Matéria que se junta num momento

Richard Dawkins: “A matéria flui constantemente de um local para outro, e momentaneamente junta-se para formar o que consideras o teu “eu”. Algumas pessoas acham que essa é uma ideia perturbadora; mas eu acho a realidade entusiasmante”.

11 comentários

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    • Renato Romão on 29/05/2012 at 17:56
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    Boas,

    Este post veio relembrar-me uma frase do Carlos na palestra nos Açores.
    Na qual concordo plenamente e continuo a parafraseala nas conversas com amigos.

    C.O.- Quando morrer não quero ficar neste pedaço de pó à espera que me contatem em qualquer programa de tv, mas sim, como filho do universo (particulas/atomos) irei conhece-lo (viajar por ele)!
    (Ter em atenção, a frase não foi composta desta forma, apenas uma interpretação minha).
    http://www.astropt.org/2012/03/16/fim-do-mundo-nos-acores/#comments

    “Na natureza, nada se perde…” o restante texto já o Carlos mencionou. 🙂

    Os astrólogos é que não vão gostar da ideia. 🙂
    Temos pena 😉 mas é a realidade 🙂

    Abraços.

  1. Realmente é fascinante constatarmos que este planeta se formou pela aglomeração de átomos e moléculas que provém do Big Bang (os átomos de Hidrogénio) ou de explosões de estrelas (todos os outros elementos) que enriqueceram o meio inter-estelar.
    E que mesmo neste planeta, cada ser vivo é formado por átomos e moléculas existentes na biosfera, mantendo com esta uma troca de átomos e moléculas permanente, atráves da alimentação e do metabolismo. E, na morte, todo o nosso corpo reintegra o solo e a cadeia trófica.
    Podemos até pensar que a biosfera se comporta como um ser vivo. A biosfera é, em si mesma uma entidade de que cada um de nós é apenas uma célula.
    Indo mais longe, até nem é apenas a biosfera que se compota como uma entidade viva. É todo o planeta pois se pensarmos na tectónica de placas, toda a crusta terrestre está em constante renovação, sendo criada nova crosta nas zonas de rift que compensa a crosta que é destruída nas zonas de subducção.

    Mas isto é o meu corpo físico. “Eu” sou mais do que isso. Eu sou também a parte de mim que tem consciência de si própria. Se eu perder um braço, ou ambos os braços, ou ambos os braços e ambas as pernas, continuarei a seu “eu”. No limite, “eu” sou o meu cérebro com toda a actividade cerebral que lhe é característica. E sou também a soma das minhas experiências e das minhas memórias e das minhas fantasias… e das minhas divagações (como esta).

    • Cristina Guimarães on 28/05/2012 at 21:08
    • Responder

    Boas!
    Sendo leiga, como de facto sou, agrada-me imenso saber de que serei eterna! 🙂
    Que vim de algum lugar e irei fluir para um outro, fazendo parte de um todo.
    O que mais me fascina nesta ciência é a capacidade de estarmos sempre a fazer perguntas em busca do conhecimento.
    Um abraço

  2. Também partilho dessa certeza e realidade. Somos um momento efêmero, únicos, irrepetíveis e diferentes. Trazemos “informação” genética, enriquecemos com conhecimento adquirido e a projectamos para o futuro quer na procriação e/ou na comunicação.
    Somos uma realidade instrumental do percurso e movimento da matéria que nos usa, nos acolhe e nos transforma também. Nem sempre com os melhores dos sentimentos, mas sempre no sentido de um melhor e maior conhecimento com a nossa cumplicidade
    e consentimento no âmbito da libertade que nos é oferecida.
    Apezar da ínfima dimensão do ser humano à escala do universo reivindicamos alguma importância pela nossa existência. Não por egocentrismo crente de espécie inteligente, mas porque somos parte integrante de um todo por onde flui, cresce e se guarda o saber, do qual o próprio universo também necessita. Ou seja, somos algo necessários, mas não insubstituíveis o que não nos garante qualquer previlégio sobre outras espécies terrestres ou não. É algo do que penso e sinto-me bém assim.

    Cumprimentos.

  3. Já agora, no seu âmago, esta é também a ideia subjacente à Teoria da Evolução: nada está estático, nada nasce de uma forma e mantém-se assim para sempre, mas tudo evolui, tudo se transforma, tudo flui de uma forma e local para outras formas e locais.

