Quais formas poderiam ter Alienígenas inteligentes?

Eosapiens

Os filmes, bem como a maioria das ficções científicas, acostumaram-nos a extraterrestres com forma humanóide. Não precisa ser os Vulcanos de Jornada nas Estrelas. Os camarões de Distrito 9 podem ser bem assustadores, mas também são humanóides: tronco, cabeça, dois braços e duas pernas.

Isso acontece por duas razões principais. Uma delas é o público: temos certa dificuldade em aceitar algo que não siga nosso padrão de visão de um ser inteligente. A outra é científica: essa forma física libera os movimentos, permite manipular objetos, interagir socialmente, etc. O fato é que temos uma quantidade limitada de blocos de construção, evolução e variáveis ambientais e isso torna seres distintos morfologicamente semelhantes. Por exemplo, se você precisa voar, vai desenvolver asas. Foi o que os insetos fizeram, o que os pterossauros fizeram, as aves fizeram e os morcegos também. Seres taxonomicamente distintos, mas que desenvolveram a seu modo a mesma solução para o mesmo tipo de ambiente e necessidade.

Apesar disso tudo levar ao senso de que a forma física humanóide a seres inteligentes é a mais lógica – o que a candidataria a ser a mais comum no espaço, é algo que não se pode saber ao certo. Animais de outros mundos, sujeitos a outras variáveis, poderiam evoluir para formas muito diferentes. Carl Sagan citou que se víssemos um alienígena descer dum disco voador ele se pareceria mais à uma gosma do que a algo que conhecemos. Pode ser que sim, pode ser que não. Mesmo Sagan deve ter tido alguma dificuldade em imaginar seres que fossem completamente distintos dos padrões terrestres: os flutuadores de Júpiter, por mais exóticos que sejam, são semelhantes a águas vivas na fase medusa, por exemplo – uma simetria radial. Isso é sinal de que a vasta biodiversidade da Terra nos atrapalha ao imaginar uma forma  de vida realmente exótica e verossímil. No entanto, temos imaginação e referências para isso:

Eosapiens: Os seres de inteligência primitiva do documentário “Planeta Alien“, que se baseou na obra de Wayne Barlowe intitulada Expedition (Expedição), são uma das mais notáveis formas de vida inteligente imaginadas com um aspecto não-humanóide. A inspiração provavelmente é o Polvo, um animal interessante por ser o mais inteligente dos invertebrados e ser capaz de manipular objetos. Não obstante, outra série dos canais de documentários chamada “Futuro Selvagem” relata a evolução dos polvos não só para animais racionais, mas também como conquistadores da terra firme.

Golfinhos: Os golfinhos não são nem de perto a forma a esperar de um ser inteligente, eles não tem a capacidade de manipular objetos, por exemplo. Mas o intrigante é que esses animais estão entre os mais espertos da natureza. Eles são um dos melhores exemplos daquilo que a Universidade de Oxford define como inteligência. Para eles, um ser inteligente reúne três condições básicas: ideia de altruísmo (basicamente, reciprocidade nas atitudes, noções de causa e efeito na relação com seus semelhantes), “política” (noções de agrupamentos, divisões e lideranças) e empatia (a grosso modo, capacidade de ter e interpretar emoções, a sua e dos demais). Em sociedades no reino animal, tais habilidades são frequentemente demonstradas. Não que nossos simpáticos amigos aquáticos sem polegares opositores possam vir a desenvolver uma segunda espécie tecnológica na Terra, mesmo assim estudá-los é importante tanto do ponto de vista a entender o que realmente é um ser inteligente quanto ao mais interessante: mapear a habilidade da linguagem e seu desenvolvimento em outra espécie além da nossa, uma utilidade para um futuro “contato imediato”.

