Super-Lua só daqui a 18 anos?

A RTP teve uma proposta brilhante: ter um segmento semanal de astronomia na televisão. É excelente que se tente levar a astronomia à população a partir da televisão. Isto sim é serviço público.
A ideia tinha tudo para ser um sucesso!

Infelizmente, o “especialista” convidado para falar nesse segmento não é especialista em astronomia.
A RTP decidiu chamar para falar de astronomia uma pessoa sem formação académica em astronomia, sem formação profissional em astronomia, que dá imensos erros quando fala de astronomia, que não comunica as coisas da melhor forma, e que já deixou as poucas actividades de divulgação de astronomia há uma década atrás.
Seria o mesmo que, para falar de medicina, a RTP convidasse um trolha como se fosse um especialista em medicina.
Será serviço público enganar desta forma os telespectadores?

O segmento semanal a que me refiro é no Bom Dia Portugal, se bem que o mesmo não-especialista faz questão de prolongar os erros no programa 24 horas.
Não satisfeita com a péssima avaliação feita ao trabalho do não-especialista semanalmente, a RTP também convida o péssimo profissionalismo para ter tempo de antena no 24 horas.

A pessoa em causa é o Miguel Gonçalves (originalmente, não tinha colocado o nome dele, mas já que ele se deu a conhecer nos comentários, então ele próprio decidiu sair do anonimato e assim posso editar aqui o nome que ele deixou no comentário).
Ora, várias pessoas viram o segmento do Miguel na noite de S. João no programa 24 horas da RTP, onde foi dado grande destaque à suposta Super-Lua que só iria acontecer daqui a 18 anos.

Era um erro. Muita gente foi enganada. Com a responsabilidade da RTP, porque não procura especialistas em astronomia, foi transmitida uma informação completamente errónea para a sua audiência.

Mas erros toda a gente dá (apesar de sabermos que não especialistas dão mais erros que os especialistas nas áreas respectivas, daí nos hospitais existirem cirurgiões para nos fazerem as cirurgias e não trolhas). Por isso, erros são desculpáveis.
O que já não é desculpável é a forma como a pessoa lida com os erros: se a pessoa não consegue reconhecê-los, se não consegue avaliar a informação que lê, dá imensos erros, aproveita para fazer campanha pelos amigos que fazem ataques pessoais (“tolo”, “óculos”, “quer tirar o lugar”, “autopromoções”, etc, tudo falácias Ad Hominem de ataques pessoais, à pessoa, e não de avaliação à informação que está a ser prestada) aos seus críticos que são os especialistas que têm o conhecimento do assunto, e se nem consegue reconhecer que não é especialista no assunto (como alguém achar que deve ser reconhecido como médico, apesar de nem sequer ter curso ou trabalhar nisso), etc, então essa pessoa está simplesmente a ser um pseudo e deve ser reconhecida dessa forma (porque esse é o comportamento dos pseudos em face dos especialistas, em face do conhecimento e em face dos factos).

Ou seja, não só a RTP promove não-especialistas, apresentando-os como especialistas (numa situação que é similar à do Artur Baptista da Silva), mas também promove este tipo de pessoas que ainda gozam e negam o conhecimento dos especialistas. É uma total falta de respeito para com os telespectadores.

Porque a RTP convida este tipo de pessoas que não são especialistas, que dão vários erros, e que ainda gozam com quem diz a verdade sobre os assuntos?
Porque as pessoas confundem aspectos pessoais com profissionais. A pessoa pode passar o tempo a dar elogios aos jornalistas, que isso nada diz sobre o conhecimento que a pessoa tem ou não tem sobre determinado assunto (neste caso, a astronomia).

Infelizmente, os jornalistas que convidaram este não-astrónomo parecem denotar não saber separar as coisas. Isto não é surpreendente, já que é assim que astrólogos, mediuns, vendedores de produtos milagrosos, e demais pseudos actuais, usam esta técnica milenar muito utilizada pelos antigos vendedores de banha de cobra: aproveitam o facto da sociedade em geral não ter a capacidade de distinguir o que é verdade do que não é, não pesquisar para saber se algo é mentira, e sobretudo confundir argumentos pessoais com a realidade da informação. Este é um dos grandes problemas da sociedade actual: iliteracia científica e iliteracia funcional (as pessoas são incapazes de avaliar objectivamente a informação que lhes chega).

Uma sociedade iliterada é fantástica para quem tenta vender “gato por lebre” à população.
Sem desenvolver ferramentas de pensamento crítico, as pessoas não se podem depois queixar da política, da economia ou do que quer que seja.

A RTP promove este estado de coisas, ao escolher pessoas não especialistas para se fazerem passar por especialistas num assunto que claramente não dominam.
É pena é que a RTP se deixe levar pelo lamaçal da iliteracia.

A verdade é que o Miguel tem o 12º ano e andou num curso sem o ter acabado. Não é astrónomo. Não trabalha/ou em astronomia. E passou a última década (próximo disso) como funcionário editorial e de livraria.
Notem que não estou a fazer juízos sobre o valor dele como pessoa nem como profissional na área dele. Estou somente a restringir-me à parte profissional: se a pessoa quer ser um bom profissional de um assunto, tem que ter habilitações para isso. Neste caso, essas habilitações não existem. Ele não é astrónomo, biólogo, geólogo, advogado, jornalista, psicólogo, sociólogo, etc, etc, etc (podem pensar em inúmeras profissões). Não é uma questão de “títulos”, mas sim de conhecimento.

Claro que me podem dizer: “mas Carlos, mesmo sem ter um curso e não se pertencer à área, até se pode fazer um bom trabalho nessa área, certo?” E respondo eu: Claro!
A pessoa pode não ser da área e produzir um excelente trabalho. Mas isso é muito mais raro e muito mais difícil. Por isso é que os trolhas não são convidados para fazer cirurgias. Não é porque as cirurgias não possam sair bem aos trolhas. E não é porque os cirurgiões nunca se enganem. Mas é porque a probabilidade de um cirurgião se enganar é muito menor que um trolha. Novamente, entramos em aspectos de literacia funcional: escolher sempre aqueles que têm uma maior probabilidade de estarem correctos, e esses são sempre os especialistas, aqueles que têm o conhecimento dos assuntos.

E os especialistas não são aqueles que se dizem especialistas, mas sim aqueles que realmente estudaram os assuntos como esses assuntos devem ser estudados (os especialistas não são aqueles que “lêem umas coisas em cima do joelho”). Por exemplo, os especialistas em mecânica quântica são físicos, com cursos universitários e doutoramentos, e não aqueles que se dizem especialistas porque até são simpáticos e vos vendem informação que vos cura de todos os males.

A RTP deveria ter assim mais cuidado nos convites que faz às pessoas para irem falar de algum tema: devem convidar especialistas e não aqueles que se fazem passar por especialistas (novamente vem-me à cabeça o caso do simpático Artur Baptista da Silva).
Será que a RTP gosta de ser enganada ou de enganar os seus telespectadores?

Na semana anterior, o Miguel não-astrónomo foi à televisão falar da Super-Lua, na noite de S. João.
Ele disse muitas coisas correctas. É verdade que tentou desdramatizar o mediatismo da situação. Assim como teve expressões brilhantes, como aquela da jogada de marketing da Lua.
Mas também teve alturas em que foi bastante confuso e não foi peremptório na resposta certa (ex: ilusão óptica da Lua perto do horizonte) e houve alturas em que me pareceu que a distância não era aquela mas não posso comprovar porque não tenho o objecto (ex: martelo).
Mas mais grave foi afirmar que esta Super-Lua só aparece daqui a 18 anos. Isto é mentira!

A transcrição das palavras:
O destaque inicial do segmento é com esta frase logo a abrir: “Condições como esta noite só se vão repetir dentro de 18 anos
A meio do segmento, o Miguel não-astrónomo começou a falar no perigeu: “Eu vim à bocado do S. João para mostrar como no fundo são estas distâncias que nós estamos a falar. Hoje ao meio-dia e 11 foi o perigeu, o ponto mais próximo da Lua em relação à Terra.
E logo a seguir o jornalista, ao ouvir perigeu, pergunta: “Que só vai acontecer daqui a 18 anos?
E o Miguel não diz que não. Não é peremptório. Simplesmente complica a coisa e acaba de forma errada: “Esta conjungação de factores: uma Lua tão próxima, uma Lua Cheia, e estas condições de visibilidade; de facto só daqui a 18 anos.

Torno a repetir: isto é mentira!
O Miguel não-astrónomo decidiu “apontar o dedo” ao Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), basicamente dizendo (interpretação minha): “A minha única fonte foi o OAL. Eu não tenho culpa. Eu nem sei avaliar a informação. Por isso, repeti o que eles escreveram.

Academicamente, sabemos que é muito mau só termos uma fonte para as coisas. Academicamente, sabemos que é muito mau não sabermos avaliar as informações que lemos – é iliteracia científica neste caso. E por “academicamente” entendam: profissionalmente. Penso que uma pessoa que queira ter o máximo de mérito profissional, tenta fazer estas duas coisas que referi. Mas para a pessoa ter isso, precisa ter conhecimento e pensamento crítico, para poder notar algo estranho na informação dada, colocá-la em causa, e a seguir ir procurar a informação correcta. E o Miguel não tem ferramentas para isso.

Não sei se os nossos leitores saberiam avaliar a informação do OAL. Talvez não. Mas grande parte dos nossos leitores são leigos em astronomia. Por isso, compreende-se. O que não se compreende é que alguém que se mostra como especialista em assuntos de astronomia não tenha essa capacidade. Profissionalmente, demonstra “preguiça” ou falta de brio (como me disseram) não comparar com outras fontes nem sequer se tentar informar com quem realmente é especialista em astronomia.

Se o erro foi do OAL, que fez então o OAL?
O OAL, e muito bem, apagou o erro do seu artigo inicial, que podem ver aqui. Inicialmente estava no final do artigo a falar dos 18 anos, numa frase pequeniníssima, sem grande interesse, que qualquer especialista em astronomia perceberia que era erro incluindo comparando com outras fontes. Ao terem conhecimento do erro, o OAL, muito bem, apagou-o.
O OAL não só apagou o erro do artigo inicial, como também publicou um outro artigo para esclarecer completamente o assunto. Podem ler aqui.
Deixem-me transcrever o artigo, e colocar algumas anotações minhas.

No passado dia 23 de Junho de 2013 assistiu-se a uma das luas cheias mais próximas do perigeu, também classificada como “super lua”, designação que é recente. Considerando a informação anteriormente prestada, decidimos completá-la de modo mais detalhado e correcto.

Correcto está em itálico. Porquê? Para realçar que antes tinha sido dada uma informação incorrecta, e por isso este novo artigo pretendia esclarecer isso.

A definição de super lua é a seguinte: quando o intervalo temporal entre Lua cheia e perigeu é menor do que 1 dia e 8 horas. Pode ver nesta tabela a lista das super luas que irão ocorrer entre 2014 e 2050. Note-se que os instantes da Hora apresentam-se em TT (Tempo Terrestre) — escala que em 2013 está desviada de ≈67 seg. ao UTC — pois não se pode fazer previsão exacta desta diferença para o futuro, devido à introdução de Segundos Intercalares.
Na tabela contabilizam-se 92 super luas, correspondendo a uma média de 2,5 eventos por ano, ou seja, são raros os anos com nenhum ou apenas um evento e é comum existirem duas ou três super luas por ano, mas nem todas terão o mesmo tamanho e brilho aparentes.
Sem fazer a análise exaustiva dos valores, assinalam-se alguns casos interessantes (perigeus menores e diferenças temporais menores) a cor diferente na tabela e transcritos aqui:

Não sei se perceberam até aqui, mas eu traduzo: as Super-Luas não são fenómenos raros! Em média, acontecem 2 ou 3 por ano!
E, como nos mostrou Neil deGrasse Tyson recentemente, aqui, elas nem são muito diferentes das “normais” Luas Cheias.

Crédito: OAL

Crédito: OAL

Destes há que realçar os de 2015, 2031 e 2034 pois ocorrem de noite em Portugal e por isso apresentam as menores diferenças temporais entre o momento de observação, a lua cheia e a passagem no perigeu.
Em 2031 teremos uma lua cheia a nascer no horizonte mas estando quase no perigeu. Apesar deste perigeu não ser dos menores, a distância à Terra será muito próxima da observada em 2013, criando um efeito visual parecido ao de 23 de Junho passado.

Deixem-me realçar a Super-Lua de 2034 (daqui a 21 anos), essa sim com alguns motivos para falarmos dela (devido ao seu menor perigeu e menor diferença de horas entre Lua Cheia e Perigeu). Mesmo assim, como disse atrás, observadores ocasionais da Lua não irão notar diferenças.
Deixem-me também referir que quem me falou deste ano relevante para a Super-Lua foi o professor e astrónomo (esse sim, astrónomo) Daniel Folha.

No entanto, o ano de 2031 é referido como uma simples curiosidade, passageira, do género “ontem esteve este Sol e hoje também”, ou seja, com uma distância à Lua desse ano próxima deste ano quando a vemos no horizonte. Não relevante. Nada de especial. E por isso é que o OAL tinha colocado só uma notinha pequeníssima no final do artigo original e depois acabou por até tirar para não enganar os leigos no assunto (incluindo os leigos que se fazem passar por especialistas).

Deixem-me referir também que a expressão “efeito visual” utilizada pelo OAL nada tem a ver com a expressão “condições de visibilidade” dita pelo tal não-astrónomo na TV. Uma coisa é um efeito óptico e atmosférico e outra coisa completamente diferente é ir buscar termos à meteorologia.

A melhor situação de todas é a de 2034 pois tem-se o menor perigeu de todos até 2050. Assim, ficam as pessoas desde já convocadas para outra noite de observação astronómica no OAL no dia 25 de Novembro de 2034! Cá vos esperamos.

Se dúvidas havia sobre a relevância dos anos das Super-Luas, penso que esta frase é totalmente esclarecedora.
Quem anda pela TV a dizer 18 anos, errou!
Promover e fazer grande destaque na TV (até abrir o segmento dessa forma) sobre só daqui a 18 anos existir a Super-Lua é promover o sensacionalismo.

Infelizmente, nem assim o Miguel não-astrónomo reconhece os erros. Ele continua a afirmar, contra todas as evidências, que não errou. Continua a afirmar que os “18 anos” estava certo. A razão é simples: ele não sabe interpretar o que lê de astronomia. E continua a promover ataques pessoais entre os seus amigos (incluindo “por trás” como ele disse publicamente) – não contraria os factos, porque os factos são claros.

Este é o tipo de qualidade de “especialistas” promovidos pela RTP.
A RTP anda a promover não-especialistas, que dão erros constantes, e que nem assumem os seus erros, preferindo entrar por “guerrinhas pessoais” quando alguém especialista no assunto, lhes faz ver que erraram.
Com este exemplo, a RTP decide mostrar que este é o tipo de pessoas que decide convidar para os seus segmentos: alguém que não percebe do tema, que diz umas palavras bonitas para enganar o povo, e que após ser confrontado com os erros científicos decide partir para os argumentos pessoais.

E deixem-me realçar: este erro está longe de ser único. Os erros deste não-especialista são comuns. Como qualquer electricista obviamente daria vários erros se o pusessem na televisão a falar de medicina, também este funcionário editorial dá imensos erros quando a RTP o convida para falar de astronomia.
Pessoalmente, eu deixei de ver o segmento dele para não me irritar com tantos erros. Isto da Super-Lua só vi, porque diversos amigos meus me contactaram a dizer essa informação errónea. E ainda há cerca de talvez 2 semanas atrás (não estou certo) houve um outro erro grave que também o confirmei após receber as questões de amigos meus.

Um outro amigo nosso também viu um dos segmentos dele, sobre uma descoberta de exoplanetas, e além dele ter complicado muito as explicações em alguns casos (sinal que não domina o assunto), também confundiu exoplaneta confirmado com candidato, número de planetas descobertos, disse que Júpiteres Quentes são uma raridade quando afinal são o mais comum até agora (o que era raridade era a forma como foi visto), e parece que alguns números de distâncias também não foram bem convertidos pelo dito senhor. Mas isto foi dito publicamente no FB por um cientista português. Eu não vi o tal programa, por isso, eu próprio não posso confirmar estes dados.

Eu próprio posso confirmar, e até registei, vários outros erros do Miguel não-astrónomo.
Exemplos:
1 – trocou o evento que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos com o evento muito pior de há 250 milhões de anos.
2 – afirmou que uma estrela com meros 10 milhões de anos (de classe K) é velha (na verdade, é bastante jovem).
3 – afirmou que a “rosa” em Saturno é no pólo sul (é no pólo norte).
4 – Uma distância dita pela NASA de 4 billion miles foi traduzida pelo dito senhor como 4 mil milhões de quilómetros.
5 – Afirmou que Copérnico é que arrasou com o geocentrismo, sendo que Galileu deu-lhe só um suporte popular (certamente que não sabe o mais básico de História da Astronomia).
6 – Trocou o nome de um autor de livros, masculino, por uma pessoa do sexo feminino.

E estas são só algumas coisas que me vou lembrando de há meses atrás, quando até lia e ouvia o que o Miguel dizia. Como sabem, a minha memória até é má. Baseado nisso, posso especular que existem vários outros exemplos que nem me lembro. E, claro, existem certamente outros exemplos que eu nem sei porque deixei de o ver e ler.

É certo que o Miguel até tem uma boa forma de comunicar as coisas. Reconheço isso.

Por outro lado, mesmo nessa área tem falhas. Como nunca aprendeu realmente a comunicar ciência (mais uma habilitação que lhe falha), a verdade é que se nota que complica por demais algumas explicações (por não dominar o assunto) e por vezes fala em comparações de massa, mil milhões de anos, anos-luz, e coisas deste género, que qualquer pessoa que esteja em casa a ver TV obviamente que não faz a mínima ideia do que querem dizer esses termos (com uma cadeira de Introdução à Comunicação, penso que estas coisas poderiam ser melhoradas… mas para isso, ele precisava querer, e poder, aprender e não só aparecer).
Na minha opinião, por vezes também mostra um conhecimento demasiado superficial dos assuntos. E isso nota-se mais naquilo que expliquei agora: não sabe depois explicar e complica aquilo que é simples. Mas pronto, isso é porque verdadeiramente ele não domina os assuntos, porque objectivamente nem é astrónomo nem trabalha em astronomia.
E de quem é a culpa disto? Da RTP por convidar pessoas que não dominam determinado assunto para comunicar tão mal sobre esse assunto.

Também me chateia ele não dar o crédito a quem o tem. Se ele não é astrónomo nem trabalha em astronomia, obviamente que aquele conhecimento é de outras pessoas (fontes).
Chateia-me muitíssimo a falta de rigor científico, ou melhor, nem é o rigor científico, até é mais simplesmente: ele não dizer as coisas correctas (como nos exemplos que dei em cima). Isso sim, para mim, é muito grave! Porque qualquer leigo pode ir ao Google e ver as informações certas nos locais credíveis. Pode até nem entender as notícias, mas no mínimo deve saber ler as informações certas.

Também pelo que aparenta, nada faz para prevenir os erros. Exemplo: pagar a especialistas, a consultores de astronomia, a astrónomos, para lhe explicarem os assuntos de astronomia antes de ele os ir dizer para a TV ou publicamente no seu mural de FB. Não custava muito e não perdia muito tempo, e certamente que em vez de errar, prevenia muito mais a existência desses erros (e até o fazia compreender melhor os assuntos para assim os poder explicar melhor). Mas isto aparentemente não é feito.

A minha pergunta continua a mesma: porque a própria RTP não convida um especialista em astronomia, que domine o assunto?
Porque a RTP decide convidar alguém como a Maya ou o Giorgio Giorgio Tsoukalos que falam muito bem e contam muitas histórias, mas que de astronomia nada percebem?
Será isto serviço público? Convidar não-especialistas e enganar a população ao apresentá-los como se fossem especialistas?

Como é que a RTP pode convidar alguém para falar de um assunto, sem essa pessoa ter habilitações para isso, sem ter formação académica, sem ter formação profissional, sem ter o cuidado de estudar os assuntos, que tem um conhecimento superficial do assunto, e que dá imensos erros? Como é que a RTP não avalia a informação que ele dá? Como é que a RTP pode ser incompetente a este ponto?

É certo que ele pode dar as opiniões que quiser, sobre astronomia, sobre direito, sobre economia, o que seja, mas quem o quer convidar para algo, deveria ter um mínimo de cuidado de saber se aquilo são opiniões informadas ou não. E a verdade é que as opiniões são todas iguais, seja um assunto ou outro.

Será que a RTP gosta de cuspir na cara dos astrónomos portugueses?
É uma vergonha o que estão a fazer aos excelentes astrónomos portugueses!
Porque a RTP ostraciza os astrónomos portugueses?
Porque a RTP pretere os astrónomos portugueses, em favor de alguém que utiliza a estratégia do Artur Baptista da Silva?

É certo que recentemente tivemos o caso em Portugal de Artur Baptista da Silva, que se fez passar por coordenador de uma equipa da ONU sem o ser e com isso enganou muitos jornalistas e fez entrevistas na televisão. Neste caso, a diferença é que o Miguel é honesto: ele afirma peremptoriamente que não é astrónomo. Mas os jornalistas, mesmo assim, não entendem. Parece que a simpatia e as cunhas estão acima da meritocracia. É isso que a RTP deixa entender.

