Dragon em órbita a caminho da ISS

A missão COTS-2+ (ou SpX-D) foi lançada às 0744:34UTC do dia 22 de Maio de 2012 por um foguetão Falcon-9 da SpaceX a partir do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral AFS. Esta missão pretende cumprir vários objectivos que estavam estabelecidos para as missões COTS-2 e COTS-3.

Esta será a primeira vez que um veículo privado irá acoplar com a estação espacial internacional ao abrigo do programa COTS (Commercial Orbital Transportation System) criado pela NASA para o transporte de carga e mais tarde de astronautas para a estação espacial internacional.

Este será o segundo voo orbital de uma cápsula Dragon devendo esta missão acoplar com a ISS três dias mais tarde. Esta missão estava originalmente prevista para levar a cabo um voo de demonstração com uma aproximação até 10 km da ISS. No entanto, a 9 de Dezembro de 2011, a NASA decidiu que a cápsula poderia ser «amarrada» pelo sistema de manipulação remota da ISS e posteriormente acoplada ao módulo Harmony, cumprindo assim também os objectivos de testar a aproximação, voo em formação e modos de abortagem de voo que estavam originalmente previstos para a missão COTS-2. A captura, acoplagem e o transporte de carga não essencial estavam originalmente previstos para a missão COTS-3 (prevista para finais de 2012).

A cápsula Dragon é um veículo reutilizável sendo composto por um módulo pressurizado e por um módulo de carga não pressurizado. O veículo tem 4,40 metros de comprimento e 3,66 metros de diâmetro. A secção de carga não pressurizada tem um comprimento de 2,80 metros e 3,66 metros de diâmetro. Com os painéis solares abertos o veículo tem uma envergadura de 16,50 metros.

O lançamento decorreu sem qualquer problemas. O final da queima do primeiro estágio ocorreu em duas fases com os motores n.º 1 e 9 a desligaram-se em primeiro lugar, seguindo-se os restantes. A separação entre o 1º e o 2º estágio ocorreu a T+3m 5s. A ignição do 2º estágio ocorreu a T+3m 12s e a separação da carenagem de protecção teve lugar a T+3m 52s. O final da queima do segundo estágio teve lugar a T+9m 14s e a separação da cápsula Dragon ocorreu a T+9m 49s. Os painéis solares abriram-se segundos mais tarde.

Após a separação a cápsula Dragon ficou colocada numa órbita com um apogeu a 346 km, perigeu a 297 km e 51,6º de inclinação orbital.

Imagem: NASATV

7 comentários

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  1. Sem dúvida que sim. Mas eu sou de opinião que a China deveria fazer parte das nações integradas na ISS. As Shenzhou dariam um bom salva vidas para a estação e permitiriam uma maior versatilidade. Infelizmente, a política não vai permitir que isso aconteça.

  2. Certo, Rui! Eu estava exagerando para provocar o debate. Rsrsrs … De todo modo, os foguetes XING LINGS serão sempre mais baratos. Rsrsrs …

  3. Alexandre, os foguetões novos (Falcon-9 v1.0 e v1.1, bem como o Antares) serão utilizados para as missões de carga num futuro médio. A Orion irá utilizar um novo lançador. Depois temos os Atlas-V e os Delta-IV cuja fiabilidade está já demonstrada. Quando aos russos, brevemente entrará em cena a série Angara que deverá substituir os Proton. A estação espacial da China só começará a ser construída em 2020 (até lá ainda lançarão o Tiangong-2 e o Tiangong-3, mais semelhantes às estações Salyut). A China ainda terá de provar a fiabilidade dos novos lançadores Chang Zheng-5, 6 e 7. Não creio que a situação económica seja motivo suficiente para os EUA abrirem mãos da sua tecnologia permitindo possíveis transferências para a China.

  4. É verdade, caro Rui; mas não se esqueça de que a China está construindo a sua própria estação espacial. Por outro lado, se esses novos lançadores não se mostrarem tão eficientes quanto se espera, a única alternativa viável será por enquanto os foguetes russos, dada à sua capacidade de carga. Logo, o futuro aponta na direção da China; principalmente quando se leva em conta a situação econômica decadente da Europa e dos Estados Unidos.

  5. Essa questão nunca se coloca quer no campo da estação espacial internacional quer no campo dos lançamentos comerciais de satélites fabricados nos EUA ou que tenham componentes norte-americanos. No campo da ISS porque não há perspectivas a médio ou longo de a China ter acesso à estação; no campo dos lançamentos comerciais porque os regulamentos ITAR não permitem.

  6. Há duas formas ironicamente antagônicas de ver este acontecimento: por um lado “o capitalismo foi para o espaço” e por outro “ele nunca tanto subiu na vida”. A questão será a concorrência dos preços desses futuros lançamentos com os da poderosa China.

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