Hoje é o dia mais longo dos últimos anos!

Devido à diminuição da velocidade de rotação da Terra, o que já levou a ajustes de 25 segundos nos últimos 40 anos, neste domingo, hoje, dia 1 de Julho, em Portugal Continental, quando forem 0 horas 59 minutos e 59 segundos, seguidamente virá 0 horas 59 minutos e 60 segundos, e só depois virá 1 hora 0 minutos e 0 segundos.
Nos Açores, a mudança de 1 segundo será às 23:59:59 de sábado.

Como diz o Observatório Astronómico de Lisboa:

Em Portugal continental e na Madeira, em que a hora legal actual é UTC+1, a mudança ocorrerá, em simultâneo, mas já a 1 de Julho. A sequência neste caso será:
2012 Julho 1, 00h 59m 59s
2012 Julho 1, 00h 59m 60s
2012 Julho 1, 01h 00m 00s

Ou seja, o dia 1 de Julho terá um segundo a mais.

A decisão é da entidade internacional que estuda a relação entre a rotação da terra e a medição do tempo atómico – o International Earth Rotation Service (IERS).

“A redução da velocidade de rotação produz um aumento do tempo que a Terra leva a concretizar uma volta em torno do seu eixo (um dia), é regular e calcula-se que vai prolongar-se de modo a que dentro de 4.600 milhões de anos, se o planeta ainda existir, irá aproximar-se dos 53 dias actuais, de acordo com as previsões científicas.”
Ou seja, daqui por quase 5 mil milhões de anos, uma rotação da Terra (um dia) demorará cerca de 2 meses.

“A redução da velocidade é devida à força gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra, à diferença que essa acção produz na superfície do planeta e no seu centro, sendo responsável pela existência de marés nos oceanos, ao levar a água a deslocar-se de um lado para o outro nas longas superfícies marítimas do planeta”, explicou Rui Agostinho, director do OAL.

“Depois de ter sido medido através da observação dos astros, com ampulhetas, relógios de sol, mecânicos ou eletrónicos, chegou-se aos relógios atómicos que mantêm o tempo na atualidade.
Só que a regularidade destes equipamentos, que funcionam com base nas caraterísticas de um metal chamado césio, não se compadece com as oscilações no movimento de rotação da terra, e sustenta, Rui Agostinho, desde 1958 as máquinas já contam com um avanço de 34 segundos em relação ao tempo solar médio, ou hora legal.
Aquando da introdução do tempo atómico, há 53 anos, foram feitas as contas que determinaram a duração da unidade de tempo que é o segundo (Sistema internacional de Unidades), a partir da subdivisão de um dia completo em 24 horas, depois em minutos e finalmente em segundos.” – escreve o Ionline.

9 comentários

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    • Susana Duarte on 01/07/2012 at 09:40
    • Responder

    Antigamente regiamo-nos pelo conceito de que um dia consistia numa rotação completa sobre o seu próprio eixo e tinha 24h, uma hora 60 min e cada minuto 60s, logo, uma vez que a rotação da terra está a desacelarar, todos este conceitos eram variáveis.
    A partir do momento que se passou a medir o tempo sem o auxílio à observação do movimento terreste mas sim com aparelhos independentes deste (neste caso atómico) as medidas temporais, hora minuto e segundo passaram a ser constantes.
    Apesar desta homogenização ser contestável, a hora passou a ser para sempre a vigésima quarta parte de um ciclo de rotação terrestre em 1958.

      • Helena Tavares on 01/07/2012 at 13:06
      • Responder

      Obrigada, Susana Duarte.
      Esta é de facto uma era espetacular por permitir acesso e troca de informação tão rápida e eficaz.
      Obrigada a ambos por me ajudarem a entender esta falha na minha formação.
      🙂

    • Helena Tavares on 01/07/2012 at 01:54
    • Responder

    Neste texto, já respondeu às minhas “novas” questões.

    O problema era eu estar a considerar 1 s constante e, considerar igualmente que 1 h seriam sempre 3600 s e um dia seria sempre 86400 s.
    Mas apenas se convencionou que o segundo é que é a unidade atómica (constante) e os conceitos de ano, dia e hora, estão (até agora) relacionados com os mov. do nosso planeta, pt não são constantes.

    Sim, como digo aos meus alunos os 9 anos do “Luís Marciano” são diferentes dos 9 anos do “Luís Nepturiano” e claro ficam todos contentes quando calculam a sua idade em anos “mercurianos” por, em termos numéricos, surgir um número maior… eheheh 🙂

    Obrigada, uma vez mais

    • Helena Tavares on 01/07/2012 at 01:54
    • Responder

    Neste texto, já respondeu às minhas “novas” questões.

