Deepak Chopra

A edição da semana passada da e-Skeptic, publicou um artigo que já tinha aparecido na revista Skeptic em 1998.
No artigo, Phil Molé examina os dogmas dos ensinamentos filosóficos do famoso Deepak Chopra, mostrando que os seus argumentos que convencem tanta gente, na verdade estão cientificamente errados.

Deixo aqui alguns excertos:

“Through much of history, religious faith was a strong component of medical practice. Diseases were often thought to result from blockages in the body’s flow of vital forces, or from possession by malevolent spirits. Eventually, scientific medicine far surpassed efforts of faith healers, so the latter was made to yield authority to the former.
Occasionally, however, vestiges of the old system creep back in. The current attention given to mind-body medicine — and its most prominent practitioner, Deepak Chopra — testifies to this fact. (…)
The content of Chopra’s philosophy is often obscured by logical inconsistencies, but it is possible, nonetheless, to identify its key components. First, he views the body as a quantum mechanical system, and uses comparisons of quantum reality with Eastern thought to guide us away from our Western, Newtonian-based paradigms. Having accomplished that, he then sets out to convince us that we can alter reality through our perceptions, and admonishes us to appreciate the unity of the Universe. If we allow ourselves to fully grasp these lessons, Chopra assures us, we will then understand the force of Intelligence permeating all of existence — guiding us ever closer to fulfillment. Each component of this philosophy has serious flaws, and requires individual analysis. (…)
All mystics believe in sudden insight — a revelation of irrefutable knowledge unavailable to the senses (…)
Chopra is saying the Newtonian-based image of our bodies is wrong, and the quantum-mechanical image of our bodies is right. (…)
But this “either/or” business of choosing paradigms is patently absurd, because modern and Newtonian physics are both perfectly valid theories in their own rights and within their own applications. (…)
One of Chopra’s chief problems is his inability to realize that a limited theory is not quite the same as an incorrect theory. (…)
Chopra (…) saying perception is what really matters. (…) He makes this transition in terms—from “observation” to “perception,” quite rapidly, as if they meant the same thing. They don’t. Observation pertains to what we see, and perception pertains to our interpretation of what we see. This is an important distinction, because the results of quantum mechanics experiments bear no relation to our ideas, after the fact, of what happened during the experiment. The wave functions are collapsed by the act of taking a measurement itself. Chopra confuses his terminology further in other parts of his books, talking about perceiving when he seems to really be discussing visualizing. His reliance on the Copenhagen Interpretation has now been completely shattered. If we merely visualize what we think will happen in a quantum mechanics experiment, without taking a measurement, we won’t collapse the wave function, and we will play no role in the experiment at all! (…)
Chopra relies heavily on the Copenhagen Interpretation, and seems to imply to his readers that it is the only quantum mechanical model in existence. This was true for quite a long time, but it is certainly not true anymore. Physicist John Cramer has developed a “transactional” model using the Wheeler-Feynman theory of electromagnetic radiation, and it predicts the results of quantum mechanics experiments just as well as the “old” model does. It’s even more attractive, however, because the observer has no special role in the model’s explanation of quantum mechanics—so objective reality exists, after all! (…)
Chopra, extending the logic of his rally for a new paradigm shift, wholeheartedly endorses the unification of medicine and spirituality. (…)
As Stephen Jay Gould has pointed out, holistic worldviews in pre-Newtonian Europe were often used to justify social inequalities (…) “PreCartesian holism was more than a bucolic perception of nature’s fundamental unity, it was also a dandy doctrine to enforce a status quo not blissful for everyone” (Gould, 220). (…)
A recurring theme in Chopra’s books concerns the Intelligence of the Universe— the notion that all of existence preserves its own order through a form of consciousness. (…)
The idea of a consciously evolving universe is quite similar to the strong anthropic principle in cosmology. Some researchers have attached deep meaning to the fact that the four forces (gravity, electromagnetism, strong, and weak) seem to have been “fine tuned” to allow life to develop. (…)
This argument is ultimately rather circular. (…) The universe may just appear tailor made for us because we are here to see it. (…)
(…) it’s also completely wrong, and potentially very dangerous, to think of the universe as a benevolent Field seeking to make us infinitely happy. This notion, with absolutely no basis in fact, absolves us of responsibility for our own life, and leaves us vulnerable to every imaginable calamity. (…) We lose the ability to control our fate, and avoid life’s assorted snags and pitfalls, if we automatically assume things will just work out for the best. (…)
When your claims and practices cannot be logically defended, it’s imperative to stay clear of damning evidence. This is something Chopra does with undeniable skill (…)
(…) the fate of David Flint, a leukemia patient treated by an Ayurvedic “physician” endorsed by Chopra. After spending $10,000 over nine months, Flint was allegedly pronounced cured. He died shortly thereafter. (…)
To Chopra, the scientist’s world may not seem as magical as the mystic’s, but it provides us with something not even Merlin could have conjured up: the power to control our own fate. If we heed this lesson, and give figures such as Chopra the required analysis, we’ll truly be heading down the Path to Enlightenment.”

