Descobriu-se o raio da partícula!

Evento registado pelo detetor de partículas CMS em 2012, após uma colisão de feixes de protões.

Enquanto os físicos abrem garrafas de champanhe brindando ao que consideram ser uma das maiores descobertas científicas da história da Humanidade – a existência da partícula de Higgs, prevista teoricamente mas até ontem nunca confirmada – o pessoal que andou na ronha durante as aulas de Física e Matemática coça a cabeça em desespero e procura perceber o que raio estão aqueles amáveis senhores a celebrar, e porquê.

Tal como acontece com tantas outras descobertas, o leigo faz também uma pergunta fundamental: para que serve? Que aplicações práticas resultarão desta descoberta e em que medida as nossas vidas irão ser afetadas?

Esta resposta é simples: ninguém sabe. Nesta fase do campeonato poucos estarão a pensar nisso. E é provável que os físicos partilhem as imortais palavras do jogador/filósofo João Pinto e respondam com um «prognósticos, só no fim do jogo».

O «jogo» tem mais de 50 anos e ainda mal começou, mas a história diz-nos que devemos esperar sempre qualquer coisa de importante mesmo quando a importância da descoberta só é entendida por meia-dúzia de pessoas. Se no alvorecer da Mecânica Quântica tivéssemos perguntado a um físico que aplicações práticas aquela iria ter, duvido que se aventurasse a antecipar os transístores e o desenvolvimento dos computadores. No entanto, estes são dois exemplos que mostram como a Física Quântica é a base do maravilhoso mundo tecnológico em que vivemos.

Como cantava o Pedro Abrunhosa no tema de um disco saído mais ou menos pela mesma altura em que se inventava a inadequada expressão «partícula de Deus» para definir o bosão de Higgs, é preciso ter calma e não dar o corpo pela alma.

Leon Lederman

A divina partícula (comédia)

Já agora, para arrumar o assunto divino de vez: não vale a pena dar importância à alcunha pela qual o bosão de Higgs é conhecido na imprensa. É marketing quântico. Uma falácia atribuída ao físico Leon Lederman e ao livro de divulgação científica publicado em 1993 de que foi co-autor, «The God Particle: If the Universe Is the Answer, What Is the Question?».

Na verdade, a expressão era outra. E muito mais adequada: tendo em conta que os físicos já a procuravam há décadas, Leon Lederman batizou-a como «the goddamn particle», pois não havia meio de se descobrir o raio da partícula!

O editor do livro convenceu-o de que a designação the god particle faria vender mais cópias e pronto, assim começou e floresceu a cantilena da ‘partícula de Deus’: a ressonância da expressão até pode ser tão profunda como um órgão de igreja tocado em manhãs solarengas de domingo, mas a sua origem é interesseira e totalmente artificial, nada a ver com a Física (ou a Religião).

Peter Higgs, o físico britânico a quem devemos a previsão, em 1964, da existência do bosão de Higgs, nunca gostou da expressão, achava que poderia ser ofensiva para os crentes.

Peter Higgs no auditório do CERN (Foto: Denis Balibouse)

A profecia de Peter

Higgs tem agora 83 anos e esperou mais de cinquenta para ouvir esta notícia. Quando ontem entrou no auditório do CERN recebeu uma merecida ovação de reconhecimento, abraçou muita gente, afirmou-se «deliciado» com o anúncio da descoberta e a rapidez com que se tinham produzido os resultados, e chorou ao recordar colegas físicos, pioneiros como ele, que morreram antes de saber que tantos anos de trabalho árduo viriam finalmente a ser compensados no acelerador de partículas do CERN.

O bosão de Higgs, sabe-se agora com 99,9 por cento de certeza (em fisiquês: 5-sigma), existe: é uma partícula bastante pesada, de vida curta, capaz de interagir com outras partículas – quarks, eletrões, protões. A interação pode ser imaginada como uma daquelas cenas de um filme de ficção científica, quando vemos naves de carga sendo acopladas por uma nave de abastecimento para receber combustível: no caso do bosão de Higgs, que faz as vezes da nave abastecedora, o «combustível» fornecido às outras partículas é a própria massa de que são constituídas.

O bosão de Higgs é, em última análise, um gerador de matéria que cria massa em sucessivas «ondas de choque» – sem a sua existência, também não existiríamos. Tudo o que tem massa (os fotões são uma das poucas exceções), do infinitamente pequeno ao majestosamente grande, da formiga que devora os restos do nosso piquenique ao buraco negro que ‘devora’ a matéria em seu redor, da cadeira em que estamos sentados ao corpo que «transporta» o nosso cérebro, tudo tem origem na discreta ação desta partícula.

