Grãos de topázios, vidro e areia oriundos de supernovas antigas detectados em meteoritos!

Poderão ser oriundos da supernova que forneceu os materiais do nosso sistema solar, na gigantesca empreitada que formou a Terra.

No post do Carlos Oliveira sobre o remanescente de supernova Cassiopeia A já foi anunciada a descoberta de Fe-60 (uma forma radioactiva de Ferro) no fundo dos oceanos originada nesse espantoso remanescente de Supernova.

“Este sinal aparente de ferro-60, segundo os cientistas, poderia advir dos restos mortais da magnetite (Fe3O4), que resulta de cadeias formadas por bactérias no fundo do mar, como restos da supernova radioactiva neles despejados a partir da atmosfera, depois de cruzarem o espaço interestelar quase à velocidade de luz.”

Agora, e oriundos das supernovas classe II, foram descobertos grãos de Silício, mais especificamente da substância dióxido de silício (SiO2), em meteoritos que se despenharam aqui na Terra.

composto químico dióxido de silício, também conhecido como sílica, é o óxido de silício cuja fórmula química é SiO2. No seu estado natural pode ser encontrado em diversas formas diferentes. Possui 17 formas cristalinas distintas, entre elas o quartzo, o topázio e a ametista.

A  sílica é o principal componente da areia e a principal matéria-prima para o vidro. Também é usada na fabricação de cimento Portland.

Distribuição de Elementos nos materiais ejectados pela supernova Cas A:

Cas A SNR: visualização tridimensional da distribuição do material ejectado, construída por T. Delaney usando um mapeamento Doppler com mudança de dados multivariada: verde é o raio-X emissor de Ferro; amarelo é raio-X, óptico e infravermelho emissor de Árgon e de Silício; vermelho é emissor infravermelho material ejetado que não chocou com outros materiais, o ponto cor-de-rosa representa o objecto compacto. (Crédito:.. NASA / CXC / MIT / T Delaney et al).

Cas A SNR: visualização tridimensional da distribuição do material ejectado, construída por T. Delaney usando um mapeamento Doppler com mudança de dados multivariada: verde é o raio-X emissor de Ferro; amarelo é raio-X, óptico e infravermelho emissor de Árgon e de Silício; vermelho é emissor infravermelho material ejetado que não chocou com outros materiais, o ponto cor-de-rosa representa o objecto compacto. (Crédito:.. NASA / CXC / MIT / T Delaney et al).

No caso do remanescente de Supernova Cas A não se logrou ainda determinar se esse ponto é um buraco negro ou uma estrela de neutrões.

E foram agora detectados grãos de silício em meteoritos aqui na Terra, como poderão verificar no “Abstract” deste paper científico, publicado no Astrophysical Journal do IOP- Institute of Physics do Reino Unido.

“Relatamos a descoberta de dois grãos de sílica (SiO2) de supernova nos condritos carbonáceos primitivos LaPaz 031117 e 021710 Grove Mountains.”

Tinham sido previamente reportados apenas cinco grãos de sílica pré-solares a partir de medições de laboratório, mas todos exibiam enriquecimentos de exposição ao (isótopo de Oxigénio) 17-O solar, indicando ser originários dos envelopes das estrelas do Ramo Gigante assimptótico.

Legenda: Evolução de estrelas de massas diferentes representados no diagrama de Hertzsprung-Russell. O ramo gigante assimptótico é marcado como AGB, no caso de uma estrela de duas massas solares.

“Os dois grãos de SiO2 identificados neste estudo são caracterizados por enriquecimento moderado em relação ao (isótopo de Oxigénio) 18-O solar, o que indica que eles se originaram em material ejectado em supernovas Tipo II (de colapso gravítico) . Se forem comparadas com modelos teóricos, as composições isotópicas do oxigénio desses grãos podem ser reproduzidas através da mistura de diferentes zonas de supernovas. Embora ambos os modelos teóricos de condensação de grãos e as observações do Telescópio Espacial Spitzer da NASA recentes tenham sugerido a presença de silício no material ejectado pela supernova, nenhum desses grãos havia sido identificado, até agora, em meteoritos. A descoberta destes dois grãos de sílica fornece evidência definitiva da condensação do pó de silício nos materiais ejectados pelas Supernovas.”

Esta descoberta é tanto mais surpreendente quanto o Silício não é um dos minerais que se esperava poder condensar-se nas atmosferas estelares, e até já foi apelidado jocosamente de “condensado mítico.”


Legenda: estrutura atómica cristalina adoptada por formas de Carbono (diamante) e de Silício (quartz e, Topázio). repete-se um padrão de 8 átomos.

Assim, estes grãos, em tudo idênticos mas recolhidos em 2 meteoritos diferentes serão provenientes duma só supernova que se pensa ser a explosão que forneceu os materiais que originaram o nosso sistema solar.

Embora apenas especulativa, esta conclusão indica querer impor-se pelos valores isométricos.

