Detectar ETs pelas estrelas

Uma palestra interessante de Garik Israelian, intitulada: O que há dentro de uma estrela?
A ideia é utilizar a espectroscopia para descobrir vida extraterrestre.
Só não gostei das constantes referências ao SETI… porque a espectroscopia pode ser utilizada para descobrir vida simples (e não vida como o SETI espera encontrar).

“Garik Israelian é um espectroscopista, estudando o espectro emitido por uma estrela para compreender do que ela é feita e como ela pode se comportar.
É um raro e acessível olhar nesta disciplina, que pode estar chegando perto de encontrar um planeta favorável à vida.”

8 comentários

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  1. Acho que seria bom especificar:

    Não se pode descobrir vida – simples ou complexa – através da espectroscopia.

    Apenas sinais que sugerem existir tal vida. E sugerir não é descobrir.

    Se fosse assim, a simples sugestão da existência dos buracos negros deveria acabar de vez com a controvérsia sobre eles existirem ou não, pois tais sinais (os que sugerem que eles existam) não faltam.

    E mesmo assim, nenhum cientista sério pode bater o martelo e dizer que eles existem de fato.

    A descoberta da vida em si só se dará com a confirmação da existência dessa mesma vida, através do envio de uma missão ao lugar onde se supõe que ela exista.

    Tal coisa* não é para a nossa geração, e sim, e na melhor das hipóteses, para a próxima, para daqui a uns 50 ou 100 anos.

    *A “descoberta” da vida pela espectroscopia e a confirmação (a descoberta de fato) pelo envio de uma missão ao lugar de origem.

  2. Além disso, e voltamos ao mesmo, o que eles demonstraram foi a presença de Aas-D LIVRES. A noção generalizada é que somente os L entram na composição das proteínas… que eu saiba não se identificou ainda nenhuma proteína com Aas D… alta salgalhada que sairia dali!!!

    No entanto, a presença de Aas D livre parece ser mais abundante em procariotas. O q tem o seu sentido… mas, será que os Aas D nos restantes organismos não derivará da presença de procariotas?… mais, será que não são Aas L a converterem-se em D ?…

    Já nem sei onde é que li que os L se convertiam em D após a morte do tecido. Será que sonhei e estou a inventar? Help… 😀

    No entanto se por um lado me parece claro que a presença de Aas L em maioria relativamente a D significa, à luz do q conhecemos da vida na Terra, que há tecidos vivos, nomeadamente proteínas… por outro lado, se os procariotas podem ter Aas D livres, os Aas D detectados em rochas espaciais tanto podem querer dizer que pertenceram a procariotas como não haver sinal de vida…

    Portanto, lá está, é preciso ver a proporção entre D e L, certo? e o principio é de que se há Aas L, a probabilidade de vida é grande. Se só há Aas D, em principio é uma probabilidade menor, embora por si só não queira dizer que não provenha de procariotas com Aas D. No entanto, há luz do que se sabe da Terra, não me parece termidinâmicamente favorável uma proteína com Aas D! Porquê? Porque se fosse, te-las-íamos! E não há sinal delas! E o universo não tende para o termodinamicamente favorável? Atão!

    Mas pronto, fica o repto (porque eu disse isso lá atrás e não tá correcto) de que só Aas L incorporam proteínas, embora possam existir Aas D livres em tecidos vivos, especialmente em procariotas.