Leiam todo o artigo, aqui.

Ainda ligado a isto, gostei deste texto do filósofo Stephen Law com tradução do André Rabelo sobre os segredos da pseudo-profundidade: afirmar o óbvio e esperar que a audiência concorde, usar expressões e palavras não compreendidas popularmente, falar de “energias” e “equilíbrios”, definir os jargões com outros jargões não compreendidos, usar algumas ideias verdadeiras para dar a impressão que se sabe do que se está a falar, usar frases que contenham palavras com significados opostos para dar um ar enigmático que possa ser interpretado de modo a aplicar-se a toda a gente, etc. Tudo isto, cria a ilusão de profundidade.

10 comentários

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  1. Excelente, Manel!

    Obrigado! 😀

      • Manel Rosa Martins on 15/06/2012 at 00:50
      • Responder

      Ora essa, foi com muito gosto para a leitora Eduarda Freixo e todos os que não entendam muito bem o Inglês :))

      Num dia destes assisti (deleitado, confesso) a uma lição de 1h e 40 minutos do Físico Suskind sobre “matemática complexa e difícil para vós perderem o medo, como ele disse aos seus alunos.”

      Num ponto particularmente difícil Suskind fez uma pausa e olhou com um ar muito sério e solene para todos:

      No emaranhamento quântico não tratamos de efeito, o emaranhamento quântico é CAUSA, entenderam bem?

      Nós não alteramos o estado duma partícula por sabermos o estado da outra que lhe está ligada, bem por intervenção nem por pensamento, nós apenas ficamos informados duma CAUSA,.

      É de facto um tema complexo e difícil, e, como tal, usado e abusado pelos Chopras e outros vigaristas parecidos para se armarem literalmente em parvos e fazerem-se de especiais sobre asuntos de que de facto estudaram e sabem zero.

      Com essa linguagem meio mística levam os incautos e as estrelas de cinema que não sabem onde gastar tanto dinheiro atrás, infelizmente levam assim alguns excelentes artistas e empresários para a morte, com os seus conselhos criminosos para se lidar com doenças muito sérias.

      Uma pessoa com uma doença grave está por definição fragilizada, é natural, o que a torna presa fácil destes vigaristas, mas deve tentar defender-se vendo quanto pessoas estes New waves e outros da medicina de alterne já mandaram direitinhos para a morte, quando havia boas possibilidades da Medicina os curar.

      No fundo, estes vigaristas ganham a vida matando os outros, é mesmo muito triste.

        • eduarda freixo on 15/06/2012 at 23:35

        Obrigada, senhor Martins.
        Eduarda Freixo.

    • Manel Rosa Martins on 15/06/2012 at 00:24
    • Responder

    “Ao longo de grande parte da História, a fé religiosa era uma forte componente das práticas médicas. As doenças muitas vezes foram pensadas como resultantes de bloqueios no fluxo do corpo das forças vitais, ou da possessão por espíritos malévolos.