A Arqueologia estelar está assim a contribuir gradualmente, com uma metodologia e técnicas próprias, para desvendar o mistério das nossas origens.

A cientista Fatima SunShine Shaman, com quem comentei esta descoberta, realçava que entre as supernovas e os buracos negros o saldo era muito positivo.

De facto, esta descoberta vem dar-lhe toda a razão, somos feitos das poeiras das estrelas, e os materiais que nos rodeiam e de que somos constituídos chegaram e construíram a Terra enviados pelos jactos das supernovas e pelo espantoso transporte interestelar dos meteoritos.

Grande cérebro das matemáticas, a Fatima ainda especulava, fornecendo no ensejo todos os cálculos essenciais, que a radiação de Hawking, que este cientista estimou ser originada nos buracos negros, também terá empurrado estes materiais para a Terra se formar.

Que forma fantástica teve ela de celebrar este Dia da Astronomia!

Em baixo, uma curiosidade sobre o cimento Portland, cuja matéria prima foi cozida nas estrelas.

1908-Cimento-Portland1_thumb

5 comentários

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    • Manel Rosa Martins on 22/04/2013 at 10:51
    • Responder

    Olá Gabriel, de facto era um tom menos constructivo, desculpas aceites e não se fala mais nisso do tom. Estive a verificar os dados tods quie publiquei pois dum erro ninguém está livre.

    De facto, e de acordo com a Edição 11ª da Encyclopedia Britannica, eles estão todos correctos, incluindo o fcto da formula química da amestista ser a substância SiO2.

    Esta substância submetida a pressões e a temperaturas como as verificadas nas implosões nucleares das supernovas que já consumiram os elementos mais leves da Table Periódica resultam em compostos cristalinos como os que referi.

    Há topázios e ametistas que antes de serem lapidados já o são, como há extensões enormes de areia vitrificada, ou vidro, no Deserto, que cobrem por exmplo uma extensão região no Egipto.

    O que interessa salientar é que se pensava até esta descoberta ser apenas vulgar encontrarem-se opalinas e diamantes em meteoritos, que aliás hoje sabemos constituirem discos protoplanetários e o núcleo de exoplanetas inteiros.

    É um facto que apenas se encontraram 2 grãos em meteoritos de SiO2. E outro que o SiO2 compõe desde há cerca de 4,6 mil milhões de anos o que indica ser o disco proto-planetário do nosso sistema solar.

    Se estou a extrpolar para esta ordem de grandeza, como o faz o paper, topázios, ametistas, vidro e cimento portland são substâncais compostas vulgares (no sentido de abundância) cuja matéria-prima proveio das estrelas.

    É isso que objectivamente referi no post, pelo que de facto a sua letura, ora com serenidade, indica que se deve ali manter todas as suas palavras.

    Estava a achar insólito que um colecciondor de meteoritos não entendesse todas as implicações desta descoberta sensacional. Mas entendo perfeitamente que todos temos os nossos dias, uns mais, outros menos, felizes. Para além do mais o Gabriel foi rispído mas não ultrapssou os limites da boa educação.

    Se o conseguiu sob tamanha pressão então é um digno coleccionador de meteoritos. 🙂

    Cumprimentos.

    • Manel Rosa Martins on 21/04/2013 at 03:05
    • Responder

    Mas caso não esteja a ver repare:

    “Composição do topázio: Al2(SiO4)(F,OH) – bem diferente de simplesmente SiO2.
    -Composição do vidro: apesar de que em raros casos apenas dióxido de silício seja usado para aplicações muito específicas, os vidros comuns geralmente incluem Na2CO3, CaO, MgO, Al2O3, reduzindo o teor de sílica para aproximadamente 70% de sua composição total.”

    1) faz parte
    2- 70%
    3) quase totalmentee eu refiro o SiO2, a sílica e o Si – Silício.

    E eu refiro o SiO2, a sílica e o silício, usei e parece-me muito bem ter usado links para a Wiki para os leitores poderem ter uma referência sobre o que se está explicar.

    Mas se não acha esta notícia sensacional por si está no seu direito, eu tenho-a por absolutamente sensacional, como alías grande parte da comunidade científica, como deve ter porventura notado pelos debates que suscitou.

    Obrigado.

  1. “Grãos de topázios, vidro e areia oriundos de supernovas antigas detectados em meteoritos!”

    “O composto químico dióxido de silício, também conhecido como sílica, é o óxido de silício cuja fórmula química é SiO2. No seu estado natural pode ser encontrado em diversas formas diferentes. Possui 17 formas cristalinas distintas, entre elas o quartzo, o topázio e a ametista.”

    Receito ter que relatar que esse título está me lembrando muito aqueles jornais que usam de sensacionalismo para impressionar os leitores…

    Primeiramente vamos rever alguns conceitos:

    – Dióxido de silício (SiO2)foi encontrado nos meteoritos, realmente algo muito interessante e que aguça minha curiosidade, principalmente já que sou colecionador de meteoritos e entusiasta da área (e não estou sendo irônico).

