Sobreviver no Espaço

De vez em quando, os astronautas têm problemas nos fatos espaciais, como podem ler aqui e aqui.
Mas quão perigoso é ter problemas no fato espacial?

O nosso leitor Rui Amaral escreveu recentemente sobre isto:

“Estive a ler um artigo sobre sobrevivência no espaço caso houvesse um acidente com o fato de astronauta.
E foi bom saber que podemos morrer de 3 maneiras:
– asfixia: não por falta de ar, mas sim porque ao haver a súbita despressurização do fato os pulmões iriam explodir. Portanto na iminência de uma ruptura do fato, e se quiserem sobreviver mais uns segundos, convém esvaziar os pulmões completamente.
– radiação cósmica: nada a dizer, é como meter a mão dentro do microondas e ligá-lo.
– frio: o espaço atinge temperaturas que vão dos 123ºC positivos aos quase -273ºC negativos (na Lua, na parte iluminada a temperatura chega a 123ºC enquanto que na sombra pode chegar a -233ºC; mas na Nebulosa Boomerang atinge-se os -272ºC).”

Seguidamente ele referiu este artigo:

“A NASA diz, em seu site oficial, que em 1965 ocorreu uma experiência acidental com humanos no vácuo. Durante uma simulação, o traje de um astronauta (cujo nome não é divulgado) se rompeu. Ele ficou consciente por 14 segundos e em seguida desmaiou; logo em seguida, foi iniciada a despressurização do simulador e ele sobreviveu.
Seguindo o relato, a NASA afirma que, quando recobrou a consciência, o astronauta disse ter ouvido o oxigênio saindo de seu corpo, assim como sentiu muita água em sua língua e a sensação de que ela estava fervendo.

E se eu prender a respiração? É comum pensar que se estivermos com a respiração presa, poderemos aguentar mais tempo no vácuo. Essa é a forma menos eficaz de sobreviver no vácuo, pois a morte seria ainda mais rápida. Como o pulmão está cheio de gases, ao sair de um ambiente pressurizado para o vácuo, todos eles se expandiriam em instantes. Por essa razão, os pulmões seriam rompidos e você morreria em menos de 10 segundos.

Congelamento, sangue fervente e outros mitos: realmente é possível que o sangue sofra reações anormais no vácuo, mas dentro do corpo ele jamais ferveria. Ainda nas veias e artérias, o sangue não obedece às leis físicas que se aplicam ao vácuo e, por isso, não reage como faria em um ambiente sem matéria.”

O que acontece mesmo é que “no primeiro momento, o oxigênio é expelido dos pulmões, fazendo com que a pessoa perca a consciência (por falta de oxigenação no cérebro) em cerca de 15 segundos. Depois disso, não demora mais do que dois minutos até que os órgãos parem de trabalhar e a pessoa venha a óbito.”

O nosso leitor Rui Costa acrescentou mais algumas informações:

“O problema mesmo é a pressão exterior que passa a 0 bars, com a consequente expansão dos gases dos pulmões, levando à asfixia.

Quanto à radiação, se o fato espacial “apenas” sofrer um golpe ou a viseira rachar, a radiação não irá matar o astronauta. As partes do corpo expostas à radiação levam com uma dose excessiva de radiação, mas o fato espacial continuará a proteger o corpo da radiação e, em parte, da diferença de temperatura.

Convém lembrar que o fato espacial apenas protege parcialmente o astronauta e mesmo uma longa permanência dentro de uma nave espacial coloca problemas com a radiação (não é por acaso que a ISS é mantida em órbita baixa, mesmo com a necessidade de disparar os foguetes algumas vezes por ano para compensar a perda de altitude devido ao atrito com a atmosfera e a recolocar na órbita pré-estabelecida).

O melhor mesmo é que não haja acidentes com os fatos espaciais. E para evitar isso, toda a atividade exterior é preparada minuciosamente. Claro que não é impossível que ocorra um acidente. E, nesse caso, a ajuda dos companheiros para conduzir o infortunado astronauta a um local pressurizado, com a máxima rapidez, é fundamental.

Aquela imagem romântica que a Ficção Científica nos relata, com astronautas solitários, que numa questão de segundos vestem um fato espacial, saem para o exterior, regressam ao interior e tiram o fato, como se nada se passasse, também tem algumas falhas e não passa de fantasia.
Quando um astronauta está dentro da nave com uma pressão de uma atmosfera, entra para um fato espacial e o fecha hermeticamente, o ar que fica dentro do fato também fica à pressão de uma atmosfera. Se ele saísse de imediato para o exterior, todo esse ar iria expandir-se tornando o fato espacial demasiado inchado e rígido.
Para evitar isso e lhe facilitar os movimentos, o fato é mantido à pressão mínima que lhe permite respirar. Essa descompressão tem de ser gradual e obriga a um longo período de adaptação antes de sair para o exterior.
Exatamente o oposto do que se passa com um mergulhador com escafandro, que pode descer rapidamente ao fundo do mar, mas que depois tem de subir muito lentamente ou até ficar numa câmara de descompressão para evitar a formação de bolhas de azoto nos músculos.”

Crédito: killpop

2 comentários

1 ping

  1. qual é o nome do planeta que possui oxigeno?

    1. Terra 🙂

  1. […] (aqui). Neil Armstrong. Sally Ride. Chris Hadfield. André Kuipers. Shenzhou-9. Taikonautas. Robô. Sobreviver no Espaço. Coçar o Nariz. Selfie. Selfie espacial. Estação Espacial Internacional (passagem). Satélites. […]

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