Terra teve 2 luas

Saiu ontem na revista científica Nature um artigo que nos diz que no passado a Terra teve 2 luas.
Como podem ver na imagem acima, a simulação mostra como a lua mais pequena terá colidido com a maior.

A ideia é simples.
Pensava-se que a formação da Lua tinha-se dado desta forma: há cerca de 4,5 mil milhões de anos, um objecto do tamanho de Marte teria chocado com a Terra. Devido a essa enorme colisão, muito pó e pedritas teriam sido enviadas para o espaço, provavelmente formando um anel ao redor da Terra durante várias dezenas de milhões de anos. Esses detritos da colisão foram colidindo entre si, agrupando-se devido à força da gravidade, e formando a Lua.
Esta ideia continua.
Mas em vez de se formar um só objecto enorme ao redor da Terra (a Lua), o novo estudo (que é uma simulação de computador) permite perceber que se podem ter formado 2 objectos, 2 luas: uma maior (que conhecemos bem) e uma mais pequena. A mais pequena teria cerca de 1200 quilómetros de diâmetro – um terço do tamanho da Lua. Devido à gravidade, 100 milhões de anos depois, a mais pequena colidiu com a maior, o que terá levado a uma superfície mais acidentada no lado da Lua mais afastado da Terra (ao contrário do lado que vemos a partir da Terra).

Podem ler a notícia sobre o artigo, no original em inglês, aqui e aqui.
Podem ler em português mais alguns detalhes, no Público e no Yahoo.

Infelizmente, também há jornais que não contratam jornalistas para algumas notícias. Limitam-se a fazer copy-paste de outros sítios, naquilo que me parecem traduções automáticas feitas pelo Google, o que leva a erros.
Estou-me a referir a 2 links que me enviaram, do Jornal de Notícias e do Expresso, em que podem ver que se limitaram a repassar a informação da Lusa (segundo a informação do Expresso), com basicamente o mesmo texto, e nesse texto dizem coisas destas: “a colisão entre as duas Luas ocorreu há quatro biliões de anos, muito antes da formação da vida na Terra”.
Ora, em português de Portugal (onde o Expresso e o JN se encontram), o Universo tem 13,7 mil milhões de anos. Será que as luas existiam antes do Universo? Não. Simplesmente não tiveram em conta que em Portugal “biliões” é na verdade “mil milhões”.
Por outro lado, isto não foi “muito antes” da formação da vida na Terra. Sabe-se com certeza que a vida começou na Terra pouco depois. Há evidências de vida há 3,8 mil milhões de anos atrás. Se bem que possa ter existido antes, mas não temos evidências disso… ainda. Em termos geológicos/cósmicos, quer dizer que a vida começou praticamente “logo a seguir”.

16 comentários

1 ping

Passar directamente para o formulário dos comentários,

  1. Aqui no Brasil usamos “bilhões”, como igual a mil milhões. Naquela escala:
    1.000 mil
    1.000.000 milhão
    1.000.000.000 bilhão

    Esta proximidade em tempo entre o fenômeno da Lua – ou das luas… e a origem da vida poderia estar relacionado de alguma forma – lua e origem da vida?

    1. Vamos supôr que existiu vida unicelular antes da colisão com o enorme objecto que teve como consequência a criação da Lua.
      Se existiu essa vida antes, todos os registos foram apagados nessa colisão. Por isso, nunca teremos evidências disso.

      Do que temos evidência é que pouco tempo após o planeta se formar (com a Lua), rapidamente a vida também apareceu 😉

      1. Qual a sua opinião sobre a Hipótese da Panspermia?

      2. É uma forma de não responder à questão da origem da vida, mas simplesmente colocá-la noutro lado 😉

        Há várias “formas” de panspermia.
        Os constituintes básicos da vida, sabemos que é um facto que vieram do espaço.
        Organismos unicelulares podem ter vindo. É provável, já que eles sobrevivem nessas condições, mas precisariam de ter aparecido primeiro noutro lado.
        Já a ideia que os “humanos vieram a cavalgar em cometas” parece-me descabida 😛

