Esferas de Klerksdorp

Os pseudos e demais vigaristas à luz do conhecimento (que fazem a vida a assustar as pessoas com mentiras à luz do conhecimento, como esta salgalhada de desinformações, num estilo mal copiado do Daniken, para confundir e amedrontar as pessoas com fenómenos astronómicos que não nos afectam como o trânsito de Vénus), têm sempre a mesma estratégia: vender o mistério onde ele não existe.
Não querem saber do conhecimento e têm ódio de quem detém conhecimento, porque esse conhecimento pode arruinar-lhes o negócio (que tem milhares de seguidores acéfalos). Por isso, tudo o que vêem, para esses pseudos, é um mistério. Como eles/elas não sabem a explicação, então assumem que ninguém sabe, e resolvem disparatadamente dizer que tudo é feito por extraterrestres. Exemplo: como funciona a internet? Não sei. Então só podem ter sido extraterrestres a criar a internet!

Neste caso, existem dezenas de milhares de páginas a “vender o mistério” das Esferas de Klerksdorp (na imagem acima).
Para os crentes ignorantes nestas parvoíces pseudo, não lhes interessa a verdade. Nem sequer lhes interessa que os geólogos as explicam de forma totalmente natural. Nem sequer lhes interessa que as “explicações extraterrestres” são baseadas em puras mentiras. Para os pseudos, a falsidade das fantasias está acima de qualquer verdade da realidade. Porque eles sabem que a fantasia, a mentira, “vende”. E por isso até se vêem no Youtube, vídeos completamente estupidificantes, que algumas pessoas acreditam ser “a luz”. Na verdade, são só a escuridão das trevas da ignorância.

Os vigaristas dizem: as esferas têm 3 mil milhões de anos.
A verdade do conhecimento diz-nos: as esferas têm 3 mil milhões de anos.
Esta é a única verdade dita sobre este assunto pelos vigaristas.

Vigaristas: as esferas foram encontradas em Klerksdorp.
Verdade: as esferas foram encontradas em Ottosdal, nas minas Wonderstone.

Vigaristas: as esferas foram encontradas em minas de prata.
Verdade: as esferas foram encontradas nas minas Wonderstone, que contém depósitos de pirofilita.

Vigaristas: as esferas têm uma composição de materiais, incluindo uma “liga de níquel e aço”, que não se encontra no planeta Terra.
Verdade: análises por raios-x e exames petrográficos revelaram que as esferas são compostas de dois minerais: hematita, uma forma comum e muito natural de óxido de ferro, e wollastonita, outro mineral metamórfico comum.

Vigaristas: as esferas têm uma resistência extraordinária, superior ao aço.
Verdade: nenhuma esfera possuía dureza maior do que 5 na escala de Mohs (o aço alcança o nível 8).

Vigaristas: quando se abrem as esferas, sai de lá um material “esponjoso” que se transforma em pó.
Verdade: várias esferas foram abertas e de lá não saía qualquer material esponjoso que virava pó.

Vigaristas: são esferas perfeitas, para lá do limite de precisão dos instrumentos actuais (a própria NASA o confirma).
Verdade: as próprias fotos mostram que as esferas não são perfeitas. Análises geológicas permitem comprovar a imperfeição das suas superfícies. A suposta “confirmação” da NASA é totalmente falsa.

Vigaristas: as esferas contém ranhuras perfeitamente centralizadas.
Verdade: as próprias fotos mostram que as ranhuras não são perfeitas.

Vigaristas: as esferas giram espontaneamente como se fossem controladas por “energias ocultas”.
Verdade: foi um erro de um jornalista, que trocou o que Roelf Marx, curador do Museu de Klerksdorp, lhe disse. “Marx disse claramente ao repórter que as vibrações de explosões subterrâneas em minas de ouro locais faziam os mostradores vibrarem regularmente, fazendo com que os objetos de Ottosdal girassem. A julgar pelos relatos em primeira mão de Marx, é evidente que a alegação de que esses objetos giram por força própria é completamente falsa”, escreveu o investigador, geólogo e arqueólogo Paul V. Heinrich.

