Indiferença Cósmica

Super-Aglomerado da Virgem. Crédito: Andrew Z. Colvin, wikipedia

Super-Aglomerado da Virgem. Crédito: Andrew Z. Colvin, wikipedia

Na imagem acima, conseguem ver-me a mim a espreitar à janela?
Não?
A sério?

Conseguem, pelo menos, ver a Terra?
Também não???
Mau…

E a nossa Galáxia, Via Láctea?
Não me digam que não a conseguem ver! Afinal, ela é enorme!
A sério que nem sequer a nossa enorme galáxia com quiçá biliões de planetas?
Que estranho!

É que esta imagem é do nosso super-aglomerado local. Isto é uma ninharia no Universo, e mesmo assim a Terra é irrelevante?

Pois é.
Ao contrário do que nos diz constantemente o nosso Geocentrismo Psicológico (como eu lhe chamo, e que se vê em coisas tão diferentes como astrologia, deuses, religião, pensarmos em extraterrestres como nós (eles têm que ser “à nossa imagem”, não sendo mais que deuses), OVNIs que nos visitam, fantasmas, conspirações em que toda a gente está contra nós, etc), a verdade é que somos completamente insignificantes no Universo (leiam a Mensagem de Sagan).

Para mim, o que melhor retrata o Universo e a nossa posição nele, é o Princípio da Mediocridade ou Princípio da Humildade (como já vi um professor universitário lhe chamar) ou como prefiro chamar eu: Princípio da Indiferença Cósmica.

É uma expressão tirada dos trabalhos de H. P. Lovecraft, como podem ler aqui.

Se esta é a realidade do Universo, então porque temos tanta dificuldade em a aceitar?
Porque vai contra o ego humano!
Nós continuamos a pensar de forma religiosa, de forma mística e mítica, como pensávamos há dezenas de milhares de anos atrás.
Continuamos a assumir que somos importantes no Universo, e por isso achamos que essa importância tem que ser realçada.
Por exemplo, quando pensamos em extraterrestres, pensamos que têm que ser maus ou bons (segundo os nossos valores), que têm que nos vir conquistar ou ajudar (porque nós somos importantes).
A realidade, para nós, é considerada demasiado humilhante: sermos completamente indiferentes para esses extraterrestres. Por isso, temos dificuldade em a aceitar.

Para mim, essa visão não é nada humilhante. Pelo contrário.
Como diz a Amanda: “i prefer the hard truth, not a comforting fallacy”. Prefiro a verdade da realidade, em vez do conforto de uma mentira.

Não pensem que, ao pensar assim, descobri a pólvora! 😉
Xenophanes, há já 2.500 anos dizia que se as vacas pudessem falar, diriam que os deuses/extraterrestres eram vacas, e que o Universo tinha sido criado para as vacas. Ao dizer isto, ele estava a criticar precisamente o geocentrismo psicológico que persiste na Humanidade.
Mas existem pessoas mais recentes a descrever o mesmo sentimento.

Por exemplo, Richard Dawkins, em 1995, num artigo sobre a utilidade de Deus (adaptado do livro sobre a Visão Darwiniana da Vida), escreve isto:
“Nature is not cruel, only pitilessly indifferent. This lesson is one of the hardest for humans to learn. We cannot accept that things might be neither good nor evil, neither cruel nor kind, but simply callous: indifferent to all suffering, lacking all purpose.”
De forma sumária, pode-se traduzir desta forma:
“A natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Essa é uma das lições mais duras que os humanos têm de aprender.”

Já falei de Carl Sagan e da sua Mensagem.
Sagan também tem esta quote: “The universe seems neither benign nor hostile, merely indifferent.”
Citando: “O Universo não é benigno nem hostil, apenas indiferente.”

