Google+

«

»

Jun 04

Mars 500

mars 500

Como o Paulo Almeida já tinha dito aqui, ontem, 3 de Junho de 2010, começou a experiência denominada Mars 500, em que durante 520 dias, 6 pessoas vão simular uma missão Humana a Marte.
Se tudo correr bem, só vão sair em Novembro de 2011 !
520 dias = 250 dias de viagem a Marte + 30 dias de exploração da superfície Marciana + 240 dias de viagem de volta à Terra.
Será como ir a Marte e voltar!
(isto claro, se a viagem não se fizer em somente 39 dias, de qualquer modo, era preciso esperar que Terra e Marte ficassem novamente do mesmo lado do Sol, daí que os astronautas teriam que passar mais dias “em espera” na superfície de Marte)
Os 6 voluntários vão ficar isolados numa cabine sem janelas e seguindo uma rotina especialmente séria.
crew
Os 6 tripulantes são: 3 da Rússia (Alexey Sitev de 38 anos e comandante da missão, Sukhrob Kamolov de 32 anos, Alexandr Smoleevskiy de 33 anos), o Francês Romain Charles de 31 anos, o Chinês Wang Yue de 26 anos, e o Italiano-Colombiano Diego Urbina de 27 anos.
Está um voluntário de reserva: o Russo Mikhail Sinelnikov.

Objectivo: estudar os efeitos físicos e psicológicos de um isolamento tão prolongado nos tripulantes (do género do programa “Big Brother”…).
area 1
“A tripulação passará a maior parte do tempo no módulo habitável da nave, uma cápsula de aço do tamanho de um contentor com seis quartos parcamente mobilados.
Noutra cápsula, que ficará ligada ao módulo habitável, há um ginásio, uma estufa artificial e um armazém de alimentos e água (que terão que conservar e racionalizar durante o tempo de duração da experiência).
Uma terceira cápsula será o departamento médico.
Há ainda um modelo de um módulo de aterragem em Marte e da superfície deste planeta, onde parte da tripulação permanecerá durante 30 dias, a meio da “viagem”.”
“A team of three will spend one month aboard a special module meant to represent the Mars landing craft, while two will also spend time exploring a reconstruction of Mars itself.”
area 2
“Segundo a ESA, a tripulação basicamente viverá e trabalhará como os astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) serão trabalhos de manutenção, experimentos científicos e exercícios diários. A rotina seguirá com cinco dias de trabalho e dois de folga por semana, com excepção de simulações especiais de situações de emergência.”

“Para que a experiência se assemelhe o mais possível à realidade, a agência vai simular a avaria de equipamentos e emergências médicas, entre outros problemas. Os homens serão sujeitos a exames psicológicos regulares.
O único contacto que o grupo terá com o mundo externo será através de um rádio ligado à Agência Espacial da Rússia. As conversas demorarão 20 minutos a chegar ao outro lado, o tempo que os sinais levam para ir da Terra a Marte e vice-versa.
A comida será enlatada, como a que se come na Estação Espacial Internacional, e os astronautas só poderão tomar um banho em cada dez dias.”

“Qualquer um dos participantes na experiência pode desistir a meio da viagem, sendo considerado um “astronauta morto“.
Aqueles que chegarem ao fim receberão cerca de 70 mil euros.”

Existem outras simulações, mais pequenas. Leiam este nosso post.

“No ano passado, uma experiência semelhante foi concluída com êxito em Moscovo, após seis voluntários permanecerem trancados durante 105 dias.” Leiam este nosso post.

“Já uma outra iniciativa parecida, realizada entre 1999 e 2000, acabou em sangue, depois de dois russos se terem envolvido em confrontos e uma mulher canadiana se ter queixado de ter sido beijada à força por um capitão da Rússia. Para evitar a repetição de cenas semelhantes, os organizadores da nova “viagem” a Marte decidiram não incluir mulheres no grupo.”
(ou seja, com esta exclusão de mulheres, por motivos psicológicos, esta experiência deixa de ser realista em termos sociais… digo eu)

Site oficial, onde poderão ver as notícias enviadas pela tripulação: cliquem aqui.

Leiam mais, em português, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

Leiam mais, em inglês, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico.
Licenciatura em Gestão de Empresas.
Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica.
Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas.
Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas.
Foi Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA.
Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>