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Ago 01

Pulseiras Quânticas

bracelet

É a nova moda pseudo em Portugal.
Em Portugal, este tipo de pulseiras está a fazer muito sucesso.

Umas empresas que só querem fazer dinheiro à custa dos parvos, juntam palavras em frases que parecem científicas, e os burros lá caem nos “vendedores de banha de cobra” que sempre existiram e continuarão a existir à custa dos parvos que acreditam neles.
Esta farsa realmente provoca melhor bem-estar das pessoas… das pessoas que vendem estas pulseiras! Ganham dinheiro à custa dos crentes acéfalos.

Se forem a este site, por exemplo, vêem este tipo de frases:
“Power Balance® é Tecnologia de Performance que utiliza frequências embutidas em hologramas que reagem positivamente com o campo de energia natural do teu corpo.
O corpo humano funciona a partir do resultado de reacções electromagnéticas que criam por sua vez um campo electromagnético dentro de cada um de nós. A tecnologia única e patenteada da Power Balance® liga-se ao teu campo energético, criando um circuito que o optimiza e aumenta a distribuição de energia ao máximo, instantaneamente!”
Que palhaçada! Que disparate!
Eu também posso criar frases do género para enganar parolos.
Não é difícil juntar palavras como hologramas (não sabem certamente o que é um holograma!), energias electromagnéticas, e distribuição de energia.
Difícil é ter educação para saber o que essas palavras querem dizer, e saber que as frases são completamente vazias de conteúdo, tendo como objectivo único enganar os parvos!

O Correio da Manhã diz:
“Cristiano Ronaldo é um dos muitos adeptos.”
E isto é motivo para comprar? O Cristiano Ronaldo é conhecido pela sua inteligência nos campos científicos?
E claro que algumas pessoas, como algumas referidas no artigo, vão achar que esta pulseira funciona! É como a aspirina! A pulseira em si não faz nada! Está tudo na mente de quem usa, um efeito chamado de Placebo que NADA tem a ver com as pulseiras.

Há anos atrás, eram as pulseiras Tucson de cobre com bolinhas na extremidade que eram as “curas milagrosas” para várias coisas. Até o António Sala as anunciava na TV como sendo fantásticas!
Agora são as “pulseiras quânticas”…
Enfim…
É frustrante perceber que as pessoas não aprendem nada… nem com a sua própria história!

O ano passado, era esta palhaçada da saúde quântica.
Este ano, são pulseiras que “dão saúde”.
A estratégia, a técnica, e o objectivo de enganar parolos não mudam. Só mudam as palavras pseudo-cientificas. E os burros continuam a cair…

Vejam o que o físico Carlos Fiolhais diz, na entrevista do Correio da Manhã:


CM- Várias pulseiras como a Power-Body, a Power-Balance ou a Infinite estão a ser comercializadas como uma forma simples e eficaz de restituir ao corpo humano equilíbrio, flexibilidade e resistência através de hologramas quânticos, cuja frequência terá influência no bem-estar pessoal. Todas estas marcas fazem referência a supostos estudos científicos que testam os seus benefícios, embora não citem nenhum. Pergunto-lhe se é possível que estas pulseiras tenham algum efeito no bem-estar, se são capazes de equilibrar a nossa energia e porquê?

CF- Não, não é possível que haja um efeito objectivo. A expressão “equilibrar a energia” não significa rigorosamente nada. É absurda. Quando muito funcionará como a astrologia: quem quiser acredita, mesmo que não haja qualquer base científica. Devo acrescentar que quem faz pretensões extraordinárias de um produto é que tem de fazer a prova dessas pretensões. Têm de provar os efeitos e não dizer qualquer coisa e ficar à espera que alguém prove o contrário. Ora até hoje não existe nenhuma prova de efeitos dessas pulseiras. É tudo treta. Não há nenhum fundamento científico. “Ionização negativa”, “frequências naturais emitidas por hologramas”, etc. Tudo isso são fantasias. É banha da cobra!