        abraços! 🙂

      3. É verdade também penso dessa forma – a questão a considerar é mesmo a segunda *a primeira é um fato e a terceira é absurda.
        Na segunda, que levanta a questão dos magníficos organismos extremófilos primordiais, a única dúvida é o seu desenvolvimento rápido num ambiente tão inóspito – mas devemos considerar que o ambiente seria inóspito pra nós, e eles tiram de letra – evoluíram e moldaram a biosfera e até a atmosfera na direção que bem conhecemos. 🙂
        Eu já me divaguei pensando em que lugar da Terra acharíamos um ambiente que tenha permanecido inalterado em bilhões de anos, e ainda seja habitado por esses tipos de organismos num ambiente como o mundo era, e se poderíamos presenciar ali pelo menos uma parte do processo da origem da vida ainda ocorrendo naturalmente – só que num planeta de intensa atividade atmosférica e geológica como o nosso, lugar difícil de achar… O fundo do pacífico, as geleiras talvez? Umas cavernas antigas… a lua saturnina Titã?
        Bom, se algumas bactérias de um certo meteorito marciano se provarem reais, volto a pensar na troca de vida interplanetária, a questão é bela mas sempre fica a dúvida de onde e como começou. 🙂

  2. Mais pequena ? Não seria “menor”.

    1. Ambas as formas são correctas.
      http://www.ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=16409

  3. Eu não estava entendendo bem, sou brasileiro, achei que os bilhões daqui fossem os mesmos dos daí.
    Mas de qualquer modo há um erro no texto. Vejam

    “Será que as luas existiam antes do Universo? Não. Simplesmente não tiveram em conta que em Portugal “biliões” é na verdade “mil milhões”.”

    Em Portugal “bilião” significa um milhão de milhões, e creio que estes sejam os mesmo tanto aqui quanto aí hehehe…

    Leio o blog já tem um tempo, as vezes rio aqui com a diferença na escrita, acho “vaivém espacial” muito engraçado, aqui chamamos de ônibus espacial.

    1. Oi Henrique,

      No Brasil diz-se “bilhões” 🙂
      Foram brasileiros leitores do astroPT que me disseram há uns tempos 🙂

      Quanto ao texto está bem, porque eu estava-me a referir ao que os jornais colocaram. 😉
      Eles colocaram “biliões”, quando na verdade deveriam ter colocado “mil milhões” 😉

      Pessoalmente acho que o acordo ortográfico deveria ter abrangido isto… senão continuam as confusões e os erros. Numa economia global, a homogeneidade é o caminho a seguir 😉

  4. Com a “onda” da “New Order” , começamos a usar o termo “Bilhão” para equiparar ao Bilião americano, os tais mil milhões. Assim, aproveitando a embalagem do acordo ortográfico, podemos definir que “Mil milhões” designa-se também por “Bilhão”, “gestor” por “gerenciador”, “raptado” por “abudizado”. Ficamos muito mais “legiveis” para os PALOP e Brazil, afastando-nos das raizes latinas que ainda “vivem” em alguns dialetos europeus!
    Ai, que “curtição”….

    • Paulo Ribeiro on 04/08/2011 at 21:55
    • Responder

    Pois, existem vários sistemas numéricos, mas um jornalista, uma pessoa hipoteticamente bem formada (deveria ser), deve saber que os biliões brasileiros não representam os biliões portugueses. A pesquisa jornalística está num ponto tal, que praticamente não existe. Basta consultar um sites e pronto, fez-se uma notícia, mesmo que ela veicule UA de erros. Enfim. Seria necessário uma grande revisão, que fosse às origens, às universidades, àqueles que ensinam jornalismo. Grassa a lei do menor esforço. Felizmente o astro pt está atento e corrige esses erros, que vão induzir em erro os consumidores desses jornais, e está o caldo entornado.

    • Ricardo André on 04/08/2011 at 16:00
    • Responder

    Ah! já percebi o erro… lololol…

  5. Muito bom o estudo Carlos, estou me sentindo muito bem em saber que estou colaborando com o blog passando algumas informações.
    Agora me ficou uma duvida, esta segunda lua acabou, mais o que ela virou?
    Poeira.
    Abraços!

    1. Ela faz parte da Lua 😉

  6. Como não há apenas 1 sitema numérico, dá nisto. Isso e o facto de estas noticias terem pouco interesse por parte dos jornais que as transmitem. Para isso existe o astroPT, para por ordem na coisa.

  1. […] Datas. Citações e Fotos (Blue Marble, Berlinde Azul). Mapa. Continentes. Infografia. Afastamento. 2 luas (e aqui). Aeroportos. Nuvens. Migração. Deriva Continental. Rotação abranda. Auroras (25 + 20 + […]

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.