Orçamento da NASA para 2013: boas notícias ou más notícias?

Crédito: ESA, com anotações de Ken Kremer

O orçamento da NASA para 2013 é mau.
Mas os artigos que têm saído não são inteiramente negativos.

Leiam alguns deles.

O Público concentra-se no cancelamento das missões a Marte:

“NASA não tem dinheiro para mandar sondas a Marte.
Colaboração com a ESA fica cancelada.
É o anúncio-choque da proposta de orçamento para 2013 de Barack Obama: a NASA não tem dinheiro para enviar missões para Marte, nem sequer para as duas missões ExoMars, que tinha planeado com a Agência Espacial Europeia (ESA) desde 1999.
Em tempos de falta de dinheiro e opções difíceis, a agência espacial norte-americana optou por continuar a construção do telescópio espacial que substituirá o Hubble e por desenvolver o novo sistema de foguetões e cápsulas tripuladas (…)
Os valores do orçamento permanecem estáveis, em 17,7 mil milhões de dólares para o ano fiscal de 2013 (que começa em Outubro), e assim devem permanecer nos próximos anos. Mas os custos do Telescópio Espacial James Webb (que não será lançado antes de 2018), que se estimam em 6,5 mil milhões de dólares, serão cada vez maiores (…)
Por outro lado, o dinheiro que a NASA canaliza para a exploração tripulada do sistema solar e a tecnologia espacial deve aumentar de 6% para 22% — para desenvolver meios alternativos aos vaivéns, aposentados definitivamente no ano passado.
O resultado disto é que a percentagem do orçamento dedicada à exploração planetária, onde se incluem as missões robóticas para Marte, fica reduzida em 21% na proposta de orçamento da NASA. (…)
Mas esta retirada do jogo é, pelo menos, má diplomacia. Deixa um parceiro pendurado — a ESA — que já fez investimentos nas duas missões ExoMars. A primeira é uma sonda que ficaria em órbita de Marte, a ExoMars Trace Gas Orbiter, a lançar em 2016, para tentar compreender o mistério do metano na atmosfera do planeta. Este gás pode ter origem biológica, mas tem de ser constantemente renovado para persistir na atmosfera. Qual a sua origem em Marte? A segunda missão, um robô que andaria pela superfície, deveria partir em 2018, para recolher amostras de materiais que fornecessem pistas sobre se houve vida em Marte no passado.
A ESA está a tentar interessar a Rússia em participar nas missões ExoMars e, após a saída dos EUA, o interesse na colaboração de Moscovo pode ser ainda maior. Por outro lado, tanto a ESA como a Alemanha têm expressado um interesse crescente na cooperação espacial com a China — que não poderia participar se os EUA estivessem a bordo.”

O Terra concentra-se no corte do orçamento para Marte:

“O governo de Barack Obama reduziu em 38,5% os recursos destinados à exploração robótica de Marte em seu projeto de orçamento para 2013 enviado ao Congresso nesta segunda-feira, o que provavelmente porá fim à associação com a Europa para duas missões no planeta vermelho.
O orçamento proposto para o conjunto da agência espacial americana (Nasa) para o ano fiscal que começa em 1º de outubro chega a US$ 17,7 bilhões, uma redução de apenas 0,3% ou de US$ 59 milhões com relação ao orçamento de 2012.
Os cortes mais drásticos afetam apenas a exploração robótica de Marte, com uma redução de US$ 226 milhões (-38,5%). (…)”

A Planetary Society também se concentra nos cortes das missões a Marte:

“The U.S. Administration is proposing a budget for Fiscal Year 2013 that would force NASA to walk away from planned missions to Mars, delay for decades any flagship missions to the outer planets, and radically slow the pace of scientific discovery, including the search for life on other worlds.
NASA’s planetary science program is being singled out for drastic cuts, with its budget dropping by 20 percent, from $1.5 billion this year to $1.2 billion next year. (…)”

O Universe Today também se concentra no mesmo problema:

“Earth’s next Mars Rover – NOT Made in USA. (…)
Curiosity will be NASA’s third and last generation of US Mars rovers – 4th Generation Axed! (…)
President Obama has killed NASA funding for the ExoMars Rover joint project by NASA and ESA planned for 2018 Launch and designed to search for evidence of life. Instead Russia may join with Europe to build and launch Earth’s next Mars Rover. (…)”

Já o jornal Folha diz que o corte no orçamento da NASA foi menor que o esperado:

“A proposta de corte de orçamento da Nasa (agência espacial americana) anunciada na segunda-feira pelo presidente dos EUA, Barack Obama, doeu menos para a comunidade científica do que o esperado.
O projeto enviado por Obama para aprovação no Congresso norte-americano reduz em US$ 59 milhões as verbas anuais da agência espacial em 2012, em comparação com as do ano passado.
Isso representa uma redução de 0,3% no total de dinheiro que deve entrar na Nasa, que deve ficar com um orçamento de U$S 17,7 bilhões. (…)”

O Inovação Tecnológica diz que o orçamento da NASA troca as missões a Marte por um novo telescópio espacial e por desenvolvimento de ciência básica que permita desenvolver tecnologias que nos ajudam no dia-a-dia:

“Com menos dinheiro, o governo Obama decidiu que é mais importante “correr atrás” do prejuízo nas órbitas baixas da Terra do que se aventurar em outros planetas em missões puramente científicas.
Mas isso não significa que a ciência esteja sendo deixada de lado.
Na verdade, o orçamento de 2013 quase atende a uma reivindicação dos cientistas por uma NASA mais próxima da ciência básica: são US$4,9 bilhões para ciência, contra US$ 669 milhões para tecnologia espacial e US$552 milhões para pesquisas aeronáuticas – todas as cifras diminuíram, mas os cortes para ciência foram os menores.
A grande vítima dos cortes de verbas foi o programa ExoMars, uma missão conjunta com a agência espacial europeia para buscar amostras de rochas de Marte. (…)
E o grande ganhador foi o telescópio espacial James Webb, um supertelescópio que sofreu ameaças de continuidade depois de uma série de problemas de gestão. (…)”

O Space.com fez uma infografia:

12 comentários

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    • Dinis Ribeiro on 21/02/2012 at 06:28
    • Responder

    Comentando esta parte do artigo do Público:

    ….” Mas esta retirada do jogo é, pelo menos, má diplomacia. Deixa um parceiro pendurado — a ESA — que já fez investimentos nas duas missões ExoMars. “….

    Penso que é uma leitura muito superficial, que ignora os diversos problemas de financiamento que o projecto estava e está a ter na europa.

    A maneira como está escrito o texto, pode dar a impressão que tudo estava “perfeitamente bem” a nível da ESA, relativamente ao financiamento do rover ExoMars.

    Não creio que isso corresponda á verdade.

    Basta analisar as declarações (a irritação no tom da voz e a linguagem não verbal) do director geral da ESA quando anunciou o terceiro adiamento da missão ExoMars.

    E depois, podemos meditar sobre o significado dos sucessivos adiamentos:

    – Primeiro de 2011 para 2013
    – Depois o adiamento para 2016
    – E finalmente o Rover da ExoMars ficou “agendado” para 2018…

    Sugiro este link: http://news.bbc.co.uk/2/hi/science/nature/7677349.stm

    Isto foi escrito em 2008:

    The decision to delay ExoMars will come as a bitter blow to Europe’s scientists.

    It is the biggest, most expensive robotic mission in the current timeline; and is the flagship venture of Esa’s Aurora programme, its roadmap to explore the Solar System.

    Approved by space ministers in 2005, the rover was supposed to be a fairly small venture costing no more than 650m euros.

    But as the project developed, it was decided the endeavour should be upgraded, to provide a bigger, more capable vehicle; and one that could carry a much broader range of science instruments.

    However, the design boost also meant a huge jump in cost.

