Universo = Simulação de Computador ?

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Há mais de 50 anos, Enrico Fermi, em face da aparente contradição entre a suposta existência de extraterrestres em todo o lado e o facto de não os vermos, perguntou: “Onde estão todos?”, dando assim origem ao que é conhecido como o Paradoxo de Fermi.
Desde aí, largas dezenas de possíveis respostas (soluções para o paradoxo) a esta pergunta foram propostas.
De entre as possíveis soluções, destaco algumas variantes da Hipótese de Zoo.

Uma delas é a Hipótese de Planetário, que nos diz que tudo o que vemos no céu é basicamente como no tecto dum planetário – vemos aquilo que os extraterrestres projectam no nosso céu, para nos confundirem e não percebermos que eles existem.
Esta hipótese foi proposta pelo conhecido escritor de ficção científica Stephen Baxter.

Outra hipótese é a Hipótese de Reality Show. Esta hipótese, proposta pelos criadores de South Park no seu episódio Cancelled, diz-nos que as espécies terrestres são tão diversificadas porque originalmente estavam cada uma no seu planeta, mas extraterrestres muito avançados decidiram pôr os animais todos juntos num só planeta porque isso dá um fantástico programa de televisão – é um Big Brother cósmico!

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Ainda outra hipótese é o Cenário Digital, ou Simulação de Computador. Talvez sejamos somente parte do software, parte de uma simulação de computador criada por seres muito mais avançados que nós. O Universo que vemos não passa de realidade virtual.

Vem isto a propósito de um artigo (supostamente) científico publicado pelo Centre for Discrete Mathematics and Theoretical Computer Science, e que podem ler aqui.
Bastante interessantes são também os comentários a esta notícia.
Percebe-se que esta hipótese não é nova, e que já várias histórias de ficção científica exploraram esta hipótese, como se pode ler aqui, aqui e aqui.

Leiam também esta crítica a um outro artigo. E também este.

Curioso que o autor do artigo original é filósofo e economista, e realiza trabalho sobre o Princípio Antrópico, que basicamente nos diz que somos especiais no Universo.
Andamos há 500 anos a seguir o Princípio da Mediocridade, seguindo as ideias de Galileu, Kepler, Newton, etc, e no entanto psicologicamente continuamos a pensar que somos bastante especiais, subvertendo toda a ciência que nos permite viver no século XXI!

No mesmo artigo de análise crítica ao paper, gostei de ler o comentário de que isto é basicamente o regurgitar da Alegoria da Caverna escrito por Platão – nós não vemos a realidade, mas sim somente sombras, e que imaginamos tratar-se da realidade.
Este é um tema que já foi abordado por Aldous Huxley no Brave New World.
O mesmo tema – a realidade não ser aquilo que pensamos e neste caso até ser um programa de computador – foi abordado genialmente no famoso filme Matrix.
Essas “simulações” do mundo que as pessoas ignoram e são levadas a pensar e a viver de determinada forma sem imaginar outras possíveis soluções, foi um tema também abordado pelo nosso Prémio Nobel, José Saramago, no seu conto “A Caverna“.

O comentário do Ray Rand no mesmo artigo crítico também é interessante.

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Esta solução diz que o nosso universo pode ser somente uma simulação de computador – tal como os Holodecks no Star Trek. A ser assim, nós não passamos de subrotinas de computador, de meros hologramas.
O interessante desta solução é que permite explicar algumas anomalias registadas no Universo.
E há quem esteja a tentar testar esta hipótese especulativa.

