, e torna-se uma supernova.

O facto destas supernovas terem sido vistas por nós num espaço de tempo muito curto é pura coincidência.
Aliás, bastante interessante é o facto que na sua própria galáxia estas supernovas estão separadas por dezenas de milhares de anos-luz. O que faz com que um possível astrónomo nessa galáxia veja estes dois eventos com milhares de anos de diferença!

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