Gliese 581d: primeiro exoplaneta habitável?

Já falamos sobre a estrela Gliese 581, e dos vários planetas ao seu redor, neste post.
Esta estrela está pertinho de nós: somente a 20 anos-luz de distância!

Nesse post dissemos que Gliese 581c poderia ser um planeta com condições para a vida.

Entretanto publicamos outro post, com a hipótese de que Gliese 581d poderia ser um planeta com condições para a vida.

Entretanto chegou a notícia que afinal, 581c e 581d seriam como Vénus e Marte (nos extremos da Zona Habitável), mas a nova descoberta, Gliese 581g, seria o planeta ideal para a vida!!! Leiam este post.

Pelo meio, o SETI até disse que recebeu alguns sinais estranhos (mensagens de extraterrestres avançados?) vindos provavelmente de um planeta ao redor dessa estrela, como dissemos neste post.

E por fim, até já enviamos nós próprios mensagens para os planetas ao redor desse estrela! Leiam aqui.

Esta semana, Gliese 581d voltou a estar nas notícias!

Um novo modelo teórico (muito importante esta palavra!), desenvolvido com base em simulações de computador, especulando para variáveis meteorológicas, por investigadores do Centro Nacional de Investigação Científica francês parece demonstrar que Gliese 581d tem muito mais potencial do que se pensava!

O novo modelo dá como possível: uma atmosfera densa, uma atmosfera rica em CO2, uma atmosfera capaz de reter o calor do planeta (efeito de estufa que pode ser suave, como na Terra), temperaturas estáveis e moderadas, água em estado líquido, oceanos, nuvens, chuva, etc.
Como o planeta é rochoso, 2 vezes maior que a Terra, e com 7 vezes a sua massa, esta “super-Terra” poderá ter as condições para a existência de vida! É potencialmente habitável 🙂

Ou seja, baseado em simulações atmosféricas, teoricamente é possível ele ser habitável. Se na prática ele é habitável ou não… não se sabe…
(nota: “habitável” é diferente de “habitado”. Por exemplo, Marte é potencialmente habitável, mas que se saiba não é habitado)

Bem, também é verdade que recebe 3 vezes menos radiação da sua estrela (que a Terra do Sol), e tem sempre a mesma face virada para o Sol (é sempre dia em metade do planeta, e é sempre noite na outra metade).
Será assim provavelmente um planeta de extremos (a não que “Gaia” se espalhe uniformemente pelo planeta)… e assim bastante diferente do nosso.

Também tem uma gravidade 2 vezes maior que a nossa (ou seja, o nosso peso lá duplica), a densidade do ar é enorme, e o céu será avermelhado com uma espessa camada de nuvens sobre a cabeça (como Vénus).

Será assim, um planeta bastante estranho para visitar.
Se bem que, com um céu avermelhado, até não me importaria de ir até lá. Afinal, Benfica sempre!!!! 😀

Leiam mais sobre esta notícia, em português, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui, e em inglês, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui.

16 comentários

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    • Ana Guerreiro Pereira on 21/05/2011 at 12:59
    • Responder

    Olá Manel, obrigada, irei ver. Entretanto já tirei a minha dúvida, que era não estar a perceber o que significava em termos práticos a velocidade de translação ser igual à de rotação. 😀 Dúvidas de quem não cursou astronomia 😀 e não tem conceitos e termos astronómicos incorporados. 🙂

    • Manel Rosa Martins on 21/05/2011 at 11:33
    • Responder

    Um diagrama animado para explicar pelo grafismo a rotação sincronizada da Lua. O seu movimento de rotação sobre o seu eixo demora o mesmo tempo que o seu movimento de revolução ou translação orbital em redor da Terra.

    Da Moon fact sheet, da Nasa:

    A Lua gira com a Terra em torno de um baricentro comum, a cada 27,32 dias, relativamente às estrelas de fundo. Quando combinado com a revolução comum do sistema Terra-Lua em torno do Sol, o período do mês sinódico, de uma lua nova à seguinte, é de 29,53 dias. Vistos do polo norte celeste, o movimento da Terra, da Lua, e suas rotações axiais, são todos anti-horários. Quando a Terra e o Sol são vistos do espaço, desde uma posição acima dos polos norte dos dois corpos celestes, a direção aparente da translação terrestre em torno do Sol é anti-horária. Os planos orbitais e axiais não estão precisamente alinhados: a Terra apresenta uma inclinação axial de 23,5 graus, a contar da perpendicular ao plano Terra-Sol, e o plano Terra-Lua tem uma inclinação de 5 graus em relação ao plano Terra-Sol. Na ausência desta inclinação, ocorreriam eclipses a cada duas semanas, alternando entre eclipses lunares e solares.

