Surpresas na rocha Jake

A rocha Jake Matijevic numa versão contrastada de uma imagem obtida pela MastCam do robot Curiosity, a 21 de Setembro de 2012. Na imagem estão assinalados os locais onde foram apontados dois instrumentos diferentes para estudar a composição da rocha. Os pontos a vermelho são os locais onde a ChemCam disparou o seu laser a 21 e a 24 de Setembro de 2012 (sóis 45 e 48 da missão). Os círculos a preto e branco são imagens captadas pela ChemCam para observar os orifícios criados na superfície da rocha pelo laser. Os círculos a roxo indicam os locais onde o instrumento APXS realizou as suas primeiras análises em Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS.

No caminho para Glenelg, a equipa da missão Curiosity seleccionou uma rocha com uma curiosa forma piramidal como primeiro alvo científico para o instrumento APXS (Alpha Particle X-Ray Spectrometer). Denominada Jake Matijevic, em honra ao engenheiro da NASA Jacob Matijevic, falecido a 20 de Agosto de 2012, a rocha era aparentemente um vulgar exemplar dos basaltos estudados em Marte pelas missões Spirit e Opportunity, pelo que os cientistas saberiam à partida o que esperar nestas primeiras análises. Para sua surpresa Jake revelou ser um tipo de rocha ígnea nunca antes encontrada no planeta vermelho.
“Esta rocha tem uma composição muito semelhante a invulgares, mas muito conhecidas, rochas ígneas encontradas em regiões vulcânicas na Terra”, afirmou Edward Stolper, um dos investigadores da missão, na conferência de imprensa da passada quinta-feira. Os espectros obtidos pelo APXS mostram que, comparativamente aos basaltos encontrados pelos robots Spirit e Opportunity na cratera Gusev e em Meridiani Planum, Jake é pobre em magnésio e ferro, mas rica em elementos como o sódio, o alumínio, o silício e o potássio, elementos típicos dos feldspatos alcalinos, minerais nunca antes observados em Marte, porém vulgares nos granitos terrestres. Na Terra, este tipo de composição química resulta de processos ocorridos no manto, em magma relativamente rico em água, cristalizado a elevadas pressões. Os investigadores da missão vão, no entanto, aguardar por novos dados antes de se pronunciarem sobre os processos que estiveram na origem de Jake.
Os resultados do APXS parecem confirmar as observações realizadas pela ChemCam na rocha Jake e noutros alvos anteriores. “A ChemCam tem observado composições sugestivas de feldspato desde Agosto, e agora estamos perto de confirmar essas observações com os dados do APXS, embora existam ainda mais testes adicionais a realizar”, afirmou Roger Wiens, investigador principal da ChemCam. O estudo da composição química de Jake é apenas uma pequena amostra das capacidades do robot Curiosity e das muitas surpresas que estão reservadas no caminho até o monte Sharp.
Aconselho-vos a leitura adicional do artigo da Emily Lakdawalla sobre este assunto (ver aqui), onde encontrarão uma análise mais aprofundada destes fabulosos resultados.

2 comentários

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  1. Primeira descoberta cientifica da Curiosity (esquecendo o plástico, claro)

    1. A primeira não poderia ser a comprovação definitiva de ter havido água naquela região, vistas pelas fotos das pedras erodidas?

  1. […] Geológico. Superfície Rochosa. Rocha Pinnacle Island (mistério, vida, resolução). Rocha Jake Matijevic (aqui). Rocha Bathurst Inlet. Rocha piramidal. Aranhas marcianas. Planeta vermelho e branco. […]

  2. […] até agora percorridos no interior da cratera Gale, em particular, as paragens junto à rocha Jake Matijevic e às areias de Rocknest, e a longa estadia em Yellowknife […]

  3. […] O rover Curiosity encontra uma rocha curiosa em Marte. […]

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