Halo em Fátima


(crédito: Alberto Frias/Expresso)

Hoje é 13 de Maio. Muita gente vai em peregrinação ao Santuário de Fátima.
As pessoas viram um Halo Solar. E muitas delas começaram a gritar que aquilo era um milagre, como podem ler aqui e aqui.

O facto de muitas pessoas interpretarem como um milagre, evidencia a falta de cultura das pessoas que entram neste tipo de religiosidades.
Já um jornalista do Expresso (o artigo não está assinado) ter escrito que “esta imagem (…) será, sem dúvida, única” só prova que de jornalista tem muito pouco.
É que bastariam 5 segundos no Google para ver milhões de fotografias de Halos Solares – ou os mais de 5000 vídeos no YouTube -, e se esse mesmo jornalista do Expresso fôr para Fátima várias vezes, certamente que verá mais Halos Solares nessa zona (ou noutra qualquer) e poderá tirar várias fotografias “únicas” todas iguais…

O facto de isto ser um fenómeno normal, é dito pela SIC: “Para lá das crenças, a ciência tem uma explicação para o que aconteceu hoje em Fátima. A comunidade científica chama-lhe halo solar. Um fenómeno que acontece quando pequenos cristais de gelo suspensos na atmosfera reflectem a luz do Sol. Nestes casos, os cristais estão na ténue nuvem alta que se atravessa à frente do astro. Consoante o tamanho ou espessura, o resultado pode ser o que aconteceu hoje em Fátima, ou mesmo um circulo com o espectro de cores do arco-íris. Por vezes, o halo também se forma em noites de Lua Cheia. Cheia está a Internet de registos mais ou menos esotéricos do arco que NÃO é inédito.”
Como diz a Wikipedia: “Um halo é um anel de luz que rodeia um objeto. Os halos formam-se a 5-10 quilómetros, na troposfera superior. A forma e a orientação particulares dos cristais são responsáveis para o tipo de halo observado. A luz é refletida e refractada pelos cristais de gelo e pode-se dividir em cores por causa da dispersão, semelhante ao arco-íris.”
Podem certamente ler a mesma explicação noutros lados, como aqui.

Aliás, este fenómeno óptico é tão normal que antigamente era utilizado para prever o tempo!!!

Concluindo: não existe milagre. Existe sim um fenómeno que é normal, e que é perfeitamente explicado pela ciência.

O mundo seria excelente se as pessoas em vez de gritarem “milagre”, tentassem compreender as causas dos fenómenos.
E o mundo seria menos inculto se as pessoas entendessem o quanto a ciência é importante na sua vida diária. Quiçá até fariam romarias para agradecer todos os benefícios que a ciência lhes dá diariamente

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Tendo em conta o elevado número de comentários que existem, e a existência de comentadores que não sabem sequer compreender textos simples, resolvi acrescentar esta parte ao post, de modo a tentar clarificar as mentes mais “sensíveis”.

1 – Este post é sobre um fenómeno perfeitamente explicável pela ciência – é um fenómeno que existiu igualmente no dia anterior e no dia seguinte, e que acontece regularmente (várias vezes por semana).
2 – Este post critica alguns jornalistas que em vez de fazerem o trabalho para o qual são pagos (que envolve investigarem sobre os assuntos), preferiram ser levados pelas crenças próprias.
3 – Neste sítio de ciência, obviamente que se defende o pensamento crítico, a cultura, a verdade, e as explicações científicas.

Infelizmente, nem toda a gente é capaz de compreender isto.
A compreensão de textos é algo que é ensinado na escola primária. Infelizmente, algumas pessoas esqueceram-se de como ler um texto.
Isto denota uma completa ausência de literacia funcional, a mais importante forma de literacia na sociedade atual.