Felizmente, o futebol ajuda-nos a perceber estas coisas

Compreender o mundo sub-atómico das partículas elementares é como pretender aprender chinês por correspondência.

Considerem uma analogia escandalosamente grosseira que talvez ajude a entender a importância desta descoberta (não a descoberta em si).

Imaginem um jogo de futebol, semelhante ao que conhecemos, mas com uma particularidade: somos incapazes de ver a bola.

Pela movimentação dos jogadores percebemos que estão a interagir com um objeto qualquer – só que não o conseguimos detetar. Pudemos até inferir que foi golo pela forma como a rede balança sob o efeito do objeto e os jogadores festejam, mas não o conseguimos ver, é invisível, nem sequer sabemos que é uma «bola».

Ora, até há uns anos pouco sabíamos sobre a natureza deste jogo: tal como em relação à massa no mundo da Física, tudo era dado como garantido: ninguém pensava como e de onde tinha surgido a massa – a massa estava lá, simplesmente, e só mais tarde os físicos se depararam com a necessidade de responder a essas questões mais elementares; da mesma forma, também não pensámos muito nas características do jogo em si, estava a desenrolar-se diante de nós.

A pouco e pouco, porém, fomos aprendendo as regras; notámos que 11 jogadores se movimentam com o objetivo de marcar um golo na baliza da equipa adversária, constituída por outros 11 jogadores. E para que o jogo tal como o conhecemos fosse possível e não se transformasse numa partida de filósofos à maneira dos Monty Python, fizemos a seguinte previsão teórica: teria de existir um objeto que interagisse com os jogadores, um objeto municiador, algo com as características e propriedades de uma «bola» que desse sentido a tudo aquilo que se estava a ver.

No jogo da física de partículas, a bola de futebol invisível é o bosão de Higgs – o que dá massa a tudo o que nos rodeia; as regras do jogo são os mecanismos de Higgs, sem os quais ninguém poderia ter previsto a existência do bosão; o campo de futebol é o modelo-padrão da física de partículas; os jogadores são os quarks, os eletrões, os protões. E nunca é demais referir, a «partícula de Deus» é o que gritam as claques e os treinadores de bancada quando querem chamar nomes ao árbitro, não liguem.

44 comentários

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  1. Ok Carlos, sem traumas rsrs. Eu entendo as tuas colocações, sem traumas. Claro sempre que puder estarei por aqui; como te falei tem muita coisa interessante sobre o Universo por aqui. Damos um fim a estas postagens por aqui.

  2. Carlos, achei estes dois artigos na net hoje. A intenção não é prolongar este assunto,até porque não tenho tamanha competência para tal intensão. É apenas levar a pessoas capacitadas com,vc, e otros companheiros teus aqui a tecer o comentário cientifico, até pessoal.Acho que nem ciencia ou religião devem se pautar pelo fundamentalismo. A minha intensão aqui é apenas aprender com opiniões opostas a minha,pena que algum espiritualistas ligado ao meio cientifico não se atraveria a se expor aqui,porém seria interessante também. Com certeza este artigo, creio eu deve ter alguns erros ao comentar algo sobre algum cientista nele citado,para isto vcs estão aqui para corrigir e aprendermos um pouco mais.Abraços, realmente para se admirar o céu basta o olhar sobre o fimamento cósmico, tem toda razão.

    1. Francisco, deixe-me ver se me percebe de uma vez por todas:
      – este artigo é sobre o Bosão de Higgs. Se quer falar de espiritismo, este não é o local para isso.
      – enviou um link dum “website espírita”, com fontes no “livro de espíritos”, cheio de parvoíces que nada têm a ver com quântica, mas que à maneira dos pseudos, trocam tudo para vigarizarem as pessoas e dizerem que até “sabem de ciência”. Só provam que nada sabem. Só provam que têm por único objectivo enganarem as pessoas. O astroPT não é o local para o Francisco, ou seja quem for, vir continuar a publicitar essas ideias enganosas do espiritismo.
      – o outro website que enviou tem coisas que nós próprios já temos colocado por aqui. Nada tem a ver com espiritismo. E nada tem a ver com o Bosão de Higgs.

