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Fev 28

A Arte de Não (Querer) Saber

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Não fico triste quando alguém não sabe de um assunto e não consegue argumentar por isso. Mas fico desolado quando alguém não percebe do assunto e os argumentos são falaciosos. Argumentos a fingir sabedoria brotam de mentes criativas.

Alguém comentou um post num blog metafísico onde também comentei. Não é da competência da ciência falar de um deus (e ainda bem), assim como não é da competência da religião meter o bedelho em questões científicas (só dá mau resultado como se tem visto). Dei ainda uma breve explicação de mutações, recombinações genéticas e aleatoriedade, em que a informação genética também pode ser aumentada.

A resposta foi pior do que imaginaria. A pessoa, que dificilmente percebe o mínimo de ciência, respondeu que o criacionismo é ciência e é um modelo lógico para explicar as orígens. A complexidade da ciência não deixa algumas pessoas pensar, o que é normal pois faltam bases científicas. Não posso compreender genética molecular sem compreender biologia celular. Como a pessoa em questão (e não é a única, há como que uma doença que se espalha) não compreende como um ser unicelular evolui para multicelular, então é mentira. E ainda exige que a Natureza e os cientistas demontrem-no num copinho em 10 minutos esse fenómeno a ocorrer. O mais engraçado é que, se tal acontecesse não acreditariam. Enfim…

Estes senhores religiosos com aversão à ciência referem-se a textos já alterados e facciosos de sites da mesma laia que, por sua vez tiraram do contexto algum artigo científico. Em vez de irem ao PubMed ou usar o OneNote e ler artigos recentes, completos e não apenas um!

Tenho lido sobre as estórias de deuses de povos antigos e reparo que há muito em comum na fabricação destes deuses. Um bom exemplo é este post que ensina a fazer um deus em casa.

Uma pessoa que não vê evidências científicas mas vê um deus em nuvens, em estrelas e em torradas é uma pessoa que não quer mesmo saber.

É, de facto, mais fácil fazer um deus quando o mundo nos parece complicado de mais para pensarmos como funciona. É mais fácil desistir de pensar e deitar a ciência moderna no lixo, excepto os podres que por vezes aparecem. Posso comparar estas pessoas àqueles sem abrigo que andam no lixo à procura de comida. As pessoas têm a ciência que explica um determinado fenómeno mas não querem saber, preferem que seja algo sobrenatural com uma explicação… sobrenatural do tipo “porque sim”. Depois fundamentam-se am artigos de outros pseudo-cientistas ou em excertos de artigos sérios tirados do contexto.

Como já não dou moedinhas aos sem abrigo que andam a pedir mas que têm boa saúde para trabalhar. Também não dou desculpas a esta gente metafísica que não aprende e não quer saber porque é mais fácil remeter todas as respostas para falácias do “porque sim” e, ao mesmo tempo usar a ciência para navegar na net e dizer mal da própria ciência. Chamo a isto hipocrisia.

Necessitei de fazer este desabafo.

Acerca do autor(a)

Dário S. Cardina Codinha

Frequentou o Mestrado Integrado em Engenharia Biológica na Universidade do Algarve e o curso de Biologia Celular e Molecular na Universidade Nova de Lisboa. Presidiu ao Núcleo de Engenharia Biológica da Universidade do Algarve.

Manteve o blog Universo Paralelo que está a dormir desde 2010. Apaixonado pela escrita criativa, sátira e humor.

Luta constantemente contra ideias falaciosas e teorias erradas. A realidade é explicada por um mecanismo chamado ciência e ela merece ser respeitada e seguida.

Desde os 11 anos que lê notícias sobre o Universo e recebeu, aos 13 o livro Cosmos, de Carl Sagan, que devorou. A partir daí coleccionou artigos e livros científicos. Gosta de divulgar ciência da vida (área académica) e ciência espacial (área de paixão). De vez em quando "saca" algumas sebentas para se manter actualizado.

35 comentários

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  1. Pedro Timóteo

    Um óptimo post, se bem que não concordo com a questão de a ciência não poder falar de (existência de) “deuses”. Acho que a existência de tal coisa é uma questão científica como qualquer outra, e se é impossível provar a não-existência (a existência, por outro lado, seria facílima de se provar — bastaria haver evidências nesse sentido…), por outro lado a total ausência de evidências a favor acaba por ser uma forte evidência contra.