Daí que como há várias pessoas que infelizmente não se sabem comportar, somos obrigados a moderar vários comentários.
Não serão aprovados (como ainda agora fiz a mais 2) comentários de pessoas iliteradas que não sabem respeitar os outros e que se limitam a insultar com argumentos à pessoa (em vez de falar no fenómeno).
Se não sabem ler e por isso erradamente assumem que se está a atacar a fé das pessoas, ao menos sejam educados o suficiente para respeitarem a opinião dos outros, em vez de os atacarem pessoalmente – ainda agora mais um iliterado enviou um comentário a insultar os meus “óculos” (para os pseudos, a escolha da côr de uns óculos é a razão mais importante para saber se a pessoa sabe sobre o fenómeno quase diário do Halo Solar)… ou seja, como não têm comentários inteligentes para fazer, resolvem insultar os gostos das pessoas… enfim…

Já viram se os não-crentes na Igreja Católica fossem para sítios onde a crença Católica é divulgada, entrando pelas Igrejas dentro, e insultando as pessoas disto e daquilo?
Certamente que seria um ato violento, sem qualquer desculpa, irracional, e uma total estupidez.
No entanto, esta é a atitude dos fundamentalistas crentes que resolveram comentar aqui.
Entraram por um sítio de ciência, e resolveram insultar quem detém o conhecimento.
Será essa forma de estar na vida (insultando os outros) que aprenderam na sua religião? Estas pessoas demonstram perfeitamente para que existe o inferno: para elas irem para lá!
Além disso, é um disparate e uma total hipocrisia, porque quem detém o conhecimento é quem lhes dá computadores e internet, ou seja, cospem no prato que utilizam todos os dias.

O respeito não é algo que deve ser dado só aos crentes religiosos – o respeito deve funcionar para os dois lados!
Tal como eu quando entro numa Igreja tenho respeito pelas crenças de quem lá está, quem entra em sítios de ciência, como o AstroPT, deve ter respeito pelas pessoas que cá estão.
Infelizmente, a cegueira, o fundamentalismo, a falta de educação, e a iliteracia de alguns crentes não lhes permite ter esse respeito por quem tem ideias diferentes das deles. Muitos crentes querem ser respeitados nas suas crenças, mas hipocritamente não respeitam as crenças nem o conhecimento dos outros. Felizmente, existem outros crentes que têm abertura de mente e clareza de espírito para discutirem respeitosamente com outras pessoas.

Se ainda tiverem dúvidas sobre isto, antes de escreverem comentários ignorantes em que só deixam ficar mal os crentes e a Igreja Católica, leiam estes meus comentários:
comentário nº 2: explico que o post é a criticar os maus jornalistas. Mas realço que também existem excelentes jornalistas.
comentário nº 2.1.1: exemplifico este mau jornalismo, comparando com outras notícias caso fossem transmitidas da mesma forma.
comentário nº 14: escrevi que acho uma patetice os comentários de certas pessoas. O fundamentalismo religioso (que nega as evidências), expresso por vários comentadores, dá muito má imagem à Igreja. Felizmente que tenho muitos amigos religiosos, alguns deles padres – estas amizades vêm algumas delas dos 14 excelentes anos que vivi nos Salesianos -, e por isso não generalizo estas pessoas com a mente fechada para toda a Igreja. Neste comentário afirmo inclusivamente que tenho um grande amigo que é pároco, com quem converso constantemente, e que faz um enorme trabalho pela comunidade. A diferença é que ele é inteligente, sabe conversar, sabe analisar os fenómenos, e por isso é que, tal como eu, ele é contra todos os crentes fundamentalistas ignorantes que lhe aparecem à frente (como alguns que apareceram por aqui).
comentário nº 9.1: explico a subjetividade em assumir-se sinais de X ou Y, que é contrário ao pensamento racional.
comentário nº 39.1: explico estatística, até com a ajuda do facto de se ter visto o mesmo fenómeno no dia anterior. Explico igualmente o paradoxo que é acreditar-se num Deus criador do Universo, ao mesmo tempo em que se acredita em deuses pequeninos que são deuses da chuva, do Sol, e de diversas características que uns “descendentes” de macacos vão vendo num invisível pedaço de pó no Universo. Ou se acredita num Ser Criador de todo um Gigantesco Universo, ou se acredita num “God of the Gaps”. Acreditar-se nos dois tipos de deuses demonstra que as pessoas nem sequer refletem sobre aquilo em que acreditam.
comentário nº 32.1.2: explico um pouco da natureza da ciência.
comentário nº 37.1: explico como se deve analisar o processo de “milagres” utilizando o pensamento crítico.
comentário nº 9.2: dou a ideia de espiritualidade que sabemos que é a verdade, e que nos é transmitida pela ciência, pela vida, e pelo Universo.
comentário nº 42.1: deixo aquilo que me parece ser um excelente sumário do que se tem passado em muitos comentários. Daí que vou reproduzir de novo essas minhas palavras:

