ameaça asteróide

Já escrevi este post sobre um documentário com algumas das ameaças que podem extinguir a humanidade.
Uma delas é um potencial asteróide em rota de colisão com a Terra.
asteroid_roll_011221_02.gif
Vamos ser claros, é possível que neste momento tenhamos um asteróide em rota de colisão com a Terra e não o sabermos.
E é possível que ele venha a bater na Terra num futuro próximo.
Provavelmente quem tinha razão eram os Gauleses, quando tinham medo que o céu lhes caísse em cima.

Não é a ficção científica que nos vai salvar, explodindo asteróides (provavelmente teria o efeito contrário ao esperado), permitindo-nos vislumbrar um espectacular evento enquanto ele fôr a surfar pela atmosfera (a extremamente quente onda de choque queimava-nos na altura em que o estivéssemos a ver), etc.
Será a ciência que nos salvará.

Vejam esta parte sobre asteróides no documentário Last Days on Earth:

Neil deGrasse Tyson:
“If humans one day become extinct from a catastrophic collision, there would be no greater tragedy in the history of life in the universe. Not because we lacked the brain power to protect ourselves but because we lacked the foresight. The dominant species that replaces us in post-apocalyptic Earth just might wonder, as they gaze upon our mounted skeletons in their natural history musems, why large headed Homo sapiens fared no better than the proverbially peabrained dinosaurs.”

No documentário percebe-se a apreensão dos cientistas: o filme Armageddon custou mais do que os actuais programas de detecção de asteróides, o número de cientistas a trabalharem em planos de prevenção de embates do género é sensivelmente o mesmo que o número de pessoas que trabalham num único turno do McDonald’s…
Devia haver mais fundos para a procura de NEOs.
Também deveria haver mais e melhor cooperação internacional. Diluiam-se mais os custos e aumentavam-se os recursos. No final, ganhavamos todos.

No documentário também se percebe que há cientistas da NASA que estão a conceber planos para prevenirem este tipo de desastres. O problema é que são só dois…
Mas o problema também não é assim tão difícil que um poderoso laser ou uma pequena sonda ao lado do asteróide não resolva.
É que basta atrasar ou adiantar um pouco o asteróide, para ele já não bater na Terra; ou então “puxá-lo” para o lado usando somente um pouco de atracção gravitacional.
Isto claro, se o conseguirmos detectar com bastante tempo de antecedência.

Outros planos:
O Marshall SpaceFlight Center (MSFC) tem um projecto chamado Cradle para desviar um asteróide em rota de colisão da Terra. Baseado em 6 mísseis com cabeça nuclear e lançado pelo futuro Ares V, os mísseis detonarão perto do asteróide de forma a gerar um fluxo de plasma capaz de desviar o asteróide. O projecto tem o seu quê de curioso, mas vários problemas. Em primeiro lugar, conhecemos mal os asteróides, em segundo o Tratado do Espaço de 67 proíbe o uso de armas nucleares no espaço e em terceiro, se um simples reactor RTG numa sonda provoca um barulho dos diabos, o que dizer de 6 mísseis com ogiva nuclear? Mas percebe-se a estratégia. É mais uma boa razão para promover o Ares em termos políticos. Um exemplo de que o lançador serve para outras coisas, além de lançar naves para a Lua.

Russel Schweickart é um astronauta da Apollo 9. Fundador em tempos da Associação dos Exploradores do Espaço é agora presidente da Fundação B612, que visa desviar asteróides que possam embater na Terra.

Numa altura em que saiu esta notícia sobre novos modelos computacionais que mostram que há um risco maior de que cometas batam na Terra, uma equipa de cientistas pediu um financiamento às Nações Unidas para se construir uma rede de detecção e protecção da Terra contra asteróides.
Vejam o que o comediante Stephen Colbert pensa disso:


The Colbert ReportMon – Thurs 11:30pm / 10:30c


Do que se sabe, e já se sabe muito, não há perigo de embate de asteróides para os próximos tempos.
Nenhum dos asteróides actualmente conhecidos tem um perigo superior ao nível 1 na escala de Torino.