CM- Tenho conhecimento de um estudo realizado pela Universidade Politécnica de Madrid que, ao estudar a possível influência da pulseira Power Balance no equilíbrio das pessoas, concluiu que estas não tinham qualquer efeito. Existem mais estudos neste sentido?

CF- Não conheço esse estudo. A referência é muito vaga. Quais são os autores? Onde foi publicado? É possível que haja outros estudos, pois estuda-se qualquer assunto. Este assunto a mim não me interessa, a não ser do ponto de vista de cultura científica. Interessa-me o que ele mostra sobre a falta de cultura científica, algo mais do domínio da sociologia da ciência do que da ciência propriamente dita.

CM- Estas pulseiras têm algum efeito, positivo ou negativo?

CF- Não, nem positivo, nem negativo. Só fazem mal à carteira pois são caras. Um holograma é uma coisa inócua e uma tira de silicone também. Se se identificar algo que se possa medir de forma objectiva, o que me parece difícil (bem-estar é uma noção vaga) funciona o efeito placebo: sabe-se das ciências da saúde que algumas pessoas acreditam que vão ser curadas e curam, mesmo quando estão a tomar algo sem efeito nenhum.

CM- Que conselhos daria às pessoas que já têm estas pulseiras ou que estão a equacionar adquiri-las?

CF- Às que já têm nenhuns, já foram enganadas e só espero que não o voltem a ser. Às que não têm que pensem bem se querem contribuir para lucros de comerciantes sem escrúpulos. Mas cada um é livre, claro.

CM – A pulseira Infinite, através de um site (aqui) refere um suposto estudo que comprova os seus benefícios. Este estudo é fidedigno?

CF- Não, não é. Nem é fidedigno nem é sequer estudo. É mais um dos muitos disparates de pseudociência, isto é, algo que se faz passar por ciência para ganhar credibilidade, mas está nos antípodas da ciência. O sítio que indicou contém aliás um chorrilho de asneiras. São tantas que é difícil dizer qual é a mais grave. É a ignorância científica ao mais alto grau. Porquê perder tempo com isso?

Podem ler toda a entrevista, aqui.

Vejam a resposta do Carlos Fiolhais ao Fernando Alvim, no “Cinco para a Meia Noite”:

Vejam esta reportagem na TV no Brasil:

Vejam este vídeo engraçado do David Marçal a explicar a Teoria Quântica, e as não-ligações a estas pulseiras:

Leiam também este artigo, em que é dito que no Brasil, foi suspensa toda “a publicidade das pulseiras “bioquânticas”. As marcas Power Balance e Life Extreme estão sendo investigadas e deverão ser processadas por publicidade irregular.”
Só tenho que congratular o Brasil! Estes mentirosos deviam ser processados por todo o mundo!

Folha:
“A Agência Nacional de Vigilância Sanitária vai suspender hoje a publicidade das pulseiras bioquânticas, vendidas com o apelo de melhorar o equilíbrio e ativar a circulação sanguínea.
(…)
Vanderli de Assis, que afirma ter criado o modelo brasileiro e se apresenta como professor de física da Universidade Federal de Minas Gerais (não há registro dele na universidade), diz que o holograma, formado por camadas de magnésio, alumínio, ferro e silício, “emite uma frequência que gera estabilidade no campo eletromagnético do ser humano”.
Para Marcos Duarte, professor de biodinâmica da Faculdade de Educação Física da USP, as explicações são “charlatanismo quântico”. “A ideia de que um holograma possa interagir com as frequências do corpo e trazer benefício ao equilíbrio é puramente falsa”, diz.
Cláudio Furukawa, do Instituto de Física da USP, reforça: “Não há explicação cientifica para isso. Holograma não emite onda”.”

Em Espanha, as Pulseiras Power Balance foram multadas por publicidade enganosa!
A associação espanhola de defesa do consumidor, Facua, meteu-lhe um processo em tribunal e ganhou!
Quando é que a portuguesa, DECO, faz o mesmo???
Em Espanha, é certo que a multa foi irrisória, 15 mil euros, mas o mais importante foi a decisão de que realmente andam vigaristas a enganar a população!
Só tenho que congratular a Facua!