Artrópodes: Tropas Estelares adoptam o tema e os colocam como enxames de artrópodes gigantes guiados telepaticamente por superinteligências aracnídeas contra a humanidade. Mas existe uma espécie de tamanho limite a um ser com exoesqueleto – razão pela qual nunca atingiram o tamanho de um dinossauro, por exemplo, o que os condena a pequenos cérebros, aparentemente sem grandes complexidades. Entretanto, são um filo animal muito antigo e bem sucedido, e uma pesquisa realizada na Universidade de Adelaide, na Austrália, revela que o cérebro de insetos, embora tenha o tamanho da cabeça de um alfinete, é capaz de grandes proezas. No estudo, pela primeira vez foi avaliada a forma como esses animais calculam a velocidade de objetos em movimento, e o resultado mostrou que essa capacidade, nos insetos, é igual a de outros animais, inclusivé do Homem.

E totalmente diferente: Poderiam ser seres sem nenhuma forma simétrica definida, sendo assim totalmente diferentes de qualquer ser vivo da Terra? Poderiam, mas não seriam diferentes de qualquer ser vivo da Terra. As Esponjas também não têm uma simetria. Para ser totalmente diferente e incompreensível, o único jeito é uma forma de vida que não use dos mesmos blocos de construção da nossa biosfera: talvez inorgânicos, talvez baseados em silício, ou talvez serem puramente feixes de energia irradiada, ou serem gasosos e fantasmagóricos, gelatinosos, líquidos…

No fim, uma boa imaginação pode sim, construir um extraterrestre verossímil, mas antes é bem útil um estudo de astronomia, biologia, química, física, não só para definir o aspecto do seu ser, mas também para saber ambientá-lo, contextualizá-lo. Sou um novato em todas essas mesmas ciências que citei, mas já me aventurei a criar o meu primeiro ET, e é inteligente, e conhecemos seu mundo!

Segue o link: http://dominiosdosol.blogspot.com.br/2011/07/alien-imaginario-pra-um-mundo-real.html

atualizado: http://dominiosdosol.blogspot.com.br/2012/08/extraterrestre-cronus-versao-20.html

16 comentários

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    • Samuel damasceno on 23/12/2016 at 04:10
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    Boa noite,
    Vc tem email? Pode passar? Valeu

  1. um exemplo de formas alienígenas interessantes seriam anêmonas terrestres ao invés de árvores no planeta deles, ou algo parecido com plantas carnívoras ou corais.

  2. a matéria também não diz que os alienígenas provavelmente fariam “simbiose” com outras espécies de seu planeta. nós, por exemplo, dependemos de vários tipos de animais, plantas e até micróbios(como as bactérias do intestino).

  3. se, no fato, os alienígenas fossem pequenos como formigas, e ainda assim superinteligentes, poderiam nos ensinar sobre menores partículas de matéria, já que suas máquinas seriam mais sensíveis que as nossas e estudariam bem melhor a luz e a matéria, talvez.

  4. alguns estudos de hoje são interessantes, como o paradoxo de fermi, equação de drake ou a biofísica, por exemplo, como disse o diniz ribeiro… apesar de eu achar aquele filme do final phantasy ridículo.

  5. Muito bom texto, Jonatas.

    Não gostei foi do ET :). É demasiado humanóide, com braços e olhos 😉

  6. Já pensando num contato imediato, a primeira coisa que poderá haver é um contato entre seres e máquinas de outros seres, seja uma sonda nossa com um intelecto alienígena – como no Alien Planet – ou uma sonda alienígena entrar em contato conosco… Nós sempre mandamos nossos robôs nas missões mais afastadas e perigosas, as sondas sempre chegam a outros mundos antes de nós. Em Alien Planet, a questão é que a distância de anos luz torna o comando a partir da Terra inviável, aí as sondas tem que ter uma inteligência própria! IA? 🙂

  7. Uma coisa muito interessante no documentário alien planet é que as sondas terrestres que exploram o mundo dos eosapiens tem a forma de um polvo parecida com a deles, assim como os extraterrestres que imaginamos visitando a terra são humanóides, como nós.

  8. Já li que os ET’s dos filmes têm forma humanóide porque é difícil colocar actores em fatos de forma mais estranha.

    P.S. – No livro “A pegada” os ET’s parecem-se com elefantes-bébés.