    O problema era eu estar a considerar 1 s constante e, considerar igualmente que 1 h seriam sempre 3600 s e um dia seria sempre 86400 s.
    Mas apenas se convencionou que o segundo é que é a unidade atómica (constante) e os conceitos de ano, dia e hora, estão (até agora) relacionados com os mov. do nosso planeta, pt não são constantes.

    Sim, como digo aos meus alunos os 9 anos do “Luís Marciano” são diferentes dos 9 anos do “Luís Nepturiano” e claro ficam todos contentes quando calculam a sua idade em anos “mercurianos” por, em termos numéricos, surgir um número maior… eheheh 🙂

  1. Confesso que agora “baratinaram-me” toda! Então o tempo de rotação da Terra é cada vez maior e ainda lhe vamos acrescentar mais 1 s? Então daqui a 5 mil milhões de anos o intervalo de tempo de 1 s não tem a mesma duração da que tem atualmente????
    Então o intervalo de tempo de 1 segundo não é uma constante? Não é um conceito atómico (relacionado com o Cs?), e consequantemente os conceitos de hora, dia e ano também não são intervalos de tempos constantes?
    “Um segundo” hoje não tem a mesma duração de “um segundo” daqui a 2000 anos?
    Então não se relaciona com a frequência das radiações emitidas (ou abs.) por átomos de césio? Não é daí que vem a definição atual de segundo?

    1. “Então o tempo de rotação da Terra é cada vez maior e ainda lhe vamos acrescentar mais 1 s?”

      Se a Helena der uma volta sobre si mesma em 1 dia.
      Se no dia seguinte, estiver cansada ;), e demorar um pouco mais para dar essa volta… então o seu tempo de rotação aumenta. Neste caso, demorava 1 dia mais 1 segundo.

      “Então daqui a 5 mil milhões de anos o intervalo de tempo de 1 s não tem a mesma duração da que tem atualmente????”

      Tem.

      “Então o intervalo de tempo de 1 segundo não é uma constante?”

      1 segundo continua a ser 1 segundo.

      Um dia está definido como uma rotação sobre si própria.
      Se daqui por 5 mil milhões de anos, a Helena estiver mesmo muito cansada ;), e demorar 2 meses para dar uma volta sobre si própria, então nessa altura, um dia (uma rotação) demora tantos segundos como os 2 meses actuais.

      abraços 😉

        • Helena Tavares on 01/07/2012 at 01:45

        Desculpe a minha insistência/persistência, é que enquanto não fica tudo a fazer sentido na minha molécula cerebral, as interrogações mantêem-se.

        Então apenas o conceito de “segundo” é que é atómico e, como tal, constante!
        Os conceitos de “dia” e de “ano” continuam relacionados com os 2 movimentos (rot. e transl.) da Terra e correspondem a “delta tês” de duração variável ao longo dos tempos, é isto?

        Perguntando de outro modo: o meu 45º ano de vida foi, na realidade, mais longo do que o meu 1º ano de vida…? Apesar de parecer que o tempo passa cada vez mais depressa…

        Estas questões são básicas para muitos colegas, ótimo para eles!
        Tal não se passa comigo e surgiu a dúvida, por isso decidi pedir-vos ajuda.

        Prefiro fazer papel de ignorante durante 5 min do que ficar ignorante durante o resto da vida!

        Obrigada pelas suas respostas, Carlos Oliveira.

      1. E faz muito bem em perguntar 😉

        E não, não concordo que estes conceitos são básicos 😉
        Porque isto põe em questão a nossa perspectiva de sempre.
        Nós estamos habituados a uma perspectiva… e pensamos que essas definições, convenções humanas, são “factos” no Universo, quando não o são.
        Por isso, quando algo põe em causa essa perspectiva, temos dificuldade em compreender.

        (o mesmo se passa ao conversar com alguém que tem noções completamente diferentes das nossas. Exemplo: um evolucionista e um criacionista. É difícil sairmos da nossa visão para tentar compreender a outra perspectiva) 😉

        Tenho a certeza que há muito mais gente com as mesmíssimas dúvidas da Helena… porque isto são conceitos… estranhos 😉

        O que se passa aqui é que a Terra está a abrandar a sua rotação (dia).
        Pelas definições de hora que temos hoje, no passado tínhamos dias de 20 horas (por exemplo), actualmente são 24 horas, e no futuro teremos dias de 30 horas, por exemplo.
        Se mudarmos a definição de hora para algo mais “longo”, então podemos na mesma dizer que os dias continuarão sempre a ter 24 horas (porque aí o conceito de hora é mais longo).