Deixo-vos também parte de um texto escrito pelo Eurodeputado José Silva Peneda, no Jornal de Notícias:
“O vendedor da banha da cobra não é uma personagem de histórias de ficção. O vendedor de banha da cobra existe, evoluiu, continua por aí e é muito hábil e astuto.
Todos sabemos que a banha da cobra não serve para nada mas a convicção que esse vendedor transmite, através duma oratória bem estudada e estruturada, convence muita gente sobre as capacidades infinitas do milagroso medicamento. Impigens, mau-olhado, torcicolos, urticária, febre dos fenos, dentes, nervos, escleroses, artroses, entorses, diarreias, sarampo, escarlatina, espinhela caída, dores das cruzes, doenças do miolo, treçolho, verrugas, cravos e desmanchos são alguns dos males que a banha da cobra afastava a quem a quisesse comprar.
Ainda tenho no ouvido partes dessa oratória “Não custa nem 20, nem 15, nem dez! Custa apenas cinco, e quem levar dois leva um totalmente de graça. Um para aquele senhor, outro para aquela menina… e enquanto eu vou lá à frente receber o dinheiro, a minha mulher vai lá atrás distribuir o pacote…”
E o povo lá ia comprando e o vendedor da banha da cobra lá se ia governando.
(…)
Tal como no tempo da banha da cobra, compram sem pensar e sem precisar. Tal como no tempo da banha da cobra, acham graça e simpatizam com o estilo do vendedor de ilusões. Tal como no tempo da banha da cobra, estão contentes, porque estão iludidos.”

É incrível como as pessoas continuam a cair em disparates!
Mesmo com centenas de anos sempre a caírem nestas esparrelas, não aprendem nada!

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico.
Licenciatura em Gestão de Empresas.
Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica.
Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas.
Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas.
É actualmente Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA.
Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

33 comentários

6 pings

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  1. Dário S. Cardina Codinha

    Estive mesmo para escrever sobre este tema esta semana. Mas ainda não tive tempo e alguém se antecipou… e muito bem!! Entretanto vou saber um pouco sobre iridologia para escrever algo.

    Um abraço!

  2. Pedro Seixas

    youtube.comCarlos,

    Acho que devias incluir este video no teu post:

    http://www.youtube.com/watch?v=XnM_M5YkG_I

    onde é desmascarada essa farsa.

    Abraço

  3. Carlos Oliveira

    Olá Pedro,

    Desconhecia a reportagem.

    Obrigado!

    Coloquei no post ;-)

    abraço!

  4. Carlos Oliveira

    Dário,

    Tive que ir à wikipedia ver o que era Iridologia… ehehehehe :)

    Os olhos são o espelho da alma :P ehehehehe

  5. Sérgio Paulino

    É um fenómeno triste a forma como as pessoas embarcam nestas patranhas. Dão 30, 40 € por um pedaço de silicone, mas não gastam um tostão, por exemplo, na saúde oral (só há dinheiro para as necessidades básicas, dizem!). É um verdadeiro reflexo da pobreza cultural e científica de que padece grande parte da população portuguesa.
    Uma tristeza. :(

  6. Romão

    Boa tarde,
    Não imaginava que pessoas ligadas á ciência perdessem tempo com este tipo de assuntos! Deve ser por ser Verão! Por curiosidade o meu pequeno pediu-me uma e comprei-lhe, serei “parvo” ou “pobre cientifica e culturalmente” por isso ?
    Cumps

  7. Carlos Oliveira

    Olá Romão,

    Se comprou porque o miúdo gostou das cores, então tudo bem.
    Se comprou para ir atrás de modas, então é um problema de personalidade.
    Se comprou porque acha que lhe vai melhorar a vida, então sim, é pobre científica e culturalmente.