      Francisco, eu não vou perder mais tempo com os seus comentários. Eu trabalho. Acabou-se-me a paciência para esta publicidade a coisas que nada têm a ver. Se quer falar de espiritismo, tem outros locais. A partir de agora, neste post, ou fala sobre o Bosão de Higgs, ou então as suas mensagens não serão aprovadas.

      abraços!

  3. Carlos, o kardecismo não é meu, estou fora do movimento há um bom tempo rsrs. Não estou bravo contigo, tão pouco surpreso com tuas resposta, és um homem de ciência. Nem todo homem de ciência nega o ser supremo, mesmo estando longe de o compreender. Respeito a tua visão de mundo e gosto da forma que defende a ciência,prova maior da tua competência científica, parabéns amigo.Deixa a nossa discursão pra lá ok. Apenas achei oportuno o que comentei acima num blog de ciência.Tem muita coisa interesante por aqui, sempre tive um sonho que não consegui realizar, ter pelo menos uma luneta para admirar as estrelas a noite. Aqui em Goiânia chove bastante durante quase todo o ano,somente agora no meio do ano que temos um céu mais limpo a ver as estrelas.

    1. 🙂

      Não precisa de luneta para admirar o céu 😉

      abraços!

  4. Enganas-te! Eu cá sou daqueles que acha que o blog não seria o mesmo sem as tuas respostas, meu diplomata! 🙂

    1. LOLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL 😀

      Pois já recebi convites, devido a estas respostas 😛
      Interpretei como o pessoal estar farto de “paninhos quentes” e dos cientistas deixarem-se constantemente ser mal-tratados 😉

  5. Claro que não tem Carlos, estamos falando de ciência, porém para espiritualistas o que a ciência esta produzindo no campo relatividade e da física quantica é fabulosamente a linguágem dos espiritualistas. Não nos tenha como ingênuos os espiritualistas estão na ciência também e sabem separar e unir estes dois pontos. Ter critica aos credos tradicionais e compreendo,porém ao que tenha pouca informação é um obstáculo que freiou muita coisa no século XIX,porém agora renasce. Como dise Ubalde :
    ” O impossível, antes repelido e negado volta ao mundo, atendendo ao apelo do mundo”.
    A ciênci que sempre negara a invisível agora revê este conceito pela física quantica.O materialismo esta morto a portas do imponderável, macro mera ilusão dos nossos sentidos.Materia e energia não podem mais se distinguir. A conciência é a única realidade,naõ existe acaso no meu humilde ponto de vista. Não vim ofender a ciência, parabenizo a vc, Carlos, e a todos os homens de ciência que trazem com os seus valorosos esforços uma nova visão a se descobri deste maravilos Universo, ou melhor, Universos. Parabés Carlos pelo teu blog. Não irei levar isto aqui a uma discursão rs.Abraços amigo.

    1. Francisco,

      Novamente, o seu comentário não tem nada a ver com o texto do post.

      Repito: o post nada tem a ver com espiritismo, mas sim com ciência.

      É completamente mentira a “ciência que sempre negara o invisível”.
      Onde raio leu isto?
      O Francisco está sempre a dizer coisas erradas sobre a ciência…
      Assim, é “fácil” seguir crenças… basta assumir coisas erradas sobre a ciência.

      Quanto ao espiritismo falar sobre isto, repito: “é só astrologia com uma nova roupagem.” É somente tentarem enganar as pessoas, hipocritamente retirando o crédito à ciência, quando o espiritismo nunca fez nada pela Humanidade… a não ser isto: “o espiritismo faz como as pseudo-ciências, e transmite mensagens ambíguas, de modo a qualquer texto poder ser interpretado como estando de acordo com a ciência… o que, como qualquer pessoa percebe das técnicas pseudo, é mentira.”
      Sugiro que leia sobre as técnicas pseudo, e vai ver que o seu espiritismo utiliza-as para o convencer de coisas que nada têm a ver.

      E, mais uma vez refiro, esta descoberta nada tem a ver com espiritismo. Por favor, não use os avanços da ciência para publicitar espiritismo que anda a reboque da ciência.

      abraços

      P.S.: por favor, não me faça tornar a repetir as mesmas coisas.

