Jovem Egípcia cria um novo sistema de propulsão ?

Aisha Mustafa é uma estudante universitária de 19 anos no Egipto.
Com trabalho em física quântica, engenharia química, e electricidade, a Aisha pode ter pensado num sistema de propulsão mais barato que os sistemas de propulsão tradicionais.

“A energia do novo método é obtida a partir do efeito Casimir-Polder, no qual duas placas paralelas, mas separadas por apenas alguns átomos de distância, geram energia por meio da diferença de pressão entre o vácuo externo e interno. Painéis reflexivos, parecidos com receptores de energia solar, garantem propulsão adicional.”

“Atualmente satélites artificiais, naves espaciais e veículos espaciais dependem de motores a gás que utilizam uma velocidade supersônica, ou em foguetes impulsionados por reações químicas, combustíveis sólidos ou líquidos (tais como cintilografia ou petróleo). Outros usam sondas movidos a eletricidade, que dependem da aceleração de ions. (…)
A invenção está relacionada a um conceito hipotético de uma propulsão a jato chamado “Vela diferencial”, teoricamente criado pelo professor aposentado da NASA Marc Millis G. – que liderou o projeto de propulsão da NASA. (…)
Com a nova invenção, dizem analistas, é esperado fazer viagens espaciais mais baratas e mais rápidas no futuro. (…)”

Leiam no Da Terra para as Estrelas e Techmundo.

MSN:
“Egyptian Aisha Mustafa, 19, has dazzled the physics world with a new invention that could launch spacecraft off the Earth’s surface and soaring through space without any fuel. Space is filled with a billowing sea of quantum particles that jump in and out of existence, and Aisha Mustafa proposes using thin silicon panels, spaced closely together, to trap these particles and then move against them, creating a propelling force. This innovation would make space exploration lighter, safer and cheaper than the traditional “blast off” method. (…)”

Fast Company:
“Remember the name, because you might see it again: Aisha Mustafa, a 19-year-old Egyptian physics student, patented a new type of propulsion system for spacecraft that uses cutting edge quantum physics instead of thrusters.
First, a little background: One of the strange quantum facts at work in Mustafa’s engine idea is that there’s no such thing as a vacuum, devoid of particles, waves, and energy. Instead the universe’s supposedly empty spaces are filled with a roiling sea of particles and anti-particles that pop into existence, then annihilate each other in such a short space of time that you can’t readily detect them.
Mustafa invented a way of tapping this quantum effect via what’s known as the dynamic Casimir effect. This uses a “moving mirror” cavity, where two very reflective very flat plates are held close together, and then moved slightly to interact with the quantum particle sea. It’s horribly technical, but the end result is that Mustafa’s use of shaped silicon plates similar to those used in solar power cells results in a net force being delivered. A force, of course, means a push or a pull and in space this equates to a drive or engine.
In terms of space propulsion, this is amazing. (…) It’s potential is enormous – because of its mechanical simplicity and reliability it could make satellite propulsion lighter, cheaper, and thus indirectly lower the cost of space missions of all sorts. (…)
Aisha’s invention is so promising that her university’s staff aided with a patent application. She intends to study the design further in the hope of testing it out for real in space, but as the OnIslam.net site points out she notes that there’s no funding for a department of space science and this prevents important research being carried out in strife-ridden Egypt. (…)”


No entanto, há várias perguntas a colocar sobre esta “invenção”:
– porque não foi divulgada em sítios de ciência?
– porque não existem artigos científicos sobre isto?
– porque não existe explicação de como o efeito é convertido em força motora?
– porque os artigos não respondem a perguntas simples do género: quantos anos levaria a esse passo de tartaruga para chegar, por exemplo, a Proxima Centauri?
– a utilização desse efeito não seria menor que a vela solar?

Ou seja, além de me parecer um método pouco convidativo, é uma suposta notícia que não aparece como notícia de ciência. O que é, obviamente extremamente suspeito, porque se ela não foi avaliada pelos pares, então provavelmente o que aconteceu foi um erro jornalístico de sensacionalizar e tornar notícia aquilo que não existe.

5 comentários

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  1. Que texto foda! Já entrei no teu blog outras vezes, porém nunca tinha escrito um
    comentário. Pus teu site nos meus favoritos para que eu não perca os próximos artigos.
    Grande abraço!

    • Jasmimtechnopropulsion on 23/04/2015 at 19:19
    • Responder

    O que isto me parece é o estudo de uma ideia já existente e publicada como sendo dela.

    A sul nada de novo.

    Afinal o motor impulsiona ou não impulsiona?

  2. Eu recordo-me de ter abordado este efeito, em tempos, numa comunicação que fiz na reitoria da Universidade do Porto. Na altura, do que me lembro, não passava mesmo de uma hipótese teórica.

    A confirmar-se a viabilidade disto, é realmente muito interessante.

    Vou ver se encontro os materiais que usei nessa comunicação para acresecentares ao post, se achares útil 😉

    1. E porque não fazeres um post com essa parte da tua comunicação? 😉

      Acho que seria mais interessante 🙂

      1. Também posso fazer isso… 😉 Vou procurar os materiais.

  1. […] e Proxima Centauri. Próxima Centauri. De carro. Para outras estrelas. Até GJ667Cc. Harold White. Aisha Mustafa. Porquê? Nós Somos os Exploradores. Dilatação do Tempo. Nave Terra. Nave Espacial Terra. Quanto […]

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