Provavelmente a melhor citação sobre este sentimento é de Robert Heinlein no livro “Grumbles from the Grave”:
“So far as I know, every such story has alien intelligences which treat humans as approximate equals, either as friends or foes. It is assumed that A-I will either be friends, anxious to communicate and trade, or enemies who will fight and kill, or possibly enslave, the human race. There is another and more humiliating possibility – alien intelligences so superior to us and so indifferent to us as to be almost unaware of us. They do not even covet the surface of the planet where we live – they live in the stratosphere. We do not know whether they evolved here or elsewhere – will never know. Our mightiest engineering formations they regard as coral formations, i.e., seldom noticed and considered of no importance. We aren’t even nuisances to them. And they are no threat to us, except that their engineering might occasionally disturb our habitat, as the grading done for a highway disturbs gopher holes. Some few of them might study us casually – or might not.”
Numa tradução livre: “Em todas as histórias com extraterrestres inteligentes, esses extraterrestres tratam os humanos como se fossem aproximadamente iguais, como amigos ou inimigos. Assume-se que os extraterrestres vão querer comunicar connosco ou comercializar connosco, ou então querem lutar connosco, matar-nos ou escravizar-nos. Mas há uma possibilidade mais humilhante: que eles sejam tão superiores a nós que nós sejamos completamente indiferentes para eles. Eles nem sequer se dão conta que nós somos vida. Os nossos maiores feitos de engenharia (como sondas enviadas pelo espaço), podem para eles parecer meras formações de coral, ou seja, nem se notam. Nós nem sequer somos uma chatice ou algo considerado como sem importância – porque nem estatuto para isso temos, já que nem sequer somos notados para ser avaliados.”

Notem que não é sequer uma questão de potenciais outras civilizações nos avaliarem e nos considerarem sem importância ou conscientemente decidirem por nos remeter à indiferença. É que nem isso existe. Nem sequer essa importância, essa atenção, temos. Simplesmente, somos tão irrelevantes no Universo, que é como se nem existíssemos.

E que melhor evidência dessa não-importância do que a imagem no topo deste artigo?

12 comentários

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    • Alexandre Araújo da Silva on 05/04/2014 at 05:33
    • Responder

