Prémio Nobel da Física 2011 atribuído à Expansão do Universo

Estocolmo, 4 de Outubro de 2011

The Nobel Prize in Physics 2011 was awarded for the discovery of the accelerating expansion of the Universe through observations of distant supernovae with one half to Saul Perlmutter and the other half jointly to Brian P. Schmidt and Adam G. Riess.

Podemos deixar as merecidas saudações aos laureados aqui.

E esta é tradução geral para Português do comunicado da Academia Sueca de Ciências, para explicar, em linguagem simples e acessível, a atribuição do prémio.

O que está escrito nas estrelas…

“Uns dizem que o mundo acabará em fogo: outros que será em gelo…”

Qual será o destino do Universo?

Acabará provavelmente em gelo, a crer nos laureados com o Prémio Nobel da Física de 2011.

Estudaram cuidadosamente várias dezenas de explosões de estrelas, chamadas supernovas, localizadas em galáxias muito distantes, e concluíram que a expansão do universo está a aumentar.

A descoberta surgiu como uma surpresa completa até para os próprios laureados. O que viram foi como se tivessem atirado uma bola ao ar, e esta, em vez de voltar para o chão, fosse observada a desaparecer cada vez mais depressa para o céu, como se a gravidade não conseguisse voltar a atraí-la e inverter a sua trajectória. Parecia estar a suceder algo muito semelhante por todo o Universo.

A expansão crescente do Universo implica que este está a ser esticado por uma força desconhecida embutida no tecido do espaço. Esta energia escura constitui uma fatia muito grande do Universo, mais de 70% (~73%), e é um enigma, talvez mesmo o maior enigma da física actual. Não foi então uma surpresa a Cosmologia ter sentido os seus alicerces tremerem de alto a baixo quando dois grupos de investigadores apresentaram resultados similares em 1998.

Saul Perlmutter chefiava um dos 2 grupos de investigação, o Projecto de Cosmologia de Supernovas (Supernova Cosmology Project), que se iniciara em 1988. Brian Schmidt liderava uma outra equipa de cientistas que, em finais de 1994 lançou um projecto concorrente, a Equipa de Busca de Supernovas de Alto Desvio-z (High-z Supernova Search Team), no qual Adam Reiss viria a desempenhar um papel crucial.

As duas equipas de investigação concorreram uma com a outra no mapeamento do Universo à medida que iam descobrindo as explosões de estrelas supernovas mais longínquas no espaço. Ao estabelecerem a distância à supernova e a velocidade a que esta se está a afastar de nós, os cientistas esperavam revelar o nosso destino cósmico. Esperavam encontrar sinais que indicassem que a expansão do Universo estaria a abrandar, o que levaria a um equilíbrio entre o fogo e o gelo. E o que encontraram foi o oposto – a expansão estava a acelerar.

O Cosmos está a crescer.

Não é a primeira vez que uma descoberta astronómica revoluciona as nossas ideias sobre o Universo. Apenas há meros cem anos, o Universo era tido como um local calmo e pacífico, e dum tamanho igual ao da nossa própria Galáxia, a Via Láctea. O relógio cosmológico estava a tocar a as horas certas e regulares e o Universo era eterno. No entanto, cedo se verificou uma mudança radical neste quadro. No início do século 20 a astrónoma americana Henrietta Swan Leavitt  descobriu uma forma de calcular as distâncias para as estrelas distantes. Nesse tempo, as mulheres astrónomas não tinham acesso aos grandes telescópios, mas eram empregues muitas vezes para a tarefa rotineira de análise das placas fotográficas.

Henrietta Leavitt estudou milhares de estrelas pulsantes, chamadas Cefeidas, e descobriu que as mais luminosas tinham pulsos mais prolongados. Munida desta informação, Leavitt pode calcular a luminosidade intrínseca das Cefeidas.

Caso a distância de apenas uma Cefeida for conhecida, podem-se determinar as distâncias para as outras Cefeidas – quanto mais fraca for a sua luz, mais longe está a estrela. Nascera a vela padrão, o primeiro marco na régua de medição ainda em uso nos nossos dias.