Sinceramente não entendo como a RTP pode tomar decisões destas, em que o resultado é ter a sua audiência enganada pelas informações incorrectas que são transmitidas por alguém que não domina o assunto.
Com tantos astrónomos em Portugal, porque a RTP decide convidar alguém que não o é?
Com tantos bons comunicadores em Portugal, porque a RTP decide convidar alguém com tantas falhas?
Porque a RTP privilegia a mediocridade, desprezando a meritocracia?

Se calhar, como defendia George Orwell, o interesse é ter uma sociedade ignorante, controlada, e muito distante da verdade objectiva. Talvez seja por isso que, mesmo na presença dos factos, a RTP continue a escolher quem não domina o assunto (astronomia).

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Talvez a RTP pense o contrário de Enrico Fermi. Talvez a RTP despreze os especialistas que dizem a verdade, preferindo uma sociedade onde a ignorância é melhor que o conhecimento dos assuntos.

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Talvez a RTP pense que a ignorância é uma benção, e por isso promovam a iliteracia convidando não-especialistas para darem erros constantes sobre o assunto. Uma sociedade de idiotas (como neste filme) é mais facilmente controlável.

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Não sei qual a resposta certa para a RTP tomar este tipo de decisões que denotam incompetência. Talvez a resposta certa seja que a escolha não é consciente. Talvez os próprios jornalistas nem se apercebam que estão a convidar não-astrónomos para falarem de astronomia. Nem se apercebem que a pessoa dá vários erros porque não é especialista no assunto. Não se apercebem que ele limita-se a copiar o que lê mas não é capaz de avaliar cientificamente essa mesma informação que lê.

Quem o convida provavelmente nem se dá conta que ele nem é especialista, e “deixa-se levar” pela sua própria iliteracia e ignorância sobre o tema. No entanto, lembro que o pensamento crítico é transversal a todas as áreas. E não precisamos ser especialistas em certos assuntos, para saber procurar as fontes credíveis que nos dizem se a informação X é verdadeira ou não.

Isso sim é o teste final: informação correcta. E não se a pessoa fala bem ou se nos dá elogios. A verdade objectiva, a informação correcta, deve estar sempre acima do resto. Isto, claro, se alguma vez quisermos viver numa sociedade baseada na meritocracia (uma sociedade verdadeiramente democrática em que os especialistas são conhecidos como tal, pelo seu mérito, pelas suas qualificações, pelo seu conhecimento do assunto em causa).

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    • Giancarlo Pace on 05/06/2014 at 15:03
    • Responder

    Não vi o programa, portanto não tenho o conhecimento necessário para dizer algo de jeito. Conheço o Miguel, mas jogamos futebol, nunca falamos em astronomia, portanto não se nada sobre a competência dele como divulgador de astronomia. Apenas um comentário muito geral: alguém podia conhecer muito bem um assunto e saber divulgá-lo muito bem sem ter uma nenhum título acadêmico ou outro tipo de reconhecimento formal da sua capacidade.
    Conheço um ótimo exemplo.
    Piero Angela é de longe o melhor divulgador científico italiano, desde os anos 1970s tem feito ótimos programas, o melhor que a televisão italiana tem para oferecer, e nunca acabou nenhum curso em nenhuma área científica ou não.
    Portanto eu tirava ênfase aos cursos e aos reconhecimentos formais, e concentrava-me em como o Miguel fala de astronomia. Ponto final.
    Não sei nada sobre o assunto, mas se quiserem pesquiso melhor ao fim do próximo jogo de futebol.

    1. “alguém podia conhecer muito bem um assunto e saber divulgá-lo muito bem sem ter uma nenhum título acadêmico ou outro tipo de reconhecimento formal da sua capacidade.”

      Como já foi explicado, sim, é possível. É raro, mas é possível.
      Da mesma forma que é raro, mas é possível que um trolha com um martelo consiga ter mais sucesso numa operação ao cérebro que um neurocirurgião que passou longos anos a estudar e a praticar operações ao cérebro.

      Mas neste caso, nem isso acontece. Como é explicado no artigo, os erros desse senhor são demasiados e bastante evidentes. Basta alguém saber ler, e comparar o que ele diz com o que é dito pelos cientistas.

      Falar com ele é o mesmo que falar com a Maya. Ele vai-lhe dar uns bitaites, você vai ficar todo contente a pensar que é tudo verdade, e, da mesma forma que ao falar com a Maya, vai ficar a pensar que ele sabe mesmo de astronomia. Sugiro-lhe uma consulta com a Maya – o resultado é o mesmo.

      abraços

    2. E, Giancarlo, acho estranho defender alguém sem formação académica ou profissional na área, tendo os jornalistas um Centro de Astrofísica de excelência (que eu sei que tão bem conhece) tão pertinho deles, com dezenas de profissionais com conhecimentos incrivelmente maiores que esse senhor, vários deles que sabem comunicar muito melhor que esse senhor, incluindo até há quem tenha sido galardoado precisamente por isso, e os jornalistas preferirem alguém sem essas qualidades porque “é o único astrónomo que conhecem” (sem o ser, claro).

      Para mim, é uma surpresa preferir bitaites, em detrimento do conhecimento dos profissionais do CAUP.

      Grande Abraço!

  1. Penso que também é importante referir este “pormenor”: isto não são entrevistas na televisão em que a pessoa chega lá e não sabe que perguntas lhe vão fazer.
    O acordo com a RTP parece-me claro: é ele que escolhe os temas, é ele que escolhe a informação que quer que seja dita na TV, ele leva apontamentos, e ele tem 1 semana para preparar as coisas.

    Passando para um contexto de aulas, que é o que conheço melhor, era como se nos exames eu permitisse que um meu aluno decidisse que perguntas é que eu lhe deveria fazer, eu fazia essas perguntas decididas pelo aluno, o aluno tivesse uma semana para preparar as respostas às perguntas que ele decidiu, eu ainda permitisse ao aluno que ele levasse copianços/cábulas/apontamentos para o exame por ele decidido… e mesmo assim, o aluno dava imensos erros nas respostas.
    Seria certamente vergonhoso.

    Por isso é que considero vergonhoso que a RTP continue a pactuar com a desinformação e com a falta de profissionalismo.

  2. Deixem-me só relembrar que a RTP paga (segundo me disseram) para que a pessoa em causa durante uma semana prepare devidamente o segmento (de 9 minutos) com informações correctas.
    E mesmo assim, sai desta forma, cheia de erros.

    Por outro lado, faço notar que todas as semanas ele é sempre apresentado como “coordenador da Planetary Society” quando isso é mentira (ele não é o Bill Nye – CEO da Planetary Society).
    Ele é coordenador nacional, num cargo puramente voluntário, de há 10 anos atrás. Da mesma forma que se justificou o Artur Baptista da Silva.
    Mas se os jornalistas caíram no voluntariado do Artur Baptista da Silva, obviamente que não se pode esperar que estejam mais atentos nesta situação.

    http://www.planetary.org/blogs/bill-nye/
    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/artur-baptista-da-silva-mantem-que-e-colaborador-voluntario-da-onu-1578740

  3. Bem, desde todas estas mentiras e erros ditos pelo Miguel na RTP e no FB dele, decidi passar 1 mês a ver o programa dele, para ver se realmente ele aprendia a ser correcto nas informações que dava e a ser mais profissional no programa.
    Infelizmente, nada disso aconteceu durante todo o mês. O que me leva a concluir que ele gosta de divulgar inverdades e erros e a RTP gosta de ter a sua audiência enganada por pessoas que nada percebem dos assuntos.

    Se quiserem ver os programas e avaliarem por vocês próprios, os programas estão aqui:
    http://www.rtp.pt/play/p36/bom-dia-portugal

    1. No dia 6, o Miguel continuou com erros básicos.

      Por duas vezes informou os telespectadores que o rover Opportunity andava na Terra e não em Marte. Por duas vezes errou. Supostamente o objectivo principal da missão do Opportunity é “encontrar indícios de que, em tempos, houve água na superfície da Terra, eventualmente também, vida na superfície da Terra”.
      Já agora, para juntar aos erros, o Opportunity nada tem a ver com vida em Marte. Isso será o ExoMars. Os objectivos principais do Opportunity passam por caracterizar a geologia de Marte, sendo que saber se existiu realmente água à superfície no passado é uma consequência natural das pesquisas geológicas. Mas não é a vida. Na página da NASA para os rovers marcianos, existe uma lista de 7 objectivos. Qualquer pessoa pode ir lá e ler. É escusado ir mal-informado para a televisão.

      Além de outros erros menores sobre rovers e luas de Plutão, mostrou-se inseguro a falar, claramente percebia-se que não domina o assunto e que a preparação que faz é “em cima do joelho”.

      E continua a ler as coisas dos papeis, o que é uma falta de profissionalismo ir para a TV e nem sequer saber daquilo que vai falar, precisando de cábulas.
      E mesmo com cábulas, saem asneiras. Infelizmente, a RTP pactua com comportamentos sem responsabilidade.

    2. No dia 13, o Miguel continuou a ler apontamentos porque é incapaz de ter o conhecimento dos assuntos sem cábulas.

      Leu o artigo do ESO, mas de uma forma insegura, mostrando claramente que se estivesse lá um jornalista, que nada perceba de astronomia, mas que lê-se o artigo do ESO, faria um trabalho muito melhor.

      E falou das 4 explosões misteriosas, mas disse que teriam como causa as magnetars. No entanto, podem existir várias hipóteses, incluindo uma que saiu num paper 4 dias antes de ele ir à TV, muito mais espectacular (Blitzars) mas que certamente ele não teve sequer o cuidado de se informar. Para quê se informar, quando é aplaudido e recompensado para não o fazer?
      http://www.astropt.org/2013/07/13/foram-detetadas-misteriosas-explosoes-no-espaco/

    3. No dia 19, no FB, conseguiu errar nas horas em que a sonda Cassini iria tirar fotos à Terra.
      E digo “conseguiu errar” porque é um feito difícil. É que em todo o lado, incluindo no site da NASA, existiam as horas para cada país.

      Mesmo com essa informação clara, o Miguel disse que a foto era entre as 20:27 e 20:47… quando era 22:27 e 22:42.

      Não é preciso ser astrónomo para ter esta informação. Só é preciso saber ler. Infelizmente, o Miguel demonstra não ter qualquer cuidado com a informação que transmite.

      http://saturn.jpl.nasa.gov/news/waveatsaturn/timezones/
      http://www.astropt.org/2013/07/19/a-partir-de-agora-acenem-para-saturno/

    4. No dia 20, conseguiu engasgar-se algumas vezes enquanto lia o artigo do ESO dos papeis que levou, que também incluía informações sobre a nuvem de gás próxima do buraco negro no centro da nossa galáxia.
      Porque não colocam um jornalista a ler o comunicado de imprensa do ESO? Certamente que sabe tanto de astronomia como o Miguel, e consegue ler melhor!

      Quanto à nova lua de Neptuno, se exceptuarmos as informações correctas dadas pela NASA e que o Miguel fez o favor de ler, não consigo entender como o Miguel consegue ler que existem luas capturadas da Cintura de Kuipiê!
      Quem é o Kuipiê?
      Se ele não sabe ler o nome das pessoas porque não frequenta os círculos científicos, pelo menos podia ter a responsabilidade de ir ao Google saber como se pronuncia o nome do senhor. Em vez disso, saiu asneira.

      Por outro lado, ele disse que Saturno tem 60 luas mas a verdade é que tem 62, e disse que Júpiter tem 63 luas mas a verdade é que tem 67 luas confirmadas. Não sei onde ele anda a ver os dados. Ou talvez não saiba ler números no site da NASA.

      Qualquer um dos nossos leitores consegue ir ao site da NASA, e ver quantas luas tem cada planeta. O Miguel nem isso sabe fazer. A RTP pactua com esta incompetência de quem não sabe de astronomia, para enganar os seus telespectadores.
      http://nssdc.gsfc.nasa.gov/planetary/factsheet/index.html

    5. No dia 27, o Miguel disse que a atmosfera de Titã tem 600 kms de profundidade. Não sei onde leu (ele nunca diz as fontes, parecendo que as informações “caem do céu”). Talvez na ESA em 2012? Sendo que em 2013 fala-se de números superiores (600 milhas, quase 1000 kms)
      http://sci.esa.int/cassini-huygens/51176-cassini-reveals-titan-s-atmosphere-in-reverse/
      http://saturn.jpl.nasa.gov/photos/imagedetails/index.cfm?imageId=4825

      Mais uma vez ele inventa nomes: sonda Hugans.
      Se ele não sabe ler o nome das pessoas porque não frequenta os círculos científicos, pelo menos podia ter a responsabilidade de ir ao Google saber como se pronuncia o nome do senhor. Em vez disso, saiu asneira.

      Sobre o artigo de formação estelar, não é sobre desaparecimento de galáxias. Novamente, não foi peremptório, e deixou que o sensacionalismo errado prosperasse.
      http://www.astropt.org/2013/07/25/da-formacao-estelar-explosiva-a-corrente-de-material-ejectado/
      Não é “galáxias massivas desaparecidas”, mas sim a sua quase inexistência observacional. Retirado do artigo do ESO: “Estes resultados podem ajudar a explicar porque é que os astrónomos encontraram muito poucas galáxias de massa elevada no cosmos.”

      Novamente pergunto: porque a RTP não põe alguém competente em comunicação a ler o comunicado do ESO? Seria muito melhor para a compreensão das pessoas.

      E não, não existiram “várias tersões ra-raciais”. Por todo o programa viu-se isto: muita hesitação na fala, muitas falhas de comunicação. E não vou repetir que existem erros constantes.

    6. Isto foi o que se passou durante o mês de Julho.
      Como se prova, percebe-se bem que não é pelo conhecimento dos assuntos e pelo seu poder de comunicação que ele lá está semanalmente a dar erros de astronomia. Outros valores existirão.

      Para que exista este não-astrónomo continuamente a enganar os telespectadores na RTP, é porque para essa mesma RTP a definição de serviço público é promover a mediocridade, a incompetência e a irresponsabilidade. As evidências disso estão no número elevado de erros e na péssima comunicação que é transmitida semanalmente.

    7. Será que a RTP gosta de cuspir na cara dos astrónomos portugueses?

      Porque a RTP ostraciza os astrónomos portugueses?

      Porque a RTP pretere os astrónomos portugueses, em favor de alguém que utiliza a estratégia do Artur Baptista da Silva?

  4. Análise objectiva da pessoa que tem um segmento de divulgação astronómica no programa Bom Dia Portugal da RTP, após os insultos e campanhas de vitimização que andam “por aí”:


    1 – Especialista em Astronomia.
    Ele é assim “vendido”. Mas será especialista em astronomia?

    A) Formação Académica.
    Não tem.
    Não tem licenciatura, nem mestrado, nem doutoramento em astronomia ou qualquer outra área.
    Andou no curso de astronomia, não o finalizando, há mais de 10 anos atrás.

    B) Relevância Temporal
    Da mesma forma que eu não sou Gestor (apesar de eu sim, ter tirado uma licenciatura em Gestão) porque nunca exerci essa profissão (apesar de fazer uns biscates aqui e ali)… ele também não pode ser considerado especialista numa área onde nunca trabalhou e da qual saiu de estudar há mais de uma década.

    C) Conhecimento dos Assuntos
    Tal como ele afirma para quem o quer ler/ouvir, o Miguel limita-se a fazer o que todos vocês fazem, leitores do AstroPT. Ele lê o AstroPT, as notícias do CAUP, do OAL, da NASA, do ESO, etc.
    Mas falta-lhe sentido crítico. Ele não consegue avaliar as notícias e reparar se existem erros. Ele utiliza a Falácia da Autoridade, não duvidando do que está escrito, porque não tem conhecimentos suficientes para colocar em causa o que é dito.
    Assim, limita-se a ler, acreditar no que é dito, e depois debitar aquilo que leu na televisão.
    É um leigo a falar para leigos.

    E notem, não estou a fazer juízos pessoais. Não é isso. Há leigos excelentes e que falam muito bem dos assuntos. Mas não deixam de ser leigos. E como a sua assistência é de leigos, então os leigos que o ouvem pensam que ele é especialista.
    Não é o caso extremo de “um cego a guiar os outros cegos”. Não é isso. Mas sim, neste caso é um leigo a falar para leigos.
    Sabem certamente de alguém, algum vosso amigo, que gosta muito de ciência, de uma área da ciência (pode ser astronomia, mas também pode ser biologia, geologia, medicina, etc). A pessoa pode ser electricista, astrónomo, trolha, advogado, livreiro, etc, etc, etc, – pode ser de uma profissão qualquer – e mesmo assim gostar de ler sobre medicina, por exemplo. E até saber o bastante – para leigo – sobre medicina. E pode até ter frequentado o curso de medicina, antes de desistir dele por razões que não interessam para o caso, há mais de 10 anos atrás. Ele pode ainda saber o bastante de medicina para mandar bitaites com os amigos, no café, na esplanada, em conversas informais na net. Mas não deixa de ser leigo no assunto. Não tem formação académica em medicina nem nunca exerceu nessa área. Passou os últimos 10 anos, vamos supôr, como livreiro e funcionário editorial. Seria um leigo no assunto da medicina. Obviamente que se vocês tivessem por exemplo, um tumor cerebral, não iriam a este leigo para vos operar ao cérebro. Nem sequer este leigo teria habilitações ou conhecimentos suficientes para falar como médico na televisão. Podia, como leigo, falar de coisas que vai lendo aqui e ali, mas obviamente que iria dar muitos erros, porque nem é médico de formação nem tem experiência de trabalho.
    Ou seja, os conhecimentos desse leigo em medicina servem para conversas de café e de net com os amigos, mas nunca serviriam para exercer num hospital ou para se fazer passar por médico na televisão.

    Certamente que vocês conhecem 1, 2, ou mais pessoas que adoram astronomia. E até lêem umas coisas na net. Vocês próprios, na sua grande maioria, devem ser assim. E até falam no café com os amigos sobre isso. Mas não vos passa pela cabeça que vocês ou os vossos amigos leigos se lembrem de amanhã irem ter um programa na TV a falar de astronomia. Porquê? Porque não têm conhecimento suficiente nem habilitações dos assuntos para isso. Limitam-se a falar com os amigos leigos sobre coisas que leram.
    É o caso do Miguel.

    Ele tem um conhecimento leigo dos assuntos. Nunca baseado em formação académica. Nunca baseado em experiencia recente. Nunca baseado em experiência de trabalho no assunto. Como 99% dos nossos leitores.


    2 – Comunicador de Astronomia
    Dizem que ele é um excelente comunicador de astronomia, mas será mesmo?

    A) É verdade que ele é um “poeta”, como muitas vezes lhe digo. Isto não é dito com sentido depreciativo, como é óbvio. Pelo contrário. Ele tem uma facilidade enorme de falar e de contar histórias. E admiro-o por isso. E é verdade que no seguimento dos grandes comunicadores de ciência, ele transmite o que Sagan classificaria como “sense of wonder”.

    O problema é que, por si só, isso não chega.

    B) Ser poeta e contar maravilhosas histórias sobre astronomia, qualquer bom astrólogo faz isso. Se ouvirem a Maya, vêem que ela usa elementos da astronomia para contar histórias.

    C) Já para transmitir um sense of wonder com qualidade, a pessoa tem que saber daquilo que fala. Não pode haver erros constantes. Tem que haver formação académica e experiência profissional.

    Além disto, existem todos aqueles pormenores no Miguel que a mim, que até tive cadeiras de comunicação, me chateia:

    D) Dizer: “Sabe-se que esta Lua só vai existir daqui a 18 anos” ou “O OAL diz-nos que esta Lua só vai existir daqui a 18 anos” demora basicamente o mesmo tempo em televisão. A diferença é que no primeiro a pessoa faz os espectadores pensar que ela é que tem esse conhecimento, quando no segundo são dados os créditos respectivos às fontes de astronomia.
    Dizer “viremos a cabeça por baixo das pernas”, não é muito diferente de dizer “o astrónomo Phil Plait diz-nos para virarmos a cabeça por baixo das pernas”. A diferença é que no primeiro a pessoa faz os espectadores pensar que ela é que pensou nos exemplos, quando no segundo são dados os créditos respectivos às fontes de astronomia.
    Claro que é muito melhor fazer como no primeiro. Porque assim quem é leigo fica a pensar dele: “Esta pessoa é fantástica. Sabe comunicar muito bem e dá uns exemplos geniais.” Porque os leigos não sabem que ele só está a repetir o que outros já disseram.
    Dar os devidos créditos, mais do que uma questão académica, é uma questão de honestidade intelectual.

    E) Qualquer pessoa que entenda realmente do assunto em causa (astronomia), percebe perfeitamente que ele por vezes complica demasiadamente os assuntos, e perde-se nas explicações. É que para dar explicações simples, as pessoas precisam primeiro de entender sobre o tema. Ele não tem formação académica (licenciatura, mestrado, doutoramento,…) e tem um conhecimento superficial sobre os assuntos, daí que não os consegue explicar de forma simples e entendível. Para leigos, até pode servir; mas é só porque não entenderam realmente que aquele assunto poderia ser explicado de forma muito mais simples. Daí ele dizer várias vezes que há muitas pessoas com a formação académica na astronomia que têm a mesma opinião que eu sobre ele. Pudera. Quem sabe sobre os assuntos, sabe que ele algumas vezes não está a ser correcto nas explicações (quer literalmente quer na forma de explicar). Quem é leigo em astronomia pode se deixar levar pelo que é dito, mas quem tem o conhecimento obviamente que nota logo os erros, em género e em forma.