    O autor continua a defender em seus argumentos a insignificância ou importância de algo no Universo baseado em escalas de tamanho. Generalizado o argumento, poderíamos dizer que o Sol, uma estrela pequena, seria insignificante perto de uma gigante azul milhões de vezes maior; essa gigante azul, por sua vez, seria insignificante perto de uma galáxia com bilhões de estrelas que, por sua vez, seria insignificante perto de um superaglomerado, e assim por diante… ora, caro colega físico, em física tamanho não conta! O próprio Universo inteiro (inteiro!), segundo as teorias mais abalizadas, começou num ponto ínfimo, praticamente sem dimensão, menor do que a distância de Plank… o onde era esse ponto? Ou melhor dizendo: onde ainda é esse ponto? Aqui, na ponta do meu nariz! Então, sim, autor, do ponto de vista físico todos nós estamos no centro do Universo! Todos os pontos do Universo, inclusive todos estes que eu o senhor ocupamos agora mesmo, são o centro do Universo! O autor diz no post acima que Saturno é lindo… ora, Saturno só é lindo porque nós assim o consideramos! Queira ou não, a beleza é um julgamento de valor humano, e Saturno não seria nada se não houvesse nós, humanos, para julgá-lo bonito ou feio. O Universo é indiferente? A indiferença pressupõe intencionalidade, e somos os únicos, até onde sabemos, que possuímos essa faculdade de entendimento, segundo conceito de Kant. Só nós, humanos, podemos ser sensíveis ou indiferentes a algo. O Universo não é indiferente a nada, simplesmente “é”. O Universo é “ser”, nada mais. Aliás, se vamos mesmo debater física, pergunto: será que o Universo é mesmo sequer o “ser”? Porque muitas teorias interpretativas sérias da mecânica quântica colocam em dúvida a própria existência do “ser” objetivo quando ausente o observador, que neste caso somos nós… tenho certeza que o autor tem algum conhecimento sobre isso. Essas teorias ainda não foram refutadas. Assim, na verdade, sequer sabemos até o momento se o Universo realmente tem uma realizada material independente, ou se é produto de nossa… mente! Um outro argumento: o Universo, segundo a 2ª lei da termodinâmica, tende sempre a um estado de maior entropia. O que quer dizer isso? Que o Universo, tendo começado, ainda não se sabe por que, num estado de maior complexidade, vai pouco a pouco se dissolvendo em estados cada vez mais simples… Ou seja, o Universo, que já é uma entidade bem simples, tende por uma lei física a ser cada vez mais simples, mas há uma exceção! Uma única exceção em todo o Universo! E que exceção é essa? A vida! Sim, a vida é a contrarregra, a contramaré, a grande lutadora contra a lei da entropia, porque as leis físicas dos sistemas vivos tendem sempre à complexidade. Enquanto o Universo como um todo se torna lentamente cada vez mais igual, uniforme, simples, difuso, a vida, com seu sistema de leis próprias, tende à especialização, à complexidade, à diferenciação. Se um ser fora de nosso Universo nos desse a tarefa de encontrar o ponto de maior complexidade dentro desse mesmo Universo, como nos desincumbiríamos? Depois de vagar bilhões e bilhões de anos tediosos vendo somente as mesmas nuvens e nuvens de hidrogênio flutuando no vácuo quântico, bateríamos na Terra, onde se desenvolveu toda uma complexidade de sistemas físicos baseados em carbono e metais pesados… e quando chegássemos ao cérebro humano, teríamos de dizer: esse é o sistema físico mais complexo do Universo; aqui, o Universo chegou em seu ponto mais alto de organização e de complexidade de seus componentes. Em outras palavras: aqui, no cérebro humano, o Universo alcançou seu maior contraponto perante sua destruição, que é sua entropia, sua tendência à dissolução na simplicidade. Como último argumento, digo que não sabemos se a inteligência será algo efêmero ou passageiro. Dizer isso é pura especulação e não tem qualquer respaldo em evidências. A inteligência é algo relativamente novo no Universo, e não sabemos ainda qual seu papel no desenvolvimento do Cosmos. O que é inegável é que a inteligência, da qual somos os únicos detentores conhecidos, é um componente físico no Universo como qualquer outro: de acordo com as lei do Universo, pode perecer, sim, mas também pode ser que se torne mais e mais poderosa, a ponto de um dia influir na própria evolução física do Universo. James Gardner especula com essas hipóteses no livro “O Universo Inteligente”, e suas ideias, ainda que sejam pura especulação, são de interessantíssima leitura. Em conclusão, o autor não percebe que está utilizando a mesma visão antropocêntrica que tanto critica ao dizer que o Universo é indiferente a isso ou a aquilo… isso é antropoformização de um ser inanimado, no caso, do próprio Universo. O Universo não é sensível ou indiferente a nada, o Universo somente “é” e pronto. A filosofia já resolveu o problema do “ser” há mais de 100 anos. Quem pode ser sensível ou indiferente a algo são apenas os seres vivos dotados de sensibilidade, como as formigas, ou de sensibilidade e de faculdade de entendimento, como nós, seres humanos.

    1. O comentador está, mais uma vez, totalmente errado.

      Sim, a insignificância também se vê em escalas de tamanho. Um ponto de poeira no Universo é indiferente em relação a uma estrela super-gigante. Negar isto, que é tão óbvio, já diz bastante da forma de pensar do comentador.

      Não, eu não sou seu colega, nem sequer sou físico. Mas para isso precisava de ler o que diz “acerca do autor”.
      Como não leu (quer-me parecer que nem leu isto nem outras partes), então resolveu assumir coisas erradas (como o fez também noutras partes dos comentários).

      Tendo em conta que o centro está em todo o lado, então nenhum ponto nem nenhum local é especial.
      Mais uma vez, o princípio da mediocridade em ação. Parabéns por dar um argumento que prova o meu post.

      Não sei onde viu eu a dizer que Saturno é lindo.
      Suponho que uma consulta no oftalmologista está fora de hipótese?
      Lamento, mas não somos psicólogos, por isso não o podemos ajudar neste ponto em particular.

      Não, a indiferença não pressupõe intencionalidade.
      Uma formiga no deserto do Sahara é completamente indiferente a mim. E não, ela não tem qualquer intenção sobre mim.
      De resto, convido-o a falar com o Dawkins, ele melhor que ninguém pode-lhe explicar aquilo que nitidamente precisa aprender.