    Eventualmente, a medicina científica ultrapassou em muito os esforços de curandeiros, de modo que estes últimos tiverem que ceder a sua autoridade à primeira.

    Ocasionalmente, no entanto, vestígios do antigo sistema estão a rastejar de volta. A atenção dada à actual medicina mente-corpo – e ao seu praticante mais proeminente, Deepak Chopra – atesta esse facto. (…)

    O conteúdo da filosofia Chopra é muitas vezes obscurecido por inconsistências lógicas, mas é possível, no entanto, identificar os seus componentes principais. Primeiro, ele vê o corpo como um sistema quântico, e usa comparações de realidade quântica com o pensamento oriental para nos conduzir para longe dos nossos pensamentos ocidentais, baseados em paradigmas newtonianos.

    Tendo conseguido isso, ele tenta convencer-nos de que podemos alterar a realidade através das nossas percepções, e adverte-nos a apreciar a unidade do Universo. Se nos permitirmos compreender plenamente essas lições, assegura-nos Chopra, vamos, então, compreender a força da inteligência que permeia toda a existência – guiando-nos para alcançarmos gradualmente a realização e o sucesso pessoal. Cada componente desta filosofia tem falhas graves, e requer uma análise individual. (…)

    Todos os místicos acreditam num “insight” repentino – uma revelação de conhecimento irrefutável indisponíveis para os sentidos (…)

    Chopra afirma que a imagem newtoniana baseada nos nossos corpos é errada, e que a imagem da mecânica quântica dos nossos corpos é que está certa. (…)

    Mas este “ou / ou”, ou seja o negócio de escolher entre paradigmas é absurdo, porque a tanto a física newtoniana como a física moderna são ambas teorias perfeitamente válidas nos seus próprios regimes e dentro das suas próprias aplicações. (…)
    Um dos principais problemas de Chopra é sua incapacidade de perceber que uma teoria limitada não é exactamente o mesmo que uma teoria incorrecta. (…)

    Chopra (…) sempre vai dizendo que a percepção é o que realmente importa. (…) Ele faz essa transição, em termos que partem da “observação” e da “percepção”, muito rapidamente, como se estas quisessem dizer a mesma coisa. Só que estas não querem dizer a mesma coisa.

    A observação diz respeito ao que vemos, e pertence à percepção a nossa interpretação do que vemos. Esta é uma distinção importante, porque os resultados das experiências de mecânica quântica não têm qualquer relação com as nossas ideias, depois do factos registados durante a experiência.

    As funções de onda são recolhidas pelo acto de se tomar uma medida em si. Chopra confunde ainda mais a sua terminologia noutras partes dos seus livros, falando de perceber quando ele parece realmente estar a discutir a visualização. A sua dependência em relação à interpretação de Copenhaga já foi completamente desmantelada.

    Se apenas visualizar o que nós pensamos que vai acontecer numa experiência de mecânica quântica, sem tomar uma medida, não vamos entrar em colapso da função de onda, e iremos desempenhar nenhum papel no total da experiência! (…)

    Chopra depende muito da interpretação de Copenhaga, e parece sugerir a seus leitores que é o único modelo de mecânica quântica que existe. Isso foi verdade durante muito tempo, mas certamente não é mais verdade. O físico John Cramer desenvolveu um modelo de “transaccional”, usando a teoria de Wheeler-Feynman da radiação electromagnética, e prevê os resultados das experiências de mecânica quântica tão bem como o modelo “antigo” o faz. É ainda mais atraente, no entanto, porque o observador não tem papel especial na explicação do modelo quântico de realidade mecânica, de modo objectivo que existe, afinal de contas! (…)

    Chopra, esticando a lógica da sua busca desenfreada por uma nova mudança de paradigma, subscreve plenamente a unificação da medicina e da espiritualidade. (…)
    Como Stephen Jay Gould apontou, as visões holísticas do mundo pré-newtoniano na Europa foram frequentemente usadas para justificar as desigualdades sociais (…)

    “O holismo Pré-Cartesiano era mais do que uma percepção bucólica de unidade fundamental da natureza, era também uma doutrina “dandy” para impor um status quo não era o mais feliz para todos “(Gould, 220). (…)

    Um tema recorrente nos livros de Chopra diz respeito à Inteligência do Universo – a noção do que toda a existência preserva a sua própria ordem através duma forma de consciência. (…)

    A ideia dum universo em evolução consciente é bastante semelhante ao princípio antrópico (em Física e Cosmologia, o Princípio antrópico estabelece que qualquer teoria válida sobre o universo tem que ser consistente com a existência do ser humano) presente na cosmologia.

