Paradoxo de Fermi: Moby dá o seu contributo

O Paradoxo de Fermi, como já foi referido em posts anteriores, contempla a questão que surge inevitavelmente nas lides astrobiólogicas e na contemplação do próprio Cosmos: se há vida inteligente no vasto Universo, porque é que ainda não foi detectada?… O clip musical que o Astropt vos sugere hoje,  In This World do cantor Moby, avança uma possível resposta.

Neste clip, um grupo de pequenos aliens que habita um pequeno asteróide, planeia cuidadosamente uma missão à Terra, com o objectivo de saudar os humanos e comunicar. Assim, três desses aliens e a sua mascote doméstica embarcam numa nave espacial rumo à Terra, decididos a cumprimentar a humanidade na própria linguagem desta. Contudo, ao aterrar no coração de Nova Iorque, depressa descobrem que não só há muitos mais humanos do que aquilo que estavam à espera, como, por mais que tentem, não conseguem fazer-se notar…

5 comentários

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  1. Dinis, ainda bem que gostou 🙂

    As questões filosóficas podem, e devem, ehehehe, ser exploradas: a intenção do post era mesmo essa 🙂 😀

    “A indiferença das pessoas relativamente ás pequenas coisas no mundo que as rodeia no video do Moby é muito “real”” —–> Completamente de acordo. 🙂 Seja por distração, seja por a nossa própria mente nos pregar partidas, seja porque não nos interessa, não acreditamos ou não estamos à espera… a alienação, no seu extremo, é terrível.

    Engraçadamente, a definição que dá para o solipsismo como sindrome fez-me lembrar o filme Solaris… 😀 porque foi assim que o interpretei :D. Já no filme “Moon” (http://www.imdb.com/title/tt1182345/), no início pensamos que o personagem sofre de algo assim… para depois descobrirmos q a realidade dele é outra 😀

    Engraçadamente quando comecei a ler a parte em que o Dinis fala em ghettos de aliens, lembrei-me logo do Distrito 9, eheheeh 😀

    Pessoalmente costumo achar que é possível que tentem contactar-nos mas que não os consigamos compreender ou sequer detectar. Se forem avançados o suficiente para ultrapassarem as barreiras das distâncias astronómicas, então é plausível que sejam de tal forma evoluídos que nós estaremos para eles como as formigas estão para nós. Nós vemos as formigas e somos capazes de as entender; mas para elas somos gigantes incompreensiveis. Ou, se alargar o intervalo evolucionário, eles podem estar para nós como o nós para o plancton! 😀 vemo-lo, detectamo-los, estudamo-lo, conhecemo-lo… mas ele não faz a menor ideia que nós existimos sequer.

    1. Podemos aqui alegar q se são assim tão inteligentes arranjam maneira de comunicar connosco. Mas, e nós, já arranjámos maneira de comunicar com o plancton ou as formigas, de forma a que eles “saibam” que estão a comunicar?… E logo nós, que só muito recentemente começámos a tentar entender a linguagem e formas de comunicação dos animais que nos rodeiam e só muito recentemente começamos a ter a noção de que eles nos compreendem melhor do que nós a eles. E de que temos tendência a tratá-los como inferiores, infantilizá-los, humanizá-los, etc, e não como aquilo que realmente são: seres inteligentes, complexos, com sociedades, cultura, ferramentas, memória, etc… diferente da nossa, claro, não os terá levado a construir naves espaciais como nós, mas inteligentes na mesma. É o caso, por exemplo, dos elefantes, dos gorilas, dos chimpanzés e outros primatas, dos gatos, dos papagaios e outros psitacídios (até os periquitos são mais inteligentes do que aquilo que se costuma julgar)… eles entendem-nos… e nós, a eles? bem, claro que começamos a ter uma compreensão mais vasta das formas físicas e emocionais como comunicam, mas não haverá tendencia para os humanizar e tentar que utilizem as nossas regras e linguagem?…

      Por exemplo, só recentemente se começou a perceber que os chimpanzés têm uma especie de linguagem, com sons bastante distintos para cada coisa. E só agora se começou a descodificá-la e a usá-la para comunicar com eles. E no entanto, repare-se na facilidade relativa com que alguns primatas aprendem lingua gestual, por ex, e a usam p comunicar connosco…

    • Dinis Ribeiro on 08/09/2011 at 15:42
    • Responder

    Gostei do post!

    Há questões filosóficas que podem (talvez) ser exploradas:

    Solipsismo (do latim “solu-, «só» +ipse, «mesmo» +-ismo”.) é a concepção filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências. http://pt.wikipedia.org/wiki/Solipsismo

    O solipsismo é a consequência extrema de se acreditar que o conhecimento deve estar fundado em estados de experiência interiores e pessoais, não se conseguindo estabelecer uma relação direta entre esses estados e o conhecimento objetivo de algo para além deles.