      1. Ha ha ha ha Não há paninhos quentes que te façam ‘baixar a guarda’ 😉

      2. Se as pessoas gostam do blog, do conhecimento e da informação que o blog transmite, não é pelas minhas respostas que vão deixar de gostar da informação que consta nos artigos. Isso seria um contra-senso 😉

  6. Carlos, como te falei respeito e quero ver a cada dia os avaços da ciência.Não sou filiado ao Kardecismo ou outra corrente filosófica como ja´fora antes,porém tenho uma formação espiríta e não posso negar. Uma das coisas que me levou ao Kardecismo foi não admitir o que as religiões procuram fazer, ou seja,negar a ciência,isto não faço. Kardec teve esta pretensão sim de unir religião e ciência. Quando me deparei com este valorosa descoberta relembrei alguns texto que já havia lido. Eu entendo o lado da ciência,apenas comentei que diferente do que a ciência pesa na sua forma de ver a religião como algo tradicional, correntes espiritualistas trazem este informação que a ciência esta nos revelando agora, através da fisica moderna que ao meu ver, vem corroborar com o estudos lá do fins do século XIX e correntes religiosas como o Kardecismo que citei. Ou obras do filosofo italiano Pietro Ubalde. Teorias como as das supercordas entre outros avaços, não minha humilde visão, não negam o que citei acima, AO QUE EU CHAMO DE CAUSA PRIMEIRA, DEUS,tão pouco venho aqui desmerecer a CIÊNCIA.
    A ciência na minha,humilde visão, e de muitos espiritualistas, ira comprovar que temo uma conciência,ser pensante, e um corpo fluidico(espirito), e um universo feito por outras dimensões etéreas aos olhos da carne,tal como a ciência estava estudando na segunda metade do século XIX na Europa. Como defini a ciência humana caminha para era do espírito, estamos na fronteira entre o nosso mundo real(paupável) e o mundo efêmero(energia-origem primeira de todo este nosso lindo Universo). Não tenho receio deste meu comentário entre pessoas como vc, Carlos, e outros que possuem um grande conhecimento cientifico. Vivemos no século XXI e devemos respeitar opiniões, achei louvável expor aqui este minha opinião entre pessoas que tem conhecimento de causa. Me entenda não estou pregando religiaõ, pelo contrário,parabenizando este avanço da ciência. Abraços e obrigado por expor o meu comentário.

    1. Francisco,

      Novamente, o seu comentário não tem nada a ver com o texto do post.

      Repito: o post nada tem a ver com espiritismo, mas sim com ciência.

      É completamente mentira que a “ciência humana caminha para a era do espírito”.
      Primeiro “era do espírito” não existe. É só astrologia (“era do aquário”) com uma nova roupagem.
      Segundo, não é a ciência que caminha para o espiritismo, mas sim o espiritismo que faz como as pseudo-ciências, e transmite mensagens ambíguas, de modo a qualquer texto poder ser interpretado como estando de acordo com a ciência… o que, como qualquer pessoa percebe das técnicas pseudo, é mentira.
      E, mais uma vez refiro, esta descoberta nada tem a ver com espiritismo. Por favor, não use os avanços da ciência para publicitar espiritismo que anda a reboque da ciência.

      abraços

  7. Olá Carlos tudo bem, acompanhei este noticia sobre as pesquisas feitas sobre a particula que possivelmente esplicaria a origem do Universo. Com todo respeito eu não acredito que chegaremos a origem das coisas. Embora eu tenha minha religiosa(Kardecista), não estou mais ligado a uma religião. Porém da mesma forma que admiro e respeito a ciência, vejo tudo como uma ingenuidadade. O infinito se faz tanto no Macro, bem como no Micro. Já li obras de Kardec( O livro dos Espíritos ou a Gênese) ou Pietro Ubalde (Grande Síntese ou Deus e Universo) que retratam pela ótica(espiritualista com pretensão cientifica) esta temática. Palavras como (principio inteligente ou fluido vital), retratam esta origem de ENERGIA QUE SE PRODUZ NO QUE CHAMAMOS DE MATÉRIA. Quero diser que estou com a ciencia,pois para mim é nos leva a Deus(despertar do conhecimento). Agora diser que estamos a um passo de descobrir a origem do Universo(essência) é ingenuidade e, para mim, o caminho dialético que leva ao que muitas vezes negamos,ou seja, Deus. Faça se a luz, o proprio conceito de materialistas deve ser refeito, pois a ciência descobre a agora que não existe matéria, existe energia, portanto o homem de ciência não materialista rsrs. Com todo respeito e admiração pela ciência a não se chegara ao infinito. É o eterno mistério do “arquiteto”, caminhamos para era do espírito(alma-energia-pensante) e não espírito(intelecto).Parabéns a todos que este especial avanço nesta descoberta.Trechos abaixo de uma entrevista do filoso Pietro Ubaldi. Abraços Carlos.
    VRB – Filósofos e cientistas, há séculos, discutem o que é a realidade em sua essência, pois tudo o que se conhece é uma sucessão de fenômenos. Assim, procuram descobrir se a realidade é uma substância e, se ela for, o que essa substância é.