    E o vídeo-diagrama.

    http://www.youtube.com/watch?v=OZIB_leg75Q

    • Manuel Martins on 21/05/2011 at 11:13
    • Responder

    O estudo é cientificamente honesto e válido. Anuncia abertamente tratar-se duma especulação, enumera os pressupostos e compara o o seu modelo com outros estudos modelares.

    O que aqui se pretende provar, e consegue-se, é que o facto dum Planeta ter a mesma face sempre virada para a sua estrela não é condição impeditiva para ser habitável, e o estudo demonstra-o inserindo os pressupostos duma atmosfera baseada no carbono. Os ventos e as correntes seriam suficientes para tornar habitável pelo menos as zonas mais influenciadas por estes fluxos de materiais.

    o estudo não permite “concluir qualquer coisa”, como comentou o Luís, permite é que não se retirem conclusões precipitadas dum dos pressupostos validados deste Planeta.

    • Ana Guerreiro Pereira on 21/05/2011 at 01:09
    • Responder

    Não consigo compreender (ignorância astronómica, mesmo, desculpem) uma coisa: como é que um planeta está sempre com a mesma face voltada para a sua estrela? Não tem movimento de rotação? o_O (desculpem a ignorância da macaca)

    1. A Lua tem rotação, mas tem sempre a mesma face voltada para nós 😉

      O mesmo se passa com a maioria das luas enormes no nosso sistema solar.

      E o mesmo se passa com a maioria dos exoplanetas Júpiteres quentes 😉

      O que se passa é que a massa do objeto próximo faz desacelerar a sua rotação… e fique em equilíbrio… ou seja, que a rotação seja à mesma velocidade que a órbita… fazendo com que o planeta rode sempre com a mesma face para a sua estrela…. 😉

      A Terra também tem os dias mais curtos (roda mais devagar) do que no passado… se houvesse tempo (não há) iria ficar sempre com a mesma face voltada para a Lua … (ou seja, para veres a Lua, terias que ir para sítios específicos da Terra)

      Normalmente é este o processo… 😉

        • Ana Guerreiro Pereira on 21/05/2011 at 01:22

        Hum, não há nenhuma animação disso? não estou mesmo a conseguir visualizar 🙁 (defeito crónico, tenho dificuldade em visualizar determinadas descrições de movimentos; qd mete órbitas e rotações e translações, então… :()

      1. Ok… faz como eu faço aos meus alunos… 😛

        Vai buscar uma cadeira…

        Põe-te a andar à volta da cadeira… mas SEMPRE com os olhos nela….

        Ou seja, em relação à cadeira, tens sempre a mesma face voltada para ela…

        No entanto, tu estás a rodar… não estás sempre a olhar para só uma parede (mais atrás da cadeira), mas vês as 4 paredes.

        Ou seja, alguém que estivesse numa só parede a olhar para ti, veria os teus lados todos… porque tu estás a rodar…

        nas minhas aulas de astronomia, faço muitos “teatros”… uma vez, sem querer, coloquei uma aluna a chorar, porque na arquitectura para eles perceberem as fases da Lua, pedi à aluna que estava a fazer de Lua que se pusesse como Lua Nova (ou seja, entre a pessoa que fosse o Sol, e a pessoa que estava a fazer de Terra)… e a aluna saiu da área de teatros e foi-se sentar a chorar porque pensou que eu estivesse a pedir uma nova pessoa para “brincar” de Lua… 😛

        ahhh claro… todos eles participam nestes teatros… seja a fazer de objetos celestes… seja a discutir sobre a forma como devem estar as coisas… e discutem uns com os outros… comigo a ver 😛
        Como em Introdução a Astronomia tenho mais de 200 alunos por aula… é um desafio interessante 🙂

        • Ana Guerreiro Pereira on 21/05/2011 at 01:34

        :DDDDD espectáculo, tb faço esses teatros para mostrar como é que se dão reacções químicas entre átomos 😀 (como se quebram e formam novas ligações e novos arranjos), pondo cada pessoa a fazer de um átomo e a dar as mãos a outra. Depois, para mostrar que depende de colisões entre as moléculas, empurro-os uns contra os outros e digo-lhes q se agarrem a outra pessoa ao calhas :DDD

        Mas o que eu estava a dizer era rotação sobre sobre si mesmo! como é roda sobre si mesmo se está sempre com uma face voltada para a estrela?

