HD 80606b

HD8606b

O planeta HD 80606b é um gigante gasoso 4 vezes maior que Júpiter, orbita a estrela HD80606 em 111 dias, e encontra-se a cerca de 200 anos-luz da Terra na direcção da constelação Ursa Maior.

No blog do projecto Systemic, o astrofísico Greg Laughlin percebe que o interesse neste exoplaneta se deve ao facto deste apresentar uma excentricidade orbital de 0.93. Este valor elevado implica que a quantidade de radiação recebida pelo planeta no seu percurso entre o apoastro e o periastro varia enormemente. A intensidade da radiação a que o planeta está sujeito no periastro é 825 vezes maior do que no apoastro. De acordo com alguns modelos atmosféricos esta variação deve gerar enormes tempestades e ondas de choque que percorrem a atmosfera a velocidades supersónicas.
Entretanto, uma equipa independente de astrónomos conseguiu observar o HD80606b em frequências de rádio com o VLA (Very Large Array) durante o periastro. Estas ondas de rádio são provavelmente o resultado de gigantescas tempestades eléctricas ou auroras na atmosfera do planeta. A confirmar-se esta interpretação, é absolutamente notável que estejamos pela primeira vez a “ouvir” trovoadas num planeta a 200 anos-luz!

Segundo Laughlin e co-autores, à medida que o planeta se aproxima do periastro, a sua atmosfera transfere a radiação cada vez mais intensa recebida da estrela para a formação de tempestades globais gigantes com ventos na ordem dos 5 km/s (ou seja 18000 km/h!). Estas tempestades devem assumir o aspecto de “ciclones globais” pela acção da força de Coriolis. Em apenas 6 horas a temperatura do lado do planeta virado para a estrela subiu de 530 para 1230 graus!

Este exoplaneta tem uma órbita bastante excêntrica que o põe mais perto da estrela do que Mercúrio está do Sol. A sua distância a HD80606 varia entre 0.03 ua e 0.84 ua.
Devido a essa excentricidade da órbita, as diferenças de temperatura são tremendas, levando a que o planeta absorva e perca calor rapidamente.
Em somente 6 horas, o planeta pode aquecer 700ºC!
Isto é que é um verdadeiro “aquecimento global“.
As variações (aumento) de temperatura levam a ventos de 18 mil kms/hora.

O exoplaneta tem temperaturas próximas de 1500 K… que é mais do que suficiente para fundir não só chumbo como também níquel! Embora no caso da Terra os verões sejam definidos pela quantidade diária de radiação solar recebida, no planeta HD 80606b são fortemente influenciados pela proximidade à sua estrela-mãe (ao contrário do que acontece com a Terra que não é influenciada por esse parâmetro).

As observações realizadas pelo telescópio Spitzer que deram origem a estas notícias permitiram a detecção do eclipse secundário do planeta HD80606b (o planeta passa por detrás da estrela).
A 14 de Fevereiro de 2009, o exoplaneta efectuou um trânsito (passar em frente da estrela, também chamado de eclipse primário).
O trânsito permitiu estimar o raio e a massa do planeta em, respectivamente, 86% e 400% os de Júpiter. Trata-se portanto de um planeta com uma densidade bastante elevada. Note-se que este é o planeta detectado em trânsito com maior período de translação (111 dias) e maior excentricidade orbital (0.93). A duração total do trânsito não é conhecida ainda na totalidade (as observações só cobrem parte do mesmo – várias equipas detectaram a fase central e final do eclipse mas não a fase inicial, denominada de ingresso) mas estará certamente entre as 9.5 e as 17.2 horas!

A 5 de Junho de 2009, um período orbital após o anterior trânsito, existiu um novo trânsito, um esforço coordenado de várias equipas permitiu detectar a totalidade do eclipse e consequentemente determinar com maior precisão os parâmetros do planeta.
hd80606b
Segundo o novo estudo o trânsito tem uma duração de 11.64 horas e o planeta uma massa de 4.2 vezes a de Júpiter.
A figura que se segue mostra a curva de luz obtida combinando os dados obtidos pelas várias equipas.
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Uma das equipas utilizou um dos telescópios Keck no Hawai para medir o efeito Rossiter-McLaughlin durante o trânsito o qual indicou que a órbita do planeta se encontra substancialmente inclinada relativamente ao plano equatorial da estrela. Esta inclinação pode ser explicada pelo chamado mecanismo de Kozai, através do qual a órbita de um planeta, normalmente co-planar com o plano equatorial da estrela, é perturbada por um corpo exterior. O facto da estrela hospedeira HD80606 fazer parte de um sistema binário com HD80607, na constelação da Ursa Maior, parece dar suporte a esta ideia. No entanto, inclinações anormais como esta são conhecidas para pelo menos mais dois sistemas para os quais não foram identificados corpos perturbadores.
O artigo com este trabalho está aqui e um artigo no blog Systemic aqui.

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