    Pietro Ubaldi – O movimento é a essência da Substância. O que chamamos de matéria não passa de movimento e o éter é uma forma de transição entre a energia e a matéria. A radioatividade é uma propriedade universal da matéria, a qual, portanto, não é indestrutível. Somente a Substância é indestrutível.

    O fenômeno é uma das infinitas formas individuadas da Substância, a sua transformação e a lei que a rege.

    Na substância não existe matéria, no sentido em que a compreendeis; apenas há movimento. A diferença entre matéria e energia consiste apenas na diversidade de direção do movimento: rotatório, fechado em si mesmo, na matéria; ondulatório, de ciclo aberto e lançado no espaço, na energia.

    O movimento, substância do universo, é um ciclo que sempre retorna e é, em si mesmo, fechado e completo.

    VRB – Qual a diferença entre matéria e energia?

    Pietro Ubaldi – A diferença entre a matéria e energia consiste na diversidade do movimento. Na matéria, ele é notório, fechado em si mesmo. Na energia, ondulatório, em ciclo aberto. Por isso, a criação é uma progressiva curvatura.

    VRB – Até hoje, a pesquisa científica não descobriu a indivisibilidade da matéria.

    Pietro Ubaldi – Não se pode encontrar o último termo da matéria, porque ele não existe. A substância da matéria é trajetória e relações. A ciência da matéria se reduz a uma ciência de relações, a um puro processo lógico.

    VRB – A matéria, tal como a conhecemos, surgiu com a criação do universo?

    Pietro Ubaldi – A matéria não é o estado originário da criação, mas seu estado de máxima curvatura do espírito, é o ponto final do processo da involução e o ponto de partida do qual se inicia a evolução.

    VRB – O Todo está em perpétua transformação? Heráclito afirmava que tudo é vir-a-ser ou devir, e Lavoisier sustentava que, no universo, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma

    Pietro Ubaldi – No absoluto, não pode haver criação; somente no relativo pode haver nascimento e transformação.

    VRB – É o espaço finito ou infinito?

    Pietro Ubaldi – Há limites espaciais e limites evolutivos no universo. A matéria não tem limites na direção espacial, mas somente na direção evolutiva. Isto é: esse limite não pode ser situado em determinado ponto do espaço, mas pode sê-lo em qualquer lugar onde ocorra a transformação da matéria na sua superior fase de evolução. Por conseguinte, a dimensão que sucede à terceira espacial não se encontra no espaço, porque o universo é individuado em trindades sucessivas ou unidades trinas. O espaço acaba num ponto em que o onde se muda em quando, ou seja, no momento em que a dimensão espaço se transforma em dimensão tempo.

    VRB – É possível conciliar as posições filosóficas antagônicas do ser e do vir-a-ser?

    Pietro Ubaldi – Ser é eterno vir-a-ser.

    1. Este post é de ciência.
      Esta descoberta foi feita por CIENTISTAS.

      Nada tem a ver com espiritismo nem com Kardec, seja o antigo jogador do Benfica seja o pseudo que fala em espíritos para apanhar crentes.

      Os espíritas NADA tiveram a ver com esta descoberta nem com nenhuma descoberta científica ou de outra área qualquer.
      Por isso, este comentário nada tem a ver com o assunto em causa.

      Por fim, ONDE leu aqui no post que esta partícula explica a origem do Universo?
      Pois… mais uma vez, o seu comentário nada teve a ver com o texto em causa.

      abraços

  8. Bem eu não sei praticamente nada sobre estes temas, mas é algo que me fascina =)
    Pelo que percebi, é verdade que os fotoes nao têm bosões de higgs? Porquê? Então de onde vem a sua massa (se é que eles têm massa, não faço ideia lol)?

    E se é o bosão de higgs que confere massa às outras partículas, de onde vem a sua própria massa?

