Descoberta de 30 novos exoplanetas!

Nuno Santos

29 new planets and 3 brown dwarfs (Delfosse et al. Forveille et al., Hebrard et al, Lo Curto et al, Mordasini et al, Naef et al., Santos et al. Segransan et al, submitted)

Gliese-667
Aqui está a novidade comunicada na conferência a decorrer no Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP).
Pois é, leram bem, 29 novos planetas e 3 anãs castanhas descobertas pela equipa da Universidade de Genebra com o espectrógrafo HARPS.
O “nosso” Nuno Santos já tinha falado sobre o HARPS na entrevista que concedeu ao astroPT, e que podem reler, clicando aqui.

Na verdade, devido a um dos valores de uma anã castanha ter sido medido com uma unidade diferente (foi, por erro, em relação à Massa da Terra), então, como diz o ESO, foram descobertos 30 planetas extrasolares e 2 anãs castanhas.
Ou seja, 30 novos exoplanetas!!!

E esta notícia fantástica foi transmitida no CAUP, em pleno Porto, Portugal.
Nestes dias, o Porto é a capital mundial dos planetas extrasolares!

E o nosso embaixador, é o Nuno Santos!
Como diz a crónica do Miguel Gonçalves no Jornal i, no dia 5 de Outubro de 2009, devia-se colocar bandeiras na janela em honra destes portugueses que dão novos mundos ao mundo.
i dia 5 outubro

Tabela com as designações das estrelas, os tipos espectrais, os períodos dos planetas e as respectivas massas (relativamente a Júpiter):
29planets3bdwarfs

Alguns valores de referência: a Terra, Neptuno e Saturno têm as seguintes fracções da massa de Júpiter: 0.003, 0.054 e 0.30, respectivamente. Os períodos orbitais de Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter e Saturno são (aproximadamente, em dias): 88, 224, 365, 687, 4331 e 10747, respectivamente. Notem a diversidade de sistemas. Há vários planetas gigantes distantes das estrelas com períodos superiores a Marte. Há também vários planetas com massa na ordem de grandeza de Neptuno e algumas super-Terras. Estas últimas têm períodos muito curtos pois só a proximidade às suas estrelas hospedeiras permitiu que fossem detectadas pela técnica da velocidade radial. Trata-se de um enviesamento devido à técnica de detecção e não um efeito real.

Com estas descobertas passou-se o número de 400 planetas extrasolares descobertos!
Hoje, esse número está nos 403 exoplanetas.


A comunidade internacional está toda contente!
Mas curiosamente, as agências noticiosas estão a dizer que foram descobertos 32 exoplanetas, porque não estão a ter em atenção o facto de que 2 deles não são planetas, mas sim anãs castanhas.

ESO:
“Hoje, numa conferência internacional ESO/CAUP sobre exoplanetas, a decorrer no Porto, a equipa que construiu o High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher (HARPS), o espectrógrafo montado no telescópio de 3.6 metros do ESO, relata a incrível descoberta de 32 novos exoplanetas, confirmando-se assim o HARPS como o principal descobridor de exoplanetas do mundo. Este resultado aumenta em cerca de 30% o número de planetas de pequena massa conhecidos. Nos últimos cinco anos o HARPS descobriu mais de 75 dos 400 exoplanetas descobertos até agora. (…)
O HARPS facilitou a descoberta de 24 dos 28 planetas conhecidos com massas inferiores a 20 massas terrestres. Tal como no caso das super-Terras anteriormente detectadas, a maioria destes novos candidatos de pequena massa encontram-se em sistemas de planetas múltiplos, chegando aos cinco planetas por sistema. (…)
Esta descoberta foi anunciada hoje na conferência ESO/CAUP “ Towards Other Earths: perspectives and limitations in the ELT era”, que decorre no Porto, Portugal, de 19 a 23 de Outubro de 2009. A conferência abordará a nova geração de instrumentos e telescópios que está a ser concebida e construída por diversas equipas um pouco por todo o mundo, no sentido de permitir a descoberta de outras Terras, em particular o European Extremely Large Telescope (E-ELT). Os novos planetas são simultaneamente apresentados por Michel Mayor no simpósio internacional “Heirs of Galileo: Frontiers of Astronomy” que decorre em Madrid, Espanha.
Este trabalho foi apresentado numa série de oito artigos submetidos à revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.
A equipa é composta por
* Geneva Observatory: M. Mayor, S. Udry, D. Queloz, F. Pepe, C. Lovis, D. Ségransan, X. Bonfils
* LAOG Grenoble: X. Delfosse, T. Forveille, X. Bonfils, C. Perrier
* CAUP Porto: N.C. Santos
* ESO: G. Lo Curto, D. Naef
* University of Bern: W. Benz, C. Mordasini
* IAP Paris: F. Bouchy, G. Hébrard
* LAM Marseille: C. Moutou
* Service d’aéronomie, Paris: J.-L. Bertaux”

