Gliese 163c poderá ter potencial para a vida

Crédito: PHL @ UPR Arecibo

Um planeta recentemente descoberto, chamado Gliese 163c poderá ter condições para desenvolver vida tal como a conhecemos.
Esta super-Terra está na zona habitável da sua estrela, podendo ter água no estado líquido à sua superfície.

Este planeta está no 5º lugar na lista de candidatos mais prováveis a serem habitáveis.

Crédito: PHL @ UPR Arecibo

Note-se que o melhor cenário é que o planeta tenha uma atmosfera 10 vezes mais densa que a Terra, com um oceano global com uma temperatura moderada, e com um céu carregado de nuvens cor-de-rosa.
A temperatura à superfície poderá ser cerca de 60ºC, o que é demasiado quente para humanos, mas é bastante confortável para alguns micróbios.

Obviamente a informação que se tem do planeta ainda é bastante limitada. Daí que o cenário em cima é uma possibilidade optimista. Mas existem outros cenários onde o planeta não tem qualquer possibilidade de ter vida tal como a conhecemos.

Este estudo foi feito por uma equipa internacional de cientistas liderada por Xavier Bonfils, que analisou 400 estrelas anãs vermelhas com o espectrógrafo High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher (HARPS), no ESO, no Chile.

Gliese 163c foi um dos dois planetas descobertos a orbitar a estrela anã vermelha Gliese 163, que se encontra a 49 anos-luz de distância da Terra.
A equipa encontrou indicações de um terceiro planeta, mas não foi possível confirmá-lo para já.

Gliese 163c é uma super-Terra com cerca de 7 vezes mais massa que a Terra, e terá o dobro do tamanho da Terra.
Poderá ser um planeta rochoso, um planeta oceânico, ou talvez um pequeno gigante de gás (como Neptuno).

Gliese 163c leva 26 dias para orbitar a sua estrela. Ou seja, está muito mais perto da estrela que Mercúrio está do Sol. No entanto, como a anã vermelha é muito mais fraca que o Sol, então ele está na zona habitável da estrela. Aliás, está tão próximo da estrela que, apesar da estrela ser uma anã vermelha, o planeta até recebe 40% mais radiação da estrela do que a Terra recebe do Sol.
Gliese 163b, o outro planeta, tem um período orbital de somente 9 dias, o que quer dizer que está ainda mais próximo da estrela.

Leiam a notícia em inglês, aqui e aqui.

3 comentários

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  1. Tenho uma dúvida. Sendo este novo planeta maior que a Terra, não se deveria supor que a temperatura interna seja também maior? Não sei se isso já foi considerado no estudo (provavelmente sim) mas mesmo assim gostava de saber.

    1. Olá Filipe,

      Tendo uma massa superior à da Terra, Gliese 163c demoraria, em princípio, mais tempo a dissipar o seu calor interno. A estrela Gliese 163 é mais jovem que o Sol, pelo que é provável que assim seja, que a sua temperatura interna seja, de facto, superior à do nosso planeta. 🙂
      Existe ainda outra particularidade que torna certamente essa diferença ainda mais acentuada: a sua proximidade a Gliese 163. A uma distância tão curta da sua estrela, o efeito de maré gerará calor de fricção suficiente para aumentar ainda mais a temperatura no seu interior.

  2. Excelente artigo, Carlos. 🙂

    Porém, ainda continuamos com Gliese 581 g – com maior similaridade com nosso planeta: 92%

    Tenho apreço pelo trabalho do Bonfils devido à prudência com relação às descobertas da Astrofísica. Já tinha lido algo sobre ele num artigo do Luís Lopes. Reencontrei em meus favoritos:

    http://www.astropt.org/2010/10/05/xavier-bonfils-ceptico-relativamente-a-descoberta-de-gliese-581g/

    Abraços.

  1. […] Gliese 581g (notícia), Gliese 667Cc (descoberta, arte, habitabilidade, conversa, 3 planetas), Gliese 163c, GJ 1214b (atmosfera de água), Kepler-186f, HD 189733b, KOI-500, KOI-961, KOI-172.02. KOI 463.01, […]

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