Ao fazer uso das Cefeidas, os astrónomos cedo iriam concluir que a Via Láctea é apenas uma de muitas galáxias no Universo. E, nos anos 1920, os astrónomos tiveram ao seu dispor o telescópio do Monte Wilson na Califórnia, podendo assim demonstrar que todas as galáxias se estão a afastar de nós. Estavam a estudar o chamado Desvio para o Vermelho que ocorre quando uma fonte emissora de luz se está a afastar de nós. O comprimento de onda da luz é esticado e, quanto mais longa for a onda, mais vermelha é a sua cor.

A conclusão que se impôs foi que as galáxias se estão a afastar de nós e a afastaram-se entre si, e, que quanto mais longe estão, mais depressa se afastam – este facto é até conhecido como Lei de Hubble.

O vaivém da constante cosmológica.

As observações do espaço já tinham sido previstas pelos cálculos teóricos. Em 1915, Albert Einstein publicou a sua Teoria da Relatividade Geral, que tem sido a base fundamental da nossa compreensão do Universo desde essa altura. A Teoria descreve um Universo que tem que ou se expandir ou se retrair. Esta perturbante conclusão foi alcançada cerca duma década antes da conclusão das galáxias para sempre a afastarem-se. Nem o próprio Einstein conseguiu reconciliar o facto de que o Universo não era estático. Então, de forma a parar esta expansão cósmica não desejada, Einstein adicionou uma constante às suas equações a que chamou de constante cosmológica.

Mais tarde, Einstein consideraria a inserção desta constante cosmológica um erro enorme. Contudo, com as observações realizadas em 1997-1998, a que são atribuídas o Prémio Nobel deste ano, podemos concluir que a constante cosmológica de Einstein – inserida pelas razões erradas – foi na verdade brilhante.

A descoberta da expansão do Universo foi um primeiro grande passo na direcção da agora visão padronizada e consensual que nos diz que o Universo foi criado há quase 14 mil milhões de anos. Tanto o espaço como o tempo começaram então. Desde esse momento, o Universo tem-se vindo a expandir. Se compararmos com um bolo que sobe quando é cozido no forno, podemos ver as galáxias como as passas desse bolo, a afastarem-se umas das outras devido à expansão cosmológica.

Mas, e…, para onde vamos?

Supernovas – a nova medida do Universo.

Quando Einstein se livrou da constante cosmológica e se rendeu à ideia dum Universo não-estático, relacionou a forma geométrica do Universo com o seu destino. Será aberto ou será fechado, ou será algo intermédio – teremos um Universo plano?

Um Universo aberto será aquele onde a força gravitacional da matéria não tem grandeza suficiente para evitar a expansão do Universo. Toda a matéria será diluída num espaço cada vez maior, cada vez mais frio e cada vez mais vazio.

Já um Universo fechado será, por outro lado, descrito pela força gravitacional a ter força suficiente para parar e até para conseguir fazer a expansão retroceder.

Nesta eventualidade, o Universo deixaria então de se expandir e cairia de novo em si mesmo, num fim violento e quente, num chamado Big Crunch (Grande Esmagamento). A maioria dos cosmólogos, contudo, prefeririam viver num Universo mais simples e com uma matemática mais elegante: num Universo plano, onde se crê que a expansão esteja em declínio. O Universo, segundo este modelo, não acabaria nem em fogo nem em gelo. Só que não há por onde escolher. Pois que se existe uma constante cosmológica, a expansão continuará a acelerar, mesmo que o Universo seja plano.

Os laureados com o Nobel deste ano esperavam medir a desaceleração cósmica, ou como estaria a diminuir a expansão do Universo. O seu método usou o mesmo princípio do método utilizado pelos astrónomos mais de seis décadas antes: localizar as estrelas distantes e medir os seus movimentos. No entanto, isto é fácil de se dizer e é muito mais difícil de se fazer na prática.

Desde os tempos de Henrietta Leavitt foram encontradas muitas mais Cefeidas que até são muito mais longínquas. Mas, nas distâncias a que os astrónomos precisam de ver, a milhares de milhões de anos-luz de distância, as Cefeidas já não são visíveis. A vela padrão que servia de régua precisava de ser esticada.

Henrietta Swan Leavitt. Ela descobriu e catalogou 1777 estrelas variáveis situadas nas Nuvens de Magalhães. Em 1912, a partir de seu catálogo, ela descobriu que a luminosidade das variáveis cefeidas era proporcional ao seu período de variação de luminosidade. Essa relação período-luminosidade é a base de um método de estimação das distâncias de nebulosas e de galáxias no Universo. Os resultados de Leavitt foram usados por cientistas como Ejnar Hertzsprung, Harlow Shapley e Edwin Hubble e foram cruciais para o desenvolvimento da Astrofísica e da Cosmologia.