Público:
Portugueses participam na descoberta de mais 32 planetas extra-solares.
É a mais recente revelação das descobertas feitas com o HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher). Hoje, a partir do Porto, uma equipa de cientistas anunciou o achado de mais 32 planetas extra-solares. É a importante “herança do HARPS”, sublinham. Dos mais de 400 exoplanetas encontrados até agora, 75 foram detectados nos últimos cinco anos com a ajuda desta importante ferramenta de alta precisão. (…)
Os cientistas trabalharam com o HARPS em três subprogramas diferentes que se basearam na busca de planetas em torno de estrelas do tipo do Sol, de estrelas anãs de pequena massa (de classe M) e de estrelas com uma metalicidade menor que a do Sol. Nuno Santos, o cientista português do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP), esteve envolvido no trabalho que se dedicou aos planetas descobertos em torno de estrelas com baixo conteúdo em metais. (…)
Esta etapa do projecto do ESO com o HARPS, que envolveu diferentes subprogramas, permitiu detectar 32 exoplanetas com massas que vão desde cinco vezes a massa da Terra até 10 vezes a massa de Júpiter. “Com os nossos resultados, sabemos agora que entre 40 a 60 por cento das estrelas do tipo do Sol têm planetas com pequena massa. Isto é muito importante porque significa que estão por toda a parte”, disse hoje Stéphane Udry, investigador da Universidade de Genebra, adiantando que assim nos poderemos aproximar de planetas com massas semelhantes à Terra. (…)
Hoje, ficámos a conhecer alguns traços de 32 destes exoplanetas. Dentro de cerca de seis meses, os cientistas deverão anunciar um novo conjunto de exoplanetas encontrados com o HARPS.
O objectivo é procurar planetas idênticos à Terra. Faltam as ferramentas. Para já, os cientistas apostam nos avanços que o projecto ESPRESSO (no qual Nuno Santos também está envolvido) poderá trazer na detecção de novos planetas com uma precisão de dez centímetros por segundo. Mais para à frente, estará o projecto Codex que promete alcançar a proeza de um centímetro por segundo.
Depois de detectados planetas semelhantes à Terra será necessário aplicar novas ferramentas para analisar a atmosfera e procurar saber se são habitáveis. Além dos instrumentos usados a anos-luz de distância, será ainda necessário embarcar em missões espaciais para cumprir a aventura da busca por um planeta igual à Terra.”

Ciência Hoje:
“A divulgação dos recentes exoplanetas foi o tema principal da conferência «Towards other Earthes – Perspectives and Limitations in the ELT Era» que decorre a partir de hoje no auditório da Biblioteca Almeida Garrett (Porto) e se prolonga até quinta-feira. Contou com a presença de cientistas internacionais. (…)
“Ultrapassamos agora a barreira dos 400 e estamos a estamos a descobrir cada vez mais planetas parecidos com a Terra e mais pequenos”, acrescentou Nuno Santos. O HARPS tem sido usado no intento de “divulgar” novos astros que possam albergar vida, mas “ainda não tem a capacidade de descobrir planetas exactamente como a Terra, no entanto, sabemos hoje que são extremamente comuns”, sublinhou.”

Universe Today:
“HARPS has facilitated the discovery of 24 of the 28 planets known with masses below 21 Earth masses. As with the previously detected super-Earths, most of the new low-mass candidates reside in multi-planet systems, with up to five planets per system. This new group includes a total of 11 planets with masses between 5 and 21 times that of Earth – and 9 in multi-planet systems — and increases the number of known low-mass planets by 30%.
HARPS uses the radial velocity technique which measures the back-and-forward motions of stars by detecting small changes in a star’s radial velocity as it wobbles slightly from a gentle gravitational pull from an otherwise unseen planet. HARPS can detect changes in velocity as small as 3.5 km/hour, a steady walking pace. (…)
“These observations have given astronomers a great insight into the diversity of planetary systems and help us understand how they can form,” says team member Nuno Santos.”