    F) ele usa termos que as pessoas em casa não entendem. Acham mesmo que um trolha ou uma dona-de-casa que estejam em casa a ver o segmento percebem termos e expressões como: “Está a 5000 anos-luz de nós”, “a estrela é 500 vezes mais massiva que o nosso Sol”, etc, etc, etc. Se forem visitantes regulares dos assuntos de astronomia, como os nossos leitores, tudo bem, porque podem ir ler atrás e até comparar uns com os outros. Mas senão, a pessoa em casa, “leva com” estes termos e pensa o quê?

    G) Não gosto sinceramente de ele olhar constantemente para os papeis com anotações.
    Se fosse uma pessoa com formação académica, que trabalhasse em astronomia, e com conhecimento acima de leigo, não precisava de papeizinhos porque sabia as coisas. Assim, denota que não sabe as coisas e sobretudo fica muito mal em televisão andar a ler em papéis aquilo que ele devia saber antecipadamente.

    H) Falta de preparação. Isto anteriormente denota uma falta de preparação. É que os erros aliados aos papeizinhos denota que ele não se prepara bem. Não denota só que não sabe, mas denota também que faz as coisas “em cima do joelho”. Obviamente, isto é muito mau. Pior, se ele recebe por ir lá à TV semanalmente e recorrentemente , como me disseram que recebia, então está a ser pago com o dinheiro dos contribuintes para nem sequer ter o brio profissional de preparar as coisas com tempo, calma, seriedade e profissionalismo suficiente para respeitar os espectadores que lhe pagam para isso.
    Foi por isso que liguei em cima, o que ele faz agora, àquilo que fez quando o conheci ao vivo (na actividade em Espinho há mais de 10 anos atrás). Parece-me que não mudou. O protagonismo mediático está acima de dar informações correctas às pessoas.
    Ou seja, denotar esta falta de preparação faz-me a mim considerar que estamos na presença de mau profissionalismo.
    Podem achar que neste ponto estou a ser mais subjectivo e pessoal. Mas sinceramente, não quero que seja visto nesse sentido. Não gosto mesmo de erros e de andar a ver-se em papeis (parecem-me as cábulas que os alunos levam para os testes e olham para elas de vez em quando quando pensam que os professores não estão a ver). Acham mesmo que fica bem, seja um professor na aula ou um comentador na TV, andar a olhar para papeis ou livros, porque não sabe as coisas por ele?

    I) Falta de experiência de divulgação. Como sabem, o Miguel na última década foi livreiro e funcionário editorial; nas palavras dele: “livreiro, gestor de eventos, editor –adjunto e director de comunicação”. Faz umas coisitas aqui e acolá para o público, talvez 1 ou 2 por ano em média, mas nada mais que isto. Falar de astronomia no café com amigos, não conta como experiência de divulgação. Há uma década atrás, quando pensava na área astronómica, aí sim metia-se nessas coisas. Desde aí, não. Ou seja, faz menos isso do que eu visito galerias de arte por ano. E no entanto, obviamente, eu não me posso considerar especialista em arte (longe disso) e muito menos posso-me considerar como tendo experiência de arte.


    3 – Erros

    A) Não notar os erros que dá, por si só, já se pode concluir que ele não entende dos assuntos de que fala. Porque ele nem sequer nota os erros. Nem em si nem nos outros.
    Não é só não notar os erros que ele próprio dá e que qualquer pessoa com acesso ao Google pode comprovar que são erros, mas ele próprio não consegue analisar criticamente artigos de astronomia (como aquele erro dos 18 anos na página do OAL). Qualquer pessoa que sabe de astronomia lia aquilo dos 18 anos e questionava. Ele não. Ele como não sabe, leu aquilo, acreditou logo, e foi amplificar o erro para a TV.
    Ou seja, como qualquer leigo, ele é obrigado a acreditar naquilo que lê, sem entender, e depois debitar aquilo que é dito para os outros leigos.

    B) Deixem-me fazer a lista de erros que falei em cima, mas notem bem que é uma lista bastante curta porque é feita quando ocasionalmente o via/lia. Certamente alguém que o veja todas as semanas na TV nota muitos mais erros.

    3.1 Super-Lua daqui a 18 anos. Erro. Não é assim. O OAL já apagou esse erro e o clarificou. O Miguel continua a defender que não errou.

    3.2. Condições de visibilidade. Nunca foi dito isto. Ele inventou isto na televisão. Efeitos ópticos e atmosféricos nada têm a ver com fenómenos meteorológicos.

    3.3 Efeito óptico da Lua no horizonte nada tem a ver com comparação com objectos perto. Ele diz que leu isso no livro do Plait. O livro do Plait, basta consultá-lo, diz que essa explicação é mentira.

    3.4 Trocou o evento que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos com o evento muito pior de há 250 milhões de anos. Na verdade, o que ele fez foi trocar 75% (primeiro evento) por 95% (o evento pior).

    3.5 Afirmou que uma estrela com meros 10 milhões de anos (de classe K) é velha. Na verdade, é bastante jovem. Na altura, colocou a veia poética acima dos factos astronómicos.

    3.6 Afirmou que a “rosa” em Saturno é no pólo sul. É no pólo norte.

    3.7 Uma distância dita pela NASA de 4 billion miles foi traduzida como 4 mil milhões de quilómetros. Substituiu o miles por quilómetros sem ter o cuidado de fazer a conversão (e de a confirmar).

    3.8 Afirmou que Copérnico é que arrasou com o geocentrismo, sendo que Galileu deu-lhe só um suporte popular. Basta saber História da Astronomia para perceber que afirmar estas coisas é uma barbaridade ao nível de coisas ditas pela astróloga Maya ou pelo Giorgio do History Channel.

    3.9 Trocou o nome de um autor de livros, masculino, por uma pessoa do sexo feminino.

    Notem uma coisa muito importante que não me canso de dizer: isto é uma análise puramente profissional às informações que ele dá. Nada mais.
    Isto é uma análise puramente objectiva. Qualquer pessoa pode comprovar que estas coisas que ele disse são mentira à luz do conhecimento.

    Escusam de vir com estratégias de vitimização e de que “coitadinho do menino” que estão a persegui-lo.
    Qualquer pessoa com orgulho no seu trabalho deveria ela própria analisar criticamente o que faz. E qualquer pessoa que avalie o trabalho dos outros, o deve fazer olhando para este tipo de características objectivas que qualquer pessoa pode comprovar que estão a ser bem criticadas (sem dependerem do subjectivismo individual do avaliador ou do avaliado).

    Se fosse o Sagan a avaliar o Einstein, devia avaliá-lo desta forma também! Qualquer cientista deve fazer isso sobre outro.
    E qualquer pessoa que esteja a ouvir/ler alguém, deve ter o cuidado de saber se essa pessoa está a dizer a verdade ou não.

    Falar-se com amigos leigos no café não é a mesma coisa que fazer-se passar por especialista na televisão.

    Não podem começar a insultar alguém só porque esse alguém, objectivamente, nota que um vosso amigo vos anda a mentir em várias coisas que diz. É verdade que vocês podem estar frustradas de perceberem que afinal o suposto especialista dá muitos erros. Mas daí a terem que defender os erros, que qualquer pessoa pode comprovar, vai uma longa distância.

    C) Não reconhecer os erros.
    Chateia-me incrivelmente que ele não reconheça os erros que comete, sobretudo neste caso respeitante à Super-Lua.
    As coisas que ele disse na televisão estão registadas e o transcript está no post. Não há qualquer dúvida que esse foi o destaque dado ao segmento dele, e ele não só não corrigiu o destaque como deixou que o jornalista ficasse a pensar que os 18 anos eram relativos ao perigeu, e acabou dizendo que “de facto” eram 18 anos. Complicou e confundiu as pessoas com vários termos. Não sabia e meteu água. Deixou que os seus telespectadores (vários deles falaram comigo e só por isso eu soube de toda esta situação) ficassem a pensar que esta Lua só iria aparecer daqui a 18 anos. É um erro. Ele não foi claro, peremptório e decisivo, dizendo claramente que essa informação era mentira. Tentou justificar algo que era erro. E com isso, errou.

    Mas errar toda a gente erra. A forma como lidamos com os erros é que diz muito sobre nós.
    Ele primeiro veio dizer que tinha sido o OAL. E quando o OAL apagou e corrigiu o erro, esclarecendo a situação, nem assim ele reconheceu que errou.
    Apesar de ele ter dito que assumiria o erro publicamente se o OAL assumisse também o erro, o certo é que após o OAL o fazer, o Miguel não o faz. Pelo contrário, encetou uma campanha de vitimização, de justificações, e de defesa do seu erro no seu Facebook. Ele continua a dizer que está correcto e que o crítico (eu!) é que estou contra ele pessoalmente.

    Daí vermos todos estes problemas com os amigos dele que acham que ele está a ser injustamente criticado.


    4 – Comentador da RTP.

    E agora vem a pergunta crucial:
    Como é que após isto ele é chamado para a comunicação social, quer para escrever crónicas em jornais quer agora para comentador na RTP?

    Esqueçam que é o Miguel.
    Pensem numa pessoa qualquer, que seja electricista por exemplo como o meu pai, e que começam a ver na RTP a comentar neurocirurgia. Não ficariam surpresos? Não achariam estranho?

    Como é que alguém sem formação académica, sem formação profissional, sem experiência de divulgação, que como comunicador tem imensas falhas, que dá tantos erros objectivos no assunto em causa, e que na prática é um leigo no assunto que se limita a repetir aquilo que leu noutro sítio sem realmente entender do assunto… chega a comentador da RTP?

    É uma pergunta, penso eu, perfeitamente válida.

    A) Bem, em primeiro lugar, como eu disse em cima, ele fala bem, com histórias. Logo, torna-se mais fácil “manipular” as pessoas que o ouvem/lêem de modo a pensarem que ele realmente sabe muito daquilo que fala. É perfeitamente explicável pela Psicologia e é aplicado superiormente no Marketing. É normal os leigos ouvirem alguém que fala tão bem e pensem que realmente ele sabe mais que eles próprios sobre esse assunto. Em todas as eras existiu isto. E, infelizmente, na nossa era, há mais exemplos destes que rinocerontes na Terra.
    Por isso, não é de estranhar muito que os jornalistas, leigos em astronomia, também sejam “levados” e pensem que ele é especialista em astronomia. Digo que não é de “estranhar muito” porque um bocado estranha-se sempre, já que um dos trabalhos básicos de jornalista deveria ser consultar e avaliar as fontes. E essa avaliação, certamente, não foi feita para o caso do Miguel.

    B) Em segundo lugar, tal como ele próprio disse, a actividade profissional dele foi: “livreiro, gestor de eventos, editor –adjunto e director de comunicação”. É óbvio que, como adjunto e director de comunicação de uma editora, ele tenha tido acesso a muitos jornalistas, com quem fez muitos contactos. E até aqui, tudo bem, é o trabalho dele. Por isso, faz valer os seus contactos na RTP.

    C) Depois, a própria maneira dele ser, sempre com elogios constantes às pessoas, sobretudo jornalistas, faz com que eles confundam simpatia com conhecimento. Não critico a maneira dele ser. Critico sim quem faz a confusão, imaginando que por ele dizer algo de forma simpática então tem que estar correcto naquilo que diz. Isto é obviamente falso.
    Uma pessoa pode ser muito simpática e ser um burlão. Não estou a dizer que ele é, nem acho que seja, só estou a dizer que uma pessoa qualquer pode ser muito simpática e ser mentiroso. Aliás, se virmos bem, todos os burlões por toda a história são pessoas muito simpáticas; é dessa forma que enganam as pessoas. Normalmente quem demonstra ser antipático porque diz tudo na cara às pessoas (como eu faço) tem muito menos hipóteses de enganar as pessoas.
    Neste caso do Miguel, a sua personalidade afável e com elogios constantes, faz com que as pessoas se “derretam” e as leve a pensar que o que ele diz em certas áreas (astronomia, por exemplo) é correcto. Mas a verdade objectiva está acima das simpatias pessoais. E por mais simpático que uma pessoa seja, isso não apaga a falta de conhecimento dos assuntos e os erros constantes.


    Ou seja, falar bem, contactos, e simpatia, faz com que tenhamos um comentador de astronomia na RTP que não é astrónomo, não tem formação profissional, não tem formação académica, e não é especialista em astronomia…

    Resumindo: temos um leigo a falar para leigos que o vêem como especialista.

    E de quem é a culpa? Da RTP claro, que se presta a esta incompetência de convidar não-especialistas para falarem de assuntos sobre os quais têm um conhecimento superficial.


    P.S.: repito, tentei não entrar em quaisquer questões pessoais. Tudo isto que eu disse pode ser, penso eu que por toda a gente, comprovado objectivamente. É uma análise puramente profissional e objectiva.
    Por favor, amigos do Miguel, não venham novamente com insultos e campanhas de vitimização. Antes disso, vejam se alguma das coisas que eu disse, está errada ou não. E analisem também os erros que apontei ao vosso amigo. Analisem objectivamente as coisas. Se não conseguirem colocar as emoções de lado, amigos do Miguel, por favor pensem no assunto com as identidades trocadas. Imaginem que era eu o comentador da RTP e o Miguel a apontar-me os erros objectivamente com base no conhecimento dos assuntos. Imaginem que era eu a comentar e a dar tantos erros e a não ter formação para isso. Imaginem que era eu a comentar assuntos de medicina na RTP, e um médico a criticar-me com base no conhecimento de medicina que ele tem. Também me defendiam e passavam a insultar o tal médico por ele saber mais que eu sobre o assunto? Analisem os dados, independentemente de quem os diz. Obrigado.

    • Maria C. Barros on 01/07/2013 at 12:02
    • Responder

    Bom dia Carlos Oliveira

    Este seu blog perdeu o pouco carácter científico que tinha (…)
    (…) perseguições pessoais (…)

    Maria C. Barros

    (comentário editado)

    1. O comentário anterior foi editado, retirando os insultos e argumentos pessoais.

      Eu percebo que as pessoas até interpretem este post como sendo pessoal e entendo assim o clima de vitimização que foi largamente promovido pelo visado na sua página pessoal de FB. E, claro, tal como o próprio afirmou também, os seus próprios amigos pegam nisso para depois andar a dizer mal de quem o critica.

      No entanto, eu penso que, numa sociedade livre e que aplique minimamente o pensamento crítico, é indecente se alguém é criticado profissionalmente pela sua imagem pública, então a pessoa que critica é logo colocada em cheque pessoalmente pelos amigos do visado.

      Eu sei que infelizmente não vivemos numa sociedade baseada na meritocracia. Eu sei que não vivemos numa sociedade onde a maioria das pessoas detenham literacia funcional. Eu sei que não vivemos numa sociedade onde a maioria dos seus membros detenha pensamento crítico.
      Eu sei que os números de literacia funcional em Portugal são bastante baixos.

      No entanto, é vergonhoso (porventura até o devia ser para o visado) que o clima de intimidação e de insultos pessoais chegue a este nível (que me leve a ter que editar e apagar certos comentários).
      Eu percebo que a campanha de vitimização que ele encetou junto dos amigos leve a este tipo de coisas. Mas, caramba!, estaremos na presença de uma Máfia? (em que quando uma pessoa é criticada, os amigos se juntem para “saltar em cima” do crítico)

      No comentário a seguir vou tentar dar – novamente! – argumentos completamente objectivos para o que fiz.
      Neste momento eu só quero que percebam que aqui não existe qualquer perseguição pessoal. Este foi somente um post de análise objectiva a um programa, pessoa, ou produto, que utilize tempo de antena junto dos consumidores para lhes vender mentiras.
      E destes posts, temos CENTENAS deles aqui no blog. Nós fazemos perseguição a tudo o que seja falso, a tudo que se venda de uma forma e afinal seja totalmente mentira.

      Ser o Miguel, a Madre Teresa, o Hitler, o Eusébio, a Maya, a Astrologia, a Graviola, a água milagrosa, o fim do mundo em 2012, a profecia Maia, o Harold Camping, pulseiras quanticas, etc, etc, etc, é tudo igual para nós.
      Se algo está a ser “vendido” como verdade, e afinal é mentira, este espaço serve também para fazer uma reflexão e uma análise de modo a desmascarar essa situação.

      Por isso, amigos do Miguel, párem lá de fazer do Miguel um coitadinho e de tornarem uma análise objectiva como se fosse algo pessoal. Não é. É simplesmente uma análise científica, como centenas de outras aqui no blog que vos serviu para alertar das mentiras que andam a ser ditas e nas quais todos nós caímos sem nós nos apercebermos.

      (a análise objectiva será – novamente – feita no próximo comentário)

  5. Sem entrar na discussão direta do caso, gostaria de comentar outra coisa, aqui no Brasil é comum a imprensa “convocar” pessoas que se autoentitulam “pesquisadores” ou “conhecedores” de algum tema científico para debater ou comentar alguma coisa de ciência, e a pessoa na verdade não tem formação alguma sobre o assunto em pauta.

    A palavra astrônomo ajuda isso acontecer, pois aqui um mero amador observador dos eventos espaciais, como passagens de cometas, etc… recebe a denominação de astrônomo, quando seria preciso separar bem quem estudou oficialmente os temas do espaço daqueles que só observam o céu e têm meros fundamentos básicos.

    Tem muita gente lendo Mecânica Quântica e ACHA que entendeu, tirando conclusões próprias “do além”, assim como assuntos de neurociência (um jornalista nos EUA ganhou muito dinheiro com palestras e livros fazendo pseudociência própria de conjuntos de descobertas científicas sobre neurociência).

    Conhecimento real não é para quem acha que tem, mas para quem realmente tem, e isso passa obrigatoriamente por formação educacional oficial, então fechando o assunto seria muito bom para todos que a imprensa se preocupasse com a divulgação científica de fontes confiáveis.

    • Julio Carreira on 30/06/2013 at 21:32
    • Responder

    Sinceramente tenho seguido esta discussao e dizer que o Miguel nao e bom divulgador de astronomia, apenas por nao ter o curso e irreal para mim. Quando entrei na licenciatura de Fisica/Matematica Aplicada (astronomia) ja o Miguel fazia divulgacao a todos os niveis na area. Penso mesmo que foi essa a grande razao pela qual ele nao conseguiu terminar a licenciatura (erras-te Miguel) e assim esta discussao nao teria qualquer sentido.
    Criou um grupo (GIRA) em conjunto com varias pessoas inclusive o Pedro Russo, que trabalhava com escolas e publico em geral.
    Quanto aos erros, sao diminutos.. eu tive professores catedraticos que davam muitos mais erros numa so aula.. (quem andou na licenciatura na epoca, numa mais vai esquecer o periscopio Hubble)
    Fala-se aqui de astronomos ‘profissonais’, esses em Portugal sao poucos e fazem astronomia uns 10% do tempo se tanto, na realidade ou dao aulas ou trabalham noutras areas.
    Nao vim aqui defender ninguem, so acho que o Miguel e uma pessoa capaz de transmitir factos de astronomia de uma forma que as pessoas ouvem e gostam, independentemente de produzir alguns erros.
    Se fossem a tv certos astronomos profissionais que eu conheco, acho que as pessoas mudavam imediatamente o televisor de canal..

    (Peco desculpa pela falta de acentos e outros, mas trabalho fora do pais e so tenho Keyboard US)

    1. Júlio, como deve compreender, respeito completamente a sua opinião.

      No entanto, não concordo que é só por não ter o curso. É também por não preparar devidamente as coisas (erros são básicos para qualquer especialista) e não ter experiência disso. As 3 coisas que disse o José Matos.
      Quanto à forma de comunicar, alguém que não dá os créditos devidos, que complica por vezes muito os assuntos, que usa termos que as pessoas em casa não entendem, e que olha algumas vezes para o papel com anotações (algumas vezes com erros por ser feito “em cima do joelho” certamente) … sinceramente, pode-se considerar bom comunicador?
      Faço-lhe esta pergunta honestamente.
      Pessoalmente, não acho que seja bom comunicador (seja ele ou qualquer outra pessoa que faça estas coisas referidas atrás).
      E com isto não estou a dizer que ele não tem qualidades. Tem. Ele tem facilidade em falar e criar histórias para explicar um tema. E tem o poder de “sense of wonder”.
      Mas falta-lhe o resto que referi em cima.

      Como sabe, do GIRA, saíram muito melhores divulgadores. Só 2 exemplos: Pedro Russo e Alexandre Aibéo. Ambos preenchem os 3 requisitos, ambos sabem de astronomia muito mais que o Miguel. E ambos são muito melhores comunicadores. E podia dar mais exemplos…
      Do GIRA, o que ficou “para trás” foi mesmo o Miguel. Não teve a formação académica. Não tem experiência de divulgação. E na última década dedicou-se ao ramo editorial. Saiu da astronomia.
      Como eu expliquei, eu também não sou Gestor… e até tenho o curso. Mas já foi tirado há muito tempo e depois segui outras áreas. Logo, não me faço passar por especialista em Gestão e Economia na TV ;). Porquê? Porque honestamente não sou.

      abraços!

        • Julio Carreira on 01/07/2013 at 06:42

        Bom dia,

        Sem duvida que o Alexandre, para mim, e o melhor comunicador de ciencia em portugal (e penso mesmo alem fronteiras) no momento. O livro publicado mostra isso e os premios que ja ganhou na area tambem o mostram. O que eu quis dizer e que ao contrario do que muita gente diz o Miguel nao caiu de paraquedas na astronomia..