Até há piadas com o Bill Gates:

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Eu gosto bastante destas e de muitas outras hipóteses, que fazem da imaginação o seu ponto forte, mas vamos ser honestos. Estas hipóteses nascem da paranóia de que uma civilização bastante avançada iria se dar ao trabalho de mudar a nossa visão do Universo, de modo a imaginarmos o Universo sem vida (excepto nós).
Isto não faz qualquer sentido.
É a continuação duma visão geocêntrica, continuamos a pensar que somos o centro do universo, que somos o que de mais importante existe no Universo – daí os extraterrestres estarem tão interessados no que pensamos!
Há cerca de 400 anos atrás, o Princípio da Mediocridade deu um safanão no Geocentrismo, e a partir daí tem-se visto o Princípio da Mediocridade a dominar cada vez mais a nossa visão do Universo. No entanto, esta ideia de que somos muitos especiais no Universo parece prevalecer… o que no meu entender é um tanto ou quanto incompreensível.

Da mesma forma, esta hipótese, tal como outras, parece dar a entender que afinal somos somente a criação de alguém muito superior a nós. Lá se anda novamente a misturar ciência e religião. Em parte, isto é dar armas aos defensores do Design Inteligente, o que não é uma boa estratégia. Se querem dizer que podemos ser somente uma simulação de computador, ao menos que digam que deverá haver explicações naturais para o facto, ou que o “computador” poderá ser propriedade de uma civilização extraterrestre (aliás, extradimensional) bastante avançada. Senão, lá vêm os fundamentalistas querer mudar o ensino de ciência nas escolas, para ensino de religião nas aulas de ciência.

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Curioso é que eu próprio já escrevi uma história de ficção científica baseada nesta ideia. Leiam aqui.

22 comentários

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  1. http://clix.exameinformatica.pt/noticias/ciencia/2012/12/05/universo-nao-e-um-computador

    “Ken Wharton, da Universidade de San Jose na Califórnia, diz que este conceito é perigoso e que é defendido por demasiados teóricos. Wharton considera que esta teoria é bastante antropocêntrica, uma vez que assume que «a forma como nós humanos resolvemos problemas tem de ser a forma como o Universo atualmente funciona», cita o Technology Review.

    A ideia está tão enraizada que há muitos físicos que não conseguem pensar noutro tipo de Universo. Para este cientista, o conceito não foi testado, nem validado e está errado.

    Wharton defende que «nem o Universo consegue prever qual vai ser sempre o novo estado». Quando o Universo é “medido”, há um resultado específico e imprevisível que ocorre e o sistema informático não o consegue ter em consideração.”

  2. Se fosse provado que o universo é como uma simulação de um computador, isso não necessariamente significaria que ele foi feito para dar um desmedido poder de existência a nós, egocêntricos,

    Com tal descoberta nós poderíamos continuar sendo considerados, por nós mesmos, apenas “pulguinhas microscópicas”, o nada que sempre fomos, assim como muitos (não crentes) já sabem que somos..

    1. Ola Carlos Oliveira

      “Da mesma forma, esta hipótese, tal como outras, parece dar a entender que afinal somos somente a criação de alguém muito superior a nós. Lá se anda novamente a misturar ciência e religião. Em parte, isto é dar armas aos defensores do Design Inteligente, o que não é uma boa estratégia. Se querem dizer que podemos ser somente uma simulação de computador, ao menos que digam que deverá haver explicações naturais para o facto, ou que o “computador” poderá ser propriedade de uma civilização extraterrestre (aliás, extradimensional) bastante avançada. Senão, lá vêm os fundamentalistas querer mudar o ensino de ciência nas escolas, para ensino de religião nas aulas de ciência.”

      Eu gostei muito do seu texto, no entanto, não posso deixar de me referir ao seu último parágrafo.

      Se é uma hipótese, esta deve ser considerada – sob pena de corromper a lógica;
      A religião tal como a conhecemos, não deve ser levada em consideração em coisa alguma – na minha opinião esta, não representa a verdade em virtude de ter sido criada por alguém pouco evoluído;
      Ao dizer “dar armas aos defensores do Design Inteligente”, demonstra q

      1. “Se é uma hipótese, esta deve ser considerada – sob pena de corromper a lógica”

        Ela está a ser estudada, como diz no texto.
        Mas não deixa de poder ter assumptions e consequências pseudo.