    Mas, de resto, o post está excelente, e, naturalmente, vai passar completamente ao lado das pessoas que mais precisavam de o ler…

  2. Carlos Oliveira

    Tive uma discussão recente no Facebook sobre Criacionismo/ID.

    O que me pareceu sobretudo é que as pessoas não sabem o que é uma teoria.
    Imaginam que é um conjunto de ideias que a pessoa teve. Quando não é.

    Da Wikipedia:
    “Teoria é o conhecimento descritivo que permite especulações, contudo puramente racional. (…) Também pode ser entendido como forma de pensar e entender algum fenômeno a partir da observação. (…)
    Uma definição científica de teoria é a de que ela é uma síntese aceita de um vasto campo de conhecimento, consistindo-se de hipóteses necessariamente falseáveis (…) que foram e são permanentemente e devidamente confrontadas com os fatos científicos, fatos estes que integram um conjunto de evidências que, juntamente com as hipóteses, alicerçam o conceito de teoria científica.”

    Muitas pessoas imaginam que uma ideia que têm constitui uma teoria, quando muitas vezes (como no caso do Criacionismo) o que têm é um argumento falacioso baseado em “explicações por cenário” (um argumento falacioso bastante comum em ideias pseudo).
    Uma teoria não é uma ideia que alguém teve, não é uma hipótese que alguém propôs, não é especulação…

    Uma teoria é, de forma simples, uma síntese de vários factos (baseados na observação) provenientes de várias áreas do conhecimento.
    De uma teoria retiram-se leis universais.
    Mas para haver uma teoria já tem que haver provas de várias coisas. Depois agrupa-se várias dessas provas numa só teoria.

    Por outro lado, parece-me que há pessoas que não sabem o que é a natureza da ciência. Daí que não percebem que ela é (tem que ser) falsificável, senão é pseudo-religião.

    Concluindo, parece-me que a grande maioria das pessoas no mundo, não consegue perceber estes dois factores, e daí que muitas vezes cai na defesa de algo que é contrário ao conhecimento.

  3. Ana Guerreiro Pereira

    Ui, acho que muitos de nós compreendem muito, muito bem este desabafo. 😀 Por mim, já entrei em tantas discussões do género, totalmente infrutíferas, que a única conclusão a tirar é…não vale a pena. :p

    Julgo que, mais do que não querer saber, há todo um complexo de inferioridade em que as pessoas, como não sabem e não querem admitir que não sabem, preferem enrolar-se em argumentos loucos/criativos, negar, dizer que não “acreditam” ou, a minha preferida “isso não faz qq sentido”! Ou então, “isto serve para quê??”

    Ai, ai, é o pão nosso do meu dia… 🙁 (já foi pior! :D)

    Deus é uma questão de fé e a fé não é racional. De modo que, a meu ver, é da competência da religião responder a essas questões. Repare-se a quantidade de cientistas que, ao mesmo tempo, acreditam num Deus. Não é não querer saber nem ignorância… é fé e, principalmente, necessidade de acreditar em algo. Há campos da ciência que nos obrigam a pensar nas coisas como máquinas moleculares e nos tornam totalmente desprovidos de “espiritualidade”; a religião traz conforto nestes casos.

  4. Carlos Oliveira

    Ana,

    Não concordo com uma pequena frase 😉
    “Há campos da ciência que nos obrigam a pensar nas coisas como máquinas moleculares e nos tornam totalmente desprovidos de “espiritualidade””

    Desconheço que campos de ciência sejam esses.

    As crenças que todos temos (incluindo eu) são irrelevantes em face da realidade, como digo aqui:
    http://www.astropt.org/2011/01/30/carlos-oliveira-o-emigrante-cosmico/

    A fé/crença pode/deve ser avaliada pela realidade:
    http://www.astropt.org/2010/10/13/fe-num-contexto-astronomico/
    http://www.astropt.org/2010/12/26/a-ciencia-salvou-a-minha-alma/

    Mas o que me parece verdadeiramente é que a ciência pode dar-te uma espiritualidade que nenhuma religião consegue (porque são formas de controlo, e bastante limitativas).