    The prime contractor, Thales Alenia Space, estimated the final price tag would be 1.2bn euros.

    The ministers will be told by officials that options will be sought to reduce the financial impact of ExoMars.

    One possibility is to ask the Russians and the US to take a greater stake in the mission.

    The US, for example, is already funding the development of two instruments.

    The slight concern here is that the Americans have budget woes in their own Mars programme, with their next rover – the Mars Science Laboratory – also heading way over budget.

    Comentário final:

    O que era um “slight concern” em 2008, passou a ser uma realidade em 2012.

    • Dinis Ribeiro on 20/02/2012 at 16:50
    • Responder

    Dois grupos de investigação em Portugal (pelo menos) desenvolveram tecnologia para o projecto ExoMars…

    1) http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49898&op=all

    2) http://www2.uninova.pt/ca3/en/docs/06C-WAC-issci_132.pdf

  1. Pelo que li da crítica, nos meios de comunicação estrangeiros, o problema da NASA também está no caríssimo programa de formação de astronautas, no sistema obsoleto de propulsão dos foguetões, etc.
    Há quem defenda uma diminuição da verba na formação de astronautas e a passagem dessa verba para a investigação nos motores de propulsão.
    Claro que não concordo com os cortes nas áreas da Ciência e Tecnologia que é a base para o desenvolvimento de um país, mas dou o braço a torcer quando é necessário haver uma espécie de “revolução” nessas áreas, que sejam mais económicas nestes tempos de crise.

    Mas, como pode ler-se no i9 (http://io9.com/5885042/how-will-the-white-houses-brutal-budget-cuts-affect-nasa):
    […] Over the past few years, the rate of money spent in Afghanistan and Iraq is about 20 million dollars per hour. In other words, the amount of money being cut from Mars exploration is equal to what we were spending on the War on Terror in just 15 hours.

    You might want to read that again. For the cost of less than a single day on the War on Terror, we could have a robust and far-reaching program to explore Mars, look for signs of life on another planet, increase our overall science knowledge, and inspire a future generation of kids.
    […]

    Resumindo, são as prioridades políticas/económicas vs desenvolvimento/bem estar.

    1. infelizmente parece que vai ser assim
      preferem gastar dinheiro em guerra que não vai dar a nada alem de mortes do que investir no conhecimento 🙁

  2. Eu já fiquei desiludido quando cancelaram o LISA, talvez o protjecto mais interessante desta década.

    http://lisa.nasa.gov/

  3. Cavalcanti, não precisa, basta usar os chemtrails para lhes controlar a mente, e para isso só tem de manipular as vendas de vinagre, que se sabe fazer desaparecer os chemtrails.

    1. LOL 😀

        • Cavalcanti on 20/02/2012 at 02:20

        PDC,

        Bom, se vinagre estiver em voga vou agora mesmo instalar uma fábrica para a produção deste.

        LOL

        😛

  4. “Pseudologicamente” falando, acho que a NASA deveria se utilizar de todos os segredos que ela esconde para forçar o governo americano a não fazer cortes no orçamento.

    Afinal de contas, quem sabe sobre um planeta-errante que vai levar as almas das pessoas ruins; quem sabe que existe um asteróide em rota de colisão com a Terra já agora e quem sabe que existem seres extraterrestre,s não deveria ter seu orçamento reduzido, não é verdade?

    O que me diz, Carlos? 😉

    😀

    P.S.: lembrei-me apenas destas acusações contra a agência. Com certeza, deve ter mais.

    1. Pois 😛

      Os famosos paradoxos pseudos, que os vigaristas promovem e os crentes caem sem sequer pensarem na irracionalidade desses argumentos 😉

      abraços

  5. Só não entendi uma coisa: separar exploração espacial de “ciência” é apenas convenção, né?

    Desta maneira até parece que ela não é “ciência” hehe

    1. Eles consideram exploração espacial como vaivéns e assim… já ciência consideram formas de detectar matéria negra, etc 😉

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