  9. Pergunto-me se “inteligência” não seria algo díficil de definir numa criatura destas – evoluiu de forma diferente, tem uma cultura completamente diferente, uma língua diferente, o seu próprio conceito de realidade é diferent. E o mais curioso é que se os encontrássemos provavelmente não conseguiriamos comunicar com ele. Se formos a ver bem isto não é assim tão diferente dos animais que encontramos na Terra, hm?

    E eu próprio uso muito o 3ds Max! Achei muito giro o Titanês, mas talvez precisasse de umas texturas mais complexas. Tá muito “desenho animado”! Abraços

    1. Sim claro, meu titanes está mais ou menos em seu *esqueleto, tem muito ainda a adicionar. Dele existe apenas a ideia do aspecto físico, antes de continua-lo terei que estudar muito mais aspectos físicos e biológicos dele em relação à química e física do ambiente em que ele vive. Abraços.

  10. O que os seres alienígenas teriam certamente seriam mãos, para além de um cérebro avançado. Outro ponto, seria provavelmente um ser placentario, teria que levar muito a ser formado para que tivesse um cérebro avançado em detrimento de uma grande resistência. Acima de tudo teria de ter mãos, foram as mão que permitiram a construção de objectos e que nos distanciaram dos demais seres.

    • Dinis Ribeiro on 01/08/2012 at 14:42
    • Responder

    O texto está muito interessante!

    Gosto deste primeiro extraterrestre. Qual foi o software utilizado para criar o extraterrestre fictício? Autodesk Maya?

    Pensando em futuros designs…

    Para além das formas, há um outro aspecto. O consumo de energia.

    Sugestão: http://www.wired.com/wiredscience/2012/07/3006-species-cant-be-wrong/

    But just how much energy does an organism need? And are we fated by our body size to spend more or less time foraging for energy?

    At first glance, a huddled mouse (whose heart beats about 500 times per minute) seems to be burning through bioenergetic fuel a lot faster than a great whale (7 beats per minute).

    This intuition has seeped into scientific studies for years, as multiple reports suggest that metabolic rate (normalized by mass) decreases with increasing body mass.

    But Anastassia Makarieva and her international group of colleagues were skeptical of the reports of power laws – those all-too-convenient fudge factors for quantitative relationships – and they decided to compile as many measurements as they could get their hands on.

    In order to compare apples with proverbial apples (and literal oranges), Makarieva had to set some ground rules. She limited prospective data sets to those reporting metabolic rates in nongrowing, resting, post-feeding organisms to make sure things weren’t thrown off by cell division, movement, or food comas.

    By the time they had finished, the team had collected data from 3,006 species and discovered something remarkable: rates of energy use were surprisingly consistent, clustered around 0.3 to 9 Watts per kilogram of (wet) biomass.

    If 0.3 – 9 Watts per kg proves to be a universal feature of biology, perhaps the search for life beyond Earth would be best served not only by “following the water” as NASA proposes, but also by “following the energy.”

    1. Jonatas, parabéns pelo artigo. Acho que está bem escrito e levanta algumas das dúvidas certas.

      Dinis, citas aqui um estudo da Makarieva e de uma equipa internacional que chegou à conclusão de que «…the team had collected data from 3,006 species and discovered something remarkable: rates of energy use were surprisingly consistent, clustered around 0.3 to 9 Watts per kilogram of (wet) biomass.».
      Numa tradução livre: “…a equipe tinha reunido dados de 3.006 espécies e descobriu algo notável: as taxas de uso de energia foram surpreendentemente consistentes, agrupando-se em torno de 0,3 a 9 watts por quilograma de biomassa (húmida).