        O resto do seu comentário não foi enviado.

  3. Legal Carlos! Vou procurar me informar sobre essas pessoas que você citou aí, assim como ler o Biocosm.

    Sobre a questão do geocentrismo.. eu ainda não o acho assim tão claro, porque eu estou pensando em universos e vidas muito mais genéricas do que as parecidas com nós..
    Tal ‘formula fundamental’ possibilitaria a criação de infinitos tipos de universo.. em alguns deles o carbono nem ao menos teria tido chance de se formar e ainda assim alguma forma de vida (com certeza nada parecida com a nossa) talvez pudesse se formar.. Ou mesmo no caso do nosso universo: a nossa vida se formou, mas nada impede (e torcemos muito para isso) que varias outras diferentes formas de vida tenham se formado por todo o universo, ou seja, etimologicamente a palavra geocentrismo já nem se encaixa mais..

    Fora isso, com a questão ali do ‘fim’ do universo, eu me referia ao fim espacial, ou seja, a possibilidade do universo possuir ‘bordas’ limitantes, e não ao processo de ‘renascimento’ do universo. Pelo que vi, alguns pesquisadores acreditam que nosso universo possa ser envolto por um dodecaedro e ser vizinho de muitos outros universos que por sua vez também são limitados por bordas com esse formato. Parece-me que radiotelescópios estão sendo usados para tentar confirmar essa teoria mas o fundo cósmico de radiação tem atrapalhado..

    Enfim, como estudo computadores e programação, essa ideia toda de simulação passou a me fazer muito sentido, mas sei e te dou razão quanto à tudo isso, por enquanto, não passar de uma aposta ou especulação com apoio porém sem comprovação científica.

    Abraços!

    1. Porque a vida é um objectivo do Universo?
      Ou o João Vitor consegue conceber Universos sem vida?

      E se consegue, porque o faz? Para o nosso não ser especial? (esta é a premissa geocentrica dada pelos defensores do Multiverso… de que sem outros universos com vida e sem vida, o nosso é especial)

      Acho que vai gostar de uma short-story de ficção científica que publiquei… que na verdade são 4 pequenas histórias… em que a última é uma simulação de computador.
      Tem aqui o post a explicar o porquê da história:
      http://www.astropt.org/2011/02/10/carlos-oliveira-autor-de-ficcao-cientifica-com-bonecas-russas/
      e aqui a história:
      http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8668.pdf

      😉

      abraços

  4. Então Carlos, foi exatamente por ler essa passagem que agora você colou que eu resolvi entrar nessa discussão. Acho que a gente não está se entendendo..

    Eu estou defendendo que a simulação deva ser mais fundamental por assim dizer. Vamos supor que a teoria das cordas realmente ditasse todas as leis do universo. Alguém (nós mesmos num futuro próximo talvez) poderia colocar as leis físicas da teoria das cordas num supercomputador e simular a partir delas a criação de um universo.. Talvez com alguns parâmetros iniciais variáveis vários tipos de universo diferente pudessem ser criados.. Esses universos então tomariam ‘vida própria’ e ao longo do tempo os átomos e os elementos químicos se formariam.. As estrelas e as galáxias.. Os planetas.. Quem sabe a vida. AS VIDAS. Entende? Em momento nenhum eu estou a falar sobre uma simulação na qual nós fomos diretamente criados e somos diretamente observados com ‘carinho e atenção’ do criador.