“Há uma tremenda falta de literacia. As pessoas não sabem ler e compreender textos. Parece que nunca fizeram a escola primária.
Vai daí, num post a alertar para o mau jornalismo de alguns jornalistas em Portugal que nem pesquisaram sobre o fenómeno do Halo Solar, e explicando que o que aconteceu é um fenómeno que acontece constantemente e é perfeitamente explicável pela ciência… alguns religiosos de vistas muito curtas sentem-se atacados na sua fé por se ter explicação para o fenómeno.
Sinceramente, parece-me que isto demonstra 2 coisas:
– percebe-se que estas pessoas que se sentem atacadas só por um determinado fenómeno já ter explicação, são pessoas de pouca fé (precisam que este fenómeno seja um sinal de Deus, para assim acreditarem Nele).
devido à irracionalidade, falta de pensamento crítico, e fundamentalismo religioso destas pessoas… é por isso que a Igreja depois tem mau nome pelas comunidades, e por isso é que cada vez mais gente foge dela.
Felizmente, tenho muitos bons amigos na Igreja Católica para saber que eles próprios se sentem envergonhados com a falta de cultura e a falta de inteligência demonstradas por alguns crentes-comentadores que apareceram por aqui.”

239 comentários

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  1. A religião é mesmo um tema polémico e cativante. Este tópico já tem mais de um ano e continua a ser fonte de debate.
    Eu não quero discutir religião porque as inconsistências são tantas que não há um ponto de partida por onde começar.
    As pessoas que acreditam que em Fátima ocorreu um milagre apenas porque se formou um halo solar naquela altura, devem pensar seriamente em que Deus é que acreditam e quais são os atributos de Deus…
    Na mente dessas pessoas, as coisas terão ocorrido mais ou mesmo assim:
    Deus veria ali uma multidão de peregrinos. Muitos daqueles peregrinos vieram ali com enfermidades e maleitas, rezaram e pediram a Deus que os ajudasse, imploraram até pela sorte de outros, como por exemplo um filho ou uma mãe doente. E Deus terá ficado com um dilema… que milagre fazer? Curar aquelas dúzias de pessoas com cancro, SIDA, hepatites, malformações, etc, ou fazer com que surgisse um halo solar? “Desta vez acho que vou fazer o halo que é mais giro…”.

    Comecei por escrever que não iria discutir religião, mas vou só deixar aqui umas notas:
    Se nos podemos deslumbrar perante a beleza de uma paisagem, de um acontecimento, de uma melodia, até mesmo perante a constatação do quão complexo é um ser vivo e atribuímos isso a um ser sobrenatural, temos também, para ser coerentes, que atribuir a esse mesmo ser todas as injustiças, imperfeições e horrores que presenciamos ou de que temos conhecimento. Enquanto escrevo estas linhas, milhares de crianças nascem neste planeta. Muitos dos pais dessas crianças, sendo crentes (num deus qualquer), darão graças ao “seu” deus. Alguns outros pais, também crentes, versão os seus filhos nascerem com deformidades ou enfermidades incuráveis e, neste caso, irão culpar deus pela má sorte do bebé? Alguns outros pais versão que os filhos irão morrer nos próximos dias e, por muito que rezem ou que implorem ao seu deus, algumas crianças irão mesmo morrer. Crianças totalmente inocentes, sem qualquer culpa por qualquer “pecado” que os seus pais tenham cometido… e os pais, ao rezarem não estarão a pedir nada para si próprios; estarão apenas a pedir para que uma vida humana possa viver.
    Assim é fácil ser crente. Se as coisas correm bem, se se encontra um lugar de estacionamento naquele local e naquela hora, quando já estávamos atrasados para a consulta, foi Deus que olhou por nós… Se um filho morre em consequência de uma doença incurável, então “os desígnios de deus são insondáveis”.