      Ora eu encontro grandes objeções a esses resultados “notáveis” “remarkable)…
      “Agruparam-se em torno de 0,3 a 9 W.kg^-1”? Para mim isto quer dizer que nem todos ficaram compreendidos entre esses 2 valores; a maioria ficou entre estes valores, mas vários outros ficaram próximo (por defeito) de 0,3 e outros ainda excederam mas ficaram próximo de 9 W/kg.
      “… De 0,3 a 9 W.kg^-1)”? Dividindo 9 por 0,3 dá 30. O que dá uma boa ideia da enorme dispersão dos resultados. Só aqui já temos uma variação de 3000% e na verdade muitos dos resultados ficaram abaixo de 0,3 ou acima de 9W/kg…

      Se a Makarieva fosse uma investigadora séria, só poderia chegar a uma conclusão: “A grande dispersão dos resultados mostra que o resultado deste estudo foi inconclusivo”!

      Tirar conclusões de um resultado tão inconclusivo mostra que ela não está a ser séria e que conta com a falta de espírito crítico de quem lê o “estudo”.

        • Dinis Ribeiro on 03/08/2012 at 01:23

        Rui, não consigo concordar com as tuas objecções.

        Penso que é relativamente leviana a maneira como colocas em causa on-line a seriedade de uma pessoa sem (aparentemente) teres lido o texto em causa, baseando-te (aparentemente) no que é dito num artigo de divulgação.

        Não sei se leste o que chamas de “estudo” e que na realidade, é um “paper” publicado pela Royal Society de Londres em 2005. http://en.wikipedia.org/wiki/Royal_Society_of_London

        Link para o paper: http://www.biotic-regulation.pl.ru/offprint/bctpb_mn.pdf

        Não sei se leste o artigo completo da revista “Wired” que está online. http://en.wikipedia.org/wiki/Wired_magazine Quem pensa que os resultados são “notáveis” é o “jornalista” que creio que sabe do que fala devido á sua actividade na comunidade científica: http://www.wired.com/wiredscience/author/jjmarlow/

        Depois, no artigo da revista “Wired” saliento agora esta parte que não citei (para não ser longo demais):

        By the time they had finished, the team had collected data from 3,006 species and discovered something remarkable: rates of energy use were surprisingly consistent, clustered around 0.3 to 9 Watts per kilogram of (wet) biomass.

        This finding is particularly stunning given the enormous range of body sizes considered in the study: the smallest organism – Francisella tularensis – weighs in at 10-14 grams, while the largest – the elephant Elephas maximus – tips the scale at 4 million grams.

        That’s a full 20 orders of magnitude, and if the mass-dependent power law school of thought were correct, metabolic rates would have shown a >65,000-fold range rather than the 30-fold span Makarieva’s team reports.

        The convergence of metabolic rates around such a relatively narrow range suggests, with the benefit of evolutionary hindsight, that it was meant to be.

        Perhaps, Makarieva proposes, we’re looking at the optimal rate of energy use – the narrow range that has been hemmed in through natural selection as our high-octane ancestors flamed out and our more laid back ones fizzled.

        The discovery of such a narrow range of energy use casts an even brighter light on the variation that does exist.

        If all forms of biology seem to converge on particular metabolic rate, what is to be gained from being above or below that rate?

        O texto que citei, reconhece (evidentemente) que existe uma enorme variação, mas que em relação á variação do peso entre uma báctéria e um elefante (20 ordens de grandeza), essa variação é muito menor do que se poderia esperar.

        E sobretudo, na mente do Jeffery Marlow “surge” a ideia (que eu partilho) de poderá exisitir a possibilidade de fenómenos de convergência evolutiva para um http://en.wikipedia.org/wiki/Metabolic_rate / http://pt.wikipedia.org/wiki/Metabolismo_basal que seja “otimizado” pelas próprias leis da física dos fenómenos biológicos.

        Sugiro uma boa vista de olhos ás ideias de Co-Evolução e de Evolução Convergente:

        1) http://en.wikipedia.org/wiki/Coevolution / http://pt.wikipedia.org/wiki/Coevolu%C3%A7%C3%A3o

        2) http://en.wikipedia.org/wiki/Convergent_evolution / http://pt.wikipedia.org/wiki/Converg%C3%AAncia_evolutiva

        Este tipo de informação é do intresse deste novo ramo do saber: http://en.wikipedia.org/wiki/Synthetic_biology

        Engineers view biology as a technology – the systems biotechnology or systems biological engineering.