    Obrigada =)

    1. Fotões não têm massa detectável… 😉

      Penso que a massa do bosão vem do Big Bang… mas também não sei :S

        • Rosa Faria on 07/07/2012 at 00:18

        Não ter massa detectável significa que não tem massa, ou significa que deve ter mas que não a conseguimos medir? 😉

        Então todos os bosões que existem hoje são os que apareceram com o big bang?

        Ouvi em qualquer lado que o bosão de higgs tinha algo a ver com a transformação de energia em massa, isso é verdade?

      1. Se não se detecta, tem que se assumir que não existe 😉
        É o problema de eu dizer que tenho um dragão na minha garagem, mas que é invisível e ninguém o detecta. Se ninguém detecta, provavelmente não existe 😉
        http://www.astropt.org/2012/01/17/o-dragao-na-minha-garagem/

        Quanto à outra pergunta, pedi a colaboradores do astroPT que são físicos, para a virem ajudar nessas perguntas… porque eu não sei o suficiente e posso dizer asneiras 😉

        • Cavalcanti on 07/07/2012 at 03:54

        Rosa,

        Sim, energia pode virar matéria. E, como sempre lá está: Albert Einstein.

        Para entendermos como isso acontece, temos que relembrar da Teoria da Relatividade Espacial do “homem” (—> Einstein).

        Da equação da relatividade:

        E = m0 x c^2 , onde:

        E = Energia de repouso de um sistema;
        m0 (ler: “m subíndice 0”) = massa quando o sistema está em repouso;
        c = constante da luz no vácuo (3×10^8 m/s).

        Podemos deduzir:

        (delta)E = (delta)m0 x c^2

        Ou seja, se fornecermos energia ao sistema sem tirá-lo do repouso, sua massa aumenta. Toda partícula que possui massa possui um equivalente de energia. Tal como foi mostrado na primeira equação logo acima. 😉

        Sobre este aprofundamento, os Físicos podem falar melhor que nós, do ramo da Engenharia. 😉

        Abraços.

        • Rosa Faria on 07/07/2012 at 10:21

        Cavalcanti, isso eu entendi, mas o que me estava a questionar é se será o bosão de higgs a fazer essa transformação da energia em massa… Ouvi isso em algum sítio mas não sei se é verdade

        Muito obrigada

      2. *correção: Teoria da Relatividade Especial (em outras palavras, a Teoria da Relatividade Restrita). 😉

        Estava ao sono… 🙁

      • Manel Rosa Martins on 07/07/2012 at 12:23
      • Responder

      Donde vem a massa?

      Vem das interacções, da dança entre os quarks e os gluões.

      Quem transporta a massa? É o bosão de Higgs.

      Como se mede a massa duma partícula? Em unidades de energia.

      Vamos supor que uma partícula, digamos com a massa e com a assinatura do Bosão de Higgs, mas que ainda não se sabe de certeza se corresponde ao bosão de Higgs do modelo-padrão ou doutro modelo, como esta que foi descoberta com sigma 5 tem:

      Massa 126.5 GeV. Isso é uma anotação informal.

      Formalmente tem uma Massa de 126.5 +- 06 GeV/c^2

      Como a massa pode ser convertida pelo principio da equivalência em energia ( e vice-versa) então o que aconteceu aqui nestas unidades de energia que medem a massa duma partícula?

      Aconteceu um pequeno truque. Os Físicos atribuíram o valor de 1 à velocidade da luz e esta ao quadrado é 1. Depois um número a dividir por 1 é igual a si próprio, então basta anotar o valor inicial e anular o /c^2 que dá na mesma expressão.

        • Filipe Dias on 08/07/2012 at 13:56

        Atirando um feixe de partículas de encontra um alvo estático, a energia de uma colisão é coisa directa de saber.. Mas se tivermos duas partículas a baterem em contra-mão, de frente, e em excesso de velocidade (perto da da luz) a energia do impacto é maior do que só “o dobro”.. A minha dúvida é se estes 126.5 +-0.6GeV/c^2 já estão no nosso referencial não-inercial, ou se ainda estão influenciados pelo colisor de partículas usado…
        Aquele c^-2 nas unidades já me devia ter respondido a esta pergunta, ou é só para converter em unidade de massa?
        Será que eu estou a confundir energia da colisão com esta (energia associada à) massa da partícula que virá de outro lado (detector usado).
        Se for este o caso, como se pode detectar alguma partícula que não tenha massa, ou então que não interaja com campo magnético (não gere impulso eléctrico no detector)?