    1. Amigo Rui
      Começando pelo fim não é fácil ser crente, como dizia muitas vezes Mons. José de Freitas:”ser Crente é tramado”.
      Porque a história e a vida não é acreditar quando corre bem e menos quando corre mal. Uma vez num post que por aí anda, em conversa com Carlos Oliveira, distingui Fé e fezadas que é precisamente o caso que refere no último parágrafo. Se eu encontro um lugar providencial (veja só o peso da palavra) foi unicamente sorte, se um filho meu morre de uma doença incurável é porque a Ciência, em que graças a Deus tanta gente trabalha, ainda não encontrou a resposta que era necessária para aquele caso.
      Quando se refere a tragédias e injustiças, fome, guerra, etc. será culpa de Deus ou dos Homens?
      Saberá o amigo Rui que Fátima não é um Dogma da Igreja, isto no limite significaria que eu até poderia ser Papa e não acreditar em Fátima.
      Se acredita no conhecimento perceberá que o que aconteceu no Japão, por exemplo é um fenómeno, ainda não completamente entendido (ainda não somos capazes de prever tremores de Terra), mas bem compreendido. Não são os sismos ou os maremotos que são perigosos, perigosos são as casas e os locais que “escolhemos” para viver.
      Além doutras actividades também sou “agricultor”, as coisas nem sempre corem bem, e que tem Deus a ver com isso?, eu Acreditar na Sua existencia ou não, não faz com que a colheita seja boa ou má.Nada disto perturba a minha Fé, porque Fé e Conhecimento são dois Mundos que talvez só se toquem no campo da Ética.
      Um halo é um halo ponto final. em Fátima em Lisboa, onde moro, ou em qualquer outra parte do Mundo, os milagretes não são para aqui chamados.
      Quando fico maravilhado com os milagres da Ciência, dou Graças a Deus, pelo bom resultado do trabalho de alguém que desinteressadamente ajudou para que este mundo ficasse um pouco melhor.
      Quando vejo homens matarem-se uns aos outros, rezo para que Deus ilumine os nossos dirigentes a tomarem as decisões correctas, mas sabendo que o Livre-Arbítrio é nosso e portanto nada me garante que eles o façam.
      O post começa a ficar longo, mas talvez perceba melhor sabendo que muitas vezes dou Graças a Deus pelos Homens e Mulheres, que criaram este site que me ajuda a entender melhor o Universo em que vivo.
      Um abraço
      Ze Pedro

  2. Gostava de ser genial mas ando bem longe.
    Continuam a existir milhões de seres humanos, trabalhando todos os dias, em todos os campos do Saber para que este mundo seja um pouco melhor.
    É capaz de haver uma espiritualidade adaptada ao mundo actual, infelizmente parece estar escondida da maioria.

  3. Mas olhe que este meu “Deus” pequenino é danadinho, e de vez em quando prega-lhe umas partidas e faz uns “milagresitos” que a sua querida ciencia não consegue explicar… por isso é que eu gosto tanto dele… LOL

    1. Precisamente, nessa questão de ser “danadinho” e de “pregar partidas” é que ele é demasiado humano… por aí se vê que é só uma questão de ego humano. Nada mais. Não existe mais nada a não ser a arrogância humana de ser acharem os mais importantes no Universo.

      Nunca vi qualquer “milagre” que a ciência não conseguisse explicar.
      Pelo contrário vejo imensos “milagres”, mas todos na ciência. Por exemplo, já reparou que está a comunicar para o outro lado do mundo em tempo real, numa coisa chamada “mundo virtual”? Este “milagre” da internet é muito mais fantástico que qualquer outro que tenha lido em livros…

      E, sabe, não foi feito por deuses. Este “milagre” foi-lhe dado pela inteligência humana, nomeadamente por cientistas.