    Os extremistas religiosos, vulgo Criacionistas, fazem-me sorrir de forma condescendente sobre eles, quando eles atacam a Teoria da Evolução nesta base.
    Para eles, Deus é tão limitado que tem que fazer as coisas de forma estática.
    Para eles, Deus não poderia ter criado um Universo perfeito, sendo que essa perfeição se vê nesse movimento livre das coisas, nessa evolução ao longo do tempo, nesse fluir de matéria e energia de um lado para outro. Para os fundamentalistas, Deus é tão limitado que não tinha poderes para isto.

    Mas enfim… isto é já um àparte que não faz parte do post 😛

      • Ana Guerreiro Pereira on 28/05/2012 at 11:59
      • Responder

      Portanto: panta rei. 🙂 O Dário já tinha feito um post sobre este conceito, boa altura para o repescar para aqui.

    • Ana Guerreiro Pereira on 28/05/2012 at 00:53
    • Responder

    É também interessante notar que esta noção de que tudo flui já era referido por Heraclito de Efeso, na sua frase mais célebre, algo como “ninguém se pode banhar duas vezes no mesmo rio” (já vi várias versões da frase, não tenho neste momento a certeza se é esta, se me puderem corrigir, agradecia), alusiva ao devir das coisas e, como está no poster à ideia de que “tudo flui” (panta rei). Já Tyson comentava o mesmo que Dawkins, que o facto de podermos relacionar tão directamente fenómenos que se passam no nosso corpo com fenómenos que ocorrem nas estrelas, o faz querer abanar as pessoas na rua. É verdade. Não passamos de um pózinho de estrela, de um grãozinho de areia à escala cósmica, enredados num antropocentrismo que nos faz esquecer que a magia existe: o de rerum natura (para parafrasear o nome de um conhecido blogue).

  4. Por isso somos fascinados pela ficção científica. Ela pode (ou não), um dia virar realidade e o mais fabuloso é que um dia, bilhões e bilhões de anos, poderemos nascer novamente, completamente novos. Somos filhos das estrelas e voltaremos a elas e renasceremos com elas. **

  5. Já agora, acho fascinante este aspecto da nossa realidade.

    Nós somos um mero momento, demasiado temporário, do Universo.

    Toda a matéria que nos constitui já esteve espalhada pelos 4 cantos do Universo, em estrelas, planetas, nebulosas, luas, cometas, etc…
    Neste momento, por um acaso, está ligada no nosso corpo.
    Mas será um momento efémero. Porque rapidamente este corpo desaparecerá, e toda essa matéria voltará a fazer parte da Terra, tigres, cobras, micróbios, nebulosas, luas, etc…

    E, ainda pior… nós não somos constituídos pela mesma matéria de quando nascemos. A nossa própria matéria, o nosso eu, mesmo sem morrermos, está sempre a mudar. Os nossos átomos de hoje não são os mesmos dos de “alguns dias” atrás…

    Penso que estas ideias assustam muita gente.

    A mim, pelo contrário, esta ideia excita-me. É absolutamente fabulosa! 🙂
    E, melhor do que isso: é a realidade! 🙂

    Como sempre, a realidade supera a mais imaginativa ficção 😉

    1. Esse aspecto da nossa realidade, essa forma de ver tudo o que nos rodeia e do qual somos feitos (e posteriormente desfeitos), deve ter sido o meu primeiro pensamento científico-filosófico perante a vida e sentido da existência da mesma.

      Desta forma, aproximo-a do conceito de Reencarnação (não adoptado pelo Cristianismo): não no sentido de vidas passadas (como os budistas acreditam e os pseudos fazem acreditar e tornam falaciosamente absurdo) mas no sentido de que todas as moléculas de que somos compostos se partem em átomos que, por sua vez, decaem (radioactividade e partículas). E que se tornam a juntar com essas e/ou outras partículas de modo a formar nova matéria!

      Mas mais fascinante é a epifania da perspectiva que diversas vezes tenho perante as coisas: actualmente, aqui, neste cantinho do Universo, a matéria que a compõe tem uma oportunidade rara de olhar-se e observar-se para si própria e ter plena consciência dela própria… Somos o próprio Cosmos a observar-se, somos a própria Matéria a ter consciência de si mesma!…

  1. […] do Corpo Humano. Ligação com elementos. Interligados. Sinfonia da Ciência. Reciclagem. Matéria que se junta. Tu és o Universo. Afirmações Extraordinárias. Homenagem. Nave da Imaginação. Detector de […]

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