As supernovas – explosões de estrelas – tornaram-se nas novas velas padrão. Os telescópios mais sofisticados no solo e no espaço, a par dos computadores mais poderosos, permitiram, durante os anos 1990, que se adicionassem mais peças ao puzzle cosmológico. Foram cruciais os sensores digitais sensíveis à luz – os chamados CCD (Charged Cuple Device – DCA ou Dispositivo de Carga Acoplada) – uma invenção de Willard Boyle e de George Smith que lhes valeu o Prémio Nobel da Física de 2009.

Anãs brancas a explodirem

A nova ferramenta na caixa dos astrónomos é um tipo especial de explosão estrelar, a supernova tipo Ia. (É como um 1 romano, que escrevemos com a letra i maiúscula , seguido de um “a”  – n.t.).

Durante algumas, poucas, semanas, uma só supernova deste tipo pode emitir tanta luz como uma galáxia inteira. Este tipo de supernova é uma explosão duma estrela antiga extremamente compacta que é tão pesada como o Sol mas que é tão pequena como a Terra – uma anã branca. A explosão é o estádio final do ciclo de vida da anã branca.

As anãs brancas formam-se quando uma estrela não tem mais energia no seu núcleo, dado que todo o hidrogénio e todo o hélio já foram consumidos nas reacções nucleares. Somente restam o carbono e o oxigénio. Será desta forma que, num futuro distante, o nosso Sol se desvanecerá e arrefecerá à medida que atinge o seu fim como uma anã branca (O Sol é actualmente uma anã amarela e ainda será uma gigante vermelha antes de atingir o ciclo de anã branca – n.t.). Um fim bem mais excitante aguarda uma anã branca que faça parte dum sistema binário, o que é uma situação bastante comum.

Neste caso, a forte gravitação da anã rouba o gás à sua estrela companheira. Contudo, quando a anã branca tiver crescido para 1.4 vezes a massa solar, já não consegue manter-se conjugada. Quando isto acontece, o interior da anã torna-se quente o suficiente para que se iniciem reacções de fusão descontroladas, e o gás é totalmente desfeito numa questão de segundos.

Os produtos das fusões nucleares emitem uma radiação forte que vai aumentando durante as primeiras semanas a seguir à explosão, para decrescer ao longo dos meses seguintes. É por isso que há como que uma corrida às supernovas – dada a brevidade destas explosões. No Universo visível ocorrem cerca de dez supernovas Ia por minuto. Só que o Universo é enorme. Numa galáxia típica ocorrem uma ou duas explosões de supernovas por milénio.

Em Setembro de 2011, tivemos a sorte de podermos observar uma supernova deste tipo numa galáxia perto da Ursa Maior, visível com o auxílio dum simples par de binóculos.

Nota: Para um post detalhado sobre esta supernova, temos este artigo do Luís Lopes aqui no AstroPt.

Mas a maioria das supernovas está muito mais longe, logo são muito menos intensas. Então, na redoma do céu, onde e quando procurar?

Uma conclusão espantosa

As duas equipas concorrentes sabiam que teriam que passar os céus a pente fino, se queriam localizar as distantes supernovas. O truque consistiu em comparar duas imagens do mesmo pequeno pedaço de céu, que corresponde a olhar-se para um polegar na ponta do braço esticado. A primeira imagem tem que ser captada logo a seguir à Lua Nova e a segunda três semanas depois, antes que o luar inunde o céu e absorva a luz das estrelas.

Podem então as duas imagens ser comparadas na esperança de se descobrir um pequeno ponto de luz – um pixel entre outros na imagem CCD, (DCA) – que poderá ser uma assinatura duma supernova numa galáxia distante. Apenas se utilizaram supernovas no mínimo a um terço da distância do Universo visível, de forma a eliminarem-se as distorções locais.

