Jan 25

O Escaravelho-africano usa a Via Láctea para se orientar com a sua bola de excrementos.

Ora aí está a Via Láctea, o caminho de leite para eu me poder orientar. O insecto desempenha uma dança que poderá ser o seu modo de afinação da sua orientação.

Ora aí está a Via Láctea, o caminho de leite para eu me poder orientar. O insecto desempenha uma dança que poderá ser o seu modo de afinação da sua orientação.

Sumário:

Quando a lua está ausente do céu noturno, as estrelas permanecem como celestes pistas visuais. No entanto, é apenas nas aves, focas, e nos seres humanos que é conhecida a utilização das estrelas para orientação. Os Besouros africanos enroladores de bolas de esterco exploram o sol, a lua, e o padrão de polarização celeste para se moverem ao longo de caminhos em linha recta, longe da intensa competição pela pilha de esterco. Mesmo em noites limpas e sem luar, muitos besouros ainda se conseguem orientar por caminhos em linha recta. Isto levou-nos a colocar a hipótese de que os escaravelhos exploram o céu estrelado para orientação, um feito que até agora, tanto quanto é do nosso conhecimento, nunca foi demonstrado num insecto. Aqui, mostramos que os escaravelhos transportam as suas bolas de esterco por caminhos em linha recta sob um céu estrelado, e que perdem essa capacidade em condições nubladas. Num planetário, os besouros orientam-se igualmente bem quando sob um céu estrelado completo assim como quando apenas a Via Láctea está presente. O uso desta sugestão bidireccional celeste para orientação tem sido proposto para vertebrados, aranhas, e insectos, mas nunca foi comprovado. Esta descoberta representa a primeira demonstração convincente do uso do céu estrelado para orientação em insectos e fornece o primeiro uso documentado da Via Láctea para orientação no reino animal.

 

Autores

Marie Dacke

Emily Baird,

Marcus Byrne,

Clarke H. Scholtz

Eric J. Warrant

Podem ler o paper original aqui.


 

Já este carocha, ou fusca no Brasil, usa o GPS 🙂


Também achei curioso os Biólogos terem usado a expressão algo arcaica “reino animal.” Porventura não terão visto os fungos nos excrementos do Scarabaeus viettei.

No entanto, a Drª Marie Bracke e os seus colegas estiveram de facto muito atentos, e para além de terem feito esta descoberta excepcional ainda afirmam que, muito provavelmente, a dança algo bizarra que estes animais desempenham no topo das suas bolas de excremento possa ser a forma deste insecto enquadrar as suas medidas de observação para orientação astronómica.

Que grande lição nos traz este fantástico animal. Literalmente da decomposição dos excrementos para o disco equatorial galáctico, o caminho das estrelas que vemos em noites limpas, sem luar.

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5 comentários

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    • Jorge Almeida on 25/01/2013 at 21:12
    • Responder

    Há coleópteros que usam a luz polarizada para se orientarem, bem como certos dípteros (=moscas) que têm olhos listrados que usam luz polarizada (caso de Tabanidae, vulgo “tavões” ou “tabões” – alguns têm olhos com riscas). Não é exclusivo apenas dessas ordens supracitadas.

      • Manel Rosa Martins on 25/01/2013 at 21:51
      • Responder

      Obrigado Jorge por essa informação mais precisa, aprendo eu e aprendem os leitores 🙂

    • Ricardo Andre on 25/01/2013 at 22:04
    • Responder

    Se nao fosse este escaravelho, estávamos sob uma camada de 2,5km de espessura de escrementos!

  1. Quando vi isto no facebook, num mural de um grupo de astronomia, pensei que fosse uma brincadeira. Afinal é a sério.

    E, não sendo uma brincadeira, isto é muito, mas mesmo muito interessante.
    O comum dos cidadãos (grupo em que também me incluo), que desconhece os detalhes dos olhos de alguns coleópteros que o Jorge Almeida acima refere, sempre se habituou a pensar que era um sinal de inteligência a circunstância de já o Homem primitivo procurar padrões no céu para se orientar, para estabelecer um calendário, determinar as alturas das sementeiras, praticar certos atos religiosos, etc.

    Mas talvez esta ligação à “esfera celeste” não seja assim tão especial, já que outros seres vivos, totalmente desprovidos de inteligência (tal como nós a definimos) recorrem também a esse tipo de expediente para se orientarem e, quem sabe, para determinar a altura em que devem iniciar uma migração.

    Talvez a Astronomia não tenha na sua base uma atitude resultante da inteligência humana. Talvez resulte do instinto animal, atingido um grau incomensuravelmente maior de complexidade no Homem devido à inteligência que possui.

    • Fernando Simoes on 19/01/2014 at 01:35
    • Responder

    Muito interessante.

    Qual será o mecanismo que usam? Será que quando iniciam o percurso “tiram um print” às estrelas e depois seguem esse padrão para se orientarem?

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