    Sim, a ciência interessa-se e cada vez se deveria interessar mais, em não deixar as pessoas serem enganadas pelos pseudo que usam expressões cientificas para fazerem das pessoas parvas.

    Até o Romão deveria interessar-se por desmascarar pessoas sem “escrúpulos” (como disse o físico Carlos Fiolhais).

    Por um mundo melhor,

  8. Pedro Seixas

    Olá Romão,

    Se alguém quisesse vender uma pulseira atómica, é natural que haja cientistas a dizer que era um disparate.
    A palavra quântica está, como se calhar até sabe, ligada à física quântica. As pessoas que promovem estas pulseiras tentam usar palavras ligadas à Ciência para lhes dar credibilidade e ao mesmo tempo iludir as pessoas que não são especialistas em Ciência e se deixam levar. É vê-las a usar palavras como quântica, holograma, energia electromagnética, etc. É natural também que haja cientistas que percebem que estas pessoas andam a tentar iludir outras pessoas e que reajam.

    Tal como o Carlos, eu diria que se comprou porque o miudo gostou, então com certeza que vai cumprir a finalidade com que comprou: deixar o miudo satisfeito. Se comprou porque acreditou no que eles diziam, então lamento, mas foi enganado.

    P.S. – Pela sua mensagem, e por uma certa ironia que deixa transparecer, não sei se não está ligado à Ciência também. Se está, é pena que também não perca algum tempo a desmascarar estas farsas

  9. Romão

    Boa tarde,

    efectivamente comprei a pulseira porque o rapaz achou graça as cores….e já lhe perguntei se ele se sente “mais equilibrado”, ao que ele responde …”isto não faz nada, mas é gira”…portanto cumpre a finalidade com que foi adquirida.

    Efectivamente que lhe expliquei que aquilo não passa de uma vulgar pulseira. Ok, também tento explicar as pessoas que conheço e que falam nisso, que aquilo não pasa de um bocado de silicone, e se querem comprar pelos “poderes milagrosos” da dita, mais vale estarem quietos que não pssa duma valente “treta”.
    Concordo quando dizem, e é um facto, que se usa e abusa de definições cientificas em vão e cabe a quem percebe dos assuntos desmascarar tais farsas.
    Não trabalho em ciência, sou engenheiro e trabalho em gestão energética e também “me passo” com a ecotopia vigente (mas isso é outra conversa!!!)
    cumprimentos

    Ass: Romão

  10. Carlos Oliveira

    Romão,

    Então engenharia não é ciência? :)

    abraço!

  11. Romão

    Engenharia é uma….arte !

    ou vejo mais como uma “aplicação” da ciência…

    por curiosidade,li um livro do Feynmam em que ele faz a distinção entre “fazer ciencia” ou “trabalhar em ciência”, achei fantástico.

    abraço

  12. Zézé Camarinha

    A mim dá muito jeito pessoal! Poupa-me muito tempo nos engates e a minha taxa de sucesso subiu vertiginosamente!

    Mas não pensem que é porque agora uso uma pulseira dessas. É porque só escolho as que usam estas pulseiras, e essas são mais fáceis de dar a volta!

    Obrigado Pulseira Mágica!

  13. claudio trannin

    “Malandro é malandro, mané é mané…” Isso é um exemplo clássico da frase: “eu acredito eu posso eu consigo…” mas a incredulidade das pessoas em si mesmo, levam a gente como este doido q inventou essa pulseira ficar milionário…
    Ele sim é a prova viva q se vc acreditar vc consegue….
    acordou duro e pobre, decidiu ficar milionário e consegui às custas de um monte de mané….