Os investigadores tiveram que lidar com muitos outros problemas. As supernovas do tipo Ia não são tão previsíveis como inicialmente se supunha – já que as explosões mais luminosas se desvanecem mais rápido. E, o que é mais, a luz das supernovas precisava de ser extrapolada da luz envolvente das suas galáxias anfitriãs. Outra tarefa importante foi a de se calibrar a intensidade correcta. As poeiras intergalácticas que se interpõe entre nós e as estrelas alteram a luz estrelar. Isso afecta os resultados quando se calcula a luminosidade das supernovas.

Uma anã branca rouba o gás da sua vizinha usando para o efeito a sua gravidade. Quando a anã branca cresce até 1.4 vezes a massa do Sol, explode como uma supernova tipo Ia.


Imagem Harvard Gazette.

Localizar as supernovas desafiou não só os limites da ciência e das tecnologias como também os da logística.

Primeiro, foi preciso localizar o tipo certo de supernova.

Depois, foi ainda necessário medir-se o seu desvio para o vermelho e a sua luminosidade.

A curva de luz teve que ser observada ao longo do tempo de forma a poder-se comparar com outras supernovas do mesmo tipo com as suas distâncias já conhecidas.

Legenda – Este gráfico de luminosidade (Relativo ao Sol, L0) em função do tempo, ilustra a curva de luz característica duma supernova do tipo Ia. O pico é sobretudo devido ao decaimento do Níquel (Ni), enquanto num estádio posterior é alimentado pelo Cobalto (Co).

Isto exigiu uma rede de cientistas que pudessem decidir com rapidez se uma estrela em particular era um candidato que merecesse ficar sob observação. Precisavam de serem capazes de mudar de telescópio e de terem tempo de observação disponível sem demoras, o que contrariava um procedimento que normalmente demora meses.

Precisavam de actuar com toda a rapidez já que uma supernova depressa se desvanece. Por vezes, as duas equipas concorrentes entre-cruzavam discretamente os seus quadrantes de busca.

As armadilhas potenciais foram numerosas, e, na verdade, os dois grupos de cientistas ficaram bastante reconfortados por terem chegado aos mesmos, e espantosos, resultados: ao todo, encontraram cerca de 50 supernovas cuja luz parecia ser mais débil do que o esperado. Era o contrário do espectável. Se a expansão cósmica tivesse vindo a perder velocidade, as supernovas deveriam aparecer mais luminosas. Contudo, as supernovas estavam a desvanecer-se à medida que se iam, cada vez mais, afastando, embutidas nas suas galáxias. A surpreendente conclusão foi que a expansão do Universo não está a abrandar, mas antes a acelerar.

Até à eternidade (From here to eternity – o famoso filme com Montgomery Cliff)

Então o que está a acelerar o Universo? Chama-se energia escura e é um desafio para os físicos, é um enigma que ninguém ainda conseguiu resolver. Foram avançadas diversas ideias. A mais simples é a de se reintroduzir a constante cosmológica de Einstein, que ele próprio em tempos rejeitara. Nessa ocasião, Einstein inserira a constante cosmológica como uma força anti-gravitacional da matéria de forma a poder criar um Universo estático.

Hoje, a constante cosmológica parece, ao invés, estar a acelerar a expansão do Universo.

A constante cosmológica, é, naturalmente, constante, e como tal não se modifica ao longo do tempo. Então, a energia escura torna-se dominante quando a matéria, logo a sua gravidade, se dilui devido à expansão do Universo no decorrer de milhares de milhões de anos. De acordo com os cientistas, isso explicaria porque é que a constante cosmológica entrou tão tarde em cena na história do Universo, acerca de apenas cinco a seis mil milhões de anos. Nessa era, a força gravitacional da matéria ter-se-ia enfraquecido o suficiente em relação à constante cosmológica. Até essa altura, a expansão do Universo tinha vindo a desacelerar.

Imagens comparativas da luminosidade de 3 supernovas tipo Ia.

Crédito Hubble Space Telescope.

Legenda – 3 distantes supernovas tipo Ia, tal como forma observadas pelo Hubble em 1997. Dado que as supernovas tipo Ia têm a mesma luminosidade, são usadas para se medir a energia escura e os seus efeitos na expansão do Universo. As imagens por baixo são detalhes das vistas de profundidade de campo alargado, que estão acima. As supernovas da esquerda e do centro ocorreram há cerca de cinco mil milhões de anos, a da direita, há sete mil milhões de anos.

