“Paranormality” do Professor Richard Wiseman.

Usando alegados fenómenos paranormais, o Prof. Wiseman vai explicando onde o nosso cérebro falha e tira as conclusões erradas se não estivermos atentos e conscientes aos seus “bugs” naturais. Tudo cientificamente justificado.

Como cereja no topo do bolo, o autor ainda ensina (foi ilusionista profissional antes de estudar psicologia) a fazer uma série de truques que poderão fazer sensação numa festa.

Ao misturar de uma forma tão consistente ciência e entretenimento o livro “Paranormality” proporciona uma leitura agradável e edificante.

A única  reserva que senti ocasionalmente, foi que o livro ao ensinar a explorar as falhas de percepção e raciocínio,  está a ensinar a enganar o próximo. Mas isso é um problema de toda a ciência. Pode ser sempre usada para o bem ou para o mal. E o antídoto, neste caso, é saber onde podemos ser enganados.

Como  conseguimos convencer qualquer estranho que o conhecemos tão bem como qualquer amigo? Como convencer um incauto que estamos a falar com um ente querido falecido? Como tirar pequenas pistas acerca do que as pessoas estão a pensar? Como criar uma sessão espirita?

As respostas a estas perguntas vêm todas no livro. Vem também a resposta à tal pergunta que eu considero essencial “como é que sabemos isso?”

Adicionalmente, o James Randy lançou um pedido a todos os cépticos que comprem o livro. Por uma simples razão. Nos Estados Unidos o professor Wiseman não conseguiu encontrar quem o publicasse por ser demasiado realista e sugeriram mesmo que ele dissesse que havia fantasmas ou lá o que foi para lhe avançarem com a publicação. A ideia é comprar a uma loja americana a versão inglesa (a única que conheço) e dar um tabefe metafísico no establishmant pró-treta americano. Eu comprei na amazon assim que li o pedido do James Randy. Se me estivesse a pedir para matar uma galinha ou ir de joelhos a algum lado não tinha acedido. Mas para mostrar apreço por investigação cientifica? Sem suor!

3 comentários

    • Dinis Ribeiro on 13/07/2011 at 14:28
    • Responder

    Concordo com a ideia: …São estractos diferentes de uma mesma cultura, por vezes presentes num mesmo individuo.

    ontudo, gostaria de tentar contribuir para aprofundar o conceito de “estractos diferentes”.

    Para mim, o facto dos USA gerarem tantos “Diamonds” e tanto “Rust”, tanta “boa comida” e ao mesmo tempo tanta “junk food”, não é assim tão paradoxal quanto isso.

    A produção de ciência e a de “ideias fantasiosas” virão (talvez) duma “fonte” semelhante, que poderia ser a existência de uma fortíssima curiosidade, que em vez de ser temida e desencojada como em países mais “antiquados” e “convencionais” é pelo contrário cultivada, e estimulada até ao paroxismo, o que poderá explicar um certo triunfo da “tabloid mentality” na cultura anglo-saxónica:http://en.wikipedia.org/wiki/Tabloid_journalism

    A curiosidade será saudável, mas em excesso pode ser doentia:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Rubbernecking & http://en.wikipedia.org/wiki/News_of_the_world

    A fascinação pela “treta” pode ser apenas uma fase natural (incontornável?) quando se enfrenta e se começa a explorar o desconhecido. A curiosidade é omni-direccional.
    É como uma rede de arrasto, “apanha” tudo o que está no fundo do mar, sem critério.
    Sugiro uma vista de olhos: http://en.wikipedia.org/wiki/Curiosity

    Reality Construction

    Surprise is intimately connected to the idea of acting in accordance with a set of rules. When the rules of reality generating events of daily life separate from the rules of thumb expectations, surprise is the outcome.

    Surprise represents the difference between expectations and reality, the gap between our assumptions and expectations about worldly events and the way that those events actually turnout.

    In essence, surprises are the end result of predictions that fail.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Surprise_(emotion)

    Sugiro: In praise of the mavericks
    http://www.newscientist.com/article/mg21128202.800-in-praise-of-the-mavericks.html

    SCIENCE can be a surprisingly dangerous endeavour that involves performing risky experiments, attacking the status quo, provoking the wrath of colleagues, and new and hitherto unacceptable ways of thinking about the universe.

    “Curiosity killed the cat” is a proverb used to warn against being too curious lest one come to harm. A less frequently-seen rejoinder to “curiosity killed the cat” is “satisfaction brought it back”. http://en.wikipedia.org/wiki/Curiosity_Killed_the_Cat

    Há sempre a possibilidade de se aprender um pouco mais, e as cerenças pseudo-científicas poderão talvez estar ligadas a uma “cristalização mental” ( Stendhal -http://en.wikipedia.org/wiki/Crystallization_(love) Fanaticism – http://en.wikipedia.org/wiki/Fanaticism Entusiasmo – http://en.wikipedia.org/wiki/Enthusiasm ) que lentifica / pára o desenvolvimento natural, ou mesmo que até leva a uma regressão ( http://en.wikipedia.org/wiki/Regression_(psychology) )…

    Rigidez ou Plasticidade?

