Crenças em extraterrestres

O nosso colaborador Rui Costa já disse tudo neste post sobre a palestra: “Em Busca dos Nossos Vizinhos Cósmicos“.
No entanto, faltou uma pequena coisa, que nem ele poderia dizer 😀

Na palestra, em muito menor escala, fiz aquilo que costumo fazer na disciplina que estava a leccionar nos EUA: um pré e um pós teste.
Neste caso, perguntei às pessoas presentes como pensavam que seriam os extraterrestres. Perguntei-lhes isto, antes e depois da palestra. O objectivo será verificar se houve alguma mudança no pensamento devido à palestra.
As respostas, obviamente, não contam para qualquer avaliação das pessoas, até porque são anónimas. Nem sequer havia o “certo” ou “errado”. Daí que as pessoas presentes poderiam dizer aquilo que realmente pensavam, sem medo de estarem erradas.

E então o que disseram os presentes?
(ou pelo menos, aqueles presentes que responderam às perguntas, que foram 183)

extraterrestrial

Vou dividir isto em 2 grandes grupos:
Visão inocente: esta visão é-nos transmitida pela cultura popular, sobretudo nos filmes, e mostra-nos seres terrestres, sobretudo humanóides.
Visão competente: este grupo divide-se em dois. Por um lado há pessoas que nos dão a visão científica, de seres fora da Terra, adaptados ao ambiente deles (Darwin), e provavelmente serão bactérias. Por outro lado, há pessoas que nos dão uma visão ainda mais sofisticada da problemática dizendo que eles são indescritíveis, que não iremos conseguir reconhecer, que são impossíveis de descrever, que estão para lá da nossa imaginação, porque o Universo não quer saber das nossas crenças, o que está de acordo com a visão da Academia Nacional de Ciências dos EUA – ou seja, a resposta neste caso será “não sei”.

Antes da palestra:
– 68% deram uma visão inocente.
– 20% deram uma visão científica e 12% deram uma visão sofisticada. Ou seja, 32% deram uma visão competente.

Sinceramente, isto são bons números, já que mostra que mesmo antes de ouvirem sobre esta matéria, já existe 1 pessoa em 3 que pensa de forma competente sobre este assunto.

Após a palestra:
– 21% deram uma visão inocente.
– 43% deram uma visão científica e 36% deram uma visão sofisticada. Ou seja, 79% deram uma visão competente.

graph

Nota-se claramente um crescimento da visão competente.
Há uma clara subida da visão científica, penso eu porque essa visão foi explicada na palestra, na parte mais científica, da evolução da vida e do caso dos extremófilos.
Já na visão sofisticada após a palestra, estão incluídos 7% que são respeitantes a respostas tais como: ETs somos nós, ETs são reflexos de nós, ETs são seres idealizados pelas nossas concepções limitadas, etc, o que são tudo ideias que procurei dar durante a palestra de que os extraterrestres que imaginamos são seres limitados por nós e que a realidade vai ser provavelmente muito mais surpreendente do que alguma vez conseguiremos conceber.

Por isso, gostei bastante deste pequeno estudo, porque me permite concluir, embora limitadamente, que a palestra teve o efeito desejado.

foto olho

Além deste estudo, foi também interessante ler outro tipo de respostas.
Algumas respostas estavam claramente na brincadeira, e por isso essas nem considerei no estudo acima.

Outras folhas, além das respostas à questão final, continham feedback sobre a palestra.
E adorei todo esse feedback, até porque me permitiu perceber que as pessoas saíram satisfeitas da palestra… algumas até dizendo que tinham “inveja” dos meus antigos alunos…

Provavelmente a resposta que mais gostei de todas, terá sido uma coincidência ou então foi escrita por alguém que lê bastante o astroPT e percebe que eu falo muito de unicórnios voadores invisíveis.
A resposta que eu adorei foi esta: “Como são os extraterrestres? São unicórnios voadores invisíveis que não sabem construir naves espaciais.” 😀

arvore

2 comentários

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  1. Não me parece que dizer “não sei” mostre uma posição muito sofisticada.
    Acredito nas capacidades da espécie humana e, assim sendo, acho que quando se conhecem bem as características de um planeta é possível imaginar alguns dos seres que lá poderiam ter evoluído. Mesmo sabendo que o resultado da evolução depende de muitos acontecimentos aleatórios.
    Obviamente que também é possível que esses ET’s se tenham desenvolvido a tal ponto que as suas actividades pareçam magia.

    1. “Não sei” parece-me mesmo a resposta mais honesta e verdadeira.

      Mesmo no nosso próprio planeta, antes da descoberta do microscópio, ninguém imaginou toda a variedade de seres microscópicos, nem as suas formas. Antes da descoberta da Austrália, ninguém foi capaz de imaginar um animal como o ornitorrinco ou o canguru.
      Porquê? Porque apesar de a nossa imaginação nos parecer ilimitada, na verdade estamos limitados pela nossa cultura, pela nossa forma de pensar, por uma visão antropocêntrica do universo e pela circunstância arrasadora de que a Natureza e o Universo se estarem nas tintas para o que nós pensamos ou imaginamos….

  1. […] Astrobiologia. Ensino. Pai Natal. Jantar. FNAC. Salesianos. Em Busca dos Nossos Vizinhos Cósmicos (crenças). Da Terra a Marte. Do infinitamente grande ao infinitamente pequeno. AAS. IJA, 33 euros, Faça-se […]

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