      Quanto à mecânica quantica, bem, que se pode dizer? Também cura cancros pela quantica ou ainda não?

      Quanto à Termodinâmica e vida, bem, se tudo o resto são disparates, o que será mais este tema? Acertaram! Mais um disparate.
      Como deveria saber, está-se a falar de um sistema aberto, que recebe energia do exterior, incluindo do Sol, e que “despeja” entropia. Como é óbvio, a vida não viola a termodinâmica. Aliás, se violasse, não existiria vida. É tão simples quanto isso.
      Mas já se percebeu que para si o simples, é demasiado complexo.

      A entropia global não pode diminuir. E não diminui.
      Já a entropia local pode diminuir, evidentemente, logo que a entropia total do sistema aumente. É o caso da vida e de várias outras coisas (exemplo: fazer gelo nos frigoríficos/geladeiras, onde a entropia local da água diminui).

      Mas este seu argumento, que é muito dado por criacionistas ignorantes do que é ciência, mostra bem quem é o Alexandre.
      Obrigado por nem sequer tentar esconder a sua ignorância e os seus argumentos ignorantes criacionistas.

      Sugiro estas páginas:
      http://www.talkorigins.org/faqs/thermo.html
      http://www.talkorigins.org/faqs/faq-misconceptions.html#thermo
      http://www.talkorigins.org/indexcc/CF/CF001.html

      Mas já se percebeu que não vai ler porque o conhecimento põe em perigo as suas crenças ignorantes, não é?

      Recomendo também que fale com o Dawkins ou no mínimo leia os livros dele.
      Mas aposto que também não o vai fazer porque tem medo do conhecimento científico.

      Quanto à Terra ser o ponto alto da organização, que mais posso fazer senão rir-me às gargalhadas?
      Sim, Alexandre, você vive no ponto mais importante do Universo e foi feito à imagem do seu deus há 6.000 anos atrás. Não perca essa sua crença aparvalhada de que você é o que de mais importante existe no Universo.

      Se calhar, a inteligência ser efémera até tem algumas evidências. Novamente, sugiro que leia sobre isso.

      Mas gostei de ver a sua segurança em dizer que a inteligência é algo novo no Universo. É óbvio. Você sendo o que de mais importante existe no Universo, então nenhuma inteligência poderia ter nascido antes de si noutra parte do Universo.

      Parabéns. Cada frase que você diz, consegue regredir centenas de anos no conhecimento humano.

      Eu tenho o livro do James Gardner aqui comigo. Dispenso totalmente as suas interpretações sobre o que ele diz. Obrigado.

      Em conclusão, o comentador continua fechado numa visão da idade média, devido a uma crença fundamentalista baseada na ignorância científica dos assuntos.

      Alexandre, este debate termina aqui.
      Já se perceberam os meus argumentos baseados no conhecimento científico.
      E já se perceberam os seus argumentos criacionistas (o argumento da entropia é um clássico) baseados na ignorância dos assuntos.