        Esta historia faz-me lembrar a uns anos atras quando era estudante e apareceu o Jose Matos na tv a intitular-se astronomo (na altura a informacao que nos chegou foi que nao tinha qualquer formacao academica na area), foi uma bomba no curso de astronomia, tivemos exactamente esta discussao na altura (em 1996). Sei que agora tem a licenciatura, mas nao deixa de ser ironico indicar como ponto numero 1 Formação Académica..

        Posso dar o exemplo do nucleo de divulgacao do CAUP, durante muitos anos apenas o coordenador tinha a licenciatura (sem nunca ter trabalhado na area de astronomia) os outros elementos nao tinham a licenciatura. O mesmo no multimeios de espinho. Os alunos de astronomia sempre foram usados para as tarefas de divulgacao e bem. Penso que o facto de o Miguel nao ter a licenciatura pouco influencia. e como ja disse anteriormente acho-o um bm comunicador. Claro que existem melhores. E digo que em temas mais especificos, no caso de novas descobertas e afins (em noticiarios) deveria ser chamado alguem que tivesse ligacao com a descoberta ou mesmo com a area da descoberta.

        Continuacao de bom trabalho no astropt que vou seguindo regularmente…

      1. Olá Júlio,

        Obrigado pelos seus lúcidos e respeitosos comentários com a sua opinião sobre o assunto.

        abraços!

        • Julio Carreira on 01/07/2013 at 19:02

        Boa tarde de novo,

        So quero fazer uma correcao no meu post quando digo ” apareceu o Jose Matos na tv a intitular-se astronomo” acho que estou errado, tenho quase a certeza que foi a RTP que o intitulou de astronomo nessa altura.

        Obrigado

  6. Sobre esta matéria, o José Matos deixou também este texto:
    http://www.astropt.org/2013/06/30/ser-comentador/

    Resumindo, apesar de especialistas poderem ser maus comunicadores e não-especialistas poderem ser bons comunicadores, o certo é que o mais provável é que para as pessoas se saírem bem, têm que ter:
    1. Formação Académica.
    2. Preparação.
    3. Experiência em divulgação/comunicação de astronomia.

    Se isto fosse Batalha Naval, e o teu porta-aviões fosse de 3 buracos… bem, tinha afundado.

    • Miguel Gonçalves on 30/06/2013 at 05:36
    • Responder

    Caro Carlos Oliveira e restantes membros e leitores do AstroPT,

    para quem não queria fazer disto uma questão pessoal, o disfarce foi muito mal conseguido e até foram retirados vários elementos do meu Facebook, escritos por mim e por outras pessoas sem o mínimo pedido de autorização e ainda por cima em assuntos que em nada estão relacionados com Ciência e que apenas quiseram fazer vingar uma ideia pessoal e de personalidade que tens de mim… não é correcto e é um flagrante erro e transgressão à ética que tanto defendes… adiante que eu é que não quero fazer de tudo isto algo pessoal.

    Ao ler este post, reparei também numa nova categoria que quiseste inaugurar neste teu portal: a exposição pública de uma pessoa. Sou seguidor atento do AstroPT e nunca li tal coisa mas, efectivamente, a inovação faz parte deste portal que criaste. E, de uma maneira geral, o que escreves, a maneira como escreves e o que pretendes atingir (??) qualifica-te mais a ti do que a mim.

    Se não te importas, e pelas minhas palavras, dou apenas mais algumas pistas sobre mim pois nunca fui minimamente “impostor” ou “charlatão” (palavras que saem com tanta facilidade a alguns!) porque pura e simplesmente nunca escondi quem sou, o que fiz, o que faço e como deixo que me tratem ou apelidem…

    Eu bem sei que para ser ser apelidado de Astrónomo é “preciso muito esforço e muito mérito”, uma ideia muito bem expressa e que mais rapidamente apresto-me a concordar e a aplaudir: em 1996 eu entrei no curso de Física/Matemática Aplicada (Astronomia) e logo nessa altura foi-me dito que seria talvez o segundo curso mais complicado da Universidade. Não me assustou minimamente, mas algum fundo de razão teria. Quando saí da curso, por razões que não interessam agora referir nesta minha mensagem mas, efectivamente, tive de o abandonar (temporariamente) tinha completado com sucesso 30 das 36 cadeiras da licenciatura – licenciatura essa da era pré-Bolonha; com as equivalências de Bolonha, faltar-me-iam 2 ou 3 cadeiras (conforme as equivalências atribuídas e que, aparentemente, praticamente variam de ano para ano). Portanto, apesar de reconhecidamente não ter terminado o curso (e sempre o afirmei com a sempre declaração feita a alto e bom som: “não sou astrónomo!»), a verdade é que a a desqualificação sistemática, rasteira e constante que fazes ao facto de não ter terminado curso choca muito com o esforço que, apesar de tudo, ainda realizei no meu incompleto percurso académico. E desvalorizar o esforço (total ou parcial) dos outros parece-me ser também algo demasiado pouco inteligente para alguém, como tu, que é claramente inteligente (e não, não é graxa, embora tu vejas graxa em tudo o que é elogio dirigido à minha pessoa – já lá vamos).
    nunca me canse ou canso de o dizer. Poderia certamente arranjar-te inúmeros estórias e graus de exigência (todos elevados) de praticamente todas as disciplinas que fiz com “sangue, suor e lágrimas”… esforço, no fundo! Precisamente aquilo que tu queres reduzir ao mínimo absurdo. Opções, enfim… efectivamente não terminei o curso e, por isso, sempre me fez uma enorme impressão e vergonha alguém imprudentemente chamar-me de “astrónomo”! Confesso-te outra coisa: tenho muita pena de não existir em Portugal e neste “meu curso” cadeiras claramente de “comunicação científica” ou de “literatura científica e ficção científica”… digo-te sem qualquer tipo de ironia, acho imensamente necessário em qualquer curso de Ciência e sempre tornava o currículo do curso mais diversificado, leve, arejado! Obviamente que vais ler esta minha afirmação com a ironia que te convém, mas não precisas! É uma declaração altamente sincera.

    Ao longo dos meus anos universitários tive sempre a companhia saudável da divulgação da Astronomia, efectivamente aquilo que me dá mais prazer e tudo teve o seu início a 10 de Maio de 1994 quando enfrentei pela primeira vez um público sedento de Cosmos … desde essa altura, a tudo e a todos, dialoguei, reconheci inúmeros erros e emocionei-me com e para muitas faixas etárias e graus académicos. Estive envolvido na criação do Grupo de Informação e Recreação Astronómica (GIRA) que apareceu pouco antes da explosão da “Ciência Viva” e do “Astronomia no Verão”; seguiram-se, depois e ao longo de alguns anos, dezenas e dezenas de outras sessões. Foi nessa altura que, devido aos contactos que fazia no GIRA com instituições internacionais, fui convidado (sim, tem também um regime de voluntariado, algo que nem sabia nessa altura quando foi convidado directamente pela Coordenadora Global) pela The Planetary Society (TPS) para os representar em Portugal (ainda continuo, apesar de ter deixado o “lugar à disposição” quando, em 2005, saí da Universidade – algo que não aceitaram). É a maior organização espacial não governamental do Mundo, mas não, não se ganha nada com isso e não pagam sequer quaisquer despesas de representação… pedem apenas uma boa divulgação das suas actividades e que os seus representantes possam, de algum modo, ajudar na divulgação da Astronomia. Humildemente, com muitos e variados erros pelo princípio, meio e fim, foi o que tentei fazer. É que sabes… tu nunca me conheces pessoalmente, tu nunca estiveste presente em sessões em que participei, tu limitas-te a colocar em “praça pública” a imagem do outro que mais te convém sem o conheceres sequer pessoalmente. Gostaria que tivesses a honestidade de reconhecer que nunca o fiz contigo. Mas isso correspondem a maneiras de ser e de estar na vida muito diferentes e cabe-me a mim respeitar a tua, mesmo que faças do “o Miguel não admite erros” um mantra que tem tanto de erróneo como de manipulador. Adiante…

    Deixa-me também acrescentar algo que tu sabes mas muito provavelmente os teus leitores não: escrevi crónicas de Astronomia no jornal i durante 2 anos (2009 – 2011), sempre como coordenador da TPS e essa foi uma tarefa que sempre me obrigou a estar atento a tudo o que de novo se fazia em Astronomia, bem como os colóquios (poucos, depois de 2011) a que era convidado. E, certamente estarás recordado, em 2011 e em 2012 convidaste-me pelo menos 2 vezes para integrar a equipa do AstroPT, convite que muito me honrou (mesmo!) mas que sempre recusei.

    Ao nível dos meus “feitos académicos” mais interessante pouco mais tenho para lhe dizer… a não ser que nunca fui galardoado com nenhum prémio da ESA ou da NASA mas… em Outubro de 2002 realizou-se em Houston o megalómano “World Space Congress”. Foram para lá vários estudantes europeus, num processo de selecção da ESA feito de uma maneira bastante óbvia: por concurso, os 2 melhores artigos nacionais sobre exploração espacial ganhariam a participação nesse mesmo congresso em nome e pela ESA. Fui o autor de um deles, tive sorte…

    E podia continuar e contar-te muito mais, até mesmo da minha experiência profissional ou do “sangue, suor e lágrimas ” que também tive no meu percurso académica… mas não o faço e digo-te porquê: porque tudo o que escrevi acima é absolutamente irrelevante. Tentei apenas mostrar-te e, sobretudo, aos outros que não “caí de pára-quedas” nesta estória toda. Mas também porque sei que não há qualquer passado ou experiência que possa apagar ou justificar qualquer erro ou erros que eu cometo na minha presença televisiva ou noutros registos! Porque os cometo, imensos! Eu próprio identifico-os e chicoteio-me pelos mesmos, como os mais próximos de mim sabem.

    Deixa-me, agora, pegar em alguns dos exemplos que deste e que aparentemente apontam para erros da minha parte… quero dizer-te e realçar que, efectivamente, para quem não vê a minha rubrica semanal, encontraste coisas interessantes. E queria também dizer-te e confirmar-te por tudo o que me é mais querido que não hesitarei minimamente em reconhecer esses mesmos erros; aliás, não só não tenho qualquer problema em admitir o erro como também não tenho qualquer problema em admitir que o erro é o nosso instrumento ou evento mais fundamental para a nossa evolução. Imagina a ironia: até escrevi para o i uma crónica dedicada a um erro histórico e o quão comovente foi detectá-lo e abraçá-lo como sinal de humildade (http://www1.ionline.pt/conteudo/30715-uma-nova-emocao).
    Porém, e não me leves a mal, quero primeiramente tentar descobrir exactamente quais os erros a que te referes, o contexto dos mesmos, eventualmente explicá-los e admiti-los por inteiro se for caso disso e sem qualquer tipo de “orgulhos” metidos ao barulho!

    SUPER-LUA
    Em primeiro lugar, a já célebre questão da Super-Lua: dos cerca de 6 minutos que estive no ar, apenas 11 segundos foram para falar dos 18 anos. Como bem sabes (e timidamente reconheceste) a minha preocupação sempre foi com o essencial: desvalorizar cientificamente esse fenómeno, explicando que Super Luas há muitas e até indiquei as datas da próximas. Está tudo aqui: http://www.rtp.pt/play/p1068/e121310/24-horas (a partir das 24:54h do relógio do canto inferior direito). Penso que já te contei isto, mas lá vai de novo: esta estória dos 18 anos apareceu em tudo o que é comunicação social, sabes bem que não foi uma originalidade da RTP. Esteve nos jornais, em todas as televisões e rádios. E não, ao contrário do que possas pensar, eu não tenho, nunca tive nem quero ter qualquer poder editorial sobre o que os pivôts e outros jornalistas escrevem sobre Astronomia na RTP. No dia e hora em que chego à RTP Porto, já tinha ido para o ar a promoção à questão da Super Lua e eu próprio não sabia como ia ser feita essa condução em estúdio: não é preciso saber nem posso ordenar tal coisa (nem quero) e só mesmo alguém que não saiba como funcionam as redacções e as hierarquias jornalísticas. Mas eu sabia o que queria fazer: desmistificar tudo aquilo. Como fiz. E sim, Carlos, isso é o essencial, por muito que tu ou os teus amigos tenham guardado apenas a questão dos 18 anos.
    Bom, voltemos à RTP e a Super Lua; penso que em relação à explicação da ilusão, tu terás concordado comigo. Devo dizer que tudo o que referi está no livro «Bad Astronomy: Misconceptions and Misuses Revealed, from Astrology to the Moon Landing Hoax (Bad Science)», do Philip C. Plait.
    Depois mostrei o martelo: no facebook já te dei os valores, tu confirmaste as contas, pareceu-me ser um objecto interessante para trazer naquele dia para servir de escala. Não sei que mais queres que te diga ou prove. É apenas uma maneira, do meu ponto de vista mais acessível, de perceber as distâncias.
    Depois, desmistifiquei a questão das supostas catástrofes naturais que, obviamente, em nada estão relacionados com a Lua.
    O OAL e porquê o OAL e como apareceu na conversa? Se bem te recordas (a conversa está lá), o OAL não apareceu na conversa como “bode expiatório” do meu eventual erro. Se bem te recordas, eu referi o OAL quando tu me fizeste uma pergunta concreta: «mas já agora pergunto ao Miguel se tem a fonte para o que disse sobre os 18 anos»… e eu percebi o intuito da pergunta: será que o Miguel terá consultado alguma fonte “esotérica”? Obviamente que não te levei a mal, é uma pergunta legítima e, por isso, indiquei-te que a minha fonte foi o OAL. Aliás, eu não referi a fonte (a citação extensiva de fontes é algo muito complicado de fazer quando não sabes o tempo que tens no ar, mas isso são outras estórias mais ou menos sensíveis e polémicas) mas a imprensa fartou-se de citar o OAL.
    Eis onde é que eu acho que não estive mesmo nada bem mas não percebi na altura se a tua “chamada de atenção” foi para essa questão ou não: no comunicado do OAL utilizam a expressão «tão favoráveis à observação» e eu refiro em directo «condições de visibilidade»; nesta questão em particular, não tenho qualquer problema em admitir que não fui feliz porque pode dar a entender facilmente que me refiro a condições meteorológicas; devo então fazer um exercício de sinceridade: eu não tinha quaisquer elementos que me servissem para rebater a afirmação do OAL. Não tinha! E também não me parecia prudente contradizer o OAL em algo em que eles estão altamente confortáveis. E fiáveis. Porém, sim, é verdade que facilmente a minha expressão “visibilidade” pode dar a entender algo meteorológico, mas eu não quero acreditar que tu em algum momento acreditasses que seria isso o que eu queria dizer, Carlos! Isso seria considerares-me ainda muito mais inferior em relação à tua inteligência do que aquilo que já consideras! Obviamente que nem o OAL ou algo ou alguém saberá as condições de meteorologia daqui a 18 anos e quando eu exprimi o termo “visibilidade” estava mesmo a pensar num qualquer fenómeno de ilusão do tamanho da Lua no horizonte e nunca em condições meteorológicas!
    Aliás, pequena nota: já reparaste que antes de teres participado nessa discussão eu admiti perante o José Gonçalves um erro da minha parte ou, pelo menos, algo menos conseguido? É só para… bom, tu percebes.
    Portanto, resumindo: eu nunca disse que só teríamos uma outra Super Lua daqui a 18 anos (alguém escreveu isso), muito pelo contrário; a questão dos 18 anos é o infinitamente menos importante no meio disto tudo e o OAL, percebendo que isto era uma embrulhada, emitiu um esclarecimento cabal sobre tudo isto. No fundo, o meu erro foi querer reproduzir na íntegra o que tinha sido avançado no primeiro artigo do OAL mas, em vez de “tão favoráveis à observação” saiu-me o termo “visibilidade”. Ou, melhor, foi um dos erros. Infeliz, de facto, mas sem qualquer pudor em admitir um erro numa questão imensamente menor e já de se de uma questão altamente sobrevalorizada como é o caso da Super Nova. Curioso é o facto dos teus vários amigos terem-se “agarrado” apenas e tão só a essa questão e não a todas as outras que, essas sim, são bem mais importantes. Mas quando se aparece na televisão fica-se exposto a tudo isto e há que aceitar com toda a diplomacia, correcção e penitência (a minha). Eu não gostaria de voltar a pegar nesta estória da Super Lua, mas se tu quiseres irás sozinho nessa viagem… curiosamente meu primeiro post sobre a Super Lua foi no dia 12 de Junho (https://www.facebook.com/fmsgoncalves/posts/10151663518659452), antes do primeiro artigo do OAL sobre o mesmo fenómeno (17 de Junho) ou até mesmo do AstroPT (23 de Junho). Nesse meu post do dia 12, em que utilizei os dados astronómicos fornecidos pelo OAL (e creditei-os!) comecei desde logo por imprimir a minha mensagem sobre tudo isto: é um fenómeno vulgar, altamente sobrevalorizado, pura mecânica celeste.

    Vou agora “pegar” nos exemplos de erros meus que apresentas no teu post e, se não te importas, vou juntar 2 desses exemplos e perceberás porquê…

    «1 – trocou o evento que extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos com o evento muito pior de há 250 milhões de anos.
    6 – Trocou o nome de um autor de livros, masculino, por uma pessoa do sexo feminino.»

    Juntei estes teus dois exemplos porque ambos referem-se ao post que escrevi sobre a temática do Fim do Mundo… repare-se na ironia: tanto repetes que não admito os erros como não sou os admiti perante a tua pessoa, como utilizaste (com minha autorização, diga-se!) esse meu post editado por ti no AstroPT (http://www.astropt.org/2012/12/17/fimns-do-mundo/) … coisas irónicas, mas enfim!

    Em relação ao primeiro, não, eu não troquei os eventos… errei na percentagem. No original eu tinha escrito «há 65 milhões de anos atrás, um enorme asteróide chocou com a Terra, destruindo cerca de 95% dos seres vivos. Foi o fim do reinado dos dinossauros»; em privado (ou seja, noutros tempos!), escreveste-me: «há 65 milhões de anos foi extinguida 95% da vida. Isso é mentira.». E eu reconheci o erro na percentagem e tu então editaste e escreveste: «A Terra, de facto, tem um trauma histórico com este tipo de incidentes: há 65 milhões de anos atrás, um enorme asteróide chocou com a Terra, destruindo cerca de 75% dos seres vivos. Foi o fim do reinado dos dinossauros». E agradeci-te por isso. Há erro sim senhor… admiti-o. Mas, convenhamos, ou assumes que há erros e Erros ou então isto é uma discussão fútil. Mas sim, Carlos, foi um erro, evidentemente. Mas não um Erro!
    Quanto à troca do sexo… nem sei que te diga. Sim, é um erro e admito-o. Erro ou erro? Meu caro, eu admito que tudo para ti seja Erro, mas acredita que não é teimosia minha, mas continuo a não encontrar motivos para me arrancares os poucos cabelos que tenho por causa disto. Sobretudo e importante que se diga: nunca referi isto na TV, estava num post escrito por mim e que me pediste para colocar no AstroPT.

    «2 – afirmou que uma estrela com meros 10 milhões de anos (de classe K) é velha (na verdade, é bastante jovem).»
    Em primeiro lugar, se cometi tal erro é simplesmente estúpido da minha parte: basta visualizar o diagrama H-R e/ou lembrarmo-nos da famosa cantiga “Oh Be a Fine Girl Kiss Me Right Now Smack” (sabes a que me refiro) e/ou inclusive que o nosso Sol de classe G2 anda por cá há mais de 4,6 mil milhões de anos para imediatamente percebermos que se o disse foi um erro parvo e que pouco ou nada podes concluir sobre a minha “falta de conhecimentos” nessa matéria!
    Eu não estou a duvidar do exemplo que dás, mas peço a tua ajuda para que me digas quando é que o disse… por uma razão muito simples e que está documentada:
    – no 6 de Abril falei sobre Mercúrio, a supernova 1987A e um spinoff do Telescópio Espacial James Webb;
    – a 13 de Abril falei sobre Europa, Marte e um spinoff da ESA;
    – a 20 de Abril falei sobre matéria negra, a Lua e sobre Edward Makuka Nkoloso;
    – a 27 de Abri falei sobre um blazar, Júpiter e sobre a Orbital Sciences Corporation;
    – a 4 de Maio falei sobre grãos de areia, 2 galáxias em colisão e sobre o Herschel;
    – a 11 de Maio falei sobre um buraco negro, chuva de meteoros e sobre um outro spinoff da NASA;
    – a 18 de Maio falei sobre o Sol, sobre planetas extrasolares (e comecei esse tema assim: «já são mais de 866 os planetas extrasolares confirmados e parece que o anúncio da descoberta de mais um ou vários ameaça ser uma banalidade (…)» portanto, sim, eu sei perfeitamente a diferença entre planetas extrasolares confirmados e candidatos a planetas extrasolares, falei também sobre o Chris Hadfield;
    – a 25 de Maio falei sobre a Lua, mais uma colisão de galáxias e impressoras 3D;
    – a 1 de Junho trouxe novamente a Lua e as suas crateras, a “dieta das estrelas” e a famosa estória do «verão de 2013 ser o mais frio desde 1816»;
    – a 8 de Junho falei sobre asteróides, o ESPRESSO e o Arkyd – foi também nesta edição que falei da “Rosa” de Saturno, respondo abaixo;
    – a 15 de Junho falei sobre Dione, o programa espacial chinês e mais um spinoff da NASA;
    – a 22 de Junho falei sobre estrelas variáveis, Mercúrio e experiências com chamas na ISS;
    – a 29 de Junho, ontem, falei sobre uma protogaláxia, planetas extrasolares e outro spinoff da NASA.

