Panta rei III – Nem só os Seres Vivos Evoluem

Para Heráclito de Éfeso ninguém sobe a mesma montanha ou mergulha no mesmo rio duas vezes pois tudo é original a cada momento. Se as coisas mudam deverá haver algum processo que permita que reconheçamos os objectos mesmo já não sendo os mesmos. Esse processo é a contextualização histórica. Faz sentido que aquele objecto seja o mesmo porque não sofreu demasiadas alterações e permanece, de forma lógica, no mesmo local. Se for um objecto movível poderá ser movido mas desde que tenha o mesmo aspecto poderemos inferir que seja o mesmo.

O que é que diferencia um ser vivo de um objecto inanimado? A vida caracteriza-se por mecanismos biológicos como metabolismo, homeostase, capacidade de reprodução, de responder a estímulos e de se adaptar ao meio. Como vimos, a vida é uma transformação constante de uma estrutura estável.

Nas línguas naturais também estão presentes mecanismos tal como nos seres vivos. O metabolismo corresponde à língua falada. A homeostase é caracterizada pela estrutura subjacente, a gramática. Esta componente é o equilíbrio da língua, que garante a ordem do sistema. Sem a gramática a “vida” da língua não faz sentido. As línguas também crescem e tornam-se mais complexas.

Outra componente presente nas línguas é o estímulo, o tom de um texto, os interlocutores e as mudanças de situação. Além disso são também capazes de se reproduzir. Exemplos disso são o português, o italiano, o francês, o espanhol e mais 44 línguas, que são línguas-filhas do latim. Da família indo-europeia fazem parte cerca de 450 línguas (podem ver mais sobre famílias de línguas aqui). Por fim, quando separadas geograficamente as línguas apresentam capacidade de adaptação. Mais uma vez as línguas-filhas do latim são exemplo disso mesmo.

Amanda Miller é uma linguista que estuda fonética. Ela utiliza ultrassons para descodificar idiomas em extinção.

Com esta nova abordagem técnica na linguística, os investigadores “documentaram alguns dos sons mais rápidos a fala humana: as consoantes não pulmunares conhecidas como cliques”. Os linguistas utilizam o Alfabeto Fonético Internacional para “estudar a relação entre sons diferentes e a origem das pessoas e das línguas”.

Assim, objectos, seres vivos e os não objectos estão em constante evolução. Parece que tudo faz parte de uma matriz de mutação de tudo. Será que estes 3 componentes – objectos, não objectos e seres vivos – estão ligados de alguma forma?

2 comentários

    • Manel Rosa Martins on 19/07/2011 at 13:41
    • Responder

    Estão ligados pela matemática.
    CC para legendas fonéticas.

    http://www.youtube.com/wat​ch?v=S7E-EIjA2EM

    Constante de Feigenbaum (no contexto da Teoria do Caos). É uma Constante Universal.
    2 seconds ago · Like

    • Dinis Ribeiro on 19/07/2011 at 13:18
    • Responder

    “Será que estes 3 componentes – objectos, não objectos e seres vivos – estão ligados de alguma forma?”

    Uma boa pergunta! Sugiro vivamente:

    http://www.ted.com/talks/lang/por_br/kevin_kelly_tells_technology_s_epic_story.html

    Julgo que as “melhores” ideias que tenho tido e que penso que posso provar que são originais, estão (em parte) ligadas ao facto de ter tentado explorar as consequências da aplicação de alguns destes conceitos, que descrevo a seguir, através de http://en.wikipedia.org/wiki/Thought_experiment

    Mais informação:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Kevin_Kelly_(editor)

    http://en.wikipedia.org/wiki/Out_of_Control:_The_New_Biology_of_Machines,_Social_Systems,_and_the_Economic_World

    O que pensam sobre a http://en.wikipedia.org/wiki/Linnaean_enterprise ?

    Mais informação:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Kevin_Kelly_(editor)

    http://en.wikipedia.org/wiki/Out_of_Control:_The_New_Biology_of_Machines,_Social_Systems,_and_the_Economic_World

    Ele pensa que …we are becoming more “energy-dense” … e isto poderia (talvez) ser uma boa pista para quem trabalha em SETI…

    Food for thought: http://en.wikipedia.org/wiki/What_Technology_Wants

    Se calhar há um certo “fatalismo” (realismo?) que esteja a deixar o tempero “demasiado salgado” no modo como como habitualmente se pensa (a nível da opinião pública) na entropia. http://en.wikipedia.org/wiki/Entropy

    Uma música que ilustra esta visão: http://en.wikipedia.org/wiki/Dust_in_the_wind
    Letra da canção: http://www.spynets.com/lyrics/lyrics_details.php?ID=315

    E depois, existem todas estas ideias:
    http://en.wikipedia.org/wiki/Extropy

    Extropy is not a rigorously defined technical term in philosophy or science; in a metaphorical sense, it simply expresses the opposite of entropy.

    In the philosophy of digital probabilistic physics, the extropy of a physical system is defined to be the self-information of the Markov chain probability of the physical system at a moment in time.

    Negentropy: http://en.wikipedia.org/wiki/Negentropy

    What is Life?: http://en.wikipedia.org/wiki/What_is_Life%3F_(Schr%C3%B6dinger)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.