    • Alexandre Araújo on 30/03/2014 at 18:06
    • Responder

    Discordo completamente! O autor baseia a insignificância do ser humano perante o Universo unicamente em escala de tamanho! Talvez lhe tenha faltado uma reflexão mais detida sobre o tema… Para começar, se é verdade que o Universo é realmente vasto, muito mais do que talvez possamos imaginar, é não menos verdade que é composto quase que em sua totalidade pelos mesmos três elementos simples: hidrogênio, hélio e lítio. Só. Nuvens e nuvens de gás, uma infinidade delas, algumas queimando em enorme compressão, e nada mais. Algumas poucas leis governam essa massa inerte e tudo é tediosamente invariável, silencioso e, diria, estupidamente determinado pela necessidade de leis matemáticas. O Sol é belo? Quem vê beleza e garbosidade no Sol são os humanos: a beleza é sentimento unicamente humano, até onde se sabe. O Sol é na verdade uma bola de gás comprimido em combustão, estúpido e inerte em sua necessidade inafastável. Nada nele é especial, pois existem trilhóes e trilhões de bolas exatamente como esta, igualmente estúpidas em sua necessidade, restritas à obediência cega de leis das quais sequer têm conciência. Já o homem, até onde nosso conhecimento alcança, é algo raríssimo e realmente especial. Só existem 6 bilhôes, todos na mesma frágil localização espacial. São, considerados individualmente, os sistemas físicos mais complexos já observados no Universo; aliás, o cérebro humano é o sistema físico mais complexo, cujas trilhões de conexões superam o número de estrelas no Universo observável! O sistema físico “ser humano” é tão complexo, que há muito transgrediu a lei estúpida da necessidade e agora, livre, segue o princípio da intencionalidade. Único ser no Universo inteiro dotado de consciência (em seu estado superior), somos os guardiões solitários dos próprios olhos do Universo: somos o produto do Universo tentando se enxergar e se entender… Se o Universo fosse interpretado como equações, todo ele seria uma vastidão interminável de repetições das mesmas quatro ou cinco operações aritméticas simples, exceto no que diz respeito aos… humanos! Nesses, as equações ganhariam tanto em complexidade, que talvez nossa matemática tenha de evoluir milênios para começar a poder traduzi-la. Dito isto, é inconteste que o ser humano é não só especial, mas o ápice (até onde sabemos, ressalte-se) da especialidade do Universo; no ser humano, o Universo desenvolveu até agora sua mais possível potencialidade, sua mais possível complexidade. E sabemos que quanto mais complexo um sistema físico, mas instável tende a ser. Talvez por isso a fragilidade e a efemeridade do ser humano. Seu cérebro é frágil, suas condições de existência são complexas e seu habitat é frágil; também seu tempo possível de permanência é diminuto. Mas mesmo a impermanência o ser humano conseguiu driblar por meio da intencionalidade: desenvolveu um sistema de comunicação (a escrita) que permite a transmissão de parte de sua consciência ao futuro, a outras gerações de consciências superiores como a sua. É por esse conhecimento acumulado que sabemos hoje que o Universo é do tamanho que é, quais são sua principais leis e do que é feito. Por tudo isso, acho este texto do autor, com todo o respeito, infantil e simplista, praticamente todo calcado no puro senso comum. Fico irritado toda vez que escuto algum argumento tolo deste que pretende minimizar a inigualável realidade humana baseado apenas em escalas de tamanho. Um físico minimamente respeitável aprende logo a pensar além desse tipo de comparação e percebe que no Universo as escalas de tamanho não tem muita relevância quando se julga a importância de um sistema físico.

    1. Típico comentário antropocentrico de quem pensa que é a coisa mais maravilhosa no Universo.

      As formigas dizem o mesmo…

      E os próprios Humanos disseram o mesmo durante séculos…

      Pelos vistos, alguns ainda não evoluíram…

        • Nuno on 31/03/2014 at 14:57

        Boa tarde Carlos Oliveira

        Não somos nós o produto do Universo? Dizer que nós somos indiferentes neste Universo, é o mesmo que dizer que a gravidade é indiferente. Será difícil entender que tudo, absolutamente tudo neste Universo, ocupa o seu lugar distinto e de relevada importância no conceito?

        As formigas têm o seu papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas, porque não haverá o Ser Humano de ter o seu papel no Universo (não o incluiria no equilíbrio do Universo – daí o que nos distingue das restantes espécies deste planeta)?
        Se falarmos em termos de escala, sim é verdade que somos demasiado pequenos para a estapafúrdia que criamos e esse, julgo eu, é a mensagem subjacente ao que o Carl Sagan diz.

        Sobre a indiferença ou não para os Extraterrestres, já tenho dito que existe um pensamento sempre subjacente a estes tipo de “nuestros hermanos”, é a de que são sempre mais evoluídos do que nós, porque não colocarmos a hipótese de existirem também menos evoluídos? Eu inclino-me para as duas hipóteses.

        Nós somos de facto, a coisa mais maravilhosa do Universo conhecida até hoje.

        Abraço.