        Synthetic Biology includes the broad redefinition and expansion of biotechnology, with the ultimate goals of being able to design and build engineered biological systems.

        Porque é que o autor foi “desenterrar” uma publicação de 2005?

        Não sei.

        Mas o título e a legenda lembram-me o grande número de espécies que Darwin estudou para provar o fenómeno da evolução, e a legenda com a pergunta “just a big microbe?” em que vemos um elefante, lembra-me a ideia de que possa existir algo a que alguns chamam Gaia: http://en.wikipedia.org/wiki/Gaia_theory#From_hypothesis_to_theory

        Na minha opinião, é mais fecundo pensar num ecossistema, com várias formas de vida interligadas entre elas. Nesse caso, a forma dum “alienígena” (inteligente ou não) dependeria das formas de todas as coisas vivas em todo o seu ecossitema. Os nossos olhos são capazes de ver os comprimentos de onda “visíveis” por causa de todas as outras formas de vida á nossa volta.

        Sugiro este filme, em que há o contacto com uma “Gaia” alienígena:
        http://en.wikipedia.org/wiki/Final_Fantasy:_The_Spirits_Within

        Para meditar, agora que a sonda Curiosity está quase a chegar a Marte:

        Predictions, tests and results relevant to the Gaia theory:

        Prediction – Mars is lifeless (1988)
        Test – Atmospheric compositional evidence shows lack of disequilibrium Result – Strong confirmation, Viking mission 1975

        Ideia (muito) simplificada:
        Não há vida em Marte, e a prova é que a atmosfera Marciana está morta.

        Quantas missões a Marte vamos ter de pagar para provarmos que “não há lá vida”? Pode sair “bastante” caro, em particular se a “vida” em qualquer planeta for constituída por um único superorganismo totalmente interligado com a atmosfera. http://en.wikipedia.org/wiki/Superorganism

        Nesse caso, qualquer “alienígena giro com formas bizarras” é apenas uma parte do corpo desse superorganismo.

        Não gosto do nome Gaia, pois é demasiado “new age” e infelizmente leva muita gente a nem sequer pensar uma única vez a sério sobre o assunto.

        Por último, deixo um link para a bibliografia da Anastásia:
        http://www.bioticregulation.ru/pubs/pubs2.php

        O diagrama animado na primeira página é curioso:
        http://www.bioticregulation.ru/index.php

        E por último, comento que muitas vezs quem consegue contribuir para provar algo de (demasiado?) novo, (atmosferas vivas, “gaia”, superorganismos) são pessoas que vêm de outras áreas…

        A Anastasia Makarieva http://thd.pnpi.spb.ru/~makariev/ tem um PhD em Física Atmosférica e trabalha no “St. Petersburg’s Nuclear Physics Institute of Russian Academy of Sciences” http://thd.pnpi.spb.ru/Structure/ (ver as outras áreas) sob a direcção de http://en.wikipedia.org/wiki/Lev_Lipatov

        Sugiro (por fim) uma boa vista de olhos á Bio-Física: http://en.wikipedia.org/wiki/Biophysicist

        A biofísica é uma ciência interdisciplinar que aplica as teorias e os métodos da física para resolver questões de biologia.

        A biofísica busca enxergar o ser vivo com um corpo, que ocupando lugar no espaço, e transformando energia, existe num meio ambiente o qual interage com este ser.

        Aspectos elétricos, gravitacionais, magnéticos e mesmo nucleares estão na fundamentação de vários fenômenos biológicos, e portanto, podem ser tratados pelos conhecimentos das ciências físicas.

        A citação acima é do link em Português: http://pt.wikipedia.org/wiki/Biof%C3%ADsica

        Post Scriptum, depois de um café:

        O facto do autor do artigo na revista Wired ter a “ousadia” de sugerir á NASA que em vez de andar á procura de água e bactérias em marte, pense também na “energia”, poderá ser uma subtil crítica indirecta á missão do super-Rover Curiosity que tem uma (evoluída?) fonte de energia.
        http://en.wikipedia.org/wiki/Curiosity_rover
        Se o Curiosity não encontrar vida, qual é o passo seguinte?