    Isso é completamente aceitável e ganha ainda mais embasamento sabendo-se que o Homem científico de hoje nada mais faz do que buscar estas leis universais. Uma vez encontradas, basta-se ter poder computacional suficiente para começar a aplica-las e simular universos. Fora isso, as atuais descobertas que indicam que nosso universo tem fim, e que o fim do nosso universo é o começo de um outro universo vizinho ao nosso, o qual também pode abrigar vida(s) ou não, e assim sucessivamente. (Eu chamei esse conceito de “Multiverso” mas posso ter usado o termo equivocado, admito) Isso só parece nos dar pistas de que ‘alguém’ tentou criar uma grande quantidade e variedade de universos. Talvez por motivos de estudo? Talvez tentando alcançar algum evento de baixa probabilidade? A vida? Aí eu já não tenho nem imaginação suficiente para arriscar algum palpite.. Mas enfim, é isso que estou tentando dizer desde o começo. NADA geocêntrico, concorda?

    Abraço

    1. Sim, note que eu não estou a discordar do João Vitor 😉

      Eu adoro esse tipo de especulações.
      Só digo que não são científicas (não passam no teste de Popper), e denotam geocentrismo psicológico (se o objectivo delas é ter alguém muito preocupado connosco, ou alguém que faz as coisas para nós podermos existir).

      “Alguém (nós mesmos num futuro próximo talvez) poderia colocar as leis físicas da teoria das cordas num supercomputador e simular a partir delas a criação de um universo.. Talvez com alguns parâmetros iniciais variáveis vários tipos de universo diferente pudessem ser criados.. Esses universos então tomariam ‘vida própria’ e ao longo do tempo os átomos e os elementos químicos se formariam.. As estrelas e as galáxias.. Os planetas.. Quem sabe a vida. AS VIDAS. Entende? Em momento nenhum eu estou a falar sobre uma simulação na qual nós fomos diretamente criados e somos diretamente observados com ‘carinho e atenção’ do criador.”

      Ahhhh ok… fazer universos que possam ter propriedades para a vida tal como a conhecemos.
      Isso é geocentrismo referente à vida tal como a conhecemos 🙂
      Se calhar sem carbono, pode existir vida… e eles dirão o mesmo no Universo deles 🙂

      James Gardner (Biocosm) falou destas ideias, Lee Smolin também, Edward Harrison também…. há gente que tem especulado algumas versões dessa ideia 🙂
      Se gosta destes temas, sugiro que leia alguma ficção científica sobre isto… Biocosm é giro 🙂

      “as atuais descobertas que indicam que nosso universo tem fim, e que o fim do nosso universo é o começo de um outro universo vizinho ao nosso”

      ahhhhh isso é o ciclo de criação e destruição do nosso próprio Universo. Um Universo cíclico.
      É uma filosofia que vem já das filosofias orientais… e que, pessoalmente (não diga nada a ninguém :P), atrai-me mais que a “morte fria” do Universo (que é o que as observações actuais dizem).
      Infelizmente o Universo não quer saber dos meus gostos para nada, como já pude comprovar em algumas décadas que ando por cá 😛

      abraços

    2. Note que o Biocosm não está sob a categoria de ficção científica… mas sim de especulações cosmológicas… mas eu considero que ficava muito melhor como uma história/narrativa de ficção científica 😉
      http://www.amazon.com/Biocosm-Scientific-Evolution-Intelligent-Architect/dp/1930722222

      (como os ETs que construíram os buracos de verme no Contacto, ou a evolução actual dos Progenitors em Star trek)

      abraço

  5. O fato de podermos criar um universo e passar a ver essa capacidade como uma ‘resposta fundamental’ é um argumento circular e geocêntrico. É isso que você está dizendo? Pois eu concordo plenamente. Mas talvez a resposta seja exatamente essa… sermos capazes de criar nossos próprios ‘círculos’. Mas tudo bem, isso é só divagação.

    Agora, a possibilidade do universo ser simulado. Essa por enquanto não é assim tão trivialmente geocêntrica e descartável, certo? Eu ao menos não consegui encaixar sua resposta nessa questão..