    Vá, agora vira o meu mundo de pernas para o ar e diz-me que já se detectaram Aas D em proteínas… vira, vira, vira! 😀

  3. LOOOL, desculpa rir, mas é a primeira vez que “oiço” alguém chamar espectroscopista a outro 😀 😀 😀

    Tenho de ver a palestra para poder comentar… mas aqui há dias li uma muito interessante, onde se explicava como se pode aproveitar a quiralidade dos aminoácidos para detectar vida 😉 Sei q em astrobiologia deve ser um conceito comum, mas eu é que nunca tinha pensado na coisa nessa perspectiva! espectacular 😀

    1. Sinceramente, não sei se em Portugal têm esse nome 🙂

      Quanto à quiralidade:
      http://www.astropt.org/2009/04/16/quiralidade-2/
      http://www.astropt.org/2009/03/23/quiralidade/
      😉

      1. LOOL estou-me a rir outra vez 😀 que queres, acho giro. 😀 Aqui em Portugal chamamos-lhes Técnicos Superiores… 😀 Então se uma pessoa trabalha muito com diversos métodos espectroscópicos, passa a ser espectroscopista? 😀 e se trabalha muito com isolamentos de proteinas passa a ser um isolador proteico? 😀 e qd utiliza radioactividade, passa a ser radioactivo? 😀 e os ensaios cinéticos, fazem dele um ensaista cinético-enzimático? 😀 lololol desculpa o àparte, achei mesmo um piadão porque nunca tal tinha “ouvido” 😀

        “It´s not very fun to do spectroscopy” eh pah, depende, depende… qd te perguntam se o branco se faz com leite, é very funny, desculpa lá… 😀 e quando aparece um pico inesperado num espectro ou, melhor, um pico esperado, eh pah, eh pah, eh pah!!!! ké ke foi, nunca viram ninguém q gosta de espectroscopicar? 😀 (da parte prática e de interpretação dos resultados, porque não me peçam, por favor, para enunciar os principios fisicos tintim por tintim… :P)

      2. Ena, boa, não conhecia a ideia para esse aparelho. Mas sabes o q tb é, em Bioquímica obrigam-nos a marrar/decorar as estereoisomeria toda (e como uma vez te expliquei, acho, tenho mta dificuldade em visualisar esse tipo de coisas, de modo que aquilo foi uma tortura para mim…), com páginas e páginas de macacos…. e nenhuma aplicação prática (para além da alta especificidade das enzimas, que discernem entre enantiómeros/estereoisómeros) que nos fizesse pular de entusiasmo. A primeira vez que me apercebi q a quiralidade pode ser utilizada para detectar vida, foi uma epifania 😀 foi o aplicar de algo secante e chato como tudo (opiniões, ehehehe), a algo entusiasmante 😉 😀

        E, depois, a beleza da coisa é que é tão mas tão simples!!! Basicamente, os aminoácidos podem ser D (dextrorotatórios – rodam p a dta) ou L (levorotatórios – rodam p a esqda); interessantemente as proteínas que compõem os seres vivos só admitem aminoácidos L na sua composição. Interessantemente também, após a morte esses aminoácidos convertem-se em D. Assim, ao receber amostras de Aas q tenham vindo numa rocha espacial, basta ver se existem Aas L! Se existirem Aas L, a julgar pelo que se passa na Terra, pode-se concluir que aqueles Aas vieram de um tecido vivo! Espectacularmente simples!

      3. A chatice é se a rocha já está no espaço há tanto tempo que todos os L passaram a D… 😛

        O facto de as proteínas dos sistemas vivos só incorporarem Aas L pode estar relacionado com as enzimas só aceitarem Aas L.

      4. (tinha aqui um comment q entretanto se perdeu porque tive de sair… :P)

        Tb pode ter que ver com a própria conformação 3D das proteínas, que depende da identidade de cada Aa; ter um Aa L ou D não é a mesma coisa em termos conformacionais, pois um L dobra p um lado e um D para outro. Imaginam a confusão que seria? Daí que a natureza tenha seleccionado as proteínas constituídas só por um tipo de enantiómero, por serem mais estáveis. Porque escolheu o L em vez do D… mistérioooo…

        Será que no inicio havia mais Ls do que Ds e a natureza aproveitou o que tinha?…

        No entanto, estava para aqui cuscando e dei com o seguinte: http://scienceblogs.com.br/rnam/2011/01/os_aminoacidos_perdidos.php

        Estes aqui dizem que “Em mais um inexplicável caso, desde a década de 1940 são conhecidos D-aminoácidos em organismos vivos. Inicialmente identificados nas paredes celulares de bactérias Gram-positivas, a suspeita da existência biológica desses aminoácios existia desde a década de 1930, quando foi descoberta uma enzima de mamíferos chamada D-aminoácio oxidase EC 1.4.3.310.