    Daí que é costume veres cientistas a falar disso, como podes ler aqui:
    http://www.astropt.org/2010/02/25/sagan-e-a-espiritualidade/
    http://www.astropt.org/2008/08/30/einstein-e-a-espiritualidade/

    E neste comentário até digo isto:
    http://www.astropt.org/2010/07/09/depois-da-vida/comment-page-1/#comment-13943
    “Prefiro saber (ter conhecimento, que é contrário de “acreditar”) que já fui parte de várias estrelas, que os átomos que me constituem já fizeram parte de estrelas e planetas, e que, quando morrer, esse meu ser irá novamente fazer parte de estrelas, planetas, nebulosas, e do Universo no seu todo.
    Sei que voltarei “aos céus” e farei parte da constituição básica, fulcral, do Universo.
    Os conhecimentos da astronomia permitem-nos perceber uma “espiritualidade” abrangente, que nenhuma religião, nem nenhuma crença pseudo, alguma vez lhe chegou aos calcanhares!”

    E concluo com uma citação do livro Contacto:
    She asked Eda if he had ever had a transforming religious experience. “Yes,” he said.
    “When?”
    “When I first picked up Euclid. Also when I first understood Newtonian gravitation. And Maxwell’s equations, and general relativity. And during my work on superunification. I have been fortunate enough to have had many religious experiences.”
    “No,” she returned. “You know what I mean. Apart from science.”
    “Never,” he replied instantly. “Never apart from science.”

    Ou seja, Eda tinha tido já imensas experiências “religiosas”, espirituais, mas nunca fora da ciência. A ciência dava-lhe um sentido de espiritualidade muito mais completo e muito mais real, do que qualquer religião ou ideia pseudo.

  5. Pedro Timóteo

    Carlos: pois, “teoria” é como “agnosticismo”: tem um significado formal e um significado corrente. O formal (ou, neste caso, científico) é o que descreveste, mas o corrente é algo como “uma ideia que uma pessoa teve entre duas cervejas”.

    Agora, o que os criacionistas fazem é deliberadamente confundir os dois. De certeza que, quando dizem uma baboseira tipo “a evolução é só uma teoria”, já o disseram no passado, e já lhes chamaram a atenção para o significado de “teoria” em termos científicos. Mas eles continuam a usar esse argumento… e se o usam a discutir com quem aceita a evolução, não tenham dúvidas de que o usam ao falar / pregar a outros crentes, em igrejas, blogs religiosos, e afins. “Como é que podem acreditar na evolução, uma mera teoria?”

    Isto, senhoras e senhores, é desonesto, e, pior, é-o de forma deliberada e calculada. O termo habitual para isto é “lying for Jesus”, algo que para eles é louvável.

  6. Thiago

    Primeiramente, meus parabens pelo blog. Realmente muito bom, com noticias e artigos interessantes.

    Sou um assiduo leitor, mesmo que não comente.
    Mas agora tive que comentar, porque ja estão ficando constantes esses posts de ataque a religiao/fé e tal.

    Tem horas que dão no saco. São discursos falaciosos por natureza. È claro que não tem como comparar ciencia e religiao, no simples fato de que religiao é constituido de DOGMAS e a ciencia em si de FATOS.

    DOGMAS != FATOS

    Outra questão sempre levantada tb é a Evolução x DI

    Dá no saco ver um religioso ( que siga a biblia ao pé da letra) falar que os Dinossauros não existem? ( ps.: tenho uma prova viva disso, meu tio) Dá, ô se dá.
    Mas tb enxe minhas bolas quando um Seguidor de Darwin querer que eu engula a Evolução das especies , por aquela teoria de Darwin.

    Não que a Teoria das Especies esteja errada, muito ja se foi comprovada, só que ela não tem o objetivo fundamental de explicar a origem da vida na Terra, ela tenta explicar a sua interação e os resultados dessa interação.

    Vamos largar dessa picuinha besta de “defender o nosso”. Parece aquelas brigas idiotas de BrasileirosxArgentinos, Vegetarianos X Comedores de Carne.