        (neste caso esses exemplos ajudam, precisamente porque tenho determinadas falhas ao nivel de bases de astronomia lol)

      2. arranja uma cadeira (isso é o teu Sol).

        põe-te a rodar sobre ti própria … umas vezes vê-la… outra vezes não…

        agora, põe-te a andar à volta da cadeira (órbita) mas sempre com a cara a olhar para ela…. <--- isso é a face sempre voltada para o Sol. Agora lê o meu comentário anterior.... ao orbitares a cadeira sempre a olhar para ela... isso quer dizer que também rodas sobre ti própria... só que a velocidade de rotação e translacção são iguais...

        • Ana Guerreiro Pereira on 21/05/2011 at 01:55

        AAAAAAAAAH!! Já vi o que é que estava a escapar-me :DDDDD BRIGADA!!! 😀

        é que temos esta ideia de um objecto a rodar sobre si próprio e depois a rodar (orbitar) sobre outro e não temos noção de q isso acontece porque a velocidade de translação e de rotação são diferentes 😀

        qd se está a orbitar uma estrela mas mantendo a mesma face sempre voltada para ela, roda-se na mesma sobre si próprio mas à mesma velocidade com que se roda à volta da estrela 😀

        (eu sei q foi o disseste, exactamente, mas isto sou eu a pôr por escrito para mim mesma eqto visualizo a cena 😀 )

        Estava a escapar-me a noção de velocidade de translação e de rotação serem iguais e não estava a ver que, na realidade, o planeta está a rodar sobre si mesmo 😀

        São as tais bases e conceitos q ficam incorporados qd se aprende a pensar de uma determinada forma e que para quem está de fora e é doutra área (ou foi treinado para pensar de outra forma) não é automático.

      3. é mais fácil se vires… 😉

        Por isso, põe o jogador a fazer isso… e tu de fora vais vendo que ele roda… e que mantém a cara para a cadeira 🙂

        • Ana Guerreiro Pereira on 21/05/2011 at 02:07

        Mas essa cena eu visualizei facilmente como se fosse observadora de fora 😀 Não estava mesmo era a entender o que querias dizer com a velocidade de translação e de rotação serem iguais 😀 Demorou, mas lá chegou 😀 há coisas q levo mesmo tempo a visualizar (nem te digo os horrores que passei com a estereoquímica… :D)…

  1. Este tipo de trabalho é tão especulativo que basicamente permite concluir qq. coisa 😉
    Não existem quaisquer observações que permitam colocar restrições nos modelos atmosféricos. Só conhecemos a massa mínima do planeta e a sua órbita…
    Como dizes o modelo é teórico mas a teoria deve ter pudor quando fala da realidade. Espanta-me a cobertura mediática que esta notícia teve.

    1. Eu continuo a apostar no 581g 😉

      1. Carlos pelo gráfico, poderia ter alguma chance do planeta Gliese 581 g ter atmosfera ??
        Eu tbm aposto nele !!
        Perguntei pela atmosfera, pq teve uma vez que o Marcelo Gleiser estava no FACEBOOK respondendo perguntas aos internautas, tive a sorte de poder perguntá-lo.
        A minha pergunta foi : Qual a condição necessária p/ apostarmos ou ter vida num planeta ??
        Marcelo Gleiser me respondeu………..primeiro precisamos olhar se o planeta em questão tem atmosfera, se tiver, c/ certeza terá chance de vida !!
        ….
        Pelo gráfico parece que apostamos no mais provável.
        Abraços e estou gostando muito da sua página, Astropt !!

      2. Não se sabe 😉

  1. […] mesmo aconteceu a Gliese 581d, por se encontrar no limite exterior dessa zona […]

  2. […] Extrasolares: Fomalhaut b. CoRoT. CoRoT-Exo-7b. CoRoT-2b. HR 8799. Gliese 581, Gliese 581d (aqui), Gliese 581g (notícia), Gliese 667 cC, GJ 1214b (atmosfera de água), Kepler-186f, KOI-961, […]

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