  9. Eu adoro receber elogios como toda a gente, mas insisto: este é um texto com o objetivo de entreter e divertir (procurando não dizer disparates científicos, claro), mas existe outro, o do Manel aqui no Astro – http://www.astropt.org/2012/07/05/higgs-o-bosao-de-peter/ – que não só diverte e entretém, como também educa!
    E não é exagero da minha parte: eu valorizo imenso, muito mesmo, quem se dá ao trabalho de descodificar a ciência para nós, leigos. É um grande serviço que se presta às pessoas!

    1. Claro que sim!
      O texto do Manel também é um grande descodificador!
      Mas isso não diminui o merecimento de elogios! 😉
      Podem ser todos elogiados!

  10. Agora neste canal: excelente, Marco!
    Todos os elogios são poucos! 😉

  11. Depende da forma como o definem.

    Se definem como uma partícula dentro de certos parâmetros, tal como ela é definida, então sabe-se com 99,9% de certeza que ela está lá.
    Se é “loira”, “ruiva” ou “morena”, isso vai-se saber a seguir.

    Mas note-se que esta quase certeza é superior à certeza que se tem sobre os planetas extrasolares que não detectamos directamente (mas só pelo movimento das estrelas). E no entanto, sabe-se que eles existem.

    Tal como no caso do Bosão, pode-se depois estudar mais algumas características da espectroscopia para saber que tipo de planeta estaremos a falar… tal como iremos saber mais características sobre o bosão nos próximos tempos.
    Mas está lá… 😉

    1. Na analogia do Marco: está lá uma bola. Isso é certo. Agora, se é da Adidas ou da Rebook, se tem 24 ou 32 gomos… isso é que é preciso estudar com mais pormenor 😉

    • Fernando Ramos on 06/07/2012 at 08:44
    • Responder

    Mas… pergunta de quem anda mesmo confuso;
    O busão já foi positivamente descoberto ou continua a ser o tal busão descoberto mas que ainda perece ser?
    Tem andado por aí essa incógnita, daí esta minha questão.

    1. O que foi verificado é que existe um bosão onde a física teórica previa a sua existência. Mas, tal como podemos ver uma pessoa conhecida ao longe, temos de nos aproximar e verificar que realmente é essa pessoa.
      Pelo que sei essa confirmação só em Fevereiro do próximo ano.
      Mas, penso que isso que vai acontecer: a confirmação.

        • Fernando Ramos on 06/07/2012 at 12:06

        Então porquê festejar antes do tempo?

        Não aprenderam já que deitar foguetes antes da festa pode correr mal?
        Lembro-me do caso da velocidade da luz, por exemplo.

        Mas enfim…

      1. Não se festejou antes do tempo. Descobriu-se a pessoa, no exemplo do José Gonçalves. Está confirmada que existe a pessoa tal qual se previu. Logo, deve-se festejar.

        Sugiro os meus comentários mesmo abaixo deste…

        P.S.: no caso dos neutrinos mais rápidos que a luz foi precisamente o contrário. Não se festejou. Pensou-se que seria erro. Continuou-se a repetir as experiências para ver onde estava a “diferença”. Ninguém festejou. E confirmou-se: era erro.

  12. Muito bom!!
    Em relação ao que se descobriu foi mesmo o Bosão de Higgs, ou apenas mais uma partícula que provavelmente será o dito bosão? Ouvi noutro lado que ainda poderá ser só uma de 5 “partículas de Higgs”, caso as coisas não encaixem na teoria à primeira..
    A analogia do futebol está excelente por relacionar tudo e por ser um jogo que o comum dos mortais não necessita entender, ou mesmo ser adepto, para conseguir exercer a sua profissão correctamente como antes daquele jogo ter sido inventado.

  13. Mas e se colocarem mais potência, não encontrariam outra ainda mais massiva? seria o Boson de Higgs ou quem sabe uma mais potente que ela, se ela é a partícula de Deus uma outra seria a do Pai de Deus?

    Brincadeiras a parte, parece que esta confirmada uma parte da teoria de Higgs que é muito interessante a do “Campo de Higgs” que permeiaria todo o universo.
    Seria um retorno triunfante do Eter?
    Ou seria o verdadeiro nome da Energia Escura?
    Porque mesmo que permeiaria todo o universo é bem possível que haja flutuações, que é oq ‘vemos’ quando observamos a energia escura..

    mas de qualquer modo é sem dúvida um marco pra ciência

    desconfio que o tal do “Campo de Higgs” ainda irá revolucionar nossa civlização.. sera?