    The most widely recognized forms of plasticity are learning, memory, and recovery from brain damage.

    During most of the 20th century, the general consensus among neuroscientists was that brain structure is relatively immutable after a critical period during early childhood.

    This belief has been challenged by new findings, revealing that many aspects of the brain remain plastic even into adulthood.

    Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Neuroplasticity

    SCIENCE suits shy people. A Dutch study has found that introverted students are more likely to choose science subjects at school, while more sociable peers tend to drop them at the first opportunity – regardless of their natural ability.

    Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20827833.100-should-schoolchildren-be-typecast-into-science.html

    Uma (possível) explicação para o curioso “paradoxo” estará talvez no artigo que sugiro a seguir…

    Liberals, Conservatives May Have Different Brain Structures
    http://www.medicinenet.com/script/main/art.asp?articlekey=142863

    Researchers at University College London found that liberals tend to have a larger anterior cingulate cortex, while conservatives have a larger amygdala.

    Based on what’s known about the roles of these two areas of the brain, the structural differences are consistent with previous studies that found liberals are better able to cope with conflicting information and are more open to new experiences, while conservatives are better able to recognize a threat and more anxious when faced with uncertainty, according to team leader Ryota Kanai and colleagues.

    The study appears online April 7 in the journal Current Biology.

    “Previously, some psychological traits were known to be predictive of an individual’s political orientation. Our study now links such personality traits with specific brain structure,” Kanai said in a journal news release.

    It’s possible that a person’s experiences can change brain structure over time and, of course, many people change their political views during their lifetime, Kanai noted.

    He also warned against reading too much into these findings.

    “It’s very unlikely that actual political orientation is directly encoded in these brain regions,” Kanai said.

    “More work is needed to determine how these brain structures mediate the formation of political attitude.”

    E para concluir, a crença no paranormal pode ser também considerada como sendo um (saudável?) “mecanismo de defesa”: http://en.wikipedia.org/wiki/Defence_mechanism

    Vaillant’s categorization of defense mechanisms
    Level 3 – Neurotic

    These mechanisms are considered neurotic, but fairly common in adults.

    Such defenses have short-term advantages in coping, but can often cause long-term problems in relationships, work and in enjoying life when used as one’s primary style of coping with the world.

    Intellectualization:

    A form of isolation; concentrating on the intellectual components of a situation so as to distance oneself from the associated anxiety-provoking emotions; separation of emotion from ideas; thinking about wishes in formal, affectively bland terms and not acting on them; avoiding unacceptable emotions by focusing on the intellectual aspects (e.g. isolation, rationalization, ritual, undoing, compensation, magical thinking).

    Pro fim, recomendo uma vista de olhos:

    Magical thinking
    http://en.wikipedia.org/wiki/Magical_thinking

  1. “Gostei da expressão “establishmant pró-treta americano” e devo comentar que pelo que vi até hoje, é um fenómeno “muito real” e muito maior do se poderia pensar…”

    Estou com um bocado de receio de ser mal interpretado em relação a isto. Isto não quer dizer que os EUA não sejam por seu lado os maiores produtores de ciencia do mundo – que é a coisa mais anti-treta que há. Paradoxal mas um facto. São estractos diferentes de uma mesma cultura, por vezes presentes num mesmo individuo.

    • Dinis Ribeiro on 13/07/2011 at 11:51
    • Responder

    Um artigo que li na revista Science & Vie há um certo tempo atrás (ainda andava no liceu) e que me influenciou bastante…

    …e o que ainda me lembro, era exactamente na mesma linha.

    Os cheiros presentes nas roupas das pessoas, as mais ínfimas inflexões da voz, etc, etc, podem dar pistas extremamente reveladoras… mas não são “extra-sensoriais”, são simplesmente extra-visuais.

    Pequeno artigo: Alain Ledoux, « Les Vérités de la perception extra-visuelle », Science et Vie n°706, juillet 1976 ;

    Fonte: http://zeteticien.free.fr/bibzetsetv.html

    Pas mal: http://zeteticien.free.fr/index.html

    Mais informação: http://fr.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9t%C3%A9tique

    Como ganhar 200 000 Euros: http://fr.wikipedia.org/wiki/D%C3%A9fi_z%C3%A9t%C3%A9tique_international

    Na mesma linha, também gosto de ver na TV Cabo os episódios desta série “Lie to me”:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Lie_to_Me_(s%C3%A9rie_de_televis%C3%A3o)

    Gostei da expressão “establishmant pró-treta americano” e devo comentar que pelo que vi até hoje, é um fenómeno “muito real” e muito maior do se poderia pensar…

    Por exemplo, vejamos este site: http://www.exopolitics.org/

    … e uma crítica sobre o assunto: http://www.zetetique.fr/index.php/dossiers/260-ovni-a-lonu-

    … e também existirão “establishments pró-treta” noutros lugares:

    A França é um dos raros países em que os OVNI’s ainda são estudados dum modo “oficial”: http://www.zetetique.fr/index.php/dossiers/101-ovni-cnes

    Link directo para o livro que deita alguma “agua na fervura”: http://www.book-e-book.com/index.asp?fx=2&p_id=125

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