    2. Sabe que já Xenophanes dizia há 2500 anos atrás, que se as vacas tivessem deuses, os deuses seriam vacas que as punham no centro do Universo.

      O mundo evoluiu. A tecnologia evolui. A ciência evoluiu. O conhecimento evoluiu de forma explosiva.
      O que estagnou? A religião! Continuam nas mesmas ideias retrógradas de pensarem em deuses pequeninos, parecidos com os humanos em tudo, que servem só para “tapar buracos”, para criar medos infundados nas pessoas, e promover o ego dessas mesmas pessoas.
      É só.

      O Universo lá fora é enorme e fantástico. Apesar disso, a religião continuou estagnada numa série de mitos sobre um Universo geocêntrico com poucos quilómetros de diâmetro e com péssima imaginação.
      É pena a religião não evoluir juntamente com o conhecimento. Faz falta uma espiritualidade que se adeque ao mundo actual, e não uma espiritualidade retrógrada que continua a ver deuses pequeninos em tudo que não compreende de modo a controlar as pessoas através do medo em fenómenos naturais.

        • Ze Pedro on 06/06/2012 at 23:18

        Caro Carlos.
        Vou citar o Prof. José Mattoso na introdução a uma sua obra recente, “Levantar o Céu, os labirintos da Sabedoria”
        “… Podemos intervir no destino do Universo? Para o Ocidental, tal ideia só seria admissível numa perspectiva poética ou simbólica. A abissal desproporção que existe entre o alcance da acção individual, ou mesmo da acção colectiva, e a dimensão do Céu exclui a interpretação racional de tais expressões (“levantar o Céu” ou “rezar”). Lars Von Trier usa simbolos visuais (filme Melancolia)mas a sua mensagem é racional. Os gestos e acções valorizadas por uma elite social que domina o mundo adquirem um sentido absurdo ou negativo porque não contribuem em nada para resolver os verdadeiros problemas da Humanidade.
        Independentemente, porém, dos sistemas de crença acerca do invisível, das representações mentais e das práticas rituais que, nas várias civilizações, tentam captar os seus efeitos benéficos, verifica-se que a grande maioria dos homens identifica esse Invisível como uma força pu um principio favorável à Vida, no qual se apoia para dela benefiiciar, para se proteger contra a morte, e para se defender de tudo o que a ela conduz. Incapaz, porém, de saber exatamente o que a Vida é, como funciona e que formas reveste, recorre à linguagem poética para dela falar, aos símbolos, metáforas e alegorias, para construir as representações mentais que traduzem as suas manifestações e os estados emotivos que provoca naqueles que por ela se deixam conduzir. A sabedoria chinesa é uma daquelas que melhor sabe traduzi-la, talvez porque as suas metáforas não são puramente verbais. Ao unir a palavra com o gesto, confere-lhes uma realidade temporal. Sem tentar definir uma doutrina, como as que, nas diversas religiões, procuram explicar a eficácia do sobrenatural nos seus rituais, projecta o homem em direcção a um principio superior no qual procura a plenitude. Assim , o gesto de “levantar o Céu” é, desde logo, um passo em ordem à mutação que pretende desncadear. Não é inspirado pela ciência nem pelas leis da causalidade física, mas por uma visão do mundo que em vez de separar os opstos – o visível e o invisível, a razão e o coração, o explicável e o misterioso, o parcial e oglobal, o passado eo futuro – os associa. Quer dizer, não se baseia na ciência e na lógica, mas na “sabedoria”. Com efeito, a liguagem própria da sabedoria, chinesa ou ocidental, é, de facto, a poética. Não define nem demonstra, representa. O gesto de “levantar o Céu” pode ter um efeito insignificante. Mas não é por isso que deixa de ser um passo, pequeno mas efectivo, em ordem ao fortalecimento e à multiplicação da Vida.
