Astrónomos Amadores Portugueses no Mundo da Ciência

Com este artigo pretendo mostrar que é possível a amadores fazerem trabalho científico, quer integrados em grupos de colaboração, quer por iniciativa individual.

Dou relevo aos trabalhos já publicados por membros do grupo Atalaia, como autores ou como co-autores.

O repositório de trabalhos na área da astronomia e astrofísica, SAO/NASA  Astrophysics Data System (ADS), regista neste momento 23 publicações de autoria, ou co-autoria, de membros deste grupo. O mais interventivo tem sido o José Ribeiro, seguido do João Gregório, Filipe Alves e, só como co-autores, Alberto Fernando e Luís Carreira.

A lista e o acesso aos trabalhos (papers) publicados é:

http://adsabs.harvard.edu/cgi-bin/nph-abs_connect?library&libname=atalaia&libid=4f0cb4d7fa

Outros trabalhos estão em vias de publicação, nomeadamente sobre δ Scorpii, campanha que teve relatos diários durante 10 dias, aqui e no blogue:  http://deltascorpii2011teideiac80.blogspot.pt/

Como foi possível?

Um grupo totalmente amador de membros do grupo Atalaia visitou o observatório do Roque de los Muchachos, em La Palma, em Setembro de 2003, levando de barco, via Cadiz, uma carrinha cheia de telescópios e equipamentos.

(Relato em: http://www.atalaia.org/encontro.php?id=42)

O interesse pela astronomia já lá estava, mas esta visita mostrou-nos que seria possível sonhar mais alto. Seguiu-se um período de aprendizagem e de experimentação que levou vários membros do grupo a adquirirem conhecimentos e capacidades técnicas que lhes permitiu partir para a fotometria, a espectroscopia, a pesquisa de exoplanetas, a detecção de nebulosas planetárias, etc.

O caminho teve muitas etapas, desde a participação em seminários de formação (La Rochelle-CNRS2006 e 2009), como formandos e formadores, colaborações a título individual em variados projectos, (CoRoT, ε Aurigae, Instituto Astronómico e Charles University da República Checa, estágios de espectrografia no OHP em 2007, 2008 e 2010, XO-Project com descoberta de 2 planetas extra-solares, observação de alvos fotométricos (CAUP), seguimento de exoplanetas conhecidos (AXA), participação nas campanhas YYGem, CUCcnc, PAWN,PRO/AM White Dwarf Monitoring Project, a descoberta da nebulosa planetária Alv1, artigos sobre as cores da Lua, ou, a título colectivo, (WR 140, δ Scorpii).

 

A primeira colaboração colectiva foi a campanha WR140 (ver blogue: http://afrc-mons.blogspot.pt/ ) que culminou com um Workshop no Convento da Arrábida reunindo um naipe invejável de qualificados cientistas e que foi, tão só, organizado por amadores (ver o belo relato do José Ribeiro em: http://www.astrosurf.com/joseribeiro/p_arrabida.htm)

A nossa experiência mostra que é possível fazer coisas importantes desde que se assuma a vontade de as fazer. Há 10 anos não éramos nada. Hoje este grupo leva 23 trabalhos publicados e tem outros em vias de publicação.

Que bom seria que outros tivessem o mesmo sucesso!

O conceito PROAM está numa via de transformação. Não é mais um projecto profissional que vai buscar colaboração de amadores. O contrário também é possível. O PROAM é uma via de dois sentidos.

Ninguém detém todo o conhecimento, ninguém tem todo o tempo e equipamento necessários. Um amador ou um profissional, quando passam a integrar uma equipa, passam a ser membros activos dessa equipa, independentemente do seu estatuto; cada um tem a sua quota-parte de actividade e de responsabilidade.

Ninguém, sozinho, é uma equipa, seja profissional, seja amador. Mas, quando cada um faz a parte que lhe cabe, de forma coordenada, passa a haver uma equipa e o valor da equipa é superior à soma das partes.

Quero referir que temos orgulho nas publicações acima referidas.

Mas não aconteceram por acaso.

Custaram tempo, dinheiro, viagens, noitadas, e muita dedicação.

Mas também foram uma fonte de prazer, de novos conhecimentos, de novas amizades, de novas experiências e, muito importante, de perspectivas futuras.

Links:

http://www.astrosurf.com/joseribeiro/

http://atalaia.org/gregorio/index.php

http://www.colormoon.pt.to/

 

Alberto

2 comentários

  1. Este post pode ser considerado um convite e um incentivo a que haja mais amadores a utilizar o seu hobby de uma maneira mais produtiva dando um conributo para a ciencia.

    Saudações astronómicas

    Joao Gregorio

  2. Excelente! 😀

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