Index de Habitabilidade dos Planetas

Os astrobiólogos Dirk Schulze-Makuch e Abel Mendez sugerem que devemos tomar uma atitude menos geocêntrica quando falamos de habitabilidade dos planetas.
Para eles devemos procurar por planetas potencialmente habitáveis considerando 2 factores: planetas similares à Terra, e planetas que tenham condições para a vida (quer vida tal como conhecemos quer vida completamente diferente daquilo que conhecemos).

“The double approach will consist of: an Earth Similarity Index (ESI), which will place these newly found worlds within our known parameters; and a Planetary Habitability Index (PHI), that will account for more extreme conditions which could support surrogate subsistence.

Segundo os autores:
“The ESI is based on data available or potentially available for most exoplanets such as mass, radius, and temperature. For the second tier of the classification scheme we propose a Planetary Habitability Index (PHI) based on the presence of a stable substrate, available energy, appropriate chemistry, and the potential for holding a liquid solvent. The PHI has been designed to minimize the biased search for life as we know it and to take into account life that might exist under more exotic conditions. (…)
Habitability in a wider sense is not necessarily restricted to water as a solvent or to a planet circling a star. For example, the hydrocarbon lakes on Titan could host a different form of life. Analog studies in hydrocarbon environments on Earth, in fact, clearly indicate that these environments are habitable in principle. Orphan planets wandering free of any central star could likewise conceivably feature conditions suitable for some form of life.”

Segundo a BBC:
“Um dos autores do estudo, Dirk Schulze-Makuch, explicou que os rankings foram elaborados com base em dois indicadores.
O Índice de Similaridade com a Terra (ESI, na sigla em inglês) ordenou os planetas e luas de acordo com a sua similaridade com o nosso planeta, levando em conta fatores como o tamanho, a densidade e a distância de sua estrela-mãe. Já o Índice de “Habitabilidade” Planetária (PHI, sigla também em inglês) analisou fatores como a existência de uma superfície rochosa ou congelada, ou de uma atmosfera ou um campo magnético.
Também foi avaliada a energia à disposição de organismos, seja através da luz de uma estrela-mãe ou de um processo chamado de aceleração de maré, no qual um planeta ou lua é aquecido internamente ao interagir gravitacionalmente com um satélite.
Por fim, o PHI leva em consideração a química dos planetas, como a presença ou ausência de elementos orgânicos, e se solventes líquidos estão disponíveis para reações químicas.
(…)
A lua de Saturno Titã e o exoplaneta Gliese 581g estão entre os planetas e luas mais propensos à existência de vida extraterrestre (…).
(…) a maior semelhança com a Terra foi demonstrada por Gliese 581g, um exoplaneta de cuja existência muitos astrônomos duvidam. Em seguida, no mesmo critério, veio Gliese 581d, que é parte do mesmo sistema. O sistema Gliese 581 é formado por quatro – e possivelmente cinco – planetas orbitando a mesma estrela anã a mais de 20 anos-luz da Terra (…).
No critério de habitabilidade, a lua Titã, que orbita ao redor de Saturno, ficou em primeiro lugar, seguida de Marte e da lua Europa, que orbita Júpiter. Os cientistas acreditam que Europa contenha um oceano aquático subterrâneo aquecido por aceleração de maré. (…)
No futuro, os cientistas crêem que os telescópios sejam capazes de identificar os chamados “bioindicadores” – indicadores da vida, como presença de clorofila, pigmento presente nas plantas – na luz emitida por planetas distantes.”

Leiam aqui, aqui, aqui, e aqui.

9 comentários

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  1. Quanto maior a estrela, maior a zona habitavel? Se for assim por que não procurar planetas em estrelas maiores? (eu sei que os planetas rochosos sao mais difíceis de serem detectados). Podem existir planetas como júpiter ou maiores que júpiter contendo exoluas do tamanho de Marte, Terra, Vênus, Mercúrio ou até mesmo uma super terrra!

    1. Sim, exoluas de planetas gigantes são uma possibilidade:
      http://www.astropt.org/category/exoplanetas/exoluas/

        • pedro on 28/11/2011 at 20:49

        obrigado novamente!

  2. Sírius b e Prócion b têm zona habitavel? E as anãs marrons?

    1. “Em geral”, pode-se considerar “zona habitáveis” ao redor de todas as estrelas… e até anãs castanhas.

      Só que anãs castanhas não dão radiação que dão as normais estrelas…
      Estrelas anãs têm uma zona habitável muito chegada a elas, e estão sempre a levar com tempestades solares…

  3. Olá Pedro,

    o que o Carlos disse está correcto. O KOI 326.01 foi brevemente considerado talvez o planeta mais parecido com a Terra entre os candidatos do Kepler. No entanto, uma verificação mais cuidadosa dos dados mostrou que havia um erro no brilho da estrela hospedeira no catálogo de estrelas do Kepler (KIC – Kepler Input Catalogue). De facto, que eu saiba não se sabe mesmo ao certo em torno de que estrela foram detectados os trânsitos pois a estrela que foi originalmente identificada como a hospedeira tem uma companheira óptica muito próxima que dificulta esta identificação. Assim, o KOI 326.01, que nos calculos iniciais era ligeiramente menor que a Terra e tinha uma temperatura compatível com a existência de água no estado líquido, deve ser na realidade substancialmente maior e mais quente.

    Podes ler a história neste artigo em inglês:

    http://blogs.discovermagazine.com/80beats/2011/03/08/exclusive-most-earth-like-exoplanet-gets-major-demotion%E2%80%94it-isnt-habitable/

    Ab.

    Luís

    1. muito obrigado!

  4. alguém poderia postar algo sobre koi 326.01?obrigado!

    1. Esse planeta era interessante:
      http://en.wikipedia.org/wiki/Terrestrial_planet#Extrasolar_terrestrial_planets

      Mas revisões dos dados de observações, fez com que esse planeta perde-se qualquer “estatuto especial” 😉
      http://blogs.discovermagazine.com/80beats/2011/03/08/exclusive-most-earth-like-exoplanet-gets-major-demotion%E2%80%94it-isnt-habitable/

      De qualquer modo, vou “chamar” o Luís Lopes, que ele sabe melhor essas coisas 😉

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