    Pesquisei todos estes apontamentos e em nenhum refiro uma estrela com 10 milhões de anos; nos apontamentos que consultei sobre as minhas presenças no “24 Horas” também nada encontrei.
    Resumindo: como escrevi acima, não duvido de ti e se o disse é um erro estúpido sobretudo porque eu sei perfeitamente o quão errado é!! Porém, entendes esta minha necessidade de tentar localizar no tempo e no contexto o que foi dito? É que nada do que tenho guardado me aponta para isso!

    «3 – afirmou que a “rosa” em Saturno é no pólo sul (é no pólo norte).»

    Foi na edição do dia 8 de Junho e foi a “imagem da semana”; tentei ver se a emissão ainda estava disponível no servidor da RTP mas não está. Se o dizes, eu acredito em ti e admito perfeitamente o meu erro.
    Consultando as minhas notas que, no caso desta imagem da semana, está num misto de português e inglês tenho o seguinte: «Neste mesmo dia 8 de Junho mas do ano de 1625 nasceu Giovanni Domenico Cassini, astrónomo franco-italiano que descobriu uma longa e clara divisão nos anéis de Saturno e avançou com as primeiras ideias correctas sobre a natureza desses mesmo anéis.
    5 séculos depois, a missão Cassini a Saturno continua a deliciar-nos com algumas das mais notáveis fotografias do Reino do planeta dos anéis! Eis uma dessas imagens, uma gigantesca tempestade!
    The spinning vortex of Saturn’s north polar storm resembles a deep red rose of giant proportions surrounded by green foliage in this false-color image from NASA’s Cassini spacecraft. Measurements have sized the eye at a staggering 1,250 miles (2,000 kilometers) across with cloud speeds as fast as 330 miles per hour (150 meters per second). The view was acquired at a distance of approximately 261,000 miles (419,000 kilometers) from Saturn and at a sun-Saturn-spacecraft, or phase, angle of 94 degrees. Image scale is 1 mile (2 kilometers) per pixel. »
    Não refiro aqui o pólo, mas admito que sim, que me tenha enganado.

    «4 – Uma distância dita pela NASA de 4 billion miles foi traduzida pelo dito senhor como 4 mil milhões de quilómetros.»
    Sinceramente, não me recordo minimamente de quando o disse e se o disse; novamente, acredito em ti e é claramente um erro. É um erro “anormal” e digo-te porquê: por “regras da casa”, na RTP pedem-nos para usarmos medidas “europeias” e, portanto, eu faço sempre a conversão para quilómetros precisamente para respeitar essa regra (que até é uma regra de bom senso). Não sei o que pretendes concluir sobre mim ou sobre a minha pouca inteligência perante este erro, mas enfim…

    «5 – Afirmou que Copérnico é que arrasou com o geocentrismo, sendo que Galileu deu-lhe só um suporte popular (certamente que não sabe o mais básico de História da Astronomia).»
    Ah, adoro as suposições. Tão científicas, não são? Bom, não interessa… eu apenas consigo relacionar Copérnico e Galileu com comentários sobre planetas extrasolares (costumo citá-los, sim, entre muitos outros) e faço-o para mostrar como progressivamente ao longo da História da Humanidade e da Ciência o nosso conhecimento pontificado por esses senhores e muitos outros tiram-nos de sistemas de estúpida importância da Terra perante o Sistema Solar e perante o universo. Não me recordo minimamente de menorizar os feitos e audácias de Galileu e provavelmente terei dado realce a Copérnico por ser cronologicamente anterior ao génio italiano. E ao nível do “arrasar com o geocentrismo” até gosto de apresentar como primeiro grande “herói” Aristarco de Samos. Qualquer um destes 3 nomes foram gigantes na queda do preconceito humano para com a posição privilegiada da Terra no Universo e, honestamente, não me lembro dessa passagem a que te referes que é, claramente, errónea.

    Bom… em mais de 40 presença na televisão tenho a certeza que terei tido outros erros. Obviamente, tu não viste todas essas minhas presenças e a tua “avaliação” é feita apenas nas vezes que me viste. Nos exemplos que deste acima, tentei responder-te um por um com a minha apreciação sobre os mesmos e sem qualquer assombração ou dificuldade em admitir esses mesmos erros; porém, como deves imaginar, tinha primeiro de os identificar e compreender.

    Queria também dizer-te algo que para mim é precioso: neste tipo de comentários televisivos, todo e qualquer comentador pode e terá de ser avaliado de acordo com vários critérios. A credibilidade científica do que afirma é, claramente, o maior… porém, tendo tu um doutoramento na área da Comunicação da Ciência, deverás saber que há outros indicadores a ter em conta, sobretudo em televisão. Acho que também não os deverás esquecer. São também importantes, embora admita que só mesmo quem faça esse tipo de “serviços” é que os pode efectivamente sentir na pele. E também é importante perceber que neste tipo de rubricas, como em qualquer prestação televisiva, nós perdemos e ganhamos telespectadores por razões às vezes muitíssimo absurdas, pouco ou nada científicas mas que, em termos líquidos, corresponde sempre a mais um ou menos um telespectador. As sensibilidades dos telespectadores são altamente incompreensíveis e nem sempre passam pela validade científica, infelizmente e, apesar de achares o contrário, eu luto contra isso!
    Eu até te dou um exemplo que aconteceu contigo e, por causa de ti, “perdi temporariamente” 2 amigos: quando tu foste ao “5 Para a Meia Noite”, eu “promovi-te” junto de alguns amigos que te viram e que nã ote conhecem de parte alguma! Passados 5 minutos, recebo um sms de uma amiga a dizer-me: «ele é feio que nem um…. já desliguei a televisão»; depois, recebi um outro sms, de um amigo, que me dizia: «este gajo é mesmo muito arrogante, não é? Já não o suporto!». Eu barafustei com ambos!! Disse.-lhes que os argumentos que utilizaram eram altamente ridículos… resposta implícita de ambos: pois, mas quem decide quem entra na minha casa sou eu!
    Tudo isto para te dizer que este tipo de reacções passam-se em imensos lares, com imensos telespectadores! É ilógico, parvo até! É por isso que, quando eu planeio as sessões de sábado, tento ter o cuidado de ser o mais abrangente possível, tocar no máximo de públicos e não apenas no “público AstroPT” que até é claramente uma minoria! Não estupidifico as pessoas, claro! Mas sim… admito que tento simplificar e, por vezes, o maior erro é mesmo esse: simplificar demais. E, muitas das vezes, com pura improvisação que nos afecta a concentração: sem que os telespectadores saibam, há todo um conjunto de sinais verbais e não verbais que eu assimilo discretamente enquanto falo para a câmara e que me dão indicações sobre o tempo que tenho, o que tenho de acelerar, como estão a entrar os conteúdos… tudo isso feito em directo, sem rede. Não pretendo com isso desculpar-me com o que quer que seja, confesso-te que prefiro de longe os directos. Porém, é factualmente correcto dizer que há certos erros que cometo (qualquer pessoa comete) por uma questão de alteração da concentração. É por isso que há erros e Erros e é necessário distingui-los de diferentes maneiras e nem todos indicam uma “burrice técnica” como tu queres dar a entender… e tenho muita, muita pena que sigas esse caminho.

    Para finalizar, apenas dois aspectos: um que acho, perdoa-me o termo, “parvinho” e um outro sobre a rubrica.
    Eu tenho 35 anos, já andei em vários círculos profissionais e já não sou propriamente um bebé; achas mesmo que ainda consegues alguma coisa com essa estória da “graxa que os amigos me dão”? Mas tu porventura tens essa capacidade notável de conheceres TODOS os meus amigos e as suas intenções? Tu tens mesmo essa veleidade? Isso é muito pouca humildade, meu caro. Simpatia de alguns, certo. Declaração de pura sinceridade de outros, certo. “Graxa”?
    Explica-me uma coisa utilizando como exemplo algo que aconteceu contigo: tu foste ao “5 Para a Meia Noite”, fazes a devida (e óbvia) promoção com vários posts no AstroPT, depois da exibição do mesmo recebeste dezenas de comentários extremamente elogiosos (guardo para mim a avaliação que faço da tua intervenção e não é partilhável com ninguém!) e então… entendes que todos esses elogios são também “graxa”, Carlos? Aliás, tu até chegaste a fazer algo que me pareceu surreal: tiveste um único comentário desagradável e fizeste desse comentário e desse comentador um post no AstroPT!! Não achas que se pode concluir tanto sobre ti apenas e tão só devido a esse teu gesto? Lá está… achei, no mínimo, original… e nunca mas mesmo nunca o comentei em parte alguma! Não o faço, não levo e faço publicamente interpretações pessoais, ao contrário do que sobejamente fizeste por aqui.

    Por último, a rubrica e a RTP: não, não há “cunhas” ou “graxas” na minha entrada na RTP… já tinha currículo na divulgação muito antes da minha entrada na RTP e uma das minha actividades profissionais depois da universidade foi como livreiro, gestor de eventos, editor –adjunto e director de comunicação; ou seja, eu sempre tive vários contactos com jornalistas em termos profissionais e, paralelamente, nunca deixei de ter actividades na área da divulgação científica – seja em pequenas tertúlias, colóquios, crónicas… Em 2011, e tendo em conta o que alguns jornalistas sabiam da minha experiência na divulgação e da minha experiência em lidar com a comunicação social resolveram desafiar-me para juntar as duas experiências e tentar coordenar e apresentar um pequenino magazine sobre exploração espacial. Fui convidado e aceitei. Sou responsável apenas e tão só por aquilo que apresento aos sábados de manhã e, não, a RTP não me liga para saber a minha opinião sobre qualquer evento científico ou astronómico… não, não sou editor de Ciência da RTP e nem aceitaria tal cargo porque não tenho as qualificações para tal cargo! E, já agora: não não tenho qualquer responsabilidade ou liberdade para alterar os títulos ou textos proferidos pelos pivôts do “24 Horas”! Pelos vistos, aceitar o convite que a RTP me fez foi o maior Apocalipse que aconteceu na história da divulgação da Astronomia no nosso país!

    O «A Última Fronteira» é muito, muito mais do que um teste de verificação de credibilidade científica de quem o apresenta: é, também, uma oportunidade para a Astronomia Portuguesa. Naquele pequeníssimo espaço televisivo (e no “24 Horas”), eu tento promover com total orgulho o melhor que os nossos cientistas fazem. E tento contagiar quem me vê do outro lado com esse mesmo orgulho que sinto no trabalho desenvolvido também pelos nossos cientistas. E, no fundo, por todos aqueles que também contribuem para a divulgação da Astronomia. Por minha acção directa ou indirecta, tive lá investigadores do CAUP, chamadas telefónicas de uma cientista da NASA, promovi com orgulho o excelente trabalho de pessoas como o Miguel Claro ou o Rui Barbosa… na primeira temporada até promovi o AstroPT. Defendi também a nossa Ciência e o nosso investimento em ciências aeroespaciais. E, recentemente, procurei também promover livros de divulgação e ficção científica, algo tão esquecido pela nossa comunicação social. Ao contrário do que possas pensar, encaro aquele espaço como uma oportunidade para outros brilharem com aquilo que transmito. Ando na divulgação da Astronomia desde 1994, para mim a mensagem é sempre superior e mais importante que o mensageiro.
    Não tenho bem a certeza, mas acho que o “A Última Fronteira” é o primeiro magazine de temática astronómica presente num espaço noticioso em Portugal.Calhou-me a mim, acho que também nunca foi sugerido por mais ninguém e/ou por nenhuma instituição científica.
    Até pode acabar amanhã… ficarei a pensar que enfureci-te a ti e a muitos outros dos teus leitores e amigos. E errei, provavelmente muito, garantidamente decrescentemente, Carlos. Sei que posso sempre contar com a crítica científica sagaz da tua parte e da tua equipa do AstroPT.
    Porém, será bom que penses no seguinte; no final e no que diz respeito ao que desejamos para a evolução da sensibilidade e curiosidade científica no nosso país, une-nos muito mais do que o que nos divide. E com erros de tudo e de todos, queremos manifestamente o mesmo: mais Astros na nossa televisão (os astronómicos!).

    Sei como funcionam as “discussões” pela internet. Assim e por isso, não farei mais nenhum comentário em relação a toda esta questão. Porém, disponibilizo o meu email pessoal para responder a qualquer questão, tua ou de qualquer leitor deste fórum: fmsgoncalves@hotmail.com

    Felicidades para ti e para o AstroPT!

    1. Olá Miguel (nota que em momento nenhum anterior tinha referido o teu nome, mas agora, de livre vontade, resolveste sair do anonimato),

      Para quem não queria fazer disto uma questão pessoal, o disfarce foi muito mal conseguido e até foram retirados vários elementos do meu Facebook, escritos por mim e por outras pessoas sem o mínimo pedido de autorização

      Como sabes, são coisas que partilhas no teu Facebook. Não me digas que tenho que pedir autorização também para usar o que partilhas publicamente sobre ti na RTP. Enfim…
      E eu sei que não consegues distinguir o que é pessoal do que é profissional. Tens o mesmo problema dos teus amigos. Mas como tu dizes, adiante.

      Ao ler este post, reparei também numa nova categoria que quiseste inaugurar neste teu portal: a exposição pública de uma pessoa.

      Como sabes, se fores à categoria “Pseudociência”, falamos lá de várias pessoas, empresas e produtos que não estão correctas à luz do conhecimento.
      Eu sei que te queres vitimizar como se fosses o único, especial, coitadinho, a ter direito a uma avaliação à luz da ciência. Mas não és. Podes esquecer a manipulação e a vitimização. Obrigado.

      Quanto ao teu percurso, não me surpreende. Eu já o conhecia.
      Estás há muitos anos longe da astronomia, aproveitando para fazer umas coisitas aqui e ali. Eu tinha razão: há uma década que não tens nada de relevante. Safam-se os gigs na TV e os convites para tertúlias onde és nomeado como astrónomo, sem seres – como tu próprio reconheceste.
      Sim, também reconheces que te fazes valer de um cargo voluntário (como também se justificou o Artur Baptista da Silva), sobre o qual praticamente nada é feito, para seres dessa forma apresentado na TV. Ainda bem que o reconheces.
      Ainda sobre a TPS, penso que mencionaste no passado algumas despesas pagas por eles. Penso eu. Talvez para conferências? Não sei. Tenho vaga ideia disso.
      Quanto ao GIRA, nada vou dizer. Já soube de algumas histórias mas prefiro manter-me calado, porque não me parece que sejam públicas.
      Pensei que fosses também falar de que o que fizeste mesmo – o teu título de trabalho – era de funcionário de uma editora (e antes de uma livraria). Não tem nada a ver com astronomia. Mas compreendo que isso é demasiado relevante para quem és profissionalmente e por isso prefiras, para já, não mencionar.

      Já agora, ainda relacionado com a década.
      Olha, há mais de uma década que eu não me dedico a Gestão de Empresas e Economia e coisas do género. Nunca mais fiz nada para isso. Apesar de de vez em quando, como deves perceber, aplico alguns desses conhecimentos antigos meus (na altura, eu tirei o curso de 5 anos… não preciso de andar a complicar com Bolonha e coisas do género. Acabei-o e pronto). Mas apesar de usar coisas aqui e ali dele (tipo gigs), a verdade é que nunca mais fiz nada profissionalmente ligado a esse assuntos. Será que da mesma forma como em ti em astronomia, os teus amigos jornalistas não me querem convidar também para ser comentador da área de economia da RTP? (ia dizer que tenho as mesmas habilitações antigas que tu, mas mentiria, Tenho um pouco mais porque acabei. Eu poderia apresentar-me como Gestor, mas nunca o fiz. Porque será? Consegues perceber?)

      Por aqui se percebe a incompetência da RTP em avaliar as tuas habilitações e as informações que dás sobre astronomia. É que não és só tu que ficas mal com os erros e fazeres-te passar por algo com que não lidas há uma década, é também a RTP que fica muito mal na fotografia ao prestar-se a estas coisas.

      tu nunca estiveste presente em sessões em que participei

      Estive sim, em Espinho. Há cerca de 10 anos atrás. Lembras-te? Foi aí que te conheci!
      Eu vi que ia existir a sessão e fui lá com 2 amigos meus, leigos e curiosos em astronomia, que adoraram a ideia de irem lá. Saíram de lá completamente desiludidos com aquilo. Mas ok, pode ter sido só a avaliação deles do teu trabalho.

      Logo de entrada apresentáste-te dizendo que tinhas ido à RTP. Lembras-te? O José Matos até te respondeu que também tinha ido, para ver se as auto-promoções paravam.
      Quanto à sessão, lembro-me perfeitamente como se fosse hoje, que como aquilo estava a ser transmitido para todo o mundo, e os cientistas sabiam que era preciso dar tempo a todos os locais traduzirem o que eles estavam a dizer, então eles muito naturalmente faziam pausas para quem estava a fazer sessões para o público pudesse traduzir o que estava a ser dito na sua língua-materna. Mas onde era a sessão que não estavam a fazer essa tradução? Ahhh sim, Espinho!
      E após passar largos minutos com as pessoas visivelmente incomodadas por nada perceberem nem ninguém lhes dizer nada e aquilo estar a ser uma valente seca para quem não entendia inglês (a maioria das pessoas), então eu fui ter contigo e tu respondeste: “Eu não posso fazer nada. Tenho que ir falar para a RTP”. Ou seja, cagaste (não encontro outra palavra) para aquilo que deveria ser a tua função principal (informar as pessoas que perderam certamente tempo e quiçá dinheiro para se deslocarem de sua casa para irem ver o evento) e preferiste o mediatismo, o protagonismo mediático, a promoção pessoal na TV de que estavas a fazer algo apesar de teres virado costas a esse algo.
      E deves-te lembrar certamente que eu fui me sentar, mas após ouvir tantas queixas das pessoas à minha volta, fui novamente ter contigo e te perguntei: “Queres que eu vá ali prá frente e traduza as coisas prás pessoas?” Nota que não te pedi dinheiro, não te pedi promoções, não te pedi pra pores o meu nome em lado nenhum, não te pedi que falasses disso na RTP que tanto dás graxa, não te pedi para eu ser apresentado. Nada! Simplesmente pûs o interesse das pessoas que foram assistir ao evento acima de tudo e disponibilizei-me a ser um mero tradutor de modo às pessoas perceberem o que se estava a passar. E tu viraste-te pra mim com cara de mau, assumiste que eu te estava a “roubar” o evento, e preferiste que nada fosse feito. E desta forma, toda a gente com quem eu falei no final, não gostou daquilo. O José Matos também viu isso, porque falamos com as mesmas pessoas no final.

      Sim, Miguel. Como vês, quando dizes que eu nunca estive presente em sessões em que participaste, mentiste. Mas acredito que tenha sido um simples esquecimento teu.

      sem o conheceres sequer pessoalmente.

      Eu sei que tu tens graves falhas a nível de literacia científica, mas deixa-me que te eduque: não é preciso conhecer a pessoa pessoalmente para poder avaliar as informações que ela dá publicamente.

      escrevi crónicas de Astronomia no jornal i durante 2 anos

      Sobre essas crónicas, não vou sequer entrar, porque senão ficamos aqui até amanhã.
      Mas olha, ainda bem que reparas que “recentemente” a única coisa que tens ligado à astronomia é convites para comunicação social, porque os jornalistas deixam-se levar pelos teus elogios, apesar de não saberem que não fazes nada na área há mais de uma década.

      Quanto ao AstroPT, tens toda a razão. Sabes certamente que essa foi a altura em que uma certa jornalista me falava muito bem de ti. Lá está… as graxas a funcionar.
      Por isso, obrigado por dares mais este exemplo de como tu funcionas por graxas e por cunhas. É mais uma evidência.
      Penso que não me podes levar a mal eu ter sido levado nas tretas. Todos podem cair.

      Eu próprio identifico-os e chicoteio-me pelos mesmos, como os mais próximos de mim sabem.

      É curioso. Não identificaste nenhum daqueles que apontei.
      Sabes que dizer que se faz é uma coisa. Fazê-lo mesmo é outra. Talvez não compreendas a distinção.


      Quanto aos erros:

      1 – Super-Lua.

      Incrível como continuas a não reconhecer o erro.
      Nem com o OAL a apagar e a corrigir o erro, tu nem assim és capaz de reconhecer que erraste!

      Justificas que falaste pouco tempo nele. Não entendes porque as pessoas ficam com isso na cabeça (porque era o destaque! Qualquer pessoa entende isso). Justificas que isso apareceu em toda a comunicação social. Justificas que não és tu a escolher o destaque; e diga-se de passagem, também não tens qualquer intenção em corrigir se forem erros, como é! E mesmo após o OAL já ter corrigido o erro, tu continuas incapaz de assumir o erro! Incrível, Miguel.

      Tanto palavreado, quando bastaria: “Sim, tens razão. Aquilo dos 18 anos foi um erro. Não o devia ter dito e devia ter corrigido o destaque.” E pronto, ponto final. Mas não. Tu continuas com justificações e mais justificações e mais técnicas de manipulações de conversa… tudo para não assumires o erro. Incrível.