        De facto, no pensamento tauista, a lei da quantidade não é puramente mecânica. O papel do homem perante a realidade não se pode medir, mas tem sempre um efeito real, positivo ou negativo. Rege-se pela lei das mutações. Por maiores que sejam, as mutações dependem sempre de um pequeno movimento inmicial. “A viagem de mil léguas”, diz Lao Tsé, “começa por um só passo”. Este passo favorece a evolução natural de todos os sers, a troca mútua de benefícios impssível de medir, ou o grau de agregação que dele resulta no sentido da ordem ou desordem. Não é s´uma questão de quantidade, mas também de afinidade, ou seja, em termos humanos, de solidariedade. É preciso, pois, dar o primeiro passo e continuar a caminhar. É preciso colocar mais um tijolo na parede que se vai levantando, e voltar a colocá-lo se alguém o derrobar. È preciso confiar na dinâmica que a elevação ao Céu sustenta, perseverar se desfalecer, e confiar no instinto espiritual de agentes desconhecidos espalhados por todo o mundo.
        Estou a falar de pessoas como aquelas que a Igreja institucional representa como estímulo e modelo para todos os cristãos, com Antão do Desrto, ou o abade Poemen, com São Luis, rei de França, ou Snata Zita, padroeira das empregadas domésticas. Estou também a falar de Buda e dos seus discípulos, dos monges do Tibete ou da Birmânia, dos sábios chineses como Lao Tsé ou Confuncio, dos eremitas do Ocidente como Bruno e Romualdo, de monges como Bento e Bernardo, de starettzes russos e sufis muçulmanos, de solitários com Carlos de Foucault, de combatentes com Gandhi, Bonhoeffer ou Luther King. Estou a falar também de uma infinidade de decxonhecidos que se deixaram apaixonar pela arte, isto é, de quem se entregou sem medida à musica, à pintura, à literatura, à cinematografia ou à dança, como Mozart ou Bach, como Rembrant ou Picasso, como Leonardo da Vinci ou Rodin, como Dante ou Tolstoi, como nijinsky ou Pina Bausch. Enquanto houver sobre a Terra alguém que procure levantar o Céu, que dizer , implantar um pouco de bondade e de beleza sobre a Terra, restabelecer equilibrios, perdoar ofensas, respeitar o “Céu”, renunciar ao poder, plantar uma árvore e regá-la todos os dias (cocmo no filme de Tarkovsky “Nostalgia”), vibrar com uma cantata de Bach, arriscar a vida para matar a fome de alguém, comover-se com o riso de uma criança, sentir-se interpelado pelo mistério de Jesus Cristo no Getsémani como Aquele que carrega os pecados do mundo – enquanto houver alguém que teime em entregar-se à Vida, sem pensar em si mesmo, mas tendo em mente os seus semelhantes – não é insensato manter a esperança….”
        Desculpe ser tão longo
        Umgrande abraço

      1. E…. como sumariza isto em 2 linhas? 🙂

  4. Carlos, não há mesmo nadinha de espiritual em si?

    1. Bastante.

      Não faz é qualquer sentido acreditar em deuses pequeninos, de micro-gestão, em que os humanos são o centro do Universo.
      São deuses menores que os próprios extraterrestres da ficção científica.
      São deuses feitos pelo ego humano para os humanos se acharem muito especiais.
      São os chamados “God of the Gaps”. E neste caso nem isso chegam a ser, porque existe uma explicação para o fenómeno. Tal como a chuva está explicada. A electricidade está explicada. O funcionamento da internet está explicada.

      Num Universo gigantesco, a astronomia transmite uma espiritualidade muito mais abrangente que nenhuma religião alguma vez conseguiu alcançar.