A constante cosmológica pode ter a sua origem no vácuo, o espaço vazio que, de acordo com a Física Quântica, nunca está completamente vazio. Em vez disso, o vácuo é uma sopa quântica de bolhas onde as partículas virtuais da matéria e da anti-matéria surgem, existem, e deixam de existir, saltitando da existência para a não-existência, dando azo a que surja a energia.

No entanto, a estimativa de cálculo mais simples para a quantidade de energia escura não corresponde, de todo, à quantidade que foi medida no espaço, que é de cerca de 10^120 (1 seguido de 120 zeros). ^significa elevado à potência de, por nota aqui da tradução para o AstroPt.

Isto constitui uma diferença enorme e ainda inexplicada entre a teoria e a observação. Em todas as praias do mundo não existem mais do que 10^20 (1 seguido de 20 zeros) grãos de areia.

Pode ser que, afinal, a energia escura não seja constante. Talvez ela mude ao longo do tempo. Talvez um campo-força desconhecido gere a energia escura apenas ocasionalmente. Na Física existem muitos campo-força semelhantes que se agrupam sob o nome colectivo de quintessência, com étimo na palavra grega para designar o quinto elemento. A Quintessência poderia acelerar o Universo, mas somente ocasionalmente. Isto tornaria impossível de prever o destino do Universo.

Seja o que a energia escura for, perece que veio para ficar. Encaixa muito bem no puzzle cosmológico que os físicos e os astrónomos têm estado a elaborar desde há muito tempo.

De acordo com o actual consenso, cerca de três quartos do Universo consiste de energia escura. O restante é matéria. Mas a matéria normal, o material de que são feitos e feitas galáxias, estrelas, seres humanos e flores é apenas 5% do Universo. A restante matéria é chamada de Matéria-Escura e até agora tem estado escondida das nossas vistas.


NT – Valores arredondados.
Energia escura: afasta as coisas ~75% do Universo
Matéria escura: cola as coisas ~20% do Universo
Matéria normal: cola as coisas ~5% do Universo

A designação correcta em Física da matéria normal (a do dia-a-dia) é matéria bariónica. Fim de nota.

A matéria escura é um outro mistério do nosso cosmos deveras maioritariamente desconhecido: tal como a energia escura, a matéria escura é invisível.

Conhecemos as duas através dos seus efeitos – uma está a empurrar, a outra está a puxar. Só têm o adjectivo “escura” em comum. Assim sendo, as descobertas dos laureados com o prémio Nobel da Física de 2011 ajudaram a desvendar um Universo que é ainda 95% desconhecido para a Ciência. E tudo voltou a ser possível.

O destino do Universo

Modelos de expansão do Universo, o da direita é o modelo que corresponde às observações.

Modelos de expansão do Universo, o da direita é o modelo que corresponde às observações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Pizza do Universo – Actualização dos dados sobre matéria-normal, matéria-escura e energia-escura. Telescópio Espacial Planck – 2013

 

O enquadramento científico publicado pela Academia Sueca de Ciências pode ser acedido aqui.

 

 

24 comentários

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    • Manel Rosa Martins on 12/11/2016 at 20:39
    • Responder

    Em 2016 confirma-se a expansão acelerante do Universo num estudo com 320 aglomerados de galáxias que distam da Terra desde 760 milhões de anos-luz até 8,7 mil milhões de anos-luz, que delimitam um período em que a a expansão do Universo acelerou, após ter desacelerado (mas sempre a expandir) e que sugere que a razão dessa aceleração se manteve, nesse intervalo de distância e de tempo, constante.

    http://chandra.harvard.edu/press/16_releases/press_042816.html

    http://chandra.harvard.edu/photo/2016/clusters/

  1. parabens. o site mais informativo e completo que encontrei referente a nova descoberta .

  2. “No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra porém estava sem forma e vazia…
    mais uma vez a ciência de forma subliminar confirma a existência de um Deus que cria incessantemente coisas novas!

