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Jan 22

A exploração espacial faz algo por nós?

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É uma pergunta que alguns levantam. Esta questão foi ilustrada recentemente num grupo do facebook conhecido como I fucking love science. Foi mostrada uma imagem a qual  continha uma pergunta de uma pessoa que questionava a exploração espacial. Foi mais longe ao dizer que a exploração espacial não tinha qualquer impacto directo na economia norte-americana. E rematou ainda com:  “mera ficção científica”. Bem, a resposta não se fez esperar…

“Um estudo da NASA de Novembro de 1971, por intermédio do Midwest Research Institute de Kansas City, MO concluiu que os 18 773 000 000 euros (no original: 25 mil milhões de dólares americanos; com taxa cambial à data do artigo) gastos em 1958 na investigação e desenvolvimento direccionados para o espaço, durante o período de 1958-1969, tiveram um retorno de 135 936 973 000 euros (no original: 181 mil milhões de dólares americanos) para o público norte-americano. Este período, 1959-1969, era APENAS o período da exploração espacial pela NASA. Mesmo actualmente, as maiores fatias do orçamento da NASA lidam DIRECTAMENTE com a exploração espacial. Em cada missão – o autómato (de rover) enviado a Marte, um telescópio espacial, uma sonda para estudar o Sol – surgem dois grandes efeitos multiplicadores. Em primeira instância, é inventada nova tecnologia sempre que há uma missão. São inventadas novas coisas dentro da NASA pois nada tinha sido inventado até então para essa missão em específico. Essa tecnologia é patenteada e licenciada a companhias americanas. A NASA tem feito isto dezenas de milhares de vezes. Muitos objectos do dia-a-dia que nós tomamos como garantido tiveram a sua origem no programa espacial americano. Muitas das tecnologias emergentes (spin-off) que resultaram do esforço para explorar o espaço têm criado integralmente indústrias novas. Coisas como previsão meteorológica, o dispositivo de assistência ventricular e pneus radiais melhorados (os quais a Goodyear agora usa). O telescópio James Webb Space Telescope, por exemplo, ainda não foi lançado e a indústria da oftalmologia teve já um enorme desenvolvimento, por exemplo, através da tecnologia sensorial de “fronte de onda” , a qual pode medir a “topografia” do olho em segundos ao invés de horas. Em segunda instância, há impacto monetário directo dos projectos da NASA. A NASA não fabrica tudo sozinha… contrata a maioria das suas necessidades a companhias americanas, como a Boieng, por exemplo, e, muitas, muitas companhias pequenas em todo o país. E isso reflecte-se igualmente em todos os estados dos EUA. Por exemplo, a Glenn Research Center da NASA sediada em Ohio, teve uma receita de 901 104 000 euros (no original: 1,2 mil milhões de dólares americanos), criou 8 051 empregos e gerou 301 569 472 euros (no original: 401,6 milhões de dólares americanos) para as receitas financeiras domésticas só para o ano de 2007 (estudo realizado pela Cleveland State University). Em 2011, a NASA investiu 675 828 000 000 euros (no original: 900 mil milhões de dólares americanos) no estado de Florida e 613 501 640 000 euros (no original: 817 milhões de dólares americanos) no estado de Alabama. Todo este dinheiro vai para os cidadãos daqueles estados, criando empregos que afectam as indústrias naqueles estados e está directamente relacionado com o esforço da NASA para explorar o Universo. O efeito multiplicador da NASA pode ser sentido em todos os estados dos EUA. Sei que politicamente é fácil queixar-se da NASA porque PARECE que não nos ajuda economicamente. Contudo, eu asseguro-vos que a NASA contribui com um retorno muito maior que a maioria das coisas que o governo americano faz. E, mais importante, enquanto o resto do mundo (Brasil, Índia,  China e Rússia) apanha rapidamente os EUA ao nível da produção e economia, os EUA parecem estar a perder a sua vantagem.  Mas não no espaço. A NASA é um trampolim económico para os EUA – ninguém no mundo pode fazer o que nós fazemos pelo espaço.”

Acerca do autor(a)

Jorge Almeida

Jorge Mota Almeida é astrónomo amador desde 2000. Possui um dobson de 8” e um PST (telescópio solar).

Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores – Telecomunicações pela Universidade de Coimbra. https://coimbra.academia.edu/JorgeAlmeida.

Licenciatura em Biologia/Geologia.

Leccionou em várias escolas secundárias.

Formação em Entomologia Forense e Aracnologia.

Foi colaborador de gabinete médico-legal.

Fascinado por eclipses, dípteros e com vista ao Mirovedenie – estudo do Universo.

Fanático de macrofotografia que pode ser apreciada em Superegnum.

2 comentários

  1. Jonas

    Os EUA podem dormir em paz.

    Com 1/5 da população sendo analfabeta funcional e 38% dos estudantes universitários, idem, o Brasil não dará trabalho.

    E não estou citando os analfabetos.

  2. rsm

    As pessoas que questionam os investimentos na exploração espacial e estudos científicos deveriam se perguntar também porque há tantos investimentos milionários em esportes, artes, cinema, televisão, música etc etc etc.. Afinal, se de acordo com a cabeça dessas pessoas a exploração espacial é um desperdício que não ajuda em nada a dizimar a miséria e a fome no mundo, assim também é com o futebol, o cinema, a música e milhares de outras coisas… Porque gastamos milhões de dólares na industria cinematográfica para produção de ilusões que não “enchem a barriga” de ninguém? Assim poderiam pensar os críticos também em relação ao futebol, as olimpíadas… Afinal, porque disputar medalhas enquanto milhares passam fome? Ou ainda, porque ouvir música ou ir a shows ou assistir a programação (nem sempre educativa) da TV a cabo, enquanto milhares de crianças não tem onde estudar, não tem onde dormir ou sequer comer? Porque não usam os mesmos questionamentos enquanto assistem as novelas ou o Big Brother na TV? Ou enquanto usam o Facebook para espionar e fofocar sobre a vida alheia? Ou enquanto estão usando o GPS para localizar um pizzaria no quarteirão mais próximo de casa? Ou ainda, pq não questionam isso tudo enquanto passaram horas pesquisando pornografias na Internet ? Engraçado como as coisas são…

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