      Já falei disso várias vezes por aqui pelo blog 😉

  5. Estive no Santuário de Fátima em 13-05-2012 e confirmo que o halo foi visível no momento em que a imagem da Nossa Senhora começou a recolher à capelinha das aparições (o adeus à Virgem). Este halo permaneceu no céu até umas 2 a 3 horas depois do final da missa embora se fosse tornando cada vez menos intenso. Estranhamente esteve uma manhã de céu encoberto (pois de outra forma duvido que os milhares de peregrinos aguentassem no recinto toda a manhã) e uns 20 a 30 minutos antes do fim das celebrações as nuvens começaram a dissipar-se permitindo observar o sol. Relembro que em 1917 a Nossa Senhora usou o sol para dar um sinal aos peregrinos, por isso, apesar de todas as explicações científicas que alguns tentam aqui esgrimir , não deixa de ser fascinante esta coincidência (ou não) de este fenómeno ter acontecido em 2 anos consecutivos no mesmo dia, à mesma hora e no mesmo local… E bem sabemos que este fenómeno não é assim tão frequente, e olhem que eu até sou daquelas que anda sempre de nariz no ar a olhar para o céu, e terei visto o fenómeno umas 3 ou 4 vezes na vida… Enfim, cada um acredita no que quer, mas já dizia Shakespeare que “Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.”…

    1. É um fenómeno relativamente frequente.
      Se fôr a Fátima noutras alturas, calhará também de o ver, só que aí já não lhe dará a relevância devida.
      Assim como se sair de Fátima e olhar frequentemente para o céu, também o verá não raras vezes, mas aí nem vai ligar à religião.

      O fenómeno é sempre o mesmo e está perfeitamente explicado. Tal como a chuva. Não é por chover em Fátima em certas alturas que isso passa a ser um sinal de Deus… mal era se um ser criador do Universo utilizasse fenómenos perfeitamente banais e totalmente explicados para que acreditassem Nele (qualquer mágico humano faz melhor).

      Só tem que fazer as experiências e comparar 😉

  6. Pelos vistos, alguns jornais dizem que sim… a não ser que sejam imagens do ano passado.
    http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2515525&seccao=Centro&page=-1

    Alguns até dizem que é um sinal de Satanás! LOL É cada crença sem nexo… enfim…
    http://www.bolsanobolso.com/showthread.php?p=389999

    Claro que isto ocorrendo várias vezes por semana, é normal que se veja.
    http://www.astropt.org/tag/halo-solar/

    O problema é que, enfim, algumas pessoas só se lembram de olhar para cima em certas ocasiões, e por isso quando olham pensam que só acontece nessas alturas 😉
    Está dentro do Erro Estatístico tipo I, que é um erro básico da matemática.

    E depois imaginam deuses, diabos, etc, e ficam emocionadas… quando lhes bastaria olhar mais para o céu em outros dias para verem a mesma coisa… mas enfim…

    Enfim…
    Bastaria às pessoas irem a Fátima noutras alturas e olharem para o céu, para verem exactamente a mesma coisa noutros dias.
    E bastaria às pessoas saírem de Fátima e olharem na mesma para o céu, que veriam exactamente a mesma coisa de outros sítios.

    Mas enfim… que se há-de fazer quando as crenças cegas se sobrepõem à razão e à observação?

    Qualquer dia dizem que por se ver a Lua a partir de Fátima, também é um milagre!

    Em vez de conhecimento, essas pessoas preferem crenças hereges em deuses pequeninos em que elas são o centro do universo e em que elas são a obsessão desses deuses escravos que imaginam…

    Ou seja, essas pessoas acreditam que Deus lhes deu um cérebro racional, mas cospem em cima dessa dádiva de Deus…

  7. Será que hoje vai aparecer novamente um halo solar? Se sim, não vai faltar pessoal a afirmar que se tratou de um milagre e jornalistas a escrever que foi algo único,… infelizmente. Esperemos que não…

  8. Longo e talvez chato.
    Sei que já lá vai muito tempo após esta discussão mas….

    citando Mike:
    Eu acredito no Sol, pois o posso ver, mas daí a acreditar em três pessoas que se basearam em cálculos para tão prontamente “categorizarem” o Universo com X anos vai uma grande distancia.
    fim citação

    citando Mike :
    O Santo Agostinho era um brincalhão e basta ler alguns escritos dele para perceber isso.
    fim citação

    Eu é que fiquei na dúvida, não devo acreditar em 3 (três) pessoas, calculo que serão desses parvos que se intitulam cientistas ou coisa que os valha, que se basearam em cálculos (o que é isto de cálculos? é alguma coisa útil?), e devo acreditar numa senhora (na altura uma criança), que diz que viu uma aparição de uma fulana, no meio do nada, que a seguir foi enclausurada num convento, reaparecendo milagrosamente, n anos a seguir, (sim n porque não sou desses que ligam a cálculos) e diz que o segredo, é aquilo que já aconteceu, é isso?