    1. Esta é uma notícia sobre Cosmologia… que tem a ver com uma descoberta científica.
      Nada tem a ver com a criação dos “céus e da terra”.
      E nada tem a ver com deuses… seja Thor, Zeus, ou qualquer outro deus em que acredite… nenhum deles foi confirmado.

      abraços

  3. Bom vendo o comentário do Carlos, e como gosto deste blog, fica aqui alguma informação útil sobre este tema:

    Aceleração do universo -> http://en.wikipedia.org/wiki/Accelerating_universe

    O mistério da energia-negra (não confundir com matéria!) -> http://www.theepochtimes.com/n2/science/dark-energys-nature-can-be-elucidated-by-gamma-ray-bursts-61702.html

    Uma hipótese interessante sobre um dos mistérios da física – o desequilíbrio da matéria e anti-matéria no universo -> http://uanews.org/node/42347

    Não tenciono questionar a ciência mas sim abrir a mente das pessoas para outras possibilidades para que não papem tudo o que os média vomitam.

    Em relação ao Armstrong é claro que milhões viram as imagens filmadas directamente do ecrân da nasa (sem sinal direto paras as estações de tv ). Nem vale a pena falar das conspirações que existem que arranjam falsos argumentos para provar que ele nunca foi à lua. Acreditem no que quiserem e sejam felizes

    Não resisto a linkar este artigo porque acho que os futurologistas da desgraça mais cedo ou mais tarde vão pegar nele (aldrabando a probabilidade é claro) “Short gamma ray bursts could cause mass extinction”
    http://www.tgdaily.com/space-features/58948-short-gamma-ray-bursts-could-cause-mass-extinction

    Se vos vierem com esta profecia para 2012 riam e festejem o ano novo 😉

    1. “O mistério da energia-negra (não confundir com matéria!)”

      Precisamente! Confundiu os 2 conceitos no último comentário.

      Anti-matéria também não tem nada a ver. É mais um Red Herring.

      Aqui não se acredita nos Media, mas partilha-se conhecimento do que dizem os cientistas.
      E não há ninguém com a mente mais aberta que os cientistas – só assim pode existir um mundo virtual.

      Ninguém está a falar das pessoas que viram Armstrong na televisão.
      http://www.astropt.org/2009/07/25/boletim-em-orbita-n-%c2%ba-91-edicao-especial/

      E a ciência não se faz de acreditar.

      Sobre os raios gama, ele não diz nada de novo. Nós já temos vários posts sobre isso. Já há vários anos que mostro documentários aos meus alunos sobre isso. Mas claro que nada disso tem a ver com 2012 😉

      abraços

  4. Sem dúvida que essa treta da Matéria-Escura dá muito jeito aos modelos da astronomia.

    Antes de aceitarem como ceguinhos o que os media difundem leiam isto:

    http://www.libertariannews.org/2010/04/14/lies-and-delusions-of-science-dark-matter-and-frame-dragging/

    Não é por darem um prémio nobel a uns gajos que defendem uma merda que só serve para defender a teoria da relatividade do Einstein que temos de gramar com isso.

    Deviam era ter pedido ao Neil Armstrong quando tava no estúdio de hollywood dentro da Apollo 11 a caminho da lua para trazer umas amostras da Matéria-Escura pá malta.

    1. Eu acho que ANTES de aceitar o que os Libertarian dizem, devia informar-se melhor sobre eles… eles REJEITAM tudo o que tenha a ver com o Governo. Logo, programas que sejam financiados pelo Governo são REJEITADOS por eles, por mais ciência que se faça com esses programas.
      Por exemplo, a internet, que foi financiada inicialmente por programas governamentais, é assim REJEITADA por eles. Claro que num assomo de hipocrisia depois até usam a internet.

      Já agora, o facto de serem modelos não leva imediatamente à rejeição das coisas.
      A Gravidade é um modelo, o electromagnetismo é outro… até a forma como a internet funciona é um modelo.
      Rejeitar conhecimento na base de ser um modelo é uma patetice.

      A Teoria da Relatividade de Einstein é PROVADA todos os dias de diferentes maneiras, inclusivamente milhares de vezes todos os dias por aqueles que usam GPS.
      Dizer que a Teoria da Relatividade precisa de defesa é uma perfeita ignorância.

      Neil Armstrong, que eu saiba, nunca esteve em qualquer estúdio de Hollywood. Tem que ler melhor sobre as missões Apollo. Não faltam provas, inclusivamente evidenciadas por milhões de pessoas em todo o mundo (sem estarem ligadas a qualquer organização ou Governo).
      Mas pronto, é um comentário ao nível dos Libertarian: rejeitam o conhecimento e acreditam cegamente em tudo o que seja teorias da conspiração.