A verdade é que estas esferas formam-se por processos naturais.
“No caso aqui, o fenômeno natural é a concreção, uma precipitação de minerais em torno de um núcleo em meio a rocha que pode selar os poros existentes ou mesmo substituir a rocha circundante. Um aspecto fascinante é que o núcleo que dá origem à concreção pode ser um pedaço de galho ou folha em meio à rocha sedimentar, e que devido ao seu carbono pode atrair minerais carregados negativamente. Um objeto orgânico irregular dando origem a uma rocha inorgânica esférica. A concreção literalmente cresce ao seu redor, sendo assim comum que adquira formas esféricas ou discóides.”

Este fenómeno pode levar a pedras pequenas (como as pedras Moqui, nos EUA) , ou até a algumas de 6 metros (como as Bolas de Koutu, na Nova Zelândia).

É assim um fenómeno relativamente comum, que as pessoas assumem como misterioso, e que depois associam a estórias fantasiosas.

Durante milhares de milhões de anos, por processos totalmente naturais, a natureza cria coisas fantásticas e super-interessantes.
Os pseudos, de forma acéfala, hipocritamente argumentam contra a natureza, divulgando que essas coisas só podiam ter sido feitas por extraterrestres.

Enquanto os pseudos ignoram qualquer tipo de conhecimento; os cientistas procuram o conhecimento dos fenómenos, e com esse conhecimento acumulado encontram as explicações para os “mistérios” da natureza.

Por fim, deixem-me só concluir este post dizendo que a fonte original desta parvoíce foi o tablóide National Inquirer, a 2 de Outubro de 1979, com um artigo com o título “South African miners find new evidence of intelligent life on earth billions of years ago”, e esta parvoíce ganhou fama mundial com um artigo no jornal satírico The Weekly World News, na sua edição de 27 de Julho de 1982, numa noticia com o título “Scientists baffled by space spheres”.
Este é um jornal do qual já temos falado aqui por várias vezes (aqui, aqui, aqui, e aqui). É um jornal que não engana: serve para descontrair. É um jornal que pega em coisas reais e inventa estórias fantasiosas para divertir os seus leitores.
Infelizmente, há pessoas que não têm inteligência nem sequer para entender o que é uma brincadeira, e há outras pessoas que sabendo que tudo isto é uma brincadeira, mesmo assim resolvem “vender o mistério” para vigarizar a legião de acéfalos que as seguem.

Em pleno século XXI, ainda haver pessoas que se deixam levar por estas parvoíces dos pseudos, diz bem do paradoxo desta civilização actual que diariamente utiliza por milhares de vezes o conhecimento científico e simultaneamente nega a sua existência. Este é um paradoxo civilizacional no mundo científico em que nos encontramos.

Leiam mais sobre este assunto das esferas, no site Cepticismo Aberto.
E ainda em maior detalhe, aqui: Heinrich, PV, “The Mysterious “Spheres” of Ottosdal, South Africa”, Reports of the National Center for Science Education, Vol, 28, 1, pp. 28-33, 2008.

19 comentários

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  1. Essa esfera não existe somente na África, eu tenho uma que encontrei as margens de um Rio aqui no Brasil.

  2. Você esta correto, mas existe um conflito de constitucionalidade que depende de uma hermenêutica jurídica para sair deste empasse. Mas em tese você tem razão.
    obrigado

  3. Para a maioria das pessoas ficçao é muito mais legal que a realidade, a maioria quer ver na vida real coisas que so veriam em filmes.
    por isto temos tantos mitos e fraudes. Se as pessoas são constantemente enganadas é porque vislumbram coisas ilógicas.
    coisas que transcendem completamente os limites normais da natureza, como sua soberba, intolerância e arrogância.
    Apague se quiser (por nao tolerar comentarios de cunho pessoal) esta é so minha humilde opinião sobre sua postura e sobre o meio que apresenta o tema aqui.

