Gattaca

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Gattaca é um filme pouco conhecido. Mas é um filme genial!

Podem ver um excelente resumo do filme, aqui.

Num futuro próximo, existe um “admirável mundo novo“, onde a biologia (nomeadamente a genética) é a raínha.
A divisão social não é feita com base na raça, religião ou riqueza, mas sim com base no ADN. Existe uma descriminação genética. O controlo social é feito através da manipulação genética à nascença.

Os seres humanos concebidos de forma natural são considerados inválidos, já que têm inúmeros defeitos genéticos e predisposições para doenças e deficiências. Este é o caso de Vincent. Desde que nasceu que Vincent tem “escrito nos genes” que terá uma vida com dificuldades, será uma pessoa doente, e que morrerá aos 30 anos. Desde que nasce, Vincent tem “escrito na testa” que será sempre um “fraco”, um derrotado.
Já os humanos criados em laboratório são geneticamente perfeitos (com uma excelente saúde ao longo da vida, mais fortes, veem melhor, etc), e assim muito superiores aos “naturais”. Todos os “problemas hereditários” desaparecem. Este é o caso do irmão de Vincent, Anton. Anton é geneticamente superior a Vincent em tudo…

Vincent é um “inválido”, mas que tem um sonho de ser mais do que aquilo que os genes lhe ditam. Ele quer ser astronauta.
O seu sonho vai comandar toda a sua vida. Ele vai tentar realizar o seu sonho, contra tudo e contra todos.

Neste tipo de sociedade, para Vincent se candidatar a um emprego de astronauta, teve que fazer imensos sacrifícios, incluindo ilegalidades: fez-se passar por um ser humano geneticamente criado, ficando assim com as “capacidades” necessárias para ser astronauta.
Ele faz-se passar por Jerome, um ser humano “perfeito”, mas que na realidade fica paraplégico após um acidente (o que obviamente não lhe permite realizar todas as suas potencialidades). Ou seja, Jerome, apesar de geneticamente perfeito e ter tudo para ser bem-sucedido, não o consegue ser devido a uma tentativa de suicídio (o acidente de viação, que não é determinado pelos genes, dá-se porque Jerome tenta se matar após ficar em 2º lugar numa prova de natação – sendo ele “perfeito”, o 2º lugar é algo inaceitável para ele). Vincent “rouba-lhe” a identidade genética.

A ideia tanto de Vincent como de Jerome, é que o destino não determina a nossa vida. Nós é que fazemos o nosso próprio destino.
Vincent passa a sua vida a tentar superar os limites impostos ao seu destino. E consegue!

A comparação entre irmãos é inevitável: Anton é geneticamente superior a Vincent em tudo… menos na vontade de superar os seus próprios limites.

No final, Vincent alcança o sonho e é o piloto de uma missão a Titã, lua de Saturno.

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O filme é absolutamente fabuloso.
É um filme que recomendo a toda a gente.

O filme trata inteligentemente dos assuntos da ciência num contexto social.

Apesar de ser considerado uma distopia, mostrando um futuro com descriminação genética, na verdade eu não o vejo dessa forma.
Afinal, é óbvio que se deve escolher os mais aptos para os diferentes trabalhos. Mesmo atualmente, pessoas com problemas cardíacos, por exemplo, não são selecionados para missões espaciais; esta seleção tem por base a segurança, quer da pessoa quer da missão.
Para mim, o filme simplesmente mostra os cuidados éticos que se devem ter em face da evolução científica, e sobretudo mostra-nos o triunfo do espírito humano em face do controlo social.

Para mim, o mais interessante do filme é a mensagem que devemos ultrapassar os limites que nos são impostos pela sociedade, pelo “destino” supostamente determinado para nós.

Um outro ponto importante do filme é que o diretor da missão a Titã torna-se um assassino. No entanto, os seus genes mostram que ele não tinha qualquer instinto violento.

Assim, a análise do genoma pode nos dar o potencial do indivíduo. Mas como provam Vincent, Jerome, e o diretor da missão, o genoma não nos dá tudo. Outras características importantes são o meio/ambiente onde a pessoa está inserida, a mentalidade da pessoa, a sua força de vontade, e as circunstâncias do momento.

Por fim, um pormenor bastante curioso:
As quatro bases do ADN são: guanina (G), adenina (A), timina (T) e citosina (C).
O título Gattaca utiliza as letras: G + A + T + C

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Algumas frases fantásticas do filme:

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Queres saber como fiz? Foi assim que fiz, Anton: Não poupei energia nenhuma para a viagem de volta.

Queres saber como fiz? Foi assim que fiz, Anton: Não poupei energia nenhuma para a viagem de volta.

Eu fiquei com a melhor parte do acordo: eu só te emprestei o meu corpo, mas permitiste-me viver o teu sonho.

Eu fiquei com a melhor parte do acordo: eu só te emprestei o meu corpo, mas permitiste-me viver o teu sonho.

Para alguém que nunca se sentiu confortável neste mundo, tenho que confessar que me está a custar deixá-lo. No entanto, como dizem, todos os átomos do nosso corpo já fizeram parte de estrelas. Por isso, na verdade eu não estou a sair de casa... estou sim a voltar a casa.

Para alguém que nunca se sentiu confortável neste mundo, tenho que confessar que me está a custar deixá-lo.
No entanto, como dizem, todos os átomos do nosso corpo já fizeram parte de estrelas. Por isso, na verdade eu não estou a sair de casa… estou sim a voltar a casa.

Vencer:

Final: viagem para casa – para as estrelas:

É um filme fabuloso e inspirador!

Algumas mensagens do filme:

– não sejam levados pelos limites psicológicos impostos pela sociedade.

– não se pode prender o espírito humano.

– a perfeição não existe.

– não sucumbam à pressão social que diz que vocês têm que ser menores (Vincent) ou que têm que ser sempre os melhores (Jerome).

– não se queixem: se estão mal, mudem de vida. A vida que se leva é uma escolha de cada um.

– persigam os vossos sonhos!

2 comentários

1 ping

  1. Vi este filme numa cadeira de Bioética e achei o mesmo muito bom. E 14 anos depois, continuam os mesmos dilemas e medos do que a engenharia genética poderá trazer no futuro… Tudo tem de ser feito com moderação para não chegarmos ao ponto desse filme

  2. Nem sei dizer o quanto gosto desse filme. pra mim uma obra prima. roteiro impecável,figurino, trilha sonora, fotografia excelentes, atores afinados… vejo, revejo, e cada vez gosto mais.

  1. […] pelo Universo, e para o Universo irá voltar assim que eu morrer (como refere o Vincent no final do filme Gattaca: «For someone who was never meant for this world, I must confess I’m suddenly having a hard time […]

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