      E as missões Apollo NADA têm a ver com a matéria negra.
      Só mistura 2 assuntos totalmente diferentes quem do alto da sua irracionalidade decide escrever uma data de falácias com o único objectivo de confundir e manipular indecentemente as pessoas.

      Por fim, o Nobel foi dado àqueles que descobriram que o Universo está em expansão. O que NADA tem a ver com a matéria negra.
      Mas obviamente que conhecimento básico dos assuntos é algo que não se pode esperar de conspiradores irracionais. O que conta para eles é protestar contra o conhecimento, mesmo que só digam asneiras.

      Enfim… é um comentário totalmente disparatado baseado em crenças infundadas, em ideologias cegas, na ignorância suprema, e na rejeição hipócrita do conhecimento.

    • duarte josé seabra on 07/10/2011 at 06:36
    • Responder

    Obrigado, Manél Rosa Martins, e astro.pT, por este artigo. Fantástico. É POR ARTIGOS COMO ESTE QUE SOMOS ASTRO.PT ADICTOS.

    • Ana Guerreiro Pereira on 06/10/2011 at 16:45
    • Responder

    Mais um link útil: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=51253&op=all

    😉

    assinado: Melga 😀

  5. A física é astronomia é algo impressionante, mas devemos ver tudo de modo crítico e analisar todos os fatores, e perguntas, e essas questões faço no meu blog, na pagina http://pensamentossobreotempo.spaceblog.com.br/1660703/O-universo-esta-expandindo-por-causa-da-energia-negra/….
    Bom artigo, que vou guarda no meus favoritos para ler um dia que tiver mais tempo…

      • Ana Guerreiro Pereira on 06/10/2011 at 16:47
      • Responder

      Caro Edson, a energia negra não é uma entidade desconhecida.

      Cumprimentos!

      1. Oi! o motivo que chamei de “entidade desconhecida” a energia escura, é porque não sabemos os suficiente para dizer com plena certeza que essa motiva a expansão do universo, ou seja, como conhecer uma pessoa somente pelo nome, não podemos dizer do que essa é capaz de fazer, ou que não faz nada, somente sabemos que existe essa pessoa, mas para nós é uma entidade desconhecida, que não podemos confirmar o que essa pode fazer…Espero que eu tenha me explicado, e agradeço por ler meu artigo e pela resposta…Bons estudos.

      2. Olá,

        É o contrário. 😉

        Nós conhecemos os efeitos da energia negra. O nome que lhe damos é que é indiferente 😉

        Exemplo: vejo pão a desaparecer de cima da mesa. Provavelmente é porque alguém invisível para mim, pegou nele e o comeu. O nome que dou a essa pessoa/fenómeno pode ser Manuel, Joaquim, Maria, etc… é indiferente o nome… o que é importante é o fenómeno em si, e tenho a certeza que o pão desapareceu 😉

        … da mesma forma que sei que existe a expansão… e à causa desse efeito chamamos energia negra.

        abraço

      3. Resposta a Carlos Oliveira:
        Entendi o que querias me dizer, e o que busco é porque a energia escura, e como essa faz isso, por isso ainda o fenómeno ainda não é completamente entendido, mas os comentários são muito importantes, e até em um novo artigo faço experimentos de pensamentos buscando o “sistema” como essas (matéria escura e energia escura) poderia causar esse efeito, mas tenho muita a aprender ainda, e a minha motivação foi trazer a discussão, pois se esses cientistas acreditassem fielmente que o universo se expandia com velocidade constante, não iriam continuar suas pesquisas para provar o contrário. então desejo a todos uma visão crítica,pois assim poderemos chegar cada vez mais próximos da verdade… abraço e bons estudos para todos 🙂

      4. “se esses cientistas acreditassem fielmente que o universo se expandia com velocidade constante, não iriam continuar suas pesquisas para provar o contrário. ”

        O Universo não se expande a uma velocidade constante…

        Os cientistas não acreditam… não tem nada a ver com acreditar.
        A ciência não se faz de acreditar em algo.