Space.com:
“The new alien planets, which bring the known count beyond 400, were found with the HARPS spectrograph on the European Southern Observatory’s 3.6-m telescope in La Silla, Chile. The HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher) program surveyed about 2,000 stars over five years, with the particular aim of looking at solar-type stars for low-mass planets.
Most of the known exoplanets found previously are very large — typically many times the size of Jupiter — so the newfound smaller planets bolster the known population of lower mass planets by 30 percent, said study team member Xavier Bonfils of LAOG in Grenoble, France. (…)
Several of the discovered planets are in multiple-planet systems. The planets have orbital periods of anywhere from five Earth-days to several thousand days (Earth’s orbit is 365 days).”
The survey also showed that, as models have predicted, solar-type stars have plenty of low-mass planets — an intriguing finding in the search for other potential Earths out there. The HARPS data suggest that at least 40 percent of solar-type stars have these smaller planets.
“These low-mass planets are everywhere basically,” Udry said in a teleconference from a conference in Porto, Portugal.
Among the worlds found were also several giant gas planets around metal-poor stars. (Metals are any element heavier than hydrogen and helium, the main components of stars.) Such stars are thought to be less favorable for the formation of planets, which form in the metal-rich disc around young stars.
The finding showed that “giant planets can still exist around metal-poor stars,” said Nuno Santos of the University of Porto in Portugal.
The survey also found four new exoplanets around M dwarf stars, which are relatively cool, low-mass stars. This finding challenges planet formation theory, the researchers said, as current models suggest it is difficult for planets to form around such stars.
The new findings suggest that exoplanets are quite common in our galaxy, the researchers said.”

BBC:
“The 32 “exoplanets” ranged in size from five times the mass of Earth to 5-10 times the mass of Jupiter, the researchers said. (…)
The discovery is exciting because it suggests that low-mass planets could be numerous in our galaxy.
“From [our] results, we know now that at least 40% of solar-type stars have low-mass planets. This is really important because it means that low-mass planets are everywhere, basically,” explained Stephane Udry from Geneva University, Switzerland.
“What’s very interesting is that models are predicting them, and we are finding them; and furthermore the models are predicting even more lower-mass planets like the Earth.” (…)
This is an indirect method of detection that infers the existence of orbiting planets from the way their gravity makes a parent star appear to twitch in its motion across the sky.”

Yahoo:
“European astronomers have found 32 new planets outside our solar system, adding evidence to the theory that the universe has many places where life could develop. Scientists using the European Southern Observatory telescope didn’t find any planets quite the size of Earth or any that seemed habitable or even unusual. But their announcement increased the number of planets discovered outside the solar system to more than 400.
Six of the newly found planets are several times bigger than Earth, increasing the population of so-called super-Earths by more than 30 percent. Most planets discovered so far are far bigger, Jupiter-sized or even larger.
Two of the newly discovered planets were as small as five times the size of Earth and one was up to five times larger than Jupiter.
Astronomer Stephane Udry of the University of Geneva said the results support the theory that planet formation is common, especially around the most common types of stars.
“I’m pretty confident that there are Earth-like planets everywhere,” Udry said in a Web-based news briefing from a conference in Portugal. “Nature doesn’t like a vacuum. If there is space to put a planet there, there will be a planet there.”
What astronomers said is especially exciting is that about 40 percent of sun-like stars have planets that are closer to being Earth-sized than the size of Jupiter. Jupiter’s mass is more than 300 times that of Earth’s.
Depending on definitions of the size of super-Earths, the discovery suggests that planets that have a mass similar to Earth’s are “extraordinarily commonplace,” said Alan Boss, an astronomer at the Carnegie Institution of Washington. He was not part of the European team. “The universe must indeed be crowded with habitable worlds.”
Boss said finding 32 planets at once is a record “and it really shows that the Europeans have taken the lead” in finding planets outside the solar system.
The discoveries were made by the High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher, which is an attachment to the European observatory telescope in Chile that looks for slight wobbles in a star’s movements. Those changes would be made by the tug of a planet’s gravity on the star.”


Imprensa Portuguesa:
Diário de Notícias, no dia 20 de Outubro de 2009.
dn 21 20
dn 2 20
(cliquem sobre as imagens para ampliarem o texto e poderem ler)


Vídeos:

Reportagens na RTP sobre este assunto:




Um dos planetas descobertos está em órbita da estrela Gliese 667 C, que é um sistema estelar triplo (3 estrelas orbitam-se mutuamente).
O exoplaneta tem 6 massas da Terra, orbita uma estrela pouco massiva, e está a uma distância da estrela que é 1/20 da distância Terra-Sol.

ESOcast:


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