    1. Qual minha postura?

      Você disse basicamente o mesmo que diz o texto…

        • juan pablo on 17/04/2014 at 15:43

        As pessoas pagam para verem milagres do mesmo jeito que pagam para ver um filme.
        no fim das contas é tudo recreação.
        Para tu todos os meios que promulgam fatos não condizentes à realidade são como criminosos.
        É um engano generalizar uma questão que abrange tantos fatores.
        obrigado, por respeitar meu direito de escrever.
        um abraço e sucesso em sua profissão.

      1. Não, nem tudo são atos criminosos.
        Por exemplo, eu adoro ficção científica. É entretenimento. Não é criminalidade.
        Já quando lhe tentam vender “pedras do destino que lhe dão sorte”, isso constitui burla, e está consagrada pela lei como ato ilegal.
        http://bdjur.almedina.net/item.php?field=item_id&value=80067

        abraços

        • juan pablo on 17/04/2014 at 15:52

        Nem tudo que está consagrado na lei condiz à realidade, a lei tenta prever atos imprevisiveis.
        no caso as pessoas tem o direito de crer que pedras possam prever o futuro e se são tolas o suficiente pra isso que paguem para sustentar sua crença.
        Quem se beneficia é tão culpado quanto o fabricante de sucos que diz que seu produto contém 100% de suco natural. O que na pratica é impossivel num mercado de grande circulaçao.
        Ou seja, se queres acreditar e pagar por isso é faculdade sua.
        Só há quem venda porque há quem compre.

      2. Como sabe, diversas leis existem para proteger as pessoas. É o caso desta lei referente à burla. Se você for burlado, enganado com perda de património seu, tem direto a proceder criminalmente para reavê-lo. E a pessoa que o burlou responde pelo crime de burla.

  4. E aquelas pedras esféricas enormes, encontradas enterradas em vários sítios na América Central?

    1. Quais?

      As da Nova Zelândia são enormes… e perfeitamente explicáveis 😉

      A Cabeça-da-Velha, em Portugal, também é enorme… e perfeitamente explicável 🙂

      1. Muitas dessas esferas gigantes são fruto do glaciares (ou melhor, glaciação/desglaciação), certo?

      2. estás a falar de quais?

      3. De pedras gigantes redondas…
        Não te sei dar um exemplo em particular…mas acho que já ouvi essa explicação. Tu não?

      4. Mas estás a falar de quais? 😛 Nas que já foram referidas no post?
        Na Cabeça da Velha?
        Outras? Quais? 😛

        Porque nas do post e na cabeça da velha não tem a ver com isso… por isso é que tou confuso… :S

      5. Não, não me refiro às do post…mas não te sei dar um exemplo específico…
        Lembro-me de ter visto isso num documentário (Earth’s Story), mas já não me recordo onde é que estavam a gravar…e fiquei com a ideia de que não seria um fenómeno raro em vales glaciares.
        Se calhar, interpretei mal…

  5. Não percebo onde está a diversão do “não saber”…só percebo onde está a ânsia de lucro com a ignorância.

  6. Ainda tem mais, se tiverem a sorte de as ver a saltar da rocha, então é que vão dar asas a imaginação.
    É um fenómeno muito giro de se ver…

  7. Lol ainda não descobriram as pedras parideiras para começar a dizer disparates sobre elas…

    1. Parece um disco voador!!!! 😛
      Pronto, está provada a existência deles 😛

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_parideira
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pedras_Parideiras_da_Serra_da_Freita_5.jpg
      http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2345&op=all

      Pronto, a ideia que a Marina foi dar aos vigaristas… 😛
      Não me vai surpreender se a partir de amanhã virmos páginas no Google sobre isto 😛

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