    Afinal, temos muito ainda o que aprender. Talvez estejamos no meios de infinitas dimensoes em infinitos universos, e não conhecemos nem 0,00000000000000000001 do nosso universo observavel. Vamos focar atras de resultados, as brigas? deixamos com os ignorantes.

    Meu desabafo agora…ehhehe

  7. bigkax

    Cresci com base +/- católica e as minhas experiências religiosas limitam-se a comporta-te ou vais arde para sempre no inferno(não sabia o significado de para sempre, mas sabia que era muito tempos e já me tinha queimado por tocar em algo quente e imaginei a dor excruciante em todo o corpo durante todo o tempo que pensavas ser para sempre), mas quando obtive a informação que a matéria do meu corpo tinha feito parte de estrela(s) fiquei pasmado por uns 5min(tinha a informação toda mas ate ao momento não a tinha interligado).

    @Pedro Timóteo
    Os crentes religiosos são formados por 2 grupos os hipócritas e os ignorantes. Normalmente o primeiro grupo lida e o segundo segue…

  8. Carlos Oliveira

    Thiago,

    Está enganado.

    Faça a experiência do Dawkins: atire-se do topo de um edifício de 20 andares.
    Compare a sua crença (consegue voar) com a realidade (estatelar-se no chão), e verá quem tem razão.

    Após estatelar-se no chão, pode criar uma fantasia que foi o dedo de um unicórnio voador gigante invisível que o empurrou para o solo. Crie uma legião de seguidores que acreditam em si, e dizem consigo o mesmo, sem qualquer evidência para o que dizem.
    Isso é um dogma.

    O cientista explica-lhe detalhadamente o que é a gravidade, e como funcionou para o seu caso, e para milhões de outros que podem querer saltar também.
    Mais, a ciência diz-lhe para fazer a experiência por si, onde quiser, que os resultados serão os mesmos. E são. Ao fim de milhentas experiências, os resultados não dependem das crenças pessoais de cada um, mas são baseadas na realidade e na experiência, como qualquer pessoa pode comprovar. Os resultados são baseados na realidade objectiva, que qualquer pessoa pode comprovar.
    Isto é um facto.

    Convencer os outros que a Internet, computadores, televisão, etc, é tudo obra do diabo, e não são compreensíveis, além de hipocrisia, é um dogma.
    A existência de televisão, computadores, internet… tudo feito por humanos, e que por isso é passível de compreensão por nós, é um facto.

    Como vê, são coisas diferentes… antagónicas.
    Dogmas baseiam-se no desconhecimento e ignorância.
    Factos baseiam-se no conhecimento.

    abraço!

  9. bigkax

    @Thiago
    “Vamos largar dessa picuinha besta de “defender o nosso”. ” Não é só defender o nosso, é defender as pessoas com quem temos as “brigas idiotas” e os seus descendentes que são aterrorizados com historietas de um ser todo poderoso que os ama mas que o castiga eternamente se não acreditar nele porque sim. Já vi vídeos de crianças aterrorizadas porque falavam com Deus mas como é óbvio ele não respondeu e elas pensavam que ele não gostava delas e que iam para o inferno. Devia ser proibido fazer as crianças passar por isto, se fosse em outras circunstancias estas crianças eram consideradas crianças de risco ao serem agredidas psicologicamente desta maneira.

  10. Thiago

    lol.

    Carlos,

    Não sei se meu comentario ficou ambiguo, não tenho a pratica de regular meus pensamentos em frases coerentes.

    Mas eu falei basicamente isso. Não tem como discutir com religião. Porque a crença de um individuo é esta e basta. Deus criou o mundo?Sim. Esta relatado na Biblia? Sim. Esta relatado que deus criou os dinossauros? Não. Então é obra do capeta, criar ossadas de repteis gigantes para confundir a mente de um sem-fé.

    Ou seja, não tem como debater dogmas. Deus disse, ta falado. Ai de você contestar, e alias, contestar te leva direto para o inferno, fique logo sabendo.

    Mas ficar todo o tempo com richas, picuinhas, desmerecendo, falando mal….enxe o saco tambem. Porque isso não nem de relevancia cientifica e sim egóica.
    Enquanto alguns atingem a salvação rezando.