      Quanto à ilusão óptica, sim, está no livro do Plait, a partir da página 77 na minha edição. E sim, no teu Facebook eu tive pena de ti e não te quis chatear com mais este erro Miguel. Mas se leres o livro do Plait, ele diz lá claramente que a tua explicação na TV de que era um problema psicológico de compararmos com objectos mais perto, está errada! Basta leres o livro.
      Mas pronto, cá está mais um erro teu, que eu te “poupei” no teu Facebook.
      Porque, lá está, ou não leste o livro e mentiste na televisão, ou leste o livro e disseste o contrário do que lá está com o objetivo de mentires na televisão.

      A minha pergunta é: não há nenhum jornalista da RTP que tenha o interesse em avaliar a informação?
      Qualquer pessoa, incluindo os jornalistas da RTP, podem ler o livro do Plait e perceber que tu erraste.
      Mas, como demonstras, a RTP não quer saber da competência para nada, não é? Por isso é que continuas a dar erros atrás de erros e a fazer um péssimo trabalho de divulgação científica e mesmo assim a RTP continua a chamar-te para continuares a desinformar a população.

      Já agora, curiosamente, usaste alguns exemplos do Plait. Terei que ser chato e dizer que não lhe deste o devido crédito mas deixaste assumir quem te viu que tu tinhas pensado nesses exemplos? (exemplos: ver de pernas para o ar, e a moeda)

      no comunicado do OAL utilizam a expressão «tão favoráveis à observação» e eu refiro em directo «condições de visibilidade»; nesta questão em particular, não tenho qualquer problema em admitir que não fui feliz porque pode dar a entender facilmente que me refiro a condições meteorológicas

      Não foste “feliz”. Ok, Miguel. Enfim…
      As tuas célebres “poesias” só para tentares ficar bem na fotografia e não admitires os erros.
      Podes enganar muita gente com esse palavreado. Felizmente, a mim não enganas.

      mas eu não quero acreditar que tu em algum momento acreditasses que seria isso o que eu queria dizer

      Miguel, como sabes, eu falo com várias pessoas…

      e quando eu exprimi o termo “visibilidade” estava mesmo a pensar num qualquer fenómeno de ilusão do tamanho da Lua no horizonte e nunca em condições meteorológicas!

      Mais reconhecimento dos erros e menos justificações são precisas. Para não perdermos tanto tempo.

      já reparaste que antes de teres participado nessa discussão eu admiti perante o José Gonçalves um erro da minha parte ou, pelo menos, algo menos conseguido?

      Só por uma questão de saber a verdade: esta foi a tua resposta ao José Gonçalves:
      “sendo uma moeda um objecto de tamanho fixo e, por isso, mais «convincente», pensei que podia ser uma comparação mais interessante. Quanto à psicologia: o OAL refere-o como uma «ilusão mental» (honestamente não me recordo se chamam ilusão, mas mental está lá explicitado), mas, de qualquer forma, é uma ilusão, pelo que aceito por inteiro a observação.”

      Como se percebe não existe nenhum assumir de erro da tua parte. Existe novamente uma tentativa de justificação só para não assumires erros.
      Por isso, por favor Miguel. Cinge-te aos factos e não inventes, ok? Obrigado.

      eu nunca disse que só teríamos uma outra Super Lua daqui a 18 anos (alguém escreveu isso)

      O que tu disseste está no post. É perfeitamente entendível o que disseste.
      Mas curiosamente, continuas a negar e a não assumir o erro.

      Justificações e mais justificações e mais justificações.
      Quantos erros admitidos? Quantas vezes reconheces que erraste? 0.

      e o OAL, percebendo que isto era uma embrulhada, emitiu um esclarecimento cabal sobre tudo isto.

      E não só isso. Também apagou o erro. Reconheceu o erro. Coisa que tu és incapaz de fazer.

      No fundo, o meu erro foi querer reproduzir na íntegra o que tinha sido avançado no primeiro artigo do OAL mas, em vez de “tão favoráveis à observação” saiu-me o termo “visibilidade”. Ou, melhor, foi um dos erros. Infeliz, de facto, mas sem qualquer pudor em admitir um erro numa questão imensamente menor

      Ui, afinal a “visibilidade” foi um erro!
      Ahhhhh mas é uma questão menor, claro. Vamos desvalorizar, para “não parecer ser tão mal” reconhecer que foi erro.

      Curioso é o facto dos teus vários amigos terem-se “agarrado” apenas e tão só a essa questão

      Não é curioso. Era o destaque. Não sabes como funciona a comunicação televisiva? Pelos vistos, também tens falhas a esse nível.
      Não há nada de sobrenatural aqui. Qualquer aula de Introdução à Comunicação explica isso.
      Caramba! Qualquer aula de marketing explica isso!

      Eu não gostaria de voltar a pegar nesta estória da Super Lua

      Claro que não. És incapaz de admitir o erro.

      Mas deixa-me realçar: tu no teu Facebook afirmaste que se fosse um erro irias reconhecê-lo no teu Facebook.
      Mas não o fazes. Nem lá nem aqui.
      Mesmo após o OAL reconhecer o erro, tu continuas no teu FB a defender o erro e continuas numa campanha pelos teus amigos a dizer mal de mim.
      Deixo-te a pergunta: como se avalia isto em termos de carácter?


      2 – Extinção de 65 milhões de anos e de há 250 milhões de anos.

      Antes de mais, como sabes realmente coloquei esse teu texto no astroPT, mas como sabes, antes de colocar corrigi todos os erros (e sabes que não foram só esses dois).
      Dá-me algum crédito. Eu sei que publicamente nem o deste porque nem sequer informaste os teus amigos que tanto te elogiaram por um texto com vários erros que esse texto foi realmente corrigido posteriormente e que tinha vários erros. Por isso, não me poderias dar esse crédito. Mas aqui, escondido dos teus amigos, podes fazê-lo Miguel.
      Assim no teu mural podem-me continuar a insultar com argumentos puramente pessoais, enquanto tu não reconheces os teus erros profissionais nem a minha razão.

      Quanto ao erro em si, sinceramente, duvido que tenhas simplesmente “errado na percentagem”, sabendo eu que o número que utilizaste é de outro evento.
      De qualquer modo, seja uma coisa ou outra, é muito estranha esta falta de cuidado (constante) na informação que tiras. Lá está, as coisas são feitas em “cima do joelho” em vez de se ter o brio profissional de, se se é chamado para falar para centenas de milhares de espectadores, no mínimo devia-se tentar confirmar as coisas que se procuram. Mas enfim, tu és assim, e a culpa é de quem te convida para fazer más-figuras.

      Admitiste o erro, mas mais uma vez, tal como fizeste atrás, desvalorizaste-o completamente: “Mas sim, Carlos, foi um erro, evidentemente. Mas não um Erro!”
      Estou realmente a notar um padrão em ti…


      3 – Trocar o autor de um homem para uma mulher.

      Admites que foi erro . Afinal estou a acertar bastante… e tu tens errado.
      Admitiste o erro, mas mais uma vez, tal como fizeste atrás, desvalorizaste-o completamente: “Sim, é um erro e admito-o. Erro ou erro?”
      Ahhhh o padrão que é cada vez mais nítido.

      Mas olha uma coisa, tu alguma vez leste algum livro do Sitchin? Ou tens? E se a resposta é não, porque vais falar para a RTP de coisas que nem leste? E porque a RTP te convida para falares de assuntos sobre os quais pouco sabes e dás tantos erros?

      E diz-me uma coisa: não seria possível tu procurares as informações com cuidado e até as confirmares, de modo a não parecer que é tudo feito em cima do joelho e à pressa, a despachar, e por isso é que aparecem estes erros básicos?

      Sobretudo e importante que se diga: nunca referi isto na TV, estava num post escrito por mim e que me pediste para colocar no AstroPT.

      Nunca disse que estes erros foram na TV. Não sei se os repetiste na TV ou não. Sei que levas os apontamentos para a TV (outra coisa que detesto no teu segmento, que é tão pequeno, e mesmo assim és incapaz de aprender as informações e tens que várias vezes ir ler os papéis. Mas enfim, é mais uma característica de Comunicação que convinha aprenderes formalmente). Esses mesmos apontamentos que tiras e que têm erros (e na altura que os levaste para a TV tinham erros, porque se não estou em erro colocaste os apontamentos no teu FB depois de teres lá ido). Por isso, se falaste nestas coisas lá e se os teus apontamentos tinham erros…


      4 – “afirmou que uma estrela com meros 10 milhões de anos (de classe K) é velha (na verdade, é bastante jovem).”

      Miguel, como sabes, eu deixei já há muitos meses de ver os teus segmentos devido a todos os erros que dás. Por isso, não sei de que falas na TV.
      O pouco que eu via era no teu FB que punhas algumas coisas e eu de vez em quando ia lá e via. Como faço com os meus amigos. Por vezes até me apareciam nos meus feeds (algo que vejo poucas vezes por mês).
      Se falavas nisso na TV ou não, como te digo, não sei. Imagino que várias dessas coisas mencionaste na TV, já que no teu FB pões apontamentos do que falas na TV.
      E como te digo, mesmo assim via pouco isso no teu FB, por isso os erros que apontei em cima é de tipo: vi 10 coisas de astronomia ao longo de alguns meses no teu FB, e 6 delas tinham erros. Claro que vais tornar a desvalorizar e dizer que são erros menores, e as outras 4 coisas que vi e que não tinham erros, essas sim é que eram importantes.

      Bem, para estas coisas, já não consigo ver o teu FB. Felizmente, eu registo as coisas que vou vendo das vezes em que me lembrava de ir espreitar o teu mural ou via os erros nos feeds.

      Ora, no dia 30 de Janeiro escreveste isto:
      “Convivemos cada vez mais com mulheres em idade avançada… eis, então, que no reino das estrelas surpreendentemente encontramos uma estrela velha que, possivelmente, ainda está a “dar à luz” planetas! Uma bela história celestial!”

      Em termos poéticos, como já te disse, tu és excelente. Mas isso a Maya também é. Ela, como tu, também cria histórias maravilhosas. O problema é que ambos erram em termos científicos.

      A descoberta científica, é esta:
      http://www.astropt.org/2013/01/31/estrela-com-idade-para-estar-quieta-continua-a-formar-planetas/

      Como se percebe, não é uma estrela velha, mas sim uma estrela bastante jovem.

      De resto, quem percebe de astronomia, percebia que é totalmente errado comparar isso com os Humanos e com as mulheres ficarem grávidas na 3ª idade. E porquê? Porque se formos comparar estrelas com mulheres, então as estrelas formam os planetas quando são bebés, nunca como os humanos na idade adulta. Por isso, comparar esta estrela com mulheres grávidas em idade avançada é erro científico.
      Mas eu percebo que para ti a liberdade poética parece ser mais importante que o rigor científico. Daí a quantidade enorme de erros que dás.


      5 – “afirmou que a “rosa” em Saturno é no pólo sul (é no pólo norte).”

      Tu dizes que foi na edição de 8 de Junho na RTP que falaste nisso. O que vi sim foram os teus apontamentos sobre isso no FB. Está lá escrito: “Está situada no pólo sul do planeta dos anéis (…)”. Está em português.

      Claro que podes dizer: “Hey pá, tu só vês os erros. Mas eu disse muita coisa certa”. (tal como dizes no caso do segmento da Super-Lua)
      E eu respondo: Tens razão Miguel ! Vou fazer como os teus amigos leigos em astronomia: vou fazer LIKE nestas coisas que tu dizes e até te vou fazer comentários cheios de elogios a ti. Queres um? Parabéns, Miguel, conseguiste acertar no nome do planeta! Realmente era Saturno! Hoorray!


      6 – “Uma distância dita pela NASA de 4 billion miles foi traduzida pelo dito senhor como 4 mil milhões de quilómetros.”

      Novamente, não vejo o teu programa na RTP. Via muito de vez em quando os teus apontamentos no FB (que vários deles, como tu reconheces, levas para a RTP).
      Neste caso é a imagem de S. Valentim feita pela Voyager 1. Dizes lá 4,4 mil milhões de quilómetros.

      Podes ver no site da NASA, JPL que diz lá: “more than 4 billion miles”
      http://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?release=2010-048

      É uma boa regra usarem em Portugal na RTP os quilómetros. Convinha era que convertesses as unidades, e não trocasses só os nomes.

      Quanto ao que pretendo concluir que referes, está dito no post: preguiça para pesquisar, falta de brio profissional, não confirmar as coisas antes de ir falar para centenas de milhares de espectadores, ver-se claramente que as coisas são feitas em cima do joelho, etc.


      7 – “Afirmou que Copérnico é que arrasou com o geocentrismo, sendo que Galileu deu-lhe só um suporte popular (certamente que não sabe o mais básico de História da Astronomia).”

      Não supus nada. Qualquer aula de História da Astronomia ou qualquer livro minimamente razoável sobre História da Astronomia, permite perceber que isto é mais um erro básico.
      Isto foi no dia 5 de Março, quando falaste do Cardeal Roberto Belarmino, e resolveste meter a pata na poça com Copérnico e Galileu.
      E já agora, sim, foste tu que utilizaste esse termo “arrasar”. Coisa que ele não fez. Nem Galileu. Apesar de Galileu ter dado 4 claras provas observacionais de que o sistema geocentrico era errado (pronto, ok. Se usasses o termo “arrasar” para Galileu, esse sim, merecia-o. Copérnico nunca). Mas se calhar ainda erro maior é dizer que Galileu foi somente o suporte popular.
      Já agora, só um preciosismo, Kepler não deu “todo o suporte técnico e científico”, porque para todos os efeitos, era impossível provar-se naquele tempo que o Heliocentrismo estava correcto. Se quiseres, depois explico-te porquê.


      “tendo tu um doutoramento na área da Comunicação da Ciência”

      Eu não tenho um doutoramento na área da comunicação de ciência.
      O meu doutoramento é em educação científica. Que é, em muita coisa, diferente de comunicação de ciência.
      Dar aulas numa sala de aula requer que estejas ciente do que dizes durante 1 hora e meia. E como te expliquei no teu FB, eu próprio convidei pessoas para irem avaliar as minhas aulas e criticarem-nas para as poder melhorar. Se eu desse tantos erros por cada 10 minutos ou nas minhas notas, certamente que não tinha acabado o doutoramento e certamente que não me teriam permitido dar aulas lá.
      É que lá avalia-se o trabalho das pessoas. Não é como parece ser na RTP onde uma pessoa pode ser comentador apesar de todas as semanas dar vários erros num pequeno segmento de 10 minutos, e mesmo assim não ser despedido, continuando a enganar a audiência do programa.

      “deverás saber que há outros indicadores a ter em conta, sobretudo em televisão.”

      Sei, claro. Lembro-me bem da minha experiência e conhecimentos adquiridos na UK.
      Mas olha, das poucas vezes que te vi (incluindo esta da Super-Lua), concordo com o Manel, e esse é um dos indicadores de comunicação: há coisas que são simples e tu complicas de forma demasiada. E como disse no post, tu falas de termos que não têm qualquer relevancia para as pessoas porque elas não sabem o que eles querem dizer.
      Como vês, sim, lembro-me de alguns indicadores de comunicação de ciência.

      “nós perdemos e ganhamos telespectadores por razões às vezes muitíssimo absurdas, pouco ou nada científicas”

      Sim, como disse o Herman José numa entrevista, o programa dele mais visto de sempre foi com a Pomba Gira, que ele próprio considerou degradante. Já quando tinha convidados culturais, que ele adorava, as audiências caíam.
      É verdade que se queres subir audiências (ou talvez não), podes ir para lá fazer os espectáculos da Pomba Gira. Mesmo assim, nada desculpa os erros científicos e as falhas de comunicação (não se desculpa, mas compreende-se em face das tuas limitações de conhecimento).

      “quando tu foste ao “5 Para a Meia Noite”,”

      Como sabes, é um programa totalmente diferente, onde o apresentador nem sequer me conhecia nem sabia realmente o que eu fazia.
      É verdade que não me expressei da melhor forma algumas vezes. É verdade que o segmento foi levado para a tanga, devido a ser o programa que é. E é verdade que me sentei extremamente mal (nem se via a t’shirt do Einstein galáctico!) naquele sofá. Como vês, não me importo nada de reconhecer essas coisas. Porque eu próprio as notei quando o vi o programa.

      Mas é incrivelmente indecente quereres defender os teus erros profissionais atacando-me com argumentos pessoais.
      Mas por aqui, percebe-se o teu carácter, não é? “Parabéns” Miguel por mostrares quem és.

      Nota que tudo o que te disse no post e nos comentários foram aspectos profissionais. Nunca me referi à parte pessoal. Nunca te disse que já houve alguém que te chamou… olha, nem vou dizer… mas se quiseres posso-te dizer que o meu pai viu-te quando foi a Portugal e perguntou-me quem era o senhor de 60 anos que estava na TV. Pronto, esta foi uma crítica mais suave, para não baixar ao nível que tu baixaste.

      Sabes Miguel, se eu quisesse ter entrado por aspectos pessoais também o poderia ter feito. As mesmas pessoas que te falam agora em privado muito mal de mim, há uns tempos falavam-me de ti. Eu sei coisas pessoais e até familiares de ti, e não só, que obviamente não vou andar para aí a dizer.

      Como te digo e repito, só me cingi às críticas profissionais do teu “eu público”. Nada do que eu disse foram aspectos pessoais.

      Sabes Miguel, é incrivelmente irónico que tu baixes tanto de nível na conversa e depois vás para o teu FB fazer de santinho e falares de formas de ser e de estar na vida.
      Cai-te a máscara, não é? Mas também é verdade que só consegues manter a máscara porque há uma incrível falta de sentido crítico daqueles que cegamente te seguem.
      Como diria Carl Sagan, tu aproveitas-te da ignorância e da falta de sentido crítico das pessoas para lhes dizeres aquilo que elas querem ouvir. Fazes o trabalho da Maya, com os jornalistas e no teu Facebook.
      Sugiro uma auto-reflexão para não caíres nestas hipocrisias que te deitam tão abaixo o carácter.

      Ainda sobre o meu aspecto, bem posso te dizer que há quem goste. Como tu bem sabes. Nunca me queixei nesse aspecto. Felizmente. Claro que há gostos para tudo.

      Quanto a ser arrogante, SIM, sou! E com muito orgulho!
      Para se ser arrogante, é preciso ter-se conhecimento. E eu, felizmente, sei os assuntos onde tenho esse conhecimento!
      Mas olha também que sei os assuntos onde não tenho conhecimento, e não me vias certamente num segmento televisivo a fazer-me passar por especialista em Gestão (do qual tenho uma licenciatura de 5 anos concluída, mas sobre a qual já foi há mais de uma década). Sei tanto sobre o que não sei, que olha, em vez de ir fazer figuras tristes, com vários erros na TV, tenho a certeza que declinava o convite e dava sim o nome de amigos meus, esses sim gestores e que trabalham nessa área profissionalmente.
      Não sei se estás a entender o que quero dizer…

      Mas também é preciso que digas ao teu amigo que em face disto, ele deveria ver que eu sou arrogante naquilo que sei e humilde o suficiente para saber o que não sei. Ou seja, sou objectivo sobre mim. Auto-reflexão, sabes o que é?
      Ou melhor, o teu amigo sabe o que é?

      Mas curioso é que tanto os teus amigos de FB como pelos vistos aqueles que te mandam SMS só sabem dizer mal de mim. É interessante.

      Também é curioso aquilo que os teus amigos focam. Para eles, não interessa se a pessoa sabe ou não. Para eles, o conhecimento é irrelevante. Tu não tens amigos que dêem valor à cultura e ao conhecimento e não obsessem com superficialidades para depois andarem a dizer mal?
      É que até estou a ficar com pena de ti… e já começo a compreender o tu seres tão generoso com ataques pessoais e argumentos Ad Hominem mas bloqueares pessoas que dão argumentos baseados no conhecimento dos assuntos. É óbvio que a pessoa sente-se mais “atraída” por aqueles que partilham mais os seus valores e a sua forma de ver a vida baseada na mediocridade.

      E, muitas das vezes, com pura improvisação que nos afecta a concentração: sem que os telespectadores saibam, há todo um conjunto de sinais verbais e não verbais que eu assimilo discretamente enquanto falo para a câmara e que me dão indicações sobre o tempo que tenho, o que tenho de acelerar, como estão a entrar os conteúdos… tudo isso feito em directo, sem rede.

      Sinceramente, isto foi para rir Miguel?
      Miguel, em vez de nos fazeres perder tempo a justificares tão mal as coisas, simplesmente admite os erros. Ganhas tempo e fica-te muito melhor. Obrigado.

      “Não pretendo com isso desculpar-me com o que quer que seja”

      Claro que não.
      “Ó senhor professor, realmente escrevi que 2 + 2 = 7, mas olhe, estava um cão a ladrar e fez-me perder a concentração. Mas não estou a desculpar-me.”
      Até podias estar de cabeça para baixo. Até podia estar a passar a Angelina Jolie. Era irrelevante. Se é erro, é erro. Ponto final.

      “há erros e Erros e é necessário distingui-los de diferentes maneiras e nem todos indicam uma “burrice técnica” como tu queres dar a entender…”

      blablabla… justificações.
      Nem todos indicam uma burrice técnica. Tens razão. Alguns indicam que fazes as coisas em cima do joelho, em vez de perderes essa semana para fazeres um bom trabalho de pesquisa de modo a não dares erros básicos e confirmares as informações.
      Mas por outro lado, não tens razão. Porque mesmo esses indicam burrice técnica, porque nem sequer deste pelos erros. Sinal que nem essas coisas sabes de modo a perceberes que são erradas.