        A suspeita é lógica: porque haveria uma enzima especializada em D-aminoácidos se os mesmos não participassem no metabolismo desses animais? Como esperado, algum tempo depois foram identificados e quantificados D-aminoácidos nos fluidos corporais de vertebrados. Novamente: porque esse conhecimento não foi atualizado?”

        E confirmo que, por acaso, não sabia mesmo. Não conheço a credibilidade deste site, por isso… é um caso a actualizar?… hum, deixa cá ver…

        Mais aqui: http://www.scielo.br/pdf/qn/v32n2/v32n2a46.pdf

        aaaaaaaaah, tudo explicado portanto, como tava a pensar: “É verdade que há um predomínio dos L-aminoácidos nos seres vivos, mas predomínio não significa exclusividade” Mas isso é completamente diferente do que os anteriores estavam a querer dizer!!! 😛 Continua a haver um predomínio de L sobre D, dah!

        Diz este artigo que: “Qual será então
        a razão do predomínio? Têm sido propostas várias hipóteses, entre
        as quais a de ser termodinamicamente mais favorável a formação
        dos enantiómeros L- quando comparados com os D-, embora a diferença seja mínima.” Exactamente o que eu estava a dizer antes. Mas, uma coisa é comparar um Aa com outro e verificar que a diferença é minima… outra coisa é comparar uma cadeia desses Aas com outra, porque essas diferenças somam-se e originam uma diferença muito maior! 😛

        E continuam: “São, realmente, conhecidos processos que favorecem a formação de estruturas estéreo-selectivas a partir de reacções de polimerização de unidades quirais mais simples, incluindo os aminoácidos,
        fenómeno que pode justificar o predomínio dos L-aminoácidos se
        os processos subsequentes favorecerem a selecção destes. De facto, em estruturas mais complexas, ao ser gerada uma determinada
        arquitectura tridimensional a homoquiralidade pode tornar possível Vol. 32, No. 2 D-aminoácidos em biologia – mais do que se julga 555
        uma maior especificidade catalítica e favorecer também certos tipos
        de interacções fundamentais dando azo a uma mais ajustada organização estrutural das macromoléculas que se reflecte numa sua maior
        eficiência operacional”

        aaah, tb era isso que eu estava a dizer…

        Tb dizem que: “A ocorrência de D-aminoácidos livres nos eucariotas não é
        comum, mas conhecem-se casos em que se verifica e vários outros
        exemplos em que figuram como resíduos dos péptidos.”

        assim muito obrigadinha… não é comum, ponto. Dah.

        Bem, parece-me que afinal saltei da cadeira por pouco… 😛 a verdade é que a generalização é a de que os D não são muito usados pelos organismos vivos (e mais usados por procariotas, a acreditar neste artigo), e tb é verdade q o q está espalhado é que os organismos vivos não têm D e isso não é bem, bem assim. No entanto, acaba por ir dar ao mesmo, bah. O artigo parece-me um pouco forçado (especialmente qd precisa de dizer que “contra factos não há argumentos”…) na direcção de arranjar uma função extensiva aos D.

        Tb acrescentam considerações de que há mais 2 aas para além dos 20 suspeitos do costume que derivam do código genético. É verdade, há. Mas não se formam directamente após a tradução, levam ali umas modificações secundárias que levam à convenção de que os outros 20 é que são os naturais, derivados directamente da tradução.

        Porque se vamos a considerar esses dois extra, tb temos de considerar as carradas de Aas que são formados por outras vias que não as da tradução. 😛 a partir de outros Aas.

        Semântica.

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