Ciência ajuda pintura

Crédito: Franz Renz/Universidade de Hanôver

Crédito: Franz Renz/Universidade de Hanôver

Gustav Klimt poderá ser o autor de um fresco encontrado numa garagem em 2012.
Para se confirmar a autoria foi necessário recorrer a um aparelho desenvolvido há dez anos para as missões de robôs a Marte.

“(…) Uma investigadora portuguesa esteve na Alemanha a trabalhar com este aparelho para identificar os pigmentos da tinta do fresco. O trabalho ainda não está finalizado, mas a equipa internacional já associou os pigmentos às tintas que o autor utilizava e descobriu uma assinatura de Gustav Klimt na moldura do quadro.
(…)
Em Dezembro, Janeiro e Fevereiro, Benilde Costa esteve na Universidade de Mainz, na Alemanha, a tentar revelar o mistério. “Estava a trabalhar neste grupo em Mainz, com quem tenho uma colaboração, e era eu a pessoa que conseguia fazer as análises de espectroscopia de Mössbauer”, diz a cientista de 51 anos. É com esta técnica que ela estuda novos nanomateriais, as propriedades de ligas metálicas, a composição de meteoritos caídos na Terra ou as condições em que ânforas romanas com 2000 anos foram cozidas. Pela primeira vez, aplicou a técnica para resolver um mistério da arte.
(…)
A espectroscopia de Mössbauer serve-se da radiação gama para conhecer as propriedades de um material: um feixe de raios gama atinge o objecto, as suas moléculas absorvem a energia e emitem uma nova radiação que é detectada pelo espectrógrafo. O aparelho lê as assinaturas das moléculas e revela assim a composição dos materiais. É prático mas destrói a amostra, porque na maioria dos instrumentos ela fica entre o aparelho que emite o feixe e o detector — algo impossível no caso do estudo de uma obra de arte.
Mas em 2003 a universidade alemã desenvolveu um espectrógrafo portátil encomendado pela NASA para as aventuras marcianas dos robôs da agência espacial norte-americana: primeiro o Spirit e o Opportunity, lançados em 2003, depois o Curiosity em 2012, que foram analisar o solo de Marte. Cá na Terra, o instrumento revelou-se útil, como acontece com tanta tecnologia desenvolvida para a exploração espacial. O emissor da radiação e o espectrógrafo estão reunidos no mesmo aparelho e, neste caso, analisaram pontos do fresco sem o estragarem.
Os resultados preliminares, diz-nos a cientista, mostram que os pigmentos do quadro são óxidos de ferro e do mesmo tipo que Gustav Klimt usava na altura. O pintor tinha uma técnica diferente da do irmão. (…)”

Leiam o artigo completo no Público, aqui.

1 comentário

  1. podia botar a imagem do quadro inteiro hein… custava nada
    sou fã do klimt*

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