      “achas mesmo que ainda consegues alguma coisa com essa estória da “graxa que os amigos me dão”?”

      Eu não falei em graxa aqui, como penso que reparaste. Leste o meu texto?
      Mas referi sim no meu Facebook. É uma avaliação objectiva do que eu via no teu Facebook.

      Mas já que decidiste falar de graxa aqui, deixa-me explicar:

      A graxa é recíproca: tu dás graxa e eles dão-te graxa. Tu dás graxa aos jornalistas com um interesse concreto (penso que é visível para toda a gente que sabe como as coisas funcionam em Portugal). E eles dão-te graxa porque pensam erradamente que és especialista em astronomia (deixam-se levar pelas informações erróneas que transmites).

      Olha, sabes que eu até tenho aqui um print screen do teu mural em que tu agradeces encarecidamente os elogios que uma pessoa te tinha feito na página dele. Mas esqueceste-te de dizer que 2 dias antes tinhas tu lhe feito os elogios, a ele e a mais 7, e ele simplesmente te retribuiu o favor.
      Mas fizeste dessa retribuição como se fosse uma coisa fantástica.
      Enfim… há uma tua amiga que fala muito em auto-promoções. Eu falo em graxas. Pergunta-lhe como avalia estes comportamentos concretos.

      E sabes que ainda me lembro, da última vez que fui aos estúdios do Monte da Virgem, o que me disseram que ia acontecer no dia seguinte no FB. E eu na altura nem percebi que estavam a falar de ti – pensei sinceramente que tinham sido comentários “no ar”. E no dia seguinte, PIMBA, lá estavas tu a falar de ti, a dares graxa, e a promoveres-te a ti enquanto punhas aquilo com uma capa de como se estivesses a defender outros de lá. Sabes, nesse dia (no dia seguinte), percebi que afinal não sou só eu e mais alguns a fazermos esse tipo de avaliações. Há jornalistas que também não se deixam levar nessas tuas tretas. Mas nem todos são assim. Há muitos, como sabes pelos teus amigos no FB, que comem o que dizes e até promovem esse tipo de atitudes.

      Sinceramente, não te condeno. Como me disseram há uns tempos atrás (uma pessoa que te conhece), tu estás em Portugal, e tens que usar as estratégias que se utilizam aqui. Tu não podes dizer que és astrónomo. Tu não podes dizer que és Mestre. Tu não podes dizer que és Doutorado em astronomia. Tu não podes sequer dizer que és especialista em astronomia (porque o teu trabalho não era esse). Pronto, fazes o que achas melhor, conscientemente ou inconscientemente, para te fazeres valer de outros “pergaminhos” (de personalidade e não de conhecimento).

      “recebeste dezenas de comentários extremamente elogiosos e então… entendes que todos esses elogios são também “graxa” “

      Em parte sim, Miguel. Em parte não.
      Sabes certamente que não são avaliações objectivas. Nesse sentido, sim.
      Mas também sabes certamente que esses elogios não são para dias depois irem buscar algo a mim. Nesse sentido não.

      Sabes, é que à mulher de César não chega ser honesta, também é preciso parecer.
      E tu até podes ser Miguel. Mas não pareces.

      Uma avaliação honesta àquilo que dizes de astronomia (vide erros em cima) permite concluir que tu não és especialista em astronomia, muito menos para teres um segmento na RTP. Mas tens. E porquê?
      Contactos, elogios mútuos, as pessoas pensarem que tu realmente és especialista… enfim… queres que continue?

      Com isto não estou a dizer que não sabes algumas coisas. Certamente sabes o bastante para leigos e jornalistas pensarem que tu até és especialista no assunto.

      Mas por favor, não me digas que é por teres quase concluído o curso há mais de uma década atrás.
      Há pessoas em doutoramentos hoje que sabem muito mais que tu, e essas sim têm o conhecimento suficiente para esses gigs. E até são do Porto.

      Mas a RTP, com o teu exemplo, faz questão de premiar a mediocridade em vez da meritocracia.

      “chegaste a fazer algo que me pareceu surreal: tiveste um único comentário desagradável e fizeste desse comentário e desse comentador um post no AstroPT! Não achas que se pode concluir tanto sobre ti apenas e tão só devido a esse teu gesto?”

      Não sei. Explica lá onde foi.

      O post está aqui:
      http://www.astropt.org/2012/11/24/carlos-oliveira-no-5-para-a-meia-noite/

      Já agora, diz-me: mesmo sem eu ter quaisquer notas escritas e tudo o que disse foi por ter conhecimento do assunto… diz-me lá, em quase 15 minutos, eu dei algum erro?
      Agora compara contigo, em que dás vários erros e até os escreves nas tuas notas…

      Quanto ao comentário que referes, já procurei, penso que foi este:
      http://www.astropt.org/2012/11/19/estarei-hoje-no-programa-da-rtp-5-para-a-meia-noite/comment-page-1/#comment-63257

      Como certamente perceberás, foi um comentador que se escondeu atrás de nomes falsos, que fala no Tim, que diz que a coisa não teve os resultados desejados, e comentou tudo isto no programa do 5 para a meia-noite. Obviamente que pensei que ele se estava a referir ao programa! Óbvio!
      Afinal, não. Ele errou! Além de se ter escondido, errou no post! Estava a falar na campanha de crowdfunding… que ele disse que não tinha os resultados esperados quando na verdade ultrapassou largamente aquilo que pensavamos.

      Por isso, Parabéns Miguel. Foste escolher logo um exemplo de comentário em que o comentador errou completamente.
      Curioso que não falaste da minha entrevista na TSF ou na TVI em que eu me critico fortemente a mim próprio, porque estive francamente mal em ambas.

      Mas tu és assim como já vimos: para quê falar da parte profissional quando podes dar exemplos errados e com argumentos pessoais?
      Esse é o carácter que demonstras. E depois hipocritamente vais falar de formas de ser e estar. É mesmo não teres a noção do ridículo.

      Mas espera lá… tu estás-te realmente a referir a este comentário ou a outro? É que este, eu respondi em comentário. Isto não é uma resposta em post. Por isso, enganaste-te ou estás-te a referir a outro?

      Já agora, se tens tanta pena do tal comentador que errou completamente no post e se escondeu na identidade, o que dirias de alguém que na presença de alguém que dá a cara e lhe dá argumentos profissionais para ter errado, essa pessoa decide bloquear-lhe os comentários?
      Como classificas o carácter dessa pessoa?

      Pois é Miguel, não devias atirar pedras quando tens imensos telhados de vidro.
      E novamente refiro: tu escolheste um comentador na “minha casa” que errou no comentário e se centrou em aspectos pessoais, enquanto eu estou a falar de uma situação em que tu decides calar na “tua casa” quem te critica profissionalmente.
      Qual é a situação pior, Miguel?

      Reenvio-te a pergunta: Não achas que se pode concluir tanto sobre ti apenas e tão só devido a esse teu gesto?

      “e nunca mas mesmo nunca o comentei em parte alguma! Não o faço, não levo e faço publicamente interpretações pessoais, ao contrário do que sobejamente fizeste por aqui.”

      Claro que não, Miguel.
      Não fazes interpretações pessoais. Fazes o que faz o pseudo do Giorgio no History Channel: não afirmas, simplesmente pões a questão e deixas no ar. Sabes Miguel, eu conheço essas técnicas de manipulação de audiências. E isso é chato para ti. Porque as identifico logo.
      http://www.astropt.org/2011/12/13/extraterrestres-antigos/

      Afinal não é só a Maya que anda aí por dentro de ti. Também tens um pouco de Giorgio Tsoukalos.
      Continuas com as técnicas pseudo de manipular as conversas.

      O que te vale é que a RTP demonstra preferir a tua mediocridade e a tua falta de conhecimento.

      “a rubrica e a RTP: não, não há “cunhas” ou “graxas” na minha entrada na RTP…”

      Claro que não. Então não se vê isso?
      É certamente pelo teu mérito profissional, que se vê de não seres especialista em astronomia, de teres estudado e não concluído o curso de astronomia há mais de uma década atrás, de dares vários erros em coisas que falas/escreves de astronomia, de não reconheceres os erros que dás, de complicares bastante explicações que deveriam ser simples, de dares termos na televisão que nenhuma pessoa em casa percebe, e ainda, pelo facto de teres sido funcionário editoral nos últimos largos anos.
      É como te digo, se eu tivesse essas cunhas e fosse de dar graxa, é óbvio que não era devido a isso que seria convidado para a RTP, mas serei certamente convidado para a RTP, tal como tu, por ter tirado um curso de gestão na minha “outra vida” (a diferença é que eu terminei-o), de fazer uns biscates aqui e ali em relação a isso, e de nunca mais ter trabalhado profissionalmente nisso. Certamente que serei um excelente comentador de economia, gestão, finanças, e assuntos relacionados. O facto de ir dar vários erros e de qualquer amigo meu que tirou o curso comigo detectar facilmente esses erros básicos, obviamente só faz de mim a pessoa certa para o cargo.

      “Em 2011, e tendo em conta o que alguns jornalistas sabiam da minha experiência na divulgação e da minha experiência em lidar com a comunicação social resolveram desafiar-me para juntar as duas experiências e tentar coordenar e apresentar um pequenino magazine sobre exploração espacial. Fui convidado e aceitei.”

      Miguel, eu sei como se passaram as coisas. Uma tua amiga explicou-me como foi. Por isso, por favor, não me tentes atirar areia para os olhos, ok? Obrigado.

      Quanto à tua experiência em divulgação, essa é para me rir ou estás mesmo a sério?
      É que eu atrevo-me a dizer que grande parte dos astrónomos amadores portugueses que eu conheço têm mais experiência de actividade de divulgação com o público, do que tu.
      E só me estou a referir aos amadores.
      Obviamente que não vou sequer referir todos aqueles que fazem disso realmente a sua profissão.

      Se um dos factores para ires para comentador da RTP foi a tua experiência de divulgação, então mais uma vez provas a incrível incompetência da RTP para te avaliar nesse aspecto.

      Mas se tu queres dizer que 1 ou 2, se tanto, actividades de divulgação que fizesses nestes anos, por ano, te dão essa grande experiência… bem… não podes criticar o Relvas por ter um curso de equivalências. É que eu viajei mais vezes de avião por ano do que experiencias de divulgação que organizaste nestes anos. Devo assim ter perfil para ir para a RTP ser comentador de aviação.

      Basicamente, o que tu disseste pode-se traduzir desta forma: “eu fiz duas ou 3 palestras em 10 anos, mas como era conhecido dos jornalistas, eles em vez de me avaliarem e perceberem que eu sabia muito menos que centenas de astrónomos portugueses que seriam muito melhores comentadores que eu, preferiram convidar-me a mim porque eu era conhecido deles e sempre fui simpático para eles. Ou seja, em vez de convidarem um astrónomo, convidaram um amigo, sem qualquer curso de astronomia mas que lê umas coisas nos tempos livres”.
      Não sei se isto é só “meter cunhas”… ou então está dentro daquilo que se considera por tráfico de influências.
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A1fico_de_influ%C3%AAncia

      Nota que não sei se isto se enquadra nisso (pode ser “só” inexistência de ética profissional)… mas o que tu escreveste foi que eles te convidaram por eles te conhecerem, por terem o teu contacto (eu sei que vocês têm os números de telefone uns dos outros, e que convives diariamente – com mensagens diárias – com certos jornalistas da RTP Porto), por te dares com eles (e, acrescento eu, por te fazeres de simpático com eles).
      O convite foi-te feito a ti, por teres os contactos deles (dito por ti), em detrimento dos verdadeiros especialistas em astronomia, e que existem às centenas em Portugal e que se chamam Astrónomos.

      O que nos traz depois à tua atitude: assumindo que foi um convite da RTP (mas ambos sabemos como na verdade foi feito), então tu tiveste a opção de responder: “Não, não quero esse favor, esse benefício, por ser vosso amigo. O projeto realmente tem valor, mas para o bem da literacia científica dos telespetadores, então será melhor convidarem um astrónomo, um especialista no assunto.”
      Mas não foi isso que fizeste. Assumindo o convite da RTP, por seres conhecido deles, tu aproveitaste logo esse benefício para proveito pessoal.

      Enfim… ia sugerir-te não te enterrares mais, mas em vez disso vou utilizar as palavras de uma amiga tua para ti: “por favor, não te afundes mais”. É mais… poético.

      “Pelos vistos, aceitar o convite que a RTP me fez foi o maior Apocalipse que aconteceu na história da divulgação da Astronomia no nosso país!”

      Pronto… chegaram os exageros e novamente a vitimização.
      Não, Miguel, não és um Apocalipse. Mas sim, Miguel, dás muitos erros quando falas/escreves de astronomia porque tu não és especialista desse assunto. Tu foste nos últimos anos funcionário editorial. Como tu disseste, foste “livreiro, gestor de eventos, editor –adjunto e director de comunicação”. Nada disto tem a ver com a astronomia. Por isso, é normal os teus erros, porque não sabes mais. Não é normal fazeres as coisas em cima do joelho em vez de ires confirmar as informações (como no caso do autor/a, por exemplo). Não é normal não reconheceres os erros (como no caso da Super-Lua). Não é normal aceitares um segmento na RTP sobre um assunto sobre o qual saíste da universidade (sem acabar o curso… e era uma licenciatura) há uma década atrás. Tu próprio, se fosses honesto intelectualmente contigo próprio dirias para os teus amigos da RTP Porto: “Olhe, eu não tenho habilitações nem essa é a minha área já há uma década, por isso se não se importam, eu até posso ficar ligado a isto, mas convidem X, que é astrónomo, sabe mais sobre astronomia que eu, e vive/trabalha aqui no Porto”.

      Mas Miguel, conhecendo-te como nós te conhecemos, tu nunca irias fazer isso não é?
      Porque outros ficariam com o protagonismo… que tu tanto queres para ti.

      Não é uma questão de Apocalipse, mas sim de se pôr a informação correcta em primeiro lugar e de colocar a audiência em primeiro lugar.
      Mas voltamos à forma como te conheci, em Espinho: “Não quero saber da assistência, porque o que quero é ir fazer a entrevista para a RTP…”

      É gira esta conversa. É um ciclo. Voltamos ao ponto quase de partida. E tu continuas o mesmo… ou pelo menos, mostras-te dessa forma, sem evolução (não só em termos de conhecimento, mas também de prioridades na divulgação da astronomia).

      “O «A Última Fronteira» é (…), também, uma oportunidade para a Astronomia Portuguesa.”

      Concordo totalmente. Mas se tu estivesses realmente interessado nisso, então tentarias que um astrónomo fosse fazer isso. Porque o astrónomo sim, saberia muito mais que tu e daria menos erros.
      Mas esse não é o teu interesse principal, certo Miguel? Pelo menos, não demonstras isso.

      “Naquele pequeníssimo espaço televisivo (e no “24 Horas”), eu tento promover com total orgulho o melhor que os nossos cientistas fazem.”

      Pronto… agora vêm os elogios ao teu trabalho.
      Miguel, nunca ninguém disse que não era um óptimo veículo de promoção da astronomia, portuguesa ou não.
      Só era interessante ter lá alguém que realmente fosse especialista em astronomia.
      E não alguém que dá erros, que complica os conceitos, que dá termos que as pessoas não percebem, e que estudou, parcialmente, astronomia há uma década atrás.

      “Ao contrário do que possas pensar, encaro aquele espaço como uma oportunidade para outros brilharem com aquilo que transmito.”

      Claro que sim, Miguel. Então eu não vejo isso?
      É como eu digo: tu até convidaste astrónomos para fazerem esse segmento. Foram esses astrónomos convidados por ti que brilharam, claro. E tu, claro, ficaste no backstage, porque tu não sabes tanto como eles. E eles sim fizeram o segmento sem dar erros. Eu vi tudo isso Miguel !

      Podes atirar areia para os olhos de quem te segue de forma acéfala, mas comigo não tens essa sorte Miguel.

      “para mim a mensagem é sempre superior e mais importante que o mensageiro.”

      ahhhhhh novamente as frases bonitas para manipular quem lê.
      Como sabes, o que dizes nada conta. O que se vê que fazes, isso sim conta.

      E, como sabes, enquanto eu quando fui há uns meses convidado para falar na RTP não fui porque não sou físico de partículas e por isso sugeri o nome de outras 3 pessoas para fazerem isso… tu o que fazes mesmo?
      Ahhh sim, claro. O mensageiro és sempre tu, e a mensagem aparece várias vezes com erros.

      Claro que poderia ter falado eu sobre o Bosão de Higgs.
      E podia justificar como tu fazes, até dizendo que tenho posts aqui no astroPT sobre isso. Por isso, “fiz divulgação”.
      E depois de ir eu para a TV e ter errado em várias coisas, podia não reconhecer os erros. E depois podia vir aqui prá zona de comentários dizer que o que me interessa é a mensagem e não o mensageiro.

      Mas eu em vez de dizer que penso X ou Y, em vez de ser hipócrita, demonstro o que penso. E por isso, quando essa situação se colocou (e digo-te já que não foi a única, mas ficas com este exemplo para já), eu mostrei quem sou e fiz aquilo que penso (em vez de só dizer e não fazer): pedi a outra pessoa, muito mais conhecedora do assunto do que eu, realmente um físico de partículas, para ir ele à RTP. Isso sim é preferir a mensagem ao mensageiro. Isso sim são exemplos concretos de não querer o protagonismo para mim.

      Diz-me lá o que fizeste tu no Ultima Fronteira? Pois… és sempre tu com as tuas auto-promoções, sendo que a mensagem semanalmente sai com erros!

      Miguel, por favor não me atires com areia para os olhos. Já te pedi isto e repito-o.
      Isso funciona com os teus amigos acéfalos, não comigo.

      Se para a ti a mensagem fosse mais importante que a tua figurinha, então metias os projectos na RTP através dos teus contactos lá, de forma a que um astrónomo fosse lá explicar o assunto que ele/ela sabe.

      Por favor, não mintas mais Miguel. Não te fica nada bem aliares as mentiras às auto-promoções pessoais.

      Tu não estás interessado na promoção da astronomia, mas sim na promoção pessoal.
      As tuas atitudes na RTP onde os astrónomos são preteridos, assim o provam.

      “acho que o “A Última Fronteira” é o primeiro magazine de temática astronómica presente num espaço noticioso em Portugal.”

      Se assim for, excelente. Mas é uma pena não ter um astrónomo a divulgar as notícias.

      “Calhou-me a mim”

      Pois. “Calhou-te”. Como a mim me calhava ir falar do Bosão de Higgs e não fui. Não me calhou. Foi decisão minha a pensar na informação correcta e no respeito pelos espectadores. Mas isto para ti são factores que não contam. Porque sabes que por mais que desrespeites a RTP e a sua audiência, vais ter sempre alguém acefalamente a aplaudir-te.

      “acho que também nunca foi sugerido por mais ninguém e/ou por nenhuma instituição científica.”

      Não sei se foi sugerido por mais alguém ou por alguma instituição científica.
      O que sei, porque me foi dito, é que se um astrónomo que estivesse disponível para isso, tivesse as mesmas ajudas que tu, certamente que a coisa também teria andado para a frente. Mas lá está, voltamos à história dos … contactos… chamemos-lhes assim para passarmos aos eufemismos.

      “Até pode acabar amanhã… ficarei a pensar que enfureci-te a ti e a muitos outros dos teus leitores e amigos.”

      Escusas de novamente vir com as vitimizações.
      A mim não me enfureceste em nada. Infelizmente, como já percebi, isto é o normal em Portugal. Especialistas para quê? Quem tem mérito é quem tem contactos, cunhas, e dá muitas graxas.
      E como qualquer pessoa pode comprovar, eu critiquei-te no post de forma inteiramente profissional, tendo em conta o conhecimento objectivo dos assuntos. Nada mais. Eu estou perfeitamente calmo. As críticas que te fiz foram correctas, profissionais, e baseadas no conhecimento dos assuntos (astronomia).

      “E errei, provavelmente muito, garantidamente decrescentemente, Carlos.”

      Não sei o que isso quer dizer. Mas eu não acho que faças por mal, Miguel.
      Eu só acho que numa equipa em que tu fosses o Reinaldo Teles, brilharias muito mais. Mas tu queres à viva-força ser o protagonista, e com isso expôes-te aos erros fruto de deformação profissional.

      “Porém, será bom que penses no seguinte; no final e no que diz respeito ao que desejamos para a evolução da sensibilidade e curiosidade científica no nosso país, une-nos muito mais do que o que nos divide.”

      Fica sempre bem acabar com frases bonitas. É mais uma técnica falaciosa de discussão.
      Utilizando palavras usadas por uma amiga tua, tu gostas mesmo dessas frases “fáceis” e “populistas”.

      Mas Miguel, será bom que penses no seguinte: tu próprio já me afastaste no teu FB. Por isso, vires agora falar de união é… como direi… pura hipocrisia.
      Mais uma vez queres atirar areia para os olhos de quem é acéfalo.
      E como se prova por toda esta discussão, pode nos unir a maravilha da astronomia, mas tudo o resto nos divide: a forma de fazer as coisas, o basearmo-nos no mérito ou nas cunhas, o dar o protagonismo aos especialistas ou então a alguém que quase tirou um curso há uma década atrás, o preferir respeitar a audiencia e dar-lhe informação factual ou então estar mais preocupado com os media e com complicar os assuntos… enfim… queres que faça uma lista de tudo aquilo que falamos hoje?