    Alguns pesquisadores têm atribuído um significado profundo para o facto de que as quatro forças (electromagnetismo, gravidade, forte e fraca) parecem ter sido “melhoradas” para permitir que a vida se desenvolvesse. (…)

    Este argumento é, em última análise, assaz circular. (…) O universo pode apenas aparecer feito sob medida para nós, porque estamos aqui para vê-lo. (…)

    (…) Também é completamente errado, e potencialmente muito perigoso, pensar no universo como um campo benevolente, que visa tornar-nos infinitamente feliz. Esta noção, com absolutamente nenhuma base na realidade, absolve-nos da responsabilidade pela nossa própria vida, e deixa-nos vulneráveis a toda a calamidade imaginável.

    (…) Perdemos a capacidade de controlar o nosso destino, e evitar os variados empecilhos e as armadilhas da vida, se se automaticamente assumir as coisas só irão trabalhar para o melhor. (…)
    Quando as suas reivindicações e práticas não podem ser logicamente defendidas, é imperativo ficar bem ao largo duma evidência irrefutável. Isso é algo Chopra faz com inegável habilidade (…)
    (…) O destino de David Flint, um paciente de leucemia que foi tratado por um “médico” Ayurvedic aprovado pelo Chopra. Depois de passar 10.000 dólares ao longo de nove meses, Flint teria sido pronunciado curado. Ele morreu logo depois. (…)

    Para Chopra, o mundo do cientista pode não parecer tão mágico como o do místico, mas fornece-nos algo que nem o mágico Merlin poderia ter evocado: o poder de controlar o nosso próprio destino.

    Se atendermos a essa lição, e se analisarmos figurantes vigaristas à luz da Ciência como o Chopra, empregando a mínima análise necessária, é que vamos realmente percorrer o Caminho da Iluminação. ”

    —-

    Notas da tradução: é uma tradução-geral sem revisão aturada, de minha responsabilidade e sob autorização expressa da Revista e-Skeptics.

    O autor do Artigo original é o jornalista PHIL MOLÉ e o link para o artigo original fica aqui repetido, por requisito da autorização desta tradução.

    http://www.skeptic.com/eskeptic/12-06-06/#feature

    • eduarda freixo on 14/06/2012 at 14:30
    • Responder

    Olá Carlos.
    Imagino que muitas pessoas como eu, tenham o inglês basico de colégio, o que deixa muito a desejar. Ando sempre à procura de respostas e nessa procura encontrei nos seus artigos muito do que procuro.
    Se não for pedir demais, poderia colocar o texto com a tradução.
    Muito Obrigada.
    Eduarda.

    1. Olá Eduarda,

      Já enviei umas mensagens para saber se se pode fazer isto.
      Vamos tentar saber como se processam as traduções em termos de copyright… 😉

      abraços 🙂

        • eduarda freixo on 15/06/2012 at 23:31

        Fico à espera.
        Muito obrigada, principalmente por se disponibilizar a partilhar o seu conhecimento conosco.
        Tem sido muito esclarecedor e neste caso em particular, como li alguns livros, estou curiosa.

        Grata.

        Um abraço, menino Carlos.

        Eduarda.

  2. Só uma pequena correcção: hás-de reparar que o texto não é do André Rebelo, mas sim do Stephen Law (o texto em português é uma tradução). Demos o devido crédito a quem pensou no tema 😉

    http://en.wikipedia.org/wiki/Stephen_Law

    1. Tens razão! Já corrigi 😉

      1. Boa! 😉

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