    Pelo menos eu, vou seguindo tentando.
    E é essa a natureza cientifica, nunca firmar no concreto e sim entender que o que é sabido hoje, pode ser jogado fora em instantes. È descobrir errando. Nunca ficar parado.
    Admitir que no auge da nossa ignorancia, sabemos alguma coisa.

    enfim….

  11. Carlos Oliveira

    Thiago,

    Você disse que Dogma = Factos.
    O que eu expliquei é que isso não é verdade.
    😉

    Quanto a “encher o saco” sempre com o mesmo, isso é verdade.
    Mas note que é por os cientistas se demarcarem das suas responsabilidades de educação, que os pseudos são cada vez mais (basta ver as paranóias com 2012).
    Ou seja, ignorá-los também não é uma boa estratégia
    😉

  12. Thiago

    bigkax,

    Entendo. Mas, há de convir que assim não seja a melhor maneira de prevenir essas pessoas.

    Não temos como mudar 8000 anos de historia religiosa assim. A cagada ta feita e tem merda pra todo lado.

    O melhor que nós fazemos é aprender. Porque quando se aprende, somente com amnesia (acho) fará com que não repassamos esse entendimento.
    Faça o seu melhor, mostre o que é a ciencia, mostre que a Terra não foi criada em 7 dias, que os dinossauros viveram antes de nós.

    Você vai ensinar ao seu filho e mais algumas outras pessoas. Assim nos formaremos um mundo melhor. Assim que a semente é plantada. Ja sacou o filme A COrrente do BEm? o filme até que não é horrivel, mas a mensagem serve.

    Agora atacar, no minimo conseguirá um ataque em resposta. E é assim desde o “COSMOS”.

    Não tenho nenhuma religião, mas não sou ateu. Considero todas as religiões “atalhos” para se conseguir uma vida “espiritual”. Mas confesso que o que se tem visto é a corrupção e manipulação de muitos individuos por muito tempo. Isso tem que dar um basta.

    Mas meu amigo, se eu fosse contar o que “TEM QUE DAR UM BASTA”, não teriamos mãos para contar.

  13. bigkax

    “DOGMAS != FATOS”

    O != quer disser diferente, existem outros sinas como (menor maior) ou \=, no mundo real usa-se um = com um \ ou em cima, mas em texto não se pode fazer isso por isso adaptaram-se os sinais. Estes sinas são usados em programação para comparar 2 elementos. != é usado em Java(possivelmente mais), eu era para fazer uma referencia mas depois não se enquadrava no meu comentário.

    PS. ! em JAVA quer dizer not

  14. Carlos Oliveira

    ahhhhhhhhhh desconhecia esse tipo de linguagem!
    (pensei que o ponto de exclamação fosse um erro)

    Então, foi erro meu!!!

  15. Ana Guerreiro Pereira

    Carlos, a astronomia consegue dar-nos uma espiritualidade que, por ex, a bioquímica não consegue. Falo por mim, logicamente, que me vi desprovida de toda e qq espiritualidade qd passei por uma fase em que via o mundo como uma mera molécula ou máquina molecular. À força de ter de raciocinar dessa forma, dei comigo a ter perspectivas reducionistas das coisas; a bioquímica faz-nos isso. Por isso mesmo é que dei comigo a procurar respostas na Física, e mais concretamente na astrofísica 😀

    cada cabeça, sua sentença 😀 e sua espiritualidade, lógico.

    ai mio dios, tanta coisa para ler e tão pouco tempo. 🙂 agora não consigo seguir tudo, mas voltarei (já dizia alguém num festival da canção antigo :D).

  16. Ana Guerreiro Pereira

    O que eu queria dizer é que não vale a pena discutir o indiscutível 😀 que é a fé. Não é racional, portanto não se pode esperar uma discussão racional qd a fé está metida ao barulho. 😀

  17. Carlos Oliveira

    Ana,

    Eu acho que a bioquímica pode-te transmitir a mesma espiritualidade da astronomia 🙂

    O muito grande e o muito pequeno, podem-te dar as mesmas sensações… de insignificância humana
    😉

  18. Ana Guerreiro Pereira

    publico.es…

    Carlos, não é isso de que se queixam muitos bioquímicos 😀 sabemos como a ciência é exigente e nos obriga a ser reducionistas tanto em termos dos modelos que usamos (no caso dos bioquimicos, modelos moleculares) com em termos quotidianos. Acabamos por só ver moléculas à frente e reduzir tudo a uma questão de moléculas: só há moléculas e nada mais. 😀