    Também não sei se entendi sobre o Multiverso vir dessa premissa. Você diz pelo fato do Homem achar que suas teorias e fórmulas são tão absolutas e corretas que eles podem fazer essas afirmações? Seria iso? O caso é que até mesmo observações mais concretas com radiotelescópio também estão levando à crença do Multiverso…

    É óbvio que essa possibilidade só adiaria a questão: quem criou nossos criadores? como funciona seu universo? Mas isso não se trata de um argumento circular e sim da solução de uma pequena parte de um todo..

    Um abraço aqui do Brasil.

    1. O Multiverso nasceu do principio antrópico… deste universo estar feito para nós… daí que se teve que “criar mentalmente” outros. Ou seja, a ideia nasceu de um geocentrismo psicológico. Essa foi a premissa. Se se chegar a essa “conclusão”, então é um argumento circular. 😉

      Quanto ao Universo ser uma simulação, copio as minhas palavras do post:
      “Eu gosto bastante destas e de muitas outras hipóteses, que fazem da imaginação o seu ponto forte, mas vamos ser honestos. Estas hipóteses nascem da paranóia de que uma civilização bastante avançada iria se dar ao trabalho de mudar a nossa visão do Universo, de modo a imaginarmos o Universo sem vida (excepto nós).”
      É somente trocar a palavra Deus por “civilização extraterrestre avançada”. É somente uma mudança de nomes e o resto mantém-se: criaram um Universo para nós e estão sempre preocupados connosco. É pura religião disfarçada de “ciência”.
      A ideia é que nós somos o que se mais especial existe no Universo. Somos tão especiais, que os outros estão muito interessados em nós. Geocentrismo psicológico – achamos que somos o “centro das atenções” do Universo. 😉

      abraços

  6. Olá Carlos, devo estar meio atrasado na discussão, mas é que assim como você e a maior parte da comunidade científica eu também sou descrente do geocentrismo. Ainda assim, você já parou pra pensar que podemos na verdade estar sendo simulados num nível muito mais profundo e de forma nada geocêntrica?

    Há muito tempo a física e a astronomia tem se fundamentado em leis de comportamento das coisas; Atualmente inclusive busca-se uma lei unificadora de tudo, não é mesmo? Ou seja, a partir dessa(s) lei(s) as coisas poderiam ser (e algumas na verdade já são) computacionalmente simuladas. Isso não quer dizer que alguém se dedicou única e exclusivamente à nós, como também acontece no Guia do Mochileiro das Galáxias, mas sim que esse alguém alcançou uma ‘formula para criação de universos’ e passou a usa-la. Não somos seus ‘queridinhos’ ou talvez eles nem mesmo saibam da nossa existência.

    Assustadoramente tudo isso parece fazer ainda mais sentido ao se ler sobre teorias científicas e recentes descobertas que dizem respeito à Finitude do Universo e a existência de Multiversos. Ou seja, nosso universo seria só mais um entre vários universos, os quais podem interagir parcialmente entre si. Isso curiosamente também explica a movimentação do nosso universo e a existência da já tão famosa energia escura. Fica a impressão de que cada simulação de universo tem certos parâmetros ou ‘constantes’ alterados para que assim se alcance algum padrão esperado ou então para que se atinga uma maior ‘diversidade’. Pra que? Pense nas possibilidades..

    Se você acredita na ciência e no poder do homem de encontrar as respostas fundamentais da natureza, vem como consequência imediata o fato deste mesmo homem poder passar a simular também seus próprios universos. Paranoia?

    Qual o sentido disso tudo? Por que estamos aqui? A verdadeira resposta eu não sei, mas com certeza sei que se o Homem algum dia puder passar a simular seus próprios universos inteiramente funcionais, já teremos ao menos uma das respostas para esse mistério.