Pessoalmente até apostaria mais num perigo deste género, do que propriamente num daqueles que nos é impingido nos filmes.
É que o 2002 EM7 passou perto da Terra a 8 de Março e só foi descoberto a 12 de Março…

Leiam este artigo da Space.com sobre o risco do impacto de asteróides comparado com perigos bem terrestres…

O Centro de Astrofísica de Harvard juntamente com o Minor Planet Center têm umas animações bastante interessantes sobre a quantidade de potenciais problemas que temos no espaço.
Estes são só uma pequena percentagem do total! Estes são só aqueles que conhecemos porque já os detectamos.
Vejam por exemplo esta animação com objectos na cintura de asteróides e objectos mais interiores:
middle solar system
E vejam agora esta animação com a quantidade de objectos que passam pela órbita da Terra, perto do nosso planeta (cruz azul):
earth asteroids

Note-se também que mesmo simples meteoros, daqueles que vemos em chuvas de estrelas, podem ser perigosos.
Estava convencido que nada de extraordinário se tem passado, a não ser despesas materiais, e a morte de um pobre cão no Egipto em 1911.
Mas afinal os Gauleses é que tinham toda a razão, quando andavam todos cheios de medo que o céu lhes caísse em cima.
Desde o tempo de Galileu existiram cerca de 50 eventos em que meteoritos levaram, directa ou indirectamente, à morte ou ferimentos de pessoas ou animais. Podem ver listas com muitos acontecimentos catastróficos (ou perto disso!), aqui, aqui, e aqui. Até há quem diga que a queda do vôo da TWA em 1996, levando à morte de 230 pessoas, foi devida à colisão com um meteoro… (apesar da mais provável explicação ser de que terá ocurrido um curto-circuito).

Enorme Impacto:
Excelente vídeo sobre o que aconteceria se um enorme asteróide de 500 kms batesse na Terra.
Penso que há, pelo menos, 3 coisas mal no vídeo: não é considerada a força gravitacional que um objecto deste tamanho exerceria na Terra (na sua água, atmosfera, e terreno), não é considerado o efeito da entrada na atmosfera terrestre, e não é considerada a criação de um anel de poeira em órbita da Terra.

5 comentários

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    • Ana Guerreiro Pereira on 10/05/2011 at 02:40
    • Responder

    Pois… era o que estava escrito, tamanho da cratera… mas li tamanho do asteróide ahahah, estava com alguma esperança q uma coisa daquele tamanhão só afectasse uma parte da Terra… pois… era para dormir melhor… 🙂

  1. O dos dinossauros formou uma cratera de cerca de 150 kms, mas era “pequenino”, com somente 10 kms 😛

    Dentro desta simples explicação, existem muitas adaptações e complexidades que podes ver nos artigos desta categoria:
    http://www.astropt.org/category/extincoes/dinossauros/

    • Ana Guerreiro Pereira on 10/05/2011 at 02:25
    • Responder

    O de Tunguska estava agora mesmo a ler LOL o teu artigo no Ciência hoje, onde divulgas a hipótese do cometa 😀

    O dos dinossauros, pensei q tinha 170-180 kms! (e q eram dois)

    O q formou a Lua… xiii… vou ter pesadelos a noite toda… 🙂

  2. é dramático… mas o impacto de um asteróide de 500 kms fará coisas dramáticas. 😉

    O que explodiu sobre Tunguska tinha cerca de 50 metros:
    http://www.astropt.org/2008/06/30/tunguska/

    O que exterminou os dinossauros, tinha somente 10 kms:
    http://www.pbs.org/wgbh/evolution/extinction/dinosaurs/asteroid.html

    O que formou a Lua (fazendo parte da Terra sair de cá) tinha à volta de 3000 kms.

    • Ana Guerreiro Pereira on 10/05/2011 at 02:00
    • Responder

    Auch… já não durmo, hoje…

    (o último video… não está catastrófico demais? seria mesmo assim?)

  1. […] – Cometas. História. Halley. Lulin. Lovejoy. Hartley 2. Garradd. Asteróides. Ameaça. Apophis. Desviar. Passagem. Lutécia com muitas imagens. Vesta. 2009 DD45. 2011 CQ1. Tempel 1. […]

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