    Claro que podia ser encarado de outra forma, mas suponho que tb faça parte do crescimento, como pessoa, como cientista, como educador, etc, apercebermo-nos que não, essa perspectiva é demasiado reducionista e se não for correlacionada com outras mais abrangentes, tb não será a perspectiva mais correcta. Logicamente que tudo dependerá da forma como se encaram as coisas. Quem é ateu facilmente se deixa “contaminar” com a visão de que tudo é e funciona como uma máquina.

    E como o tempo é muito pouco e a ciência muito exigente (especialmente qd se anda de nariz enfiado em teses, pós-grad, projectos, aulas, etc…), acaba-se por dar atenção ao que interessa para o estudo em questão e esquece-se de o correlacionar com outras áreas.

    Logicamente q falo um pouco por mim e pelo que vi no meu meio :). E, acreditem, muitos bioquímicos são católicos praticantes. Um paradoxo, a meu ver :D. mas isso sou eu, mais o meu agnosticismo ateu 😀 (gosto de misturar os dois termos :P) ahaha.

    Bem a propósito do tema criacionismo, acabei agora mesmo de dar com isto (deus não joga aos dados, toma, toma! 😀 :http://www.publico.es/ciencias/363606/en-las-fauces-de-los-monstruos-marinos

    E, a propósito de antropocentrismo, diz-nos a NG portuguesa deste mês: “Um novo termo geológico está a ser discutido pela comunidade científica para definir uma nova era caracterizada pelo impacte q os seres numanos deixarão no planeta”.

    E esse novo termo é… antropocénico.

    (não, não é bazinga! :D)

  19. Thiago

    lol, agora saquei o pq tu falou que eu coloquei que Dogma era igual a fato.
    Mas tambem reconheço que as vezes eu escrevo ambiguamente ehhehe.
    Mas é isso mesmo, falei aquilo la mesmo só como forma de desabafo tambem.

    Mas como você alertou, tem tambem o problema dos espertalhões (pseudo-alguma coisa), que sempre tentam tirar vantagem.

    E Ana, Dawkin até falou em um dos seus livros, que as pessoas mais ligadas com “DEUS” (fora os preceitos religiosos) eram cientistas.

    Tanto no microcosmo quanto no macrocosmo
    http://sprott.physics.wisc.edu/pickover/pc/brain-universe.html
    ” Assim na terra como no Céu”

  20. Carlos Oliveira

    telegraph.co.ukfacebook.com…

    Ateu é um termo que não faz sentido. 😛
    Ou será que também vão inventar termos especiais para quem não acredita em fantasias como o Pai Natal, ou o Monstro de Esparguete Voador, ou Fadas, ou Unicórnios Invisíveis?
    😛

    Fui ler sobre esse termo:
    http://www.telegraph.co.uk/earth/environment/geology/7528264/Earth-entering-new-age-of-geological-time.html
    http://www.facebook.com/note.php?note_id=331244779940
    http://engeoweb.blogspot.com/2010/10/uma-nova-epoca-geologica-o.html
    Concordo com a análise final:
    “Será, no entanto, tudo isto credível? Olhando para a longuíssima história da Terra nós não somos mais que uma simples respiração… Não será tudo isto sobrevalorizar o impacto da nossa espécie? Ou será apenas «Humano»?”

  21. Carlos Oliveira

    Essa “imagem cosmológica do cérebro” é muito gira 🙂

  22. Ana Guerreiro Pereira

    Thiago, era aí q eu queria chegar 😀 uma vez q a meu ver é um paradoxo um pessoa q passa a vida a questionar tudo, aceitar dogmas religiosos sem os questionar… mas isso sou eu. Obrigada pela referência a Dawkins; confesso que não aprecio o senhor, por achar que é uma espécie de fundamentalista ateu… 😛 😀

    Carlos, já li exactamente o mesmo, mas a propósito do termo agnóstico… 😀

    uiiiiii, cuidado com essa visão do cérebro cosmológico!!! onde uns vêm a unificação das leis da natureza, outros verão a mão de deus que, na sua infinita sabedoria, criou miolos iguais aos do universos!!