        Por isso é que no post coloquei esta parte:
        “Só que a regularidade destes equipamentos, que funcionam com base nas caraterísticas de um metal chamado césio, não se compadece com as oscilações no movimento de rotação da terra, e sustenta, Rui Agostinho, desde 1958 as máquinas já contam com um avanço de 34 segundos em relação ao tempo solar médio, ou hora legal.”

        Ou seja, se o nosso calendário seguisse as máquinas (nomeadamente a regularidade do segundo com base no césio), neste momento já seriam mais 34 segundos do que realmente são (olhando para o céu – Sol).

        Isto pode parecer pouco, mas em milhares de anos, tem efeitos incríveis.
        Se não fizessemos estes ajustes pelo Sol, então daqui por, imaginemos, 3000 anos, em Portugal o Sol mais forte seria à meia-noite.
        A economia, os sistemas políticos, os nossos relógios biológicos, etc, regem-se pelo Sol. Trabalhamos de dia.
        Por isso é que fazemos os ajustes. Porque o Sol, deverá estar “em cima de nós” ao meio-dia, e não à meia-noite.

        Se as nossas máquinas para medir os segundos são mais precisas que o planeta (e são), então devemos fazer ajustes ao que dizem as máquinas.

        Porque todo este problema é por termos técnicas muito mais precisas que o planeta. O planeta (rotação e órbita) tem oscilações. As máquinas que já conseguimos fazer com a ciência, não as têm.

        Essa imprecisão do planeta comparada com a nossa precisão, leva a que tenhamos que fazer ajustes para ficarmos em sintonia com o planeta 😉

        Confuso?? Muito! 🙂

        Mas espero que eu tenha conseguido explicar razoavelmente 😉

    2. “Um dia está definido como uma rotação sobre si própria.
      Se daqui por 5 mil milhões de anos, a Helena estiver mesmo muito cansada 😉 , e demorar 2 meses para dar uma volta sobre si própria, então nessa altura, um dia (uma rotação) demora tantos segundos como os 2 meses actuais.”

      Claro que nessa altura, pode definir os termos de acordo com o conceito de 5 mil milhões de anos no passado (agora) e então dizer que um dia (rotação) demora uma enormidade de segundos 😉

      Ou então, pode pegar nesse dia (enorme nessa altura), dividi-lo em 24 (horas), depois dividir cada hora em 60 (minutos), e dividir cada minuto em 60 (segundos). Nesse caso, como o dia é enorme (comparado com agora), então também a horas serão mais longas que actuais, os minutos também, e os segundos igualmente. Ou seja, ness altura, definido dessa forma (de divisões de dia), 1 segundo será então muito mais tempo do que actualmente.

      Note-se que apesar de isto ter a ver com a rotação da Terra e por isso ter muita ciência, na verdade o que se está a falar é de convenções humanas, de definições, e essas são perfeitamente adaptáveis à cultura/era em que se insere. Definições não são ciência, são somente nomenclatura. 😉

      Este é um dos problemas de Star Trek, por exemplo. Continuam a dizer “passou um dia”, “passaram 3 anos”, etc, que quando se vai numa nave espacial, esses conceitos deixam de fazer sentido… já que são conceitos terrestres, que dependem da rotação da Terra e da sua órbita ao redor do Sol. E como na nave espacial eles estão muito longe da Terra, deixa de fazer sentido continuar a contar o tempo como se estivessem no planeta.

      Da mesma forma, diz-se que Mercúrio, por exemplo, roda sobre si próprio em quase 57 dias. Mas estes “dias” são definidos como terrestres (rotação da Terra) e nada tem a ver com Mercúrio. O dia de Mercúrio, definido como o corpo a rodar sobre si próprio, continua a ser 1 dia. Se eu fosse Mercuriano, esse era o meu dia. Esse para mim era 1 dia.
      O mesmo para o ano de Mercúrio. Um ano é definido como o período de tempo que o planeta demora a dar uma volta ao redor do Sol. Neste caso, então 1 ano de Mercúrio, o tempo que ele demora a orbitar o Sol, é 1 ano. Era assim que definiríamos se vivessemos em Mercúrio. Mas comparado com a Terra, essa órbita de Mercúrio é muito mais rápida, por isso, nós que estamos na Terra, dizemos que Mercúrio demora somente 88 dias a oribitar o Sol, ou seja, para nós 1 ano de Mercúrio equivale a 88 dias (terrestres).

      Tudo depende da perspectiva… de estarmos a colocar em relação a quê, comparado com quê 😉

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