“Minicurso em Astrobiologia” (considerações)

Cartaz do minicurso de Astrobiologia, leccionado por Carlos Oliveira e organizado pelo Observatório Astronómico de Santana - Açores

Cartaz do Minicurso de Astrobiologia, leccionado por Carlos Oliveira (Design: Pedro Garcia – OASA)

Com o astroPT a procurar um novo e grande passo para a sua existência (saiba aqui como nos ajudar a dar este “pequeno passo para o astroPT e uma enorme salto para os nossos leitores”) e a receber uma nova atenção dos media (até dos menos esperados, como o “5 para a Meia-noite“), achei que seria a melhor altura para dar a conhecer algum do trabalho que o Carlos Oliveira mostrou aqui no Observatório Astronómico de Santana – Açores (OASA).

Entre Outubro de 2011 e Março de 2012, o OASA dinamizou um Ciclo de Palestras sobre Astronomia, intitulado “+LUZ”, que procurou oferecer ao público em geral um conjunto de palestras com especialistas portugueses da área que, numa linguagem acessível, tentariam desmitificar e explicar algumas das questões actuais da Ciência e da Astronomia. Entre os especialistas convidados, recebemos o Doutor Carlos Oliveira para dirigir a palestra sobre o suposto fim do mundo neste ano de 2012. A palestra contou com mais de 120 espectadores presentes e quase uma centena através da transmissão pela internet. Brevemente, teremos aqui esta palestra para que todos a possam ver ou rever.

Aproveitando a sua vinda aos Açores, o OASA dinamizou um minicurso em Astrobiologia, o qual foi ministrado por Carlos Oliveira. Com o máximo de 25 participantes, as vagas foram preenchidas rapidamente.

Da parte da organização, consideramos que o curso surpreendeu por focar essencialmente questões quase “filosóficas”, fazendo as questões sobre a vida extraterrestre regressarem ao Homem. Ao contrário do que alguns poderiam prever, o curso não veio discutir a realidade ou o estudo sobre seres extraterrestres (até porque, até hoje, nada foi descoberto), antes veio obrigar os formandos a compreender o ponto de partida para criação da possibilidade da existência de possíveis vizinhos alienígenas. Foi assim um minicurso que incidiu sobre a reflexão filosófica, psicológica e científica das nossas expectativas e daquilo que realmente se poderá um dia revelar como vida extraterrestre.

Mas nem assim deixou de ser uma formação científica. As bases necessárias à reflexão crítica científica estiveram lá, tendo sido abordada a origem da vida na Terra e mergulhando os presentes no conhecimento da física e da cosmologia. Discutir a possibilidade de seres que vêm de mundos que conhecemos, ou não, pela via da Astronomia, será impossível sem se saber como esta Ciência apareceu, como se desenvolveu ao longo dos séculos e de que forma as últimas descobertas desta Ciência modificaram a nossa forma de pensar, conhecer e imaginar. Um verdadeiro passeio da Cosmologia à Cosmogonia. E seria impossível compreender a Ciência que o Homem descobriu sem se conhecer o próprio Homem: a sua evolução, o seu raciocínio, a sua imaginação e as suas bases do conhecimento. Afinal, o que esperamos do Universo só poderá ser imaginado a partir daquilo que já conhecemos: e neste caso, só conhecemos a biodiversidade terrestre e, como ser racional, o Homem.

Como o minicurso rematou: ‘The Aliens Are Us’! Assim, na consciência do limite do nosso conhecimento, nos limites da Ciência, que serve de premissa para as questões que esperamos um dia responder, compreendemos um Homem que procura vida noutro local simplesmente para poder responder à pergunta primeira, aquela que inicia todo o processo científico do conhecimento: quem somos nós? Afinal, somos um ser que ainda se está a descobrir, num planeta do qual sabemos tão pouco, que se encontra num Universo que desafia as mais simples respostas para este conhecimento.

Este resumo não é um ‘spoiler’, longe disso! Trata-se apenas de uma gota condensada que só pode ser diluída numa semana que pareceu curta para tantas questões que se perseguiu. Outra agradável surpresa foi o próprio Carlos: simpático, acessível e motivante com a sua política de intolerância ao absurdo. Mostrou saber do que falava e contagiou todos com a sua motivação e gosto por esta área tão abrangente e apaixonante.

Mas a melhor forma de mostrar o que foi produzido nesta semana de formação será ver o seguinte resumo, elaborado a partir de um questionário feito aos participantes do curso, após a conclusão do mesmo. Poderá esta leitura servir ainda como forma de sugerir às instituições interessadas este minicurso como referência interdisciplinar e solução formativa:

Aspectos positivos:
– a grande maioria dos alunos considerou o curso como muito bom, quer a nível do formador, do curso, e da organização.
– o formador teve um método de apresentação, dinâmica, interacção e abordagem excelentes. É um excelente comunicador, sendo claro e directo. Abordou a turma com simpatia, humor e descontracção, deixando os alunos sempre à vontade de participarem. Além dos conhecimentos abrangentes que demonstra, é cativante e transmite uma enorme motivação.
– a maioria dos alunos sentiu que o curso cumpriu ou superou as suas expectativas.

Aspectos negativos:
– alguns alunos esperavam um maior número de análises a casos que envolvem extraterrestres.
– alguns alunos acharam a parte histórica demasiado longa, outros disseram isso da parte de ficção científica. A parte científica poderia ter sido mais desenvolvida.
– vários alunos sugeriram uma duração mais extensa para o minicurso e até a existência de mais cursos para complementar.

O que permitiu o curso, nas palavras dos alunos:
– Perceber a mentalidade de ideias erróneas sobre vida extraterrestre.
– O facto de saber que nós humanos imaginamos tudo à nossa semelhança.
– O equilíbrio essencial entre a possibilidade e a lógica, ou seja: imaginação vs. razão. Também o equilíbrio entre razão e crença.
– Desmistificação relativamente a crenças em geral, e extraterrestres em particular.
– Sensibilização para a desinformação existente na população em geral.
– Permitiu adquirir um maior espírito crítico, baseado na evidência científica.
– Abriu novas perspectivas.
– Desenvolveu o raciocínio analítico e uma melhor forma de abordar as questões.

Como colaborador voluntário no AstroPT, e membro de uma instituição de educação científica, não deixo de sugerir que, uma vez que este projecto procura a profissionalização, seria uma mais valia oferecer este tipo de minicursos, formações e palestras como um serviço próprio da AstroPT a todas as instituições que procuram mais e melhor na Astronomia e Ciência. Qualidade já o têm. Que sirva esta artigo como uma amostra do apoio do OASA, e da minha pessoa, a este projecto que é o AstroPT.

2 comentários

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  1. Pedro, muito obrigado por estas tuas palavras! 🙂

  2. Olá Pedro!!!

    Obrigada pelo teu post e feedback! : )

  1. […] Grande Porto. Bitaites. Diário de Coimbra. Revista C. Austin. Prémio. Curso no Porto e Açores (considerações). Astrobiologia. Ensino. Pai Natal. Jantar. FNAC. Salesianos. Vizinhos Cósmicos (crenças). Da […]

  2. […] consultem as informações sobre o curso, aqui e aqui.Por fim, vou sugerir que leiam o texto escrito pelo Pedro Garcia, que inclui a avaliação do curso. Nas palavras dele:” Da parte da […]

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