        Além disso, “esses cientistas”, como quaisquer outros cientistas, obviamente que trabalham para verificar isso e tudo o resto… esse é o objecto da ciência.
        Todos os dias “esses cientistas” trabalham para verificar que 2 + 2 = 4. Isso não quer dizer que o resultado esteja mal. Pelo contrário. Ver nisso uma falha, é não entender a natureza da ciência.

        abraços

      5. Oi! é justamente o que eu quis dizer: Se não existisse um pouco de dúvida dos cientistas, e fossem apenas acreditar no que vêem ou que lhe dizem, estaríamos acreditando ainda que a terra está parada, pois o que vemos é isso.
        Não contesto os dados das observações, e de uma leitura breve do artigo desses, trazem os cálculos e dados que justifica a expansão, mas eles não se arriscam em concluir ou relacionar diretamente à energia escura, ou seja não encontrei as palavras dark energy, nem dark matter, somente na bibliografia.
        Ou seja acho muito importante esse trabalho desses cientistas, e torço para que eles consigam descobrir mais consequências dessas descobertas, e complemento que se na ciência não existissem dúvidas, e somente certezas, não precisaríamos mais de cientistas, mas de contadores de histórias…
        Abraço e bons estudos…

        • Manel Rosa Martins on 05/12/2011 at 05:49

        Caro Edson, passado algum tempo estava a utilizar este artigo para apoio a uma Escola Secundária e reparei no seu comentário.

        Diz não ter encontrado as palavras dark energy e dark matter a não ser na bibliografia.

        Bem a Bibliografia são os documentos que suportam o trabalho científico galardoado.

        Mas mesmo assim o Edson procurou menos bem.

        Em advanced information sobre a atribuição do Premio Nobel da Física de 2011, logo na Introdução, ao 3º parágrafo, lá estão as palavras que procurava.


        Within the framework of the standard cosmological model, the acceleration is generally believed to be caused by the vacuum energy (sometimes called ”dark energy”) which – based on concordant data from the SNe, the observations of the anisotropies in the CMB and surveys of the clustering of galaxies – accounts for about 73% of the total energy density of the Universe. Of the remainder, about 23% is due to an unknown form of matter (called ”dark matter”). Only about 4% of the energy density corresponds to ordinary matter like atoms”

        O link:
        http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/2011/advanced-physicsprize2011.pdf

        Bons estudos para si também, Obrigado pela sua participação.

  6. Grande Manel,
    adorei o post.

    Fica aqui o artigo científico para quem quer saber mais: http://www.nobelprize.org/nobel_prizes/physics/laureates/2011/sciback_fy_en_11.pdf

    1. José, nota que esse é o artigo escrito para “justificar” e explicar o Nobel 😉 O paper/artigo científico do estudo original, ainda não nobelizado, é o que eu dei no link acima (pedi autorização a um dos autores 😉 mas disseram-me que está na net e quantos mais o virem, melhor – mas é técnico, claro, e é para conhecedores como vocês 🙂 ).

  7. Aqui está o paper que lhes deu o Nobel:

    http://www.berkeley.edu/news/media/releases/2007/07/perlmutter-team.pdf

    😉

  8. E parabéns a todos os 32 co-autores do paper que deu origem ao Nobel!!!! incluindo P. G. CASTRO do Instituto Superior Técnico! 😉

    • Carlos Eduardo Santos on 05/10/2011 at 17:47
    • Responder

    Parabéns, ótimo post, alias isto foi um curso on-line.
    Abçs

  1. […] e a letra a), que estiveram na base das observações de 2 equipas independentes que culminaram no Nobel da Física de 2011. Resultado Ho: […]

  2. […] HST confirmou que o Universo em que vivemos está em expansão, e que esta expansão acelera! O HST dá largas à nossa […]

  3. […] Universo Cíclico com círculos. Donut e Möbius. Inflação Cósmica confirmada. Imagem Profunda. Prémio Nobel da Física pela Expansão do Universo. Vazio Cósmico. Tempo. Grande Atractor. Energia Negra. Matéria Negra. Simulação Bolshoi. Mapa […]

  4. […] Estas supernovas são a vela-padrão das distâncias que determinam estar o nosso Universo em expansão, e foi através do seu levantamento que se atribuiu o Prémio Nobel da Física de 2011, atribuído à “Expansão aceleradora do Universo,” como poderão reler aqui em detalhe. […]

  5. […] Schmidt ganhou o prémio Nobel da Física em 2011, pela descoberta em 2001 de que o Universo está a expandir-se a velocidades aceleradas. Sabemos […]

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