        PS: Gosto muito de discutir este tipo de temas. Obrigado pelo Post.

      1. Olá Nuno,

        O Universo existiu durante mais de 13 mil milhões (bilhões, no Brasil) de anos sem humanos e vai existir ainda centenas de milhares de milhões (bilhões, no Brasil) de anos sem nós.
        Nós, as formigas, as gaivotas, os dinossauros, somos todos espécies demasiado passageiras, insignificantes e indiferentes (para o Universo) que vivem na superfície de um praticamente invisível pedacinho de poeira no Universo.

        As espécies vêm e vão… o ecossistema reequilibra-se… ninguém é mais ou menos importante e ninguém é insubstituível.

        E para grande parte do Universo nem sequer é importante a vida. Marte é fantástico e Vénus também. Não é preciso existir vida para serem fantásticos e pertencerem ao Universo.

        Não, não somos “o” produto do Universo. Assim como não somos “o” destino da evolução.

        abraços!

    • José Simões on 30/03/2014 at 17:06
    • Responder

    A Via Láctea é quase de certeza aquela em cima do “p” em Group. A à direira do “p” é Andrómeda, O grupo local só tem 2 galáxias de jeito com Andrómeda ligeiramente maior.

  1. “Simplesmente, somos tão irrelevantes no Universo, que é como se nem existíssemos.”

    Acredito que nestas situações em que nos deparamos com a magnitude do universo, devemos sim ter mais humildade enquanto indivíduos, notando que o alcance dos nossos atos a curto prazo é ínfimo, porém enquanto civilização temos importância sim, e essa importância reflete os atos diários, quase que “irrelevantes” de todos os seres humanos que compartilham este mesmo terreno.

    Pense nas atitudes do seu bisavô, ou mesmo avô, como não seria diferente a sua vida hoje, ou talvez você nem existisse, agora multiplique estas consequências por milhares de gerações à sua frente. Eu diria que seu bisavô ou avô foi extremamente importante.

    Não é porque não estamos nos comunicando com outras civilizações mais ou menos desenvolvidas que nós, ou nos espalhando pelo universo, que não somos importantes. Apenas por sermos potencial para tais feitos, somos sim importantes. E creio que seja impossível uma civilização ignorar a outra ao ponto de não ser notada, vejo isso pelas tribos indígenas na amazônia que não têm e talvez nunca tenham tido contato com a nossa sociedade moderna.

    Apesar de não serem contactadas, é sempre uma surpresa vê-las por uma vista aérea, e nos gera curiosidade, por mais que talvez não tenham nada a nos oferecer, o fato de não haver contato foi uma decisão à fim de proteger a aldeia. E a troca sempre existe, muitas dessas tribos têm algo a nos ensinar, por mais que tecnologicamente sejam muito mais atrasadas.

    O universo continua sem nós, porém estamos aqui, e portanto, creio que sejamos importantes sim, e consequentemente relevantes.

    Entendo que tenha feito uma crítica a supervalorização da nossa existência frente ao universo, e concordo que não deva existir este “Geocentrismo Psicológico”, porém discordo que não tenhamos importância, acho que este raciocínio vai de um extremo à outro.

    1. O Henrique cometeu o erro de pensar em civilizações aproximadamente iguais a nós. Cometeu o erro que o Heinlein referiu e que está no post. Cometeu geocentrismo psicológico.

      Será que uma formiga tem importância na sua vida?
      Será que a formiga quando sobe a sua perna consegue compreender quem é o Henrique?
      A resposta para as duas perguntas é: não.

      abraços

    • Olinda Marques on 06/01/2013 at 21:01
    • Responder

    Você é um farol pelo qual os jovens deveriam se guiar! Obrigada por seu trabalho e sua generosidade! Encantada e honrada em tomar ciencia de seu trabalho!

  2. Excelente post. No fundo, todos os seres humanos pensam assim. Sempre ouvi a minha mãe dizer que não somos nada na imensidão deste universo. Mas se por uns momentos pensamos assim, no dia seguinte voltamos esquecemos tudo e voltamos ao geocentrismo psicológico que é falado no texto.

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