  23. Ana Guerreiro Pereira

    Carlos, tb gosto da observação final. No entanto, o impacto do homem na Terra é visivel, inclusive do espaço, como bem sabemos. E perdurá mais do que a própria humanidade, porque, ao contrário de nós, os materiais q usámos para urbanizar e mobilizar a Terra não são biodegradáveis…e perdurarão. A questão é essa mesmo: trata-se de um período da Terra que, mesmo q seja só uma piscadela de olho no meio das outras, está a ser caracterizado pela mão do homem, a bem ou a mal. Em 50 anos, transformámos a Terra no nosso condomínio privado. Vai sair-nos bem caro, um dia, vai. Somos antropocêntricos, somos. Mas tb não podemos negar q a nossa mão está em quase todo o lado e deixou a sua marca na Terra, mesmo q essa marca dure pouco tempo. Outra era virá, mas a questão é o q caracteriza esta era: o crescimento bacteriano-like (:D) da população humana…

  24. Carlos Oliveira

    Essa é uma visão comum, mas que não é muito correcta
    😉

    Se os humanos desaparecessem hoje, Nova Iorque, por exemplo, em poucos anos enchia-se de plantas e de biodiversidade (tigres, ursos, etc).
    Também em poucos anos, os edifícios e tecnologias que temos, desapareceriam da face da Terra, porque não seriam constantemente cuidados, e as plantas e animais “tratariam” de os fazer cair e desaparecer.

    Ou seja, ao contrário do que normalmente se pensa, os vestígios de humanidade desapareceriam passados poucos anos…
    😉

    e quem lucrava com isso, eram a vida e a biodiversidade no seu todo.
    😉

    Há um documentário que mostra isto de forma excelente: Life After People.
    http://www.astropt.org/2008/02/01/documentarios-de-extincoes/
    😉

  25. Ana Guerreiro Pereira

    Sim, logicamente que a vida continuaria depois das pessoas! isso é incontestável. 😛 ninguém afirma o contrário (muito menos eu….).

    No entanto, estamos a falar do aqui e o do hoje. Não concordo que a visão antropocénica seja incorrecta! 😛 basta olhar à nossa volta para ver o impacto que a humanidade tem tido no planeta… é uma visão incorrecta dizer dizer que alterámos a face do planeta e continuaremos a alterar eqto aqui estivermos?… não, não é… é a realidade. Logicamente que será a realidade do agora, mas é agora que estamos aqui e é agora que o impacto se está a produzir.

    Obviamente q em termos geológicos e, principalmente astronómicos, a nossa existência aqui é uma piscadela de olhos. E que cinquenta anos (os últimos, nos quais que a urbanização se acelerou sem precedentes) são desprezáveis em termos geológicos. Mas não são aqui e agora no nosso tempo de vida e não são para muitas vidas que vivem no limiar da pobreza em virtude destes impactos. Nem são por exemplo, para as espécies que foram extintas devido à mão humana nem as que estão em vias de extinção tb por dedo humano no meio. Não é uma visão incorrecta, é assumir responsabilidades.

    Incorrecto, a meu ver, é desresponsabilizarmo-nos dos impactos que temos naquilo q nos rodeia… 😛

    em que é que ficamos? 😛

    ficamos que eu estou a falar de uma coisa e tu de outra 😀

    tu estás a falar em relação ao termo antropocénico, q é exagerado. Concordo! Eu estou a falar no impacto que estamos a ter no planeta aqui e agora, sem olhar a eras geológicas e afins. Para nós, a realidade é aqui e agora.

  26. Ana Guerreiro Pereira

    Dás o exemplo de NY e eu irei contrapor com um exemplo hoje bastante conhecido por ter perdurado tantos anos… 😀

    Machu Pichu! 😛 construída no séc XV (já passaram 6 séculos, portanto!), a mais de 2000 m de altitude, numa zona sísmica e de chuvas torrenciais (com consequentes aluimentos e deslocamentos de terra)! Depois de abandonada, foi invadida pela biodiversidade local. E no entanto, é olhar para a cidade, seis séculos depois: um monumento que testemunha a passagem da civilização inca pelo planeta. 😛 😀

    Nota que as escalas temporais a que me refiro são da perspectiva humana, não propriamente geológica e muito menos astronómica.