      Realmente a tua frase é bonita. Mas eu prefiro a realidade dos factos a meras ilusões, por mais confortáveis que elas sejam.
      Sabes quem disse esta frase? Dica: não fui eu.

      “queremos manifestamente o mesmo: mais Astros na nossa televisão (os astronómicos!).”

      A sério Miguel?
      Quem vais levar para a tua rubrica então?
      E que projecto vais fazer para que, com os teus contactos na RTP, um astrónomo verdadeiro possa ir falar realmente do que sabe?

      “Felicidades para ti e para o AstroPT!”

      Obrigado.
      Apesar do que parece, também não te desejo nenhum mal.
      Só quero ver a astronomia a ser divulgada na TV por quem realmente sabe do assunto. Dar o mérito a quem o tem.

      abraços

    2. Só para acrescentar:

      No teu Facebook, ao contrário do que prometeste (reconhecer o erro da Super-Lua se o OAL reconhecesse o erro), continuas a tua campanha de vitimização, já que contra factos (astronómicos) não tens argumentos. “Vendes-te” por uns Likes de quem é leigo nos assuntos e de quem não quer saber se existem erros ou não. Parabéns.

      Palavras tuas:
      “E, após esclarecimento do OAL, se for necessário fazer publicamente e pessoalmente essa rectificação na televisão, farei sem qualquer problema… mas, se não te importas, deixas em primeiro lugar o OAL “defender-se”??”

      O OAL já esclareceu. O OAL já corrigiu e apagou o erro.
      E que fazes tu? Continuas a não reconhecer o erro, continuas a defender que tens razão, e continuas na tua campanha de vitimização.

      E no entanto tudo era desnecessário se simplesmente tivesses dito logo de início:
      “Sim, tens razão. Aquilo dos 18 anos foi um erro. Não o devia ter dito e devia ter corrigido o destaque.”
      E pronto, ponto final.
      Mas não. Tu continuas com justificações e mais justificações e mais técnicas de manipulações de conversa… tudo para não assumires o erro. Incrível.

      “Parabéns” Miguel, por enganares os teus seguidores dessa forma.
      E “Parabéns” duplicados, porque esses teus seguidores, além de serem levados pelas tuas mentiras, ainda te aplaudem o facto de lhes dares informações falsas!
      Por isso, “Parabéns”, estás um verdadeiro pseudo!

      Nem sequer vou falar novamente nos outros erros, porque é desnecessário.
      Já se percebeu que qualquer pessoa que soubesse de astronomia daria por aquele erro sobre Saturno (bem, tu acertaste no nome do planeta, já não foi mau). Qualquer pessoa que lide com a área astronómica, lia aquilo e via o erro. Tu não. Porquê? Porque não és da área.
      Também já se percebeu que há outros erros (ex: autor/a) que não têm a ver com astronomia mas sim só com tirar notas “em cima do joelho”. Porque qualquer pessoa, mesmo sem nada saber de astronomia, bastaria consultar o Google ou ter os livros do tal autor, para notar o erro.
      Lá está. É preciso saber das coisas para se poder falar nelas… Por outro lado, realmente não precisas saber delas para teres os elogios dos teus amigos leigos que nem notam os erros.

      Já agora, como é que as tuas campanhas de “vitimização” no FB se ligam às tuas “frases bonitas” de união por aqui? Enfim, a hipocrisia não tem limites.

      E diz-me outra coisa: tendo tu na última década te dedicado ao ramo editorial, porque os jornalistas não se lembraram de te propôr um programa sobre livros (aí sim, terias mais conhecimento), mas em vez disso propuseram-te uma área sobre a qual saístes de um curso sem acabar há mais de uma década atrás?
      É realmente muito estranha a iliteracia de quem te convida dessa forma…

      Mas pronto, tu próprio com o teu exemplo, dás a entender que na RTP existe incompetência e se premeia a mediocridade.

      Por fim, a tua amiga escreveu para o AstroPT. Por favor, pede-lhe para me esquecer. Obrigado.
      Obviamente, não aceitei. Da mesma forma que me vedaste o acesso ao que tu dizes sobre mim na “tua casa”, eu tenho todo o direito de te vedar o acesso a ti e aos teus amigos na “minha casa”. Claro que isso vai levar a que novamente digam mal de mim. É o costume. Quem não tem espelhos para ver que eu só estou a reagir da mesma forma ao que me fazem, não serão seres humanos muito inteligentes.
      E apesar de ter vedado a tua amiga, parece que “já estou a vê-la” a ir para o teu FB continuar a destilar ódios sobre mim e fazer-se de vítima. Ela até pode me surpreender e comportar-se como uma pessoa de bem, mas duvido. Provavelmente vai escrever comentários e comentários sobre mim. Enfim… olha, é como ela diz: é usar o teu FB para auto-promoções!
      Mas olha, se ela quiser fazer realmente aquilo que me tentou intimidar, diz-lhe que da minha parte seria fantástico! Como sabes, tenho registos das coisas. Por isso, estou tranquilo. É da forma que posso esclarecer sobre mentiras que andam a ser ditas em privado (as chamadas Difamações).

      Se a tua amiga se preocupasse em dar valor ao conhecimento e aos especialistas em vez de se deixar enganar por aqueles que a usam para proveito próprio com mentiras à luz do conhecimento, se calhar ela poderia ter uma vida muito melhor do que aquela que tem e de que tanto se queixa.

      Grande Abraço!
      (ao contrário do que julgas, até acho que tens enormes qualidades. Só não gosto realmente de ver-te a errar em assuntos que não dominas, e com isso enganar centenas de milhares de espectadores… e depois nem reconheceres os erros)

    • Manel Rosa Martins on 30/06/2013 at 02:55
    • Responder

    Eu assisti com muita curiosidade ao programa na RTP sobre um exoplaneta.

    Os dados errados que forneceu, de memória foram:

    Este exoplaneta, um Júpiter quente, é um exoplaneta. Não é, é um candidato.

    O número de confirmados diz ele serem cerca de 600. Não, são perto de mil. E este não é confirmado.

    Um candidato a Júpiter quente é uma raridade. Não é, o que é raridade é uma fotografia directa, só há 12.

    O número de exoplanetas parecidos com a Terra estima-se, diz ele, em 600 milhões na nossa galáxia. Não, há uma estimativa de consenso e com muitas cautelas que diz serem 17 mil milhões.

    Este Júpiter quente está a cerca de (menos de) 300 anos-luz, ele disse que são 89.937.737.400 de quilómetros.
    Não são, e essa conta não tem qualquer interesse, mais valia dizer que a estrela mais próxima está a 4 anos-luz e que 300 ainda é na nossa vizinhança estrelar.

    Disse que a luminosidade do exoplaneta contra a luz da estrela anfitriã é 50 a 100 mil vezes menos intensa.
    O que é que isso diz às pessoas? Zero. Usa-se a analogia da luz da vela na nossa Lua que teremos que detectar em noite de Lua cheia.

    Disse ainda que La Silla tem 36m2 de espelho e o Hubble, 2,8 metros, isso está certo, mas o Hubble e o La Silla (VLT) são suites de instrumentos diferentes, e o Hubble não é um caçador de exoplanetas, é um confirmador, mas mesmo assim não é um árbitro peremptório (vide debate sobre Formalhaut).

    Deu-me a sensação de ele se focar no que não interessa, de estar desactualizado, de não conhecer os instrumentos e de não entender mais do que o muito superficial sobre exoplanetas.

    Eu não sou astrónomo mas exijo muito mais dum cientista, mas não posso exigir porque de facto ele não é cientista.

    Não achei que ele tivesse feito um desastre ou um erro grosseiro ou grave, mas achei muito fraco sobretudo à luz de terem repetidamente anunciado que iriam focar na participação dos investigadores portugueses.

    Essa parte era o anúncio administrativo da adesão de Portugal ao futuro E-ELT então tive um sentimento misto:

    1) ainda bem que há uma rubrica de Astronomia na TV pública em Portugal.

    2) uma certa desilusão por terem colocado um comentador que não é especialista nem em Astronomia, nem em instrumentação, nem está actualizado com os resultados obtidos.

    Sobretudo porque fez uma interpretação errada da observação do candidato.

    Não entendo porque não convidam os verdadeiros Astrónomos, por exemplo os Portugueses envolvidos directamente nas descobertas de exoplanetas, e convidam um curioso sem conhecimentos suficiente para evitar tantos erros.

    O facto de ele não citar fontes deve-se a ignorância da ética, não penso que seja por mal ou vontade de causar mal.

    Por isso mesmo esse animador não tem culpa, até parece nem ter a noção do que é o conhecimento.

    Espero que a RTP considere mais a comunicação com base na verdade do que algum sensacionalismo na base dos erros.

    Porque, em Ciência, estar a anunciar um Candidato como uma Descoberta é estar a mentir.

    Ora os telespectadores, os jornalistas, e quase toda a gente, tem muita curiosidade e um sentido de maravilha perante a Astronomia.

    Toda a gente merece a verdade. Não erros e disparates. Inclusivé o próprio animador, pois precisa de ir estudar e de ir aprender.

    Erros, como escreveste, todos cometemos, pois somos humanos. Boa ocasião para a RTP melhorar e contactar verdadeiros especialistas, com conhecimentos.

    Um país que tem excelentes Astrónomos não precisa de apalhaçar a realidade para tornar a Astronomia divertida e apelativa.

    Em Astronomia, a verdade é muito mais divertida e muito mais apelativa, obriga é que os especialistas estudem profundamente… a Astronomia.

    O nosso povo – isto é opinião pessoal – merece, no mínimo, esse respeito. Mesmo que seja num programa de TV privada também o merece.

    Agora não é preciso confundir seriedade com cara de pau, com linguagem monocórdica ou com um programa chato.

    Mas Astronomia deve ser o tema mais rico em imagens, em missões, em descobertas e em ferramentas de divulgação científica que há.

    Dispensa bem falsos especialistas, sem ética ou respeito pelos espectadores.

    1. Do pouco que o conheço, mas fazendo uma avaliação à personalidade e aos conhecimentos dele, ele seria excelente como “número 2” de alguém.
      Se ele em vez querer o protagonismo e dar constantemente ele a cara sobre coisas que não sabe, se ele fosse o suporte de procura de informações (para programas) e até editorial de um astrónomo, na minha opinião ele seria muito melhor.

      Seria muito melhor para ele, porque se desenvolvia muito mais, aprendia, não cometia gaffes constantes, etc, etc, etc.
      E seria muito melhor para o público, que não era constantemente “levado” pelas informações erróneas.

      Há personalidades que são melhores para umas coisas e outros para outras.
      Não é uma questão de julgá-lo ou diminuí-lo nem nada disso. É só a minha opinião que se ele fosse mais inteligente para consigo próprio e se se conhecesse melhor, talvez visse que o melhor para ele seria aprender primeiro as coisas com quem sabe.

      Assim à cabeça vêm-me as personagens de Pinto da Costa e Reinaldo Teles.
      Reinaldo Teles é o número 2 há muitos anos. Certamente que o grande sucesso da equipa dirigente do Porto é em grande parte o Reinaldo Teles, apesar da face visível ser o Pinto da Costa. Sem Reinaldo Teles o Porto não seria o que é. Mas simultaneamente, se o Reinaldo Teles cometesse o erro que querer ser ele a face, o que veríamos? Certamente muitos erros… e o FCP a cair.
      A diferença neste caso é que o Reinaldo Teles sabe onde é melhor. No caso deste não-astrónomo, eu acho que ele ainda não descobriu onde seria mais eficaz… e continua a fazer experiências que lhe saem com erros.

      Pode acontecer ele não ter ninguém a quem “passar a pasta”. Mas duvido.
      Digo isto, porque eu próprio já disse várias vezes que só queria escrever posts e pôr-me numa posição menos visível, onde me sentiria melhor e seria mais eficaz, e no entanto o AstroPT tem estado um bocado “parado” precisamente porque não há ninguém da equipa que queira realmente ser a “face” organizativa do projecto.

      Por isso, não sei o que se passa no caso dele.
      Mas que ele como comentador de astronomia não serve, isso penso que é perfeitamente visível.

  7. Todo o post, pareceu-me escrito de forma totalmente objectiva.
    Deixem-me agora dar um comentário um pouco mais subjectivo.

    Ponto inicial: não posso fazer generalizações a partir de 1 ou 2 exemplos. Eu sei isso.
    No entanto, posso começar a notar padrões se vejo algumas discussões destas e os factos são sempre os mesmos.

    Essa é a razão para eu opinar que este problema com o não-astrónomo não se limita à astronomia, mas já faz parte da personalidade dele. Em vários assuntos, ele dá opiniões, não tem um conhecimento aprofundado dos assuntos, e espalha-se. E mesmo quando os especialistas nos assuntos respectivos lhe mostram que ele está errado (ex: este post e o OAL), mesmo assim ele continua na dele sem nunca reconhecer os erros.
    Da mesma forma que eu sou bastante directo, duro, frontal, e ponho a verdade dos factos acima de tudo… ele tem esta característica de dar opiniões e não reconhecer quando os especialistas lhe explicam porque ele está enganado. Ele mostra-se assim e pronto.
    Ou seja, o que eu quero dizer é que ele na astronomia não é diferente dos outros assuntos: faz exactamente o mesmo: fala sem conhecimento de causa. Nisso, ele não tem “culpa”.

    Quem se comporta de forma diferente não é ele. Quem tem atitudes opostas são as pessoas que o “seguem”. Quando essas pessoas sabem dos assuntos, percebem que ele erra e criticam-no. Quando não sabem dos assuntos, essas mesmas pessoas defendem os erros dele, “derretem-se” com os elogios dele, criticam quem o corrige, e ainda lhe dão programas na TV para ele amplificar os erros.
    As mesmas pessoas que o criticam quando ele toma estas atitudes sobre a área delas, não entendem que ele faz o mesmo na astronomia, e ainda o defendem quando ele faz a mesma coisa na astronomia que eles criticam na área deles.
    Nisso, ele não tem culpa. As pessoas – jornalistas da RTP – é que não sabem avaliar os comportamentos que são similares.

    Por exemplo, apesar de devido a este problema da astronomia e de ele não querer reconhecer o erro, ele não me deixa mais ver os posts dele (os adjectivos para isso, ficam para quem estiver a ler), mesmo assim existem amigos dele que me enviam algumas coisas de vez em quando, porque sabem que eu tenho razão na discussão.
    E o que vejo eu numa discussão recente sobre política e leis? Vejo que por mais que a especialista na altura lhe explicasse por A + B que aquilo não era legal e que não foi assim, mesmo assim ele foi incapaz de reconhecer que a opinião dele sobre o assunto está a anos-luz do conhecimento da especialista. Essa iliteracia dele em discussões legais, vê-se também por exemplo nas discussões astronómicas. É assim, a opinião dele acima do conhecimento dos especialistas.

    E só para perceberem que neste caso o crítico até foi muito mais directo que eu no artigo em cima, vejam bem os comentários da especialista enquanto ele simultaneamente não reconhecia o erro:

    “dá tolerância de ponto mas não pode dar feriado porque de acordo com a nova Lei não pode ser a autarquia dar. Leste essa parte?

    “O título induziu em erro e tu foste atrás… só isso. Não compete às autarquias decidir isso agora. Espero que já tenhas percebido melhor a noticia!”

    “Claro que é o jornalista o responsável pelo título. Como é responsável por dizer que são João é o padroeiro da cidade do Porto quando não é! Mas convém ler tudo era o que eu estava a dizer.”

    “lê a notícia. Não estou a defender ninguém estou a pedir-te que leias a noticia e não divagues só metade no teu texto porque induzes em erro”

    “o que ele nao percebeu é que foi uma lei superior que ditou o fim desses feriados ao decretar que precisam de autorização ministerial que não há e divulga como se tivesse sido o presidente da autarquia. Eu sei que ele pouco percebe de direito e leis mas parece-me claro de quem foi a decisão”

    “Não não é a mesma coisa mas não foi o (…) quem terminou o feriado. É só isso. Entendeste?”

    “O que ele divulga dá a entender que foi uma pessoa e não outra. Só isso”

    “Lamento que continues sem entender. Mas como não tens formação em direito não te posso pedir mais. Tentei explicar e falhei.”

    “Se te custa assim tanto admitir que erraste lamento. Podes argumentar o que quiseres agora mas é falacioso só porque interpretaste mal um texto. Acontece a todos. Uns admitem o erro outros não”

    “Estava só a tentar explicar os meandros da coisa mas ele insiste. Como se o facto de uns não cumprirem a lei legitimasse o não cumprimento dos outros.”

    “Lamento, erraste e estás a persistir no erro atribuindo a um sujeito a culpa directa do acto. Mas não conheço as tuas razões para isso por essa razão faz como entenderes. Eu não teria problema em admitir que errei todos erramos. Mas ok. Insistir e persistir não te dá razão”

    “Mas ele insiste na perigosa conjugação entre política e justiça, mas só às vezes”

    “Repito, a minha apreciação é jurídica não política por deformação académica e pessoal. (…)

    “elogiar quem contorna as leis e criticar quem as cumpre não faz parte da minha formação nem do meu entendimento de um estado de direito democrático. Lute-se para que se mudem mas elogiar quem as quebra, seja quais forem… não contes comigo para isso”

    “Não, não compreendes pela mesma razão que eu não te entendo muito bem quando falas de planetas e constelações: porque não tenho a tua formação nem tu tens a minha. Simples”

    “por favor, não te afundes mais”

    “É a tua opinião. Mas custa-me tanto ver uma pessoa inteligente como tu cair nos argumentos fáceis e populistas sem analisar a questão legal. Mas tu lá sabes a ideia que queres passar de ti mesmo. Bastava teres admitido que erraste porque não consideraste a questão legal quando leste a notícia ou se a consideraste não a entendeste. Mas preferiste continuar a debitar argumentos do que admitir que erraste. Eu não tenho a pretensão de saber sobre astronomia o que tu sabes. Tu tens a pretensão de saber tudo mesmo sobre questões jurídicas. São formas diferentes de estar na vida.”

    Entretanto, no final desta discussão, entrou outra pessoa com formação jurídica, e colocou-se obviamente do lado da especialista, com base na realidade dos factos, e não do lado de quem opina sem conhecimento de causa.

    Todos estes comentários poderiam ser adaptados à discussão sobre astronomia. É incrivelmente similar.

    Não sei se só 2 exemplos dá para tentar formar um padrão. Mas que é interessante, é. Quem quiser, pode tentar ver outros exemplos da mesma coisa.

    O mais curioso nestas críticas “jurídicas” é que a pessoa (e outras) não consegue perceber que ele faz o mesmo na astronomia. O comportamento é o mesmo: não reconhecer o erro, falar sem conhecimento de causa, simplesmente dizer aquilo que viu noutros lados sem entender muito bem o texto, não saber avaliar a informação prestada, etc…

    Eu e outras pessoas poderíamos também pensar que na discussão jurídica quem tinha razão era ele. Aliás, alguns pensaram realmente isso. Lá está: o que interessa o conhecimento da especialista? Deve-se é “defender o menino”, as opiniões do tal senhor não-especialista.
    Claro que quem tem um mínimo de pensamento crítico, mesmo sem saber nada do assunto em causa (como eu, em termos jurídicos), percebe que quem tem razão é a especialista.
    Lá está, quem tem pensamento crítico, na astronomia devia pensar o mesmo: quem tem razão é o especialista, não o senhor não-astrónomo. Mas enfim, há pessoas a quem lhes falta aperfeiçoar o pensamento crítico.

    E imaginem agora que nesta discussão jurídica, os amigos do tal senhor passavam a publicamente utilizar argumentos pessoais (“ela quer é promover-se à custa dele”, “ela é tola”, “deve-se desconfiar desta pessoa”) e outros mimos do género com que presenteiam quando o assunto é astronomia e ele faz exactamente o mesmo erro de opinar sem saber.
    E imaginem agora que nesta discussão jurídica, os amigos do tal senhor passavam a privadamente enviar-lhe mensagem a dizer mal da tal especialista no assunto (até podem ter mandado, ou não. Não sei). Isto é o que acontece quando o tal senhor não-astrónomo erra em assuntos de astronomia e é chamado à atenção por especialistas.

    Mas pronto… com elogios aqui e ali, as mesmas pessoas que vêem essa falta de conhecimento nuns assuntos não conseguem ver na astronomia, e dão-lhe megafones na TV para ele amplificar os erros.
    Imaginem que ele na TV era “comentador político” e dava os mesmos erros que a especialista não gostou em termos jurídicos. Que acontecia? Nada. Ele dá esses erros na astronomia e não só o defendem como o consideram um especialista.

    Enfim… é triste 🙁

    E é este tipo de pessoas que a RTP convida para se fazerem passar por especialistas.
    Será que me vão convidar para falar de agricultura, mesmo que eu opine que as batatas nascem em árvores?
    É que eu também não sou especialista em agricultura e mesmo após me provarem que a minha opinião é errada, mesmo assim vou continuar a defendê-la… porque o que interessa para a RTP, pelos vistos, é a incompetência e a ignorância no assunto.

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  5. […] que se vê isto. Por exemplo, no ano passado, o próprio Observatório Astronómico de Lisboa publicou um artigo em que complementava e corrigia a informação inicial dada num artigo […]

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