  14. Carlos Oliveira

    Também falei das pulseiras, aqui:
    http://www.astropt.org/2010/09/13/hawking-e-deus/

  15. Carlos Oliveira

    ratbags.com…

    Aqui nos EUA, também existiam estas pulseiras quânticas Power Balance.
    http://www.ratbags.com/rsoles/comment/powerbalance.htm

    Tiveram bastante sucesso, mas depois como mais ninguém comprava, mudaram o nome.
    Agora chama-se iRenew, mas é exactamente o MESMO produto, com os mesmos efeitos mentirosos!
    http://answers.yahoo.com/question/index?qid=20100705003039AAwKpTP

    enfim…

  16. Carlos Oliveira

    Um artigo genial e divertido do Ricardo Araújo Pereira:
    http://aeiou.visao.pt/uma-bugiganga-para-o-seculo-xxi=f571002

    “De acordo com os últimos dados, mais de 20 mil portugueses já adquiriram a milagrosa pulseira que todos os estudos científicos dizem não funcionar.
    (…)
    Não digo que a pulseira do equilíbrio não provoque bem-estar. O que digo é que provoca mais em quem a comercializa do que em quem a usa. Creio que, se a pulseira do equilíbrio produzisse, de facto, equilíbrio, assim que o seu proprietário a colocasse no pulso pensaria: “Espera aí, acabei de dar mais de 30 euros por uma argola de borracha. Percebo agora que não foi uma decisão particularmente equilibrada. Vou à loja tentar recuperar o dinheiro.”
    (…)
    Pela minha parte, começo a sentir alguns efeitos da pulseira mesmo não a tendo adquirido. A admiração que tenho pelo fenómeno levou-me a agir de um modo que, segundo creio, não tardará em produzir melhoras na minha qualidade de vida. O meu plano é encomendar 50 mil anilhas para pombos a dez cêntimos cada. Depois, mergulhá-las num caldo de iões tão quânticos quanto me for possível, e vendê-las a 30 euros a unidade sob a designação de “O Anel da Temperança”. E, anualmente, renovar o stock de charlatanice quântica com novidades. O Colar da Constância, Os Brincos da Estabilidade e A Gargantilha da Harmonia garantir-me-ão, acredito, negócio para a próxima década.”

  17. Pedro Seixas

    http://aeiou.visao.pt/uma-bugiganga-para-o-seculo-xxi=f571002

    Uma bugiganga para o século XXI
    Ricardo Araújo Pereira

    De acordo com os últimos dados,
    mais de 20 mil portugueses já adquiriram a milagrosa pulseira que todos os estudos científicos dizem não funcionar.
    Não admira.
    De que serve um estudo científico se a pulseira é ainda mais científica?
    Um dos responsáveis pela distribuição da pulseira em Portugal revelou ao Correio da Manhã que o segredo está nos “dois hologramas quânticos embebidos numa frequência com iões negativos” que vão “estabilizar a nossa frequência”.
    Quando o jornal confrontou um professor de Física da Universidade de Coimbra com esta explicação, aconteceu o habitual: obviamente invejoso por nunca ter embebido hologramas em iões, o professor disse que aquele paleio pseudocientífico não fazia qualquer sentido.
    Infelizmente, na comunidade científica é sempre assim: bem podem as pulseiras reluzir nas montras, com os hologramas ainda a pingar iões, que haverá sempre alguém a negar que as nossas frequências possam ser estabilizadas pelas frequências quânticas. A desfaçatez!

    Dito isto, devo, no entanto, confessar que sou moderadamente cético quanto às capacidades da pulseira.
    Não digo que a pulseira do equilíbrio não provoque bem-estar.
    O que digo é que provoca mais em quem a comercializa do que em quem a usa.
    Creio que, se a pulseira do equilíbrio produzisse, de facto, equilíbrio, assim que o seu proprietário a colocasse no pulso pensaria: “Espera aí, acabei de dar mais de 30 euros por uma argola de borracha.
    Percebo agora que não foi uma decisão particularmente equilibrada.
    Vou à loja tentar recuperar o dinheiro.
    ” No entanto, é falso que a pulseira não produza qualquer efeito.
    Quem a usa passa a empenhar-se numa espécie de proselitismo gratuito, informando os amigos dos benefícios de andar com coisas quânticas ao dependuro.
    E é possível que a energia despendida nesta tarefa produza efeitos saudáveis, uma vez que explicar um processo fantasioso através de palavras que não se compreendem constitui um esforço notável.
    Pela minha parte, começo a sentir alguns efeitos da pulseira mesmo não a tendo adquirido.
    A admiração que tenho pelo fenómeno levou-me a agir de um modo que, segundo creio, não tardará em produzir melhoras na minha qualidade de vida.
    O meu plano é encomendar 50 mil anilhas para pombos a dez cêntimos cada.
    Depois, mergulhá-las num caldo de iões tão quânticos quanto me for possível, e vendê-las a 30 euros a unidade sob a designação de “O Anel da Temperança”.
    E, anualmente, renovar o stock de charlatanice quântica com novidades.
    O Colar da Constância, Os Brincos da Estabilidade e A Gargantilha da Harmonia garantir-me-ão, acredito, negócio para a próxima década. Estejam atentos.