  27. Agostinho Magalhães

    Caro Carlos,
    Geralmente gosto do que escreves, daquilo que sabes e conheces bem; gosto.
    De sem abrigo não conheces nada! Aí és um pseudo, como tu próprio dizes. Falares da saúde dos sem abrigo que não querem trabalhar é quase um insulto! Só falta dizeres (como afirmam alguns imbecis) que à “porta de sua casa” estão carros de luxo estacionados! Logo, são deles!
    Desculpa o desabafo e vou continuar a ler os teus escritos científicos de que muito gosto.
    Um abraço

  28. Carlos Oliveira

    Caro Agostinho,

    Eu sou o Carlos. E eu não falei dos sem-abrigo. Aliás, o post nem é meu.

    Daí que acusar-me de ser “pseudo” por algo que não fiz… acho, no mínimo, surpreendente!

  29. bigkax

    Para um sem abrigo arranjar emprego é muito mais difícil do que um com abrigo. E com 11% de “pessoas que não querem trabalhar”(como é comum se ouvir um idiota a dizer) é uma tarefa praticamente impossível.

  30. Ana Guerreiro Pereira

    youtube.com…

    No entanto, um video engraçado sobre a visão antropocentrica que tendemos a ter em outras questões (que o Marco já postou no seu Fossa Céptica):

    http://www.youtube.com/watch?v=CIE299rHonI

    No entanto, concordo que é um exagero chamar Antropocénico a uma era que se quer geológica. 🙂 No entanto, não podemos lavar as mãos da responsabilidade que temos para com as gerações futuras de Vida, vida essa da qual tb fazemos parte.

  31. Ana Guerreiro Pereira

    wildlifeofyourbody.org…

    só mais uma “achega”… já que afirmo que nos faz falta olhar para o próprio umbigo mais vezes: http://www.wildlifeofyourbody.org/plates.html

    (BAZINGA :D)

  32. Dário S. Cardina Codinha

    Agostinho,

    Há sem abrigo por auto-criação. E ainda há os que fazem disso um emprego em que não pagam impostos. Sim, há carrinhas que levam pessoas para se fazerem passar de doentes e as vão buscar ao final de uma dia.

    Como é que um coxo nas caldas da rainha num dia é um cego na nazaré no dia seguinte? Foi um milagre que o pôs a andar até à nazaré e depois um pecado tornou-o cego?

    Obvio que não torno a minha frase num estereótipo, mas é uma mão cheia de exemplos.

    Agora Pedro,

    De facto, a ciência não tem que explicar algo que não é da sua competência. E também não prova que não existe algo que não dá para provar que existe. Ou seja, não posso dizer que no outro lado da lua há um cão azul só porue aina ninguém lá foi espreitar e me disse o contrário. Só aceito que há um cão azul se houver provas disso.

    E Thiago,

    O criacionistas atacam os cientistas pelo que eles escreveram há 150 anos atrás. Esquecem-se que a ciência evoluíu (também) e que as evidências são cada vez mais fortes. Não é só dizer que um organismo evoulíu, é explicar porquê e com cada vez mais detalhes, com argumentos cada vez mais refinados e com cada vez mais evidências. Não esquecer que para se passar pelo crivo científico é cada vez mais difícil, há uma maior incidência de contra-provas, de pressão internacional, de empresas, de grupos de investigação. Há os artigos de revisão e há todas as questões para que, se a hipótese passar, fique mais forte ou então, se houver algum bstáculo, fique em banho-maria ou seja descartada.

  33. sergio

    hmm por acaso a religião até é bastante racional

  34. Ana Guerreiro Pereira

    Sérgio, religião é uma coisa. Fé é outra. A religião é uma doutrina e implica uma instituição organizada e racional. A fé é o alimento dessa instituição, e de racional nada tem… 😛

  35. sergio

    Concordo completamente que são coisas diferentes. Só digo que são racionais, porque (ambas) fazem sentido em existir (respondem a necessidades humanas). Da mesma forma, aquilo em que cada pessoa têm fé, também não me parece ser arbitrário.

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