Telemóveis não são Perigosos para a Saúde

Na revista Time de 17 Maio do ano passado está uma reportagem que indica que a ” the evidence that does exist is enough to raise a warning for consumers — before mass harm is done.” – “evidência existente [da conexão entre telemóveis e cancro] basta para gerar alerta nos consumidores – antes que um estrago em massa aconteça”. (Time 17 Maio 2010)

Esta sugestão baseia-se no princípio da precaução, em que, se algo pode provocar dano para muita gente mesmo sem evidências para tal é, de facto, perigoso. Este princípio é fraco por dois motivos:

1 – É bastante complicado provar uma negativa. Ou melhor, posso provar que o sol não é azul, mas isso não chega para provar que ele é amarelo. Se não é azul, poderá, então, ser verde, quadrado, minúsculo?

2 – Produz um estado de alerta generalizado desnecessário. É o ideal para crenças injustificadas, como todos estamos habituados a ouvir e a ler ultimamente.

A física mostra ser impossível os telemóveis causarem cancro e também fazerem pipocas.

Um artigo do Time (“Risco de tumor cerebral em relação ao uso de telemóvel”), que cita o artigo do international Journal of Epidemiology, refere-se a um estudo que englobou mais de 12 mil utilizadores de telemóvel de 13 países. Metade apresentava cancro cerebral. A conclusão foi a seguinte: “nenhum aumento no risco de gliomas ou meningiomas foi observado com o uso do telemóvel”.

É impossível os telemóveis causarem cancro uma vez que não emitem energia suficiente para romper as ligações moleculares intracelulares, ao contrário dos raios X, radiação UV e radiação gama. Estas últimas são capazes de clivar as ligações do DNA e gerar mutações. A radiação IF, micro-ondas, rádio e correntes alternadas são muito fracas para causar danos.

Raios X, raios gama e raios UV têm energia superior a 480 Kj/mol – rompem ligações químicas

Fotões de luz verde têm energia de 240 kj/mol – dobram as moléculas de rodopsina e danificam os bastonetes fotorreceptores.

Telemóvel têm menos de 0,001 Kj/mol.

Podemos ver a seguinte imagem para ter uma ideia:

Se as ligações pudessem ser rompidas pelo nível de energia dos telemóveis não haveria vida.

Bernard Leikind, num artigo da Skeptic, vol 14, ano 4.

13 comentários

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  1. Acredito que o telemovel não causa cancro. O aquecimento é devido ao aquecimento da bateria do aparelho e a radiação é fraca. Sim, o cancro tem variadas cusas, genéticas, viral, por UV, etc. Mas o problema surge com o rompimento das ligações no DNA e com o bloqueio de sinais de apoptose.

  2. Tá parecendo a eterna discussão sobre se o café faz mal ou bem…

    Bom, eu não tenho celular (ou “telemóvel”) – detesto essas maquininhas irritantes.

    E continuo a tomar (muito) café.

    E a discussão sobre um e outro não termina…

  3. http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/oms-classifica-radiacao-dos-telemoveis-como-possivel-cancerigeno_1496873
    ““A conclusão é que pode haver algum risco, e por isso é necessário manter uma vigilância apertada para encontrar uma ligação entre os telemóveis e o risco de cancro”, disse em comunicado Jonathan Samet, da Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos, que liderou o grupo de trabalho.”

    • António Castanheira on 31/05/2011 at 23:51
    • Responder

    Admito que não seja fácil provar que os tlm causam cancro, aliás, como será difícil provar o contrário, no entanto, acho que

    “É impossível os telemóveis causarem cancro uma vez que não emitem energia suficiente para romper as ligações moleculares intracelulares”

    é uma afirmação pouco correcta, uma vez que o cancro pode ter (ou tem) múltiplas causas e simplesmente não se sabe (pode-se suspeitar) se o campo electromagnético não poderá estar envolvido numa dessas causas (directa ou indirecta) que não seja o rompimento de ligações moleculares…

  4. http://economico.sapo.pt/noticias/oms-admite-que-uso-de-telemoveis-poder-ser-cancerigeno_119533.html

    Organização Mundial de Saúde admite que uso de telefones portáteis, como os telemóveis, deve ser considerado “possivelmente cancerígeno”.

    “As provas, que continuam a acumular-se, são suficientemente fortes para justificar uma classificação de nível 2b” (um dos cinco níveis que define os produtos ‘possivelmente cancerígenos para os seres humanos’), afirmou o presidente daquele grupo de trabalho da Organização Mundial de Saúde (OMS), Jonathan Samet.

    O responsável falava no final de um encontro, da responsabilidade do Centro Internacional de Investigação do Cancro, que reuniu durante oito dias em Lyon, França, cerca de trinta especialistas de 14 países.

    “O grupo de trabalho definiu esta classificação com base em estudos epidemiológicos que demonstram um risco acrescido de glioma, um tipo de tumor cerebral, associado ao uso de telefones sem fios”, afirmou Jonathan Samet.