    1. Não digo que não. Mas sim, essa forma de pensar tem impregnado geocentrismo psicológico… que nada tem a ver com o Universo… mas que tem sim a ver com os desejos das pessoas.
      Aliás, a ideia do Multiverso veio dessa premissa. Tendo essa premissa, então se chegar a essa conclusão, quer dizer que a única coisa que se tem é um argumento circular… que em termos científicos vale 0. 😉

      abraços

    • Ana Guerreiro Pereira on 23/07/2011 at 15:49
    • Responder

    Acho q é preciso saber distinguir ficção de realidade (ou aproximação à realidade) para se poder lidar com estas hipóteses extravagantes 😀

    Não somos muito especiais, não, mas somos portadores de uma consciência. Já Carl Sagan dizia que connosco o Universo ganhou consciência 😛 😀 E q somos uma forma de o cosmos se auto-conhecer, na medida em que a nossa consciência nos permitiu ter curiosidade para nos interrogarmos acerca de quem somos, de onde vimos e para onde vamos. Repara como que as grandes descobertas tiveram quase sempre por mote a descoberta de nós mesmos. Um mote antropocentrico, portanto. Tb carl sagan dizia que o ser humano é como um bebé recém nascido deixado à porta de uma casa sem nenhum bilhete a dizer quem é e de onde vem 😀 a busca por nós mesmos continua, e em parte essa busca tem de ser antropocentrica primeiro e universal depois.

    Não somos necessariamente muito especiais, mas terás de concordar que também somos especiais, tal como toda a vida. Somos vida, somos máquina, somos consciencia, tal como muitos outros seres vivos (sabiam que os gorilas enterram as suas crias e colocam sinais a demarcar a campa? ;()

    1. Não sabia. Onde leste isso sobre os gorilas? 🙂

        • Ana Guerreiro Pereira on 23/07/2011 at 17:48

        Não li, disse-me a Maria João Pratt numa conversa q estávamos a ter precisamente no tema “terceiro chimpanzé” 😀 Começou com ela a falar de ter levado os filhos ao ZOO e de eu contar que a primeira vez que vi uma família de chimps num zoo entrei em estado de choque total, porque estava a ver seres humanos. Daí ela contou sobre os gorilas. Hei-de-lhe perguntar onde viu/leu (parece-me q há um documentário q fala nisso).

        • Ana Guerreiro Pereira on 23/07/2011 at 17:54

        Somos tão frágeis, tão egocêntricos, tão torturados… não fomos feitos para ter um cérebro desocupado… eh pah… acabei de saber q Amy Winehouse morreu… e fico em choque… como é possível q as pessoas cheguem a isso?….

      1. Eu vi na CNN. Não me surpreendeu. Pensei até que ela se ia matar mais depressa :S

        • Ana Guerreiro Pereira on 23/07/2011 at 18:07

        Nesse aspecto não, com a vida q ela trilhava… eh pah, mas estava aqui a pensar precisamente na efemeridade da vida e tau. Ainda por cima uma pessoa que aparentemente tinha acesso a tudo o que outros ambicionam. Faz-nos pensar, porquê? Como é q um ser humano, com consciencia, com cérebro, com tudo, chega a esses extremos?… Porque é que nos auto-destruimos assim?

      2. Parece-me que ela nunca soube lidar com o sucesso… ou com a vida.

        E é um pouco de culpa também de quem a fez subir a escada da celebridade… com mensagens como a que ela transmitia.
        Como é que ela depois de ter feito uma estupidez qualquer (que não me lembro agora) recebeu prémios MTV, por exemplo? A mensagem que se passa às novas gerações é que se pode ser completamente parvo que se é famoso.
        Ou a música mais famosa dela ser precisamente aquela em que ela diz que não quer ser tratada medicamente?

        Não faz sentido…

        • Ana Guerreiro Pereira on 23/07/2011 at 18:17

        Exactamente, não faz sentido. Que valores é que esta sociedade anda a cultivar que faz isto às pessoas? Ela não é caso único. Até já há o mito dos chamados fatidicos 27…

        Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix…. a fama dá cabo das pessoas.

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