    1. “Mas e se colocarem mais potência, não encontrariam outra ainda mais massiva? seria o Boson de Higgs ou quem sabe uma mais potente que ela, se ela é a partícula de Deus uma outra seria a do Pai de Deus?”

      Nem de propósito… leia esta notícia que acabei de ler:
      http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cienciasaude/52880-apos-particula-de-deus-fisica-testa-novas-teorias.shtml

      “Feita a festa pela descoberta de uma nova partícula que provavelmente é o bóson de Higgs, responsável por “conceder” massa às demais partículas, a equipe do maior acelerador do mundo, o LHC, já pensa em novos desafios.

      Os principais envolvem a investigação dos 95,4% do conteúdo total do Universo que permanecem desconhecidos -a matéria “comum”, que compõe galáxias, planetas e pessoas, é só uma fração pequena do Cosmos.

      Para tanto, o Cern (centro europeu de física de partículas) já tem agendada a primeira grande reforma do LHC. Espera-se que, no fim deste ano, a instalação seja desligada e fechada para atualizações. As operações devem ser retomadas só em 2014 -e com força total.

      O acelerador foi projetado para acelerar prótons, partículas do núcleo dos átomos, a uma energia de 7 TeV (teraelétron-volts). Quando se promove a colisão de dois deles nessas condições, toda a energia de movimento é convertida numa miríade de partículas dos mais diversos tipos. É em meio aos destroços desse impacto que os físicos buscam as descobertas.

      Contudo, desde que o LHC iniciou suas operações, em 2008 (com uma pausa para reparos que o tirou do ar por um ano), o nível máximo alcançado por próton foi de 4 TeV. Foi o suficiente para achar o provável bóson de Higgs e confirmar o mecanismo previsto no Modelo Padrão (teoria unificadora da composição da matéria), que permite que todas as partículas que existem tenham massa.

      Ainda assim, é interessante notar que o tão celebrado Modelo Padrão responde por apenas 4% de tudo o que existe. É a chamada matéria bariônica, composta por elétrons, prótons, nêutrons e seus subcomponentes. (…) “

  14. Adorei o texto
    encontrei esse video do Brian Cox, onde ele fala do LHC e do Boson de Higgs (que na época não havia sido descoberto)

    Video muito bom, merece ser compartilhado

    http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/brian_cox_on_cern_s_supercollider.html

  15. “Quando o autor deste cartoon aqui em baixo caricaturiza a reação do zé povinho às notícias do bosão de Higgs, que estará ele realmente a criticar? A nossa iliteracia científica ou as analogias que usamos para explicar a Ciência? E não é giro que uma disciplina de cientistas malucos nos ajude a pensar sobre a natureza humana?”
    http://bitaites.org/wp-content/uploads/2012/07/396856_10101057182095434_1913097622_n.jpg
    😀

    “Tal como todas as analogias deste género, esta faz-nos pensar mais neste mundo do que no outro que pretende explicar: como todos sabemos, a sociedade tem tendência a desprezar e a interagir muito menos com quem tem pouca massa. Massa, carcanhol, dinheiro. Eis o principal elemento aglutinador deste mundinho de gente grande.”
    😀

  16. E Marco, mais um excelente artigo teu!!! 😀
    http://bitaites.org/no-mundo-da-lua/bosoes-de-analogias/

    1. Acabei de ler. Está excelente mesmo!

      😀

  17. Adorei a sua analogia, excelente artigo 🙂

  18. Excelente artigo Marco. 😀
    Vou-lhe citar descaradamente, amanhã, na rádio.
    Obrigado.

  19. Excelente artigo, Marco 🙂

    Tudo pode ser comparado a futebol!!!! LOL 😀

  1. […] redes sociais, o bosão de Higgs não é a partícula de Deus, como podem perceber se lerem aqui e aqui. Em terceiro lugar, o que Hawking afirma no livro é que, quando lhe é fornecida muita energia […]

  2. […] Partícula. Vídeos. Jogo Bosemon. Bosão de Higgs: descoberta, resultados, sumário, explicação, compreender, escolha, concepções erradas, início, Sigma superior a 7, confirmado. Manel Rosa Martins. […]

  3. […] como a maioria dos homens – e um dia haveria de tornar-se no cientista cujo nome designaria a “Partícula de Deus”, a partícula que se crê ter sido encontrada na Suíça. Esta descoberta veio afinal dar razão […]

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