    – Composição do topázio: Al2(SiO4)(F,OH) – bem diferente de simplesmente SiO2.

    -Composição do vidro: apesar de que em raros casos apenas dióxido de silício seja usado para aplicações muito específicas, os vidros comuns geralmente incluem Na2CO3, CaO, MgO, Al2O3, reduzindo o teor de sílica para aproximadamente 70% de sua composição total.

    – Composição da areia: composta quase totalmente de dióxido de silício, geralmente pode ser encontrado misturada nela grandes quantidades de outros minerais como carbonato de cálcio, vários tipos de micas, feldspatos e etc…

    – Sim, o dióxido de silício pode ser encontrado em várias formas cristalinas (como o quartzo, a coesita ou a stishovita) ou até mesmo amorfas (como a cristobalita), mas nem o topázio (quem nem dióxido de silício é) e nem a ametista (que é o dióxido de silício com a mesma cristalização do quartzo, mas com impurezas de Fe 3-) são formas cristalizas diferentes do mesmo.

    Então tome cuidado quando for escrever uma reportagem e não confie tanto na wikipedia assim.

      • Manel Rosa Martins on 21/04/2013 at 02:54
      • Responder

      Olá Gabriel, reparei que reforça o que está escrito neste post. O mesmo “sensacionalismo” do Institute of physics e do Physics.org.

      Deveria porventura o Gabriel ler com mais serenidade o post.

      Obrigado.

        • Gabriel on 22/04/2013 at 03:24

        Olá,
        Primeiramente quero ir direto e sem rodeios (e com Caps Look): PEÇO DESCULPAS PELO TOM QUE USEI AO COMENTAR SUA REPORTAGEM. FUI RÍSPIDO E USEI UM TOM DESNECESSÁRIO.
        Assumo que fui crítico e infantil ao comentar o que comentei, mas quero me justificar. Como entusiasta e possuidor de algum conhecimento na área de meteoritos, venho a muito tempo comentando (mais brandamente, eu juro 🙂 ) reportagens com conteúdo errado ou com interpretações erradas sobre meteoritos, meteoros e afins. Antes de fazer o comentário anterior eu havia comentado duas reportagens com conteúdo errado e ainda havia recebido uma resposta mal-educada de um rapaz de outro país que insistia que havia encontrado um meteorito. Eu estava com a paciência no limite… Isso não justifica meu ato, mas sou humano e susceptível a erros, mas quero me redimir pedindo desculpas pela forma que comentei seu texto.
        Gosto muito das postagens feitas pelo AstroPT devido a sua qualidade das reportagens cientificamente corretas e também pela análise crítica e do conteúdo das mesmas. Agora, mesmo pedindo desculpas pela forma desrespeitosa com que tratei o autor deste texto, ainda assim, tenho que ressaltar que o texto apresenta imprecisões científicas: não foi encontrado topázio, nem vidro, nem areia em meteoritos, apesar de estar totalmente correto dizer que grande parte da constituição do vidro ser dióxido de silício. Mesmo que silício e oxigênio faça parte da molécula que compõe o topázio, dizer que topázio foi encontrado em meteoritos é o mesmo que eu dizer para um joalheiro que um pedaço de quartzo está sendo vendido por mim pelo valor comercial de um topázio. Além disso, o fato da composição ser diferente entre o quartzo, o topázio e a ametista impede que nós digamos que eles sejam formas cristalinas diferentes do dióxido de silício. Por exemplo: o diamante e o grafite são formas cristalinas diferentes do carbono, mas o polietileno não é uma forma cristalina do carbono, apesar de que mais 80% de sua massa ser constituída de carbono.
        Eu li o referido paper e em nenhum momento eles falam em topázio, ametista, vidro ou coisa similar. Eu não acho que a wikipedia seja uma fonte ruim, na verdade ela é fantástica, principalmente quando estamos buscando uma introdução a um assunto que não conhecemos ou quando queremos informações rápidas sobre algo, mas para uma reportagem em um site grande como esse, que é acessado por pessoas em busca de conhecimento científico, acho que é legal ser um pouco crítico e tentar verificar a veracidade das informações. Como grande fã deste site, digo isso para que possam manter o nível das informações elevado e com a precisão científica que me cativou.
        Volto a ressaltar que acho sim a notícia sensacional já que dióxido de silício sempre foi uma questão em aberto na meteorítica, e como uma pessoal que realmente ama meteoritos, acho ela fantástica! Eu só peço para tomarem cuidado com o que é publicado.
        Peço desculpas novamente pela forma infantil com que escrevi o comentário anterior e autorizo a retirada dessa coisa horrorosa que eu chamei de comentário: realmente Manel, não fui nem um pouco sereno ao ler e comentar o mesmo, assumo que estava alterado e fui altamente indelicado. Deixo ao encargo de vocês a publicação dessa retratação/crítica/comentário.
        Feliz dia da Astronomia e desculpe pelo infeliz comentário.

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