    A indiferença das pessoas relativamente ás pequenas coisas no mundo que as rodeia no video do Moby é muito “real” …

    E, sobretudo, até há isto: o “Solipsism syndrome”

    Solipsism syndrome is a postulated condition which may be faced by those living in space or on another planet for extended periods of time.

    It may be best described as ‘severe Big Brother anomie’.

    Sufferers become lonely and detached from the world and eventually become completely indifferent.

    Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Solipsism_syndrome

    A letra desta música http://en.wikipedia.org/wiki/Rocket_Man_(song) (para mim) aborda mesmo esse possível sentimento de crescente “indiferença” e de uma depressão tão profunda quanto os abismos do cosmos.

    A letra da música, escrita por Taupin, colaborador de longa data de John, descreve os sentimentos de um astronauta em Marte que deixou a família pelo trabalho.

    Video: http://www.youtube.com/watch?v=1GAKOLOnfV4
    Letra: http://www.eltonography.com/songs/rocket_man_i_think_its_going_to_be_a_long_long_time.html

    The lyrics in the song, inspired by a short story http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Illustrated_Man / http://en.wikipedia.org/wiki/The_Illustrated_Man of the same title written by Ray Bradbury, and written by John’s longtime collaborator Bernie Taupin, describe a Mars-bound astronaut’s mixed feelings at leaving his family in order to do his job.

    Se eles já vissem que á “grande” velocidade com que nos estamos a desenvolver como civilização, de certeza absoluta que não vamos conseguir escapar a uma “Erupção de raios gama” que vai ocorrer não muito longe http://en.wikipedia.org/wiki/Gamma-ray_burst então poderiam simplesmente decidir não nos dizer nada para não despedaçar as nossas ilusões que temos sobre um futuro que nunca virá.

    Podem decidir evitar fazer “rebentar a bolha de sabão” das nossas esperanças e sonhos.
    http://idioms.thefreedictionary.com/burst+bubble

    Mas essa possibilidade parece-me demasiado deprimente, e em qualquer dos casos deve haver uma maneira de sobreviver a “uma coisa dessas”, talvez com abrigos subterrâneos extremamente profundos e bem blindados.

    Uma outra possibilidade:

    Eles podem pensar que “não vale a pena” contactar pois só nos iriam causar problemas a nós e nós iriamos criar problemas a eles.

    Aliás, se houvesse um contacto com extraterrestres, depois de um breve periodo de “fama” de polémica e de celebridade efémera devida a um mini-choque cultural, não sei se a vida na terra iria mudar tanto quanto isso.

    Depois de passar a “novidade”, se calhar voltava tudo á mesma rotina mesquinha, havendo uma esmagadora maioria de pessoas que se estariam completamente “nas tintas” para eles, ou que sequer acreditariam que eram mesmo extraterrestres, pensado que era mais uma “aldrabiçe” da industria aeroespacial, ou então “uma conspiração” exactamente como as “missões apollo”.

    Além disso, eles poderão cheirar mal, ser incapazes de se expressar fluentemente nas nossas linguas, só dizerem coisas estranhíssimas “sem nenhum sentido”, passarem a viver em “ghettos” miseráveis de costas voltadas para os humanos, necessitarem de ajuda económica por não puderem arranjar um emprego, e em suma serem quase completamente inúteis para a humanidade…

    Ou então, nós é que somos completamente inúteis para eles…

    Um cenário vagamente semelhante ao que ocorre neste filme http://en.wikipedia.org/wiki/District_9 é talvez mais real (em alguns aspectos) do que possa parecer.

    Deixando de lado estas cogitações mais “sombrias” há outros aspectos ligados ao video do Moby…

    Quanto ás naves “pequeninas”.

    1) Este filme é de 1987: http://en.wikipedia.org/wiki/Batteries_not_included

    Though their origins remain a mystery, they share some features of von Neumann probes; they are apparently independent of external control, and they have the ability to assimilate scrap metal from various sources to replicate and repair themselves.

    Early in the movie, Frank insists they are spaceships “from a very small planet…very small.”

    However, in one scene, where Mason examines a “Fix-It” with a magnifying glass, he sees what appear to be micromachines flying through or scuttling across it, implying that there are living beings inside it.

    2) Lembra-me esta canção: http://en.wikipedia.org/wiki/Itsy_Bitsy_Spider

    3) E quanto a “coisas pequenas” há um outro filme de 2007:

    http://en.wikipedia.org/wiki/The_Last_Mimzy

    The family is held for questioning, and it is revealed that Mimzy is actually an advanced form of artificial life utilizing nanotechnology created by Intel.

  2. Pois, por vezes o mais evidente está a nossa frente e não o vemos. É como quando procuramos os óculos e eles estão na nossa cabeça…lol

    1. Marina, ou como quando andamos à procura da camisa de dormir e a temos vestida… eheheh 😀

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