    O responsável explicou que a classificação 2b significa que “pode haver risco e que é preciso acompanhar de perto a relação entre o uso de telefones portáteis e o risco de cancro”.

    Ficamos sem saber no que acreditar….

  5. bem engraçado foi ter lido isto ha umas horas atrás e agora acabei de encontrar isto
    http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=20617
    o que este artigo diz faz todo o sentido mas, por outro lado devemos dar algum credito à OMS…
    a minha pergunta é…em que ficamos entao? xD

    1. Eu tenho a OMS na mesma lista que politico, jornalistas profissionais e pessoas a espalhar a “palavra do senhor”… Não acredites em nada do que eles disserem só porque eles disseram, pelo contrario, se eles disseram algo, duvida…

    2. Notem que a OMS diz que não tem provas, mas simplesmente diz que por precaução, mais vale não passar muito tempo com os telemóveis pegados ao corpo.
      É só.

      É só uma precaução, mas não há dados a ligar as duas coisas.

    3. verdade. ultimamente tenho duvidado cada vez mais destas instituições “intocaveis”… a ultima a desiludir-me foi a NATO,com o seu pseudo-programa “Parceria para a Paz”.. nota-se aqui por baixo de nós na africa do norte.
      Enfim, nao deviam dizer isto so por precaução, porque se não tambémdeveriam fazer isso a montes de coisas. MCdonalds, a maior cadeia de fast cancer food :p

    4. Esse comunicado da OMS está a ser mal interpretado pelos média (mas que choque!). Eles não disseram nada de novo, nem existem estudos novos que indiquem perigo. Foi um grupo de trabalho de cientistas que se juntou para avaliar a literatura e evidências actualmente existentes. O consumo de café e vapores de gasolina estão ao mesmo nível de perigosidade dos telemóveis- o grupo 2b (pode ser cancerígeno para o ser humano). Mas claro, os telemóveis é que causam sempre pânico…

      Eu aconselho a ler o comunicado original da OMS (http://www.iarc.fr/en/media-centre/pr/2011/pdfs/pr208_E.pdf): “A positive association has been observed between exposure to the agent and cancer for  which a causal interpretation is considered by the Working Group to be credible, but  chance, bias or confounding could not be ruled out with reasonable confidence”

      Esperem pelo artigo que vai sair no Lancet com as conclusões.

  6. O termo correcto seria “energia de dissociação por mole de moléculas”, visto que a energia mede-se em joule (J) ou quilojoule (kJ) e não em kJ/mol.

    Respectivamente, sobre a exposição à radiação prolongada… bom, temos esse problema todos os dias: radiação solar (cuja frequência é superior à freq. da TV, rádio, etc), linhas de alta tensão, ondas derivadas da telecomunicação, rádio, TV, etc.
    Desconheço estudos preliminares ou finais sobre a exposição prolongada dos organismos a certas radiações. Por exemplo neste artigo http://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/0912/0912.4283.pdf os autores provam que a exposição directa à radiação de microondas (lá em casa não estamos expostos directamente, é seguro) provocam mudanças transitórias, cuja recuperação é feita em horas. Mas apenas isso. Não encontrei nada sobre outro tipo de radiações.

  7. Olá,

    E quanto ao uso contínuo?

    Por exemplo, usando-o como se usa um micro-ondas… então não há problema…
    Mas quando se usa a todos os minutos como muitas pessoas o fazem, até dormindo com ele perto?

    Um uso prolongado e constante, não terá efeitos nefastos?

  8. Energia de 480 KJ/mol ? Uma mol de quê? 1 mol de “raios” ? Cada mol de raios tem 480 KJ de energia ?
    Que unidade é essa? Energia “só” não parece..

    Bom, ok, fui ao google, e encontrei uma coisa que é “bond dissociation energy” (energia para desfazer ligações químicas) Como mete moles de coisas, é uma coisa estatística.. Uma média..
    Bom, mas por outro lado, não é uma coisa característica da radiação, mas sim dos elos químicos que são desfeitos nas moléculas!

    Ou seja, em vez de se dizer que a radiação UV tem uma energia de X “Joules por mol”, seria melhor dizer que certa quantidade de radiação nessa frequência tem uma energia capaz de fazer certo efeito numa mole de “moléculas químicas de cérebro”.. E por definição, uma mole de “moléculas químicas de cérebro” precisa de uma energia de dissociação de Y. Como X é maior que Y + “factor estatístico de medo” implica que temos problema.

    Joules por mole não é uma “energia” (causa), é um “efeito”…

  1. […] de anos e ainda têm cães selecionados geneticamente como animais de estimação. Dizem que as ondas electromagnéticas dos telemóveis e as ondas dos sinais WiFi provocam cancro, mas usam computadores e telemóveis com Internet para […]

  2. […] é apenas psicossomático. Recentemente, os níveis de paranóia voltaram a atingir um pico quando a OMS comunicou que os telemóveis passariam a fazer parte da classificação 2b (agente possivelmente carcinogénico em humanos), grupo do qual faz também parte o café, apesar […]

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