  18. Carlos Oliveira

    Um pequeno texto que utiliza o pensamento crítico para desmascarar as “frases no ar” ditas pelos vendedores destas pulseiras:
    http://logosecb.blogspot.com/2010/08/pulseiras-e-hologramas-quanticos.html

  19. Pedro Seixas

    A empresa que comercializa as pulseiras reconheceu que não tinha evidência científica para o que afirmava:

    http://scepticsbook.com/2010/12/22/power-balance-admits-to-false-claims/

    Os videos que acompanham o artigo são muito interessantes e mostram como são feitos os truques para tentar convencer as pessoas.

  20. Carlos Oliveira

    Gostei de ler que a revista Choice lhes deu o prémio por “DUMBER product of 2010″.
    Quem vendeu o produto não foi burro – pelo contrário, fez montanhas de $$$ -, “burro” é quem compra estas coisas a pensar que dá resultado.

    Christopher Zinn disse: “the only effect that the power balance band has is in emptying your wallet”. Ou seja, o único efeito que a pulseira tem, é a esvaziar os bolsos das pessoas.

    E foram chamados de: “a bare faced con”. Ou seja, uma mentira claramente inventada para enganar as pessoas.

  21. Carlos Oliveira

    mdig.com.br…

    A mesma notícia, agora em português, sobre a admissão de pura falsidade de quem comercializa estas pulseiras.
    É o conto do vigário do século XXI, mas com episódios ainda mais repugnantes.

    Os vendedores admitem que é tudo uma grande FRAUDE, mas vão continuar a vender as pulseiras, porque há sempre PARVOS que as compram.

    http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=16231

  22. Carlos Oliveira

    sabado.ptpublico.pt…

    Ao menos, já admitem que são uma fraude!
    Mas ainda assim vão continuar a vender, porque não têm escrúpulos, e porque há sempre parvos que as compram.

    http://www.sabado.pt//Multimedia/FOTOS/-span–b-Sociedade-b—span–%281%29/FOTOGALERIA-%28NAO-MOVER-SO-COPIAR%29-%2850%29.aspx
    “Para responder às dúvidas que se têm colocado em todo o mundo sobre a fiabilidade da pulseira, a representante da Power Balance na Austrália foi obrigada a explicar os seus reais benefícios: “Não há provas de que as pulseiras funcionem”.”

    “Em Espanha, onde uma associação de consumidores as classificou como fraude a Junta da Andaluzia condenou a empresa a pagar 15 mil euros por publicidade enganosa. Em Itália a multa foi maior: 350 mil euros para as empresas que vendem pulseiras deste género no país.”

    http://www.publico.pt/Sociedade/power-balance-obrigada-a-admitir-na-australia-que-pulseiras-do-equilibrio-nao-funcionam_1473586

    “A marca de pulseiras plásticas Power Balance, vendidas com o objectivo de darem mais força e equilíbrio a quem as usa, foi obrigada na Austrália a admitir publicamente que as pulseiras não funcionam e a reembolsar compradores insatisfeitos.”

    Só tenho que parabenizar a Itália e sobretudo a Austrália!