    Então o santo era dos cómicos, esse não é o Gelásio “fonte: santo google (santo porque também faz milagres)”, uma brincadeira dessas não é um pecado, uma ofensa contra a igreja?
    E quem me garante a mim que a senhora Lúcia de Jesus dos Santos não era uma devota do tal Agostinho, o tal virado para a brincadeira, até porque segundo ela, a senhora que lhe apareceu brilhava mais do que o Sol, coisa que todos nós sabemos, após olhar por instantes para ele as manchas são de imediato visíveis, não as solares que essas não interessam para nada, essas estão lá ainda não se percebe bem porquê, mas isso é coisa de deus…es que as estudam.
    Será que esse gajos dos cálculos são do grupo daqueles idiotas que estudam e que tornaram possível aquela coisa inútil, o transplante de órgãos.

  9. Mais bonitos que os Halos, são os Pilares Solares:
    http://www.astropt.org/2011/08/18/um-pilar-solar-sobre-ontario/

    E também não são milagres na hora em que se vê um… são tudo fenómenos atmosféricos explicados pela ciência.

    • Paulo Almeida on 24/05/2011 at 16:08
    • Responder

    Tenho lido atentamente os posts entre o Carlos e o Mike. O interesse da vida é a curiosidade a descoberta, a necessidade de aprender de tentar alcançar sempre um conhecimento total das coisas. É lógico que para o Mike não interessa o tempo em que o universo foi criado, porque para ele foi criado em 7 dias conforme diz a bíblia, Mike não leve a bíblia tão a peito mas sim como deve ser lida, uma leitura de ensinamento religioso e não de certezas. Não se esqueça que quando foi escrita a bíblia o conhecimento era quase nulo, e foi escrita com o pequeno conhecimento que existia naquela altura por isso certas explicações que no nosso tempo não tem lógica nenhuma mas que naquela altura era o único modo que os escritores tinham de explicarem os fenómenos que lhes iam aparecendo.
    Como pode ver foi graças à curiosidade das pessoas que o nosso nível de vida quer material quer espiritual foi evoluindo, e irá evoluir cada vez mais. Uma verdade científica hoje pode ser posta em causa amanha com melhores aparelhos, com melhores estudos e com melhores conhecimentos. Essa é a maravilha da ciência.
    A diferença da ciência e certas religiões é que as pessoas que se dedicam à ciência, não têm verdades absolutas e certas pessoas que se dizem religiosas pensam que têm a verdade total dos factos.
    Mike seja mais tolerante á ciência e verá que pode aprender muita coisa interessante, assim como eu que não sou religioso, tenho o meu espírito aberto a muitos ensinamentos que vou tendo de muita gente religiosa com quem vou lidando na astronomia, desde pessoas pertencentes a grupos religiosos, padres, seminaristas, e se tivermos o espírito aberto podemos aprender muito uns com os outros. Por isso digo-lhe que se abrir mais o seu campo de conhecimento será uma pessoa muito mais informada e não dirá tantos disparates como tem dito nos postes anteriores.
    Abraço

    Paulo Almeida

  1. […] manchas, variável, SDO, tempestade, tornado, heliosfera, canção. Dois Sóis. Halo Solar em Fátima. Pilar Solar (aqui). Geração. Sol na mão. Sol visto de diferentes planetas. Trânsito de […]

  2. […] a denunciar a estupidez dos fundamentalistas ignorantes. Tivemos um exemplo típico aqui no blog: o Halo em Fátima é perfeitamente explicado pela ciência, no entanto a ignorância, a falta de inteligência, e a […]

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