        Será que o autor do artigo que citei inicialmente trabalhou com baterias á base de micro-organismos, e está a “puxar a brasa á sua sardinha?”

        Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Microbial_fuel_cell

        Em qualquer dos casos, para mim há muito mais possibilidades de vida nas Luas com oceanos do que em Marte.

        Só que, na nossa (infantil?) imaginação colectiva, Marte sempre terá Marcianos “muito bem escondidos”.

        Ver que os canais de Marte não existiam foi muito mais barato do que vai ser o custo de provar que não há vida em Marte.

        Para meditar: http://en.wikipedia.org/wiki/Evidence_of_absence

    2. Reconheço que não devia ter colocado em causa a seriedade da investigadora quando escrevi os 2 últimos parágrafos, principalmente porque não lera o paper dela.
      O que eu contestei foi a adjetivação utilizada – remarkable. Eu pensei que a conclusão de que os resultados eram “notáveis” partira da investigadora e daí ter colocado o trabalho dela entre aspas e tê-lo chamado estudo. Agora que li (e li mesmo…) o paper, noto que ela não utiliza adjectivos e apenas apresenta os dados, chegando a ilustrá-los com um quadro muito elucidativo.
      “These findings indicate that the mass-specific metabolic rates of living cells vary within universal limits that are on a large scale independent of the size of the organism to which they belong. The particular value of metabolic rate displayed by a cell appears to be more a function of the biochemical properties of the corresponding tissue and of the physiological and ecological status of the organism rather than be dictated by body size.”
      Continuo a considerar que há uma grande dispersão de resultados, mas não tão grande como seria de esperar se considerarmos a enorme variação da massa dos seres vivos. Afinal os seres unicelulares e pluricelulares são o resultado da mesma linha evolutiva que ocorreu num mesmo planeta.
      Agora especulo eu que é possível que, num outro planeta, em que as circunstâncias sejam diferentes (ou até que sejam semelhantes) e em que a matéria se organize em entidades que possamos considerar como “seres vivos”, o metabolismo dessas entidades e a forma como se relacionam umas com as outras ou com o habitat sejam diferentes das que se desenvolveram aqui na Terra.
      Penso que ainda nos faltam “case studies” (ainda só temos um: esta biosfera) para análise para que possamos fazer extrapolações. Daí que cada cêntimo investido em tecnologia para explorar outros corpos do Sistema Solar (ou para além dele) é um bom investimento. Não apenas porque alavanca o nosso desenvolvimento tecnológico, mas também porque nos guia na direção certa.
      Mesmo que não se encontre vida em Marte, nem quaisquer vestígios de que ele lá se tenha desenvolvido no passado, estamos a aprender e a desenvolver métodos cada vez mais sofisticados para a sua procura e, no pior dos cenários, a excluir possibilidades.
      Quando Edison após testar centenas de filamentos para uma lâmpada elétrica durável continuava a tentar, alguém lhe disse que ele já falhara centenas de possibilidades. E ele terá replicado que não falhou nenhuma das vezes mas, antes pelo contrário, que descobrira que essas centenas de filamentos não resultavam e que iria continuar até descobrir um que fosse durável.

      Também já li, há muitos anos, o livro Gaia. E tenho que reconhecer que faz muito sentido considerar a biosfera como um ser vivo. Pois mesmo que uma ou outra espécie se extinga, ou que uma calamidade de dimensões cósmicas aconteça, é muito provável que a vida continue. No entanto, nós humanos, somos uma ameaça para nós próprios e para a biosfera, como Carl Sagan muito bem descreve no livro Biliões e Biliões. Atingimos um tal nível de desenvolvimento que estamos não apenas alterar o meio ambiente, mas a própria composição química da atmosfera, dos solos e das massas líquidas. Mas não tenhamos ilusões… a vida continuará com ou sem nós.

      Obrigado pelos links e pelas sugestões de leitura. Vou passar umas boas horas a explorar isso.

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