    Que se ponha fim a toda esta trafulhice.
    E quem andou a enganar as pessoas, nas lojas e na TV, deviam ir todos presos!

  23. Dário S. Cardina Codinha

    A próxima vai ser meias de algodão com fios de energia especial que dão sorte e curam tressolhos. LOL. e a €60 para compensar as multas

  24. Carlos Oliveira

    powerbalance.com…

    Mais alguns links sobre esta FRAUDE:

    http://osvelhotesdosmarretas.com/2011/01/pulseiras-power-balance-admitem-ser.html

    http://www.powerbalance.com/australia/ca
    “We admit that there is no credible scientific evidence that supports our claims and therefore we engaged in misleading conduct in breach of s52 of the Trade Practices Act 1974.
    If you feel you have been misled by our promotions, we wish to unreservedly apologise and offer a full refund.”

    Peçam o vosso dinheiro de volta!!!!

  25. Filipe Dias

    Então e se um tipo tiver comprovado a eficácia da pulseira ao ter recuperado o equilíbrio quando estava à beira do precipício, tudo graças aos poderes quânticos da pulseira? Esse tipo não pode pedir o dinheiro de volta, mas por coerência retroactiva com a pulseira “não funcionar”, têm que voltar ao precipício e atirar-se de lá! :-P

  26. João Cruz

    Carlos, voltando à questão da ciência e do seu valor monetário… e neste caso nem de ciência se trata, mas sim de aldrabice!
    O valor intrínseco das coisas (valor de mercado) é ditado por quanto as pessoas estão dispostas a pagar por determinado serviço ou objecto. E pelos vistos, é mais fácil perder 30 euros do que ir ao dentista, pois sempre posso rir com a mão à frente que ninguém vê a minha boca sem alguns dentes e a podridão dos outros que restam… enquanto espero que os poderes mágicos da PB me salvem o resto da boca.

    Os vendedores de banha da cobra sempre existiram e continuarão a existir, mas os seus métodos agora são mais sofisticados e ajustados à era digital.
    Faz-me lembrar as “máquinas de fazer dinheiro” (duas ripas de madeira sobrepostas, com uma nesga entre elas, que eram mostradas nos mercados e feiras deste paraíso à beira-mar plantado*) e que eram vendidas a peso de ouro, pois os próprios compradores viam o vendedor colocar uma folha de papel num dos lados e, magia das magias: saía do outro uma nota…

    E isto é cíclico… lembram-se dos totós que aqui há uns anos compraram a pulseira da sorte, com 2 bolitas de metal? Até o imbecil do nosso PM a usou… e nem por isso as coisas lhe correram bem! hehehe!

    E das palmilhas adelgaçantes…????

    E…. tantos outros exemplos…

    Enfim…!
    Mas, afinal o português não é assim tão burro como parece: 20 000 representam apenas 0,2% da população, o que me deixa mais descansado.
    E também, um placebo por 30 euros ainda dá para suportar… hehehe!

    * Nunca percebi bem esta coisa do beira-mar plantado… é mais uma das descriminações do litoral vs interior. Então “metade” do país não está plantado à beira da Espanha-continente?
    :-)

  27. Carlos Oliveira

    Escrevi mais um post sobre isto, com os novos desenvolvimentos:
    http://www.astropt.org/2011/01/05/pulseiras-do-equilibrio-admitem-ser-uma-vigarice/

  28. Filipe Dias

    youtube.com…

    Isto já se tornou um pouco trivial, mas há aqui neste vídeo, com um leve tom humorístico, mais pormenores sobre como vender pulseiras:
    http://www.youtube.com/watch?v=Piu75P8sxTo

  29. M.Paranthoen

    Fale sobre o anel atlante, gostaria de saber a sua opiniao, este anel surgiu na decada? 1980 no brasil. Atenciosamente, M.Paranthoen;

    1. Carlos Oliveira

      O Anel Atlante tem os mesmos efeitos das pulseiras de cobre, das pulseiras quanticas, e das pulseiras de corda da amizade.

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