Mais de 60.000.000.000 planetas potencialmente habitáveis na nossa galáxia?

As nuvens exercem uma influência enorme no clima terrestre. Por isso, também o deverão fazer em expoplanetas. Crédito da imagem: Norman Kuring/NASA GSFC

As nuvens exercem uma influência enorme no clima terrestre. Por isso, também o deverão fazer em exoplanetas. Crédito da imagem: Norman Kuring/NASA GSFC

Como sabem, a maior parte das estrelas no Universo são anãs vermelhas.
Um novo estudo com simulações computacionais baseadas nos dados do telescópio espacial Kepler, sobre comportamentos atmosféricos (das nuvens) nos planetas em órbita de anãs vermelhas expande consideravelmente a zona habitável dessas estrelas. Como consequência, poderão haver 60 mil milhões (bilhões, no Brasil) de planetas potencialmente habitáveis em órbita de anãs vermelhas (excluindo outras estrelas) só na nossa Via Láctea. Isto é o dobro do que se pensava anteriormente.

A fórmula actualmente considerada para saber se existe água à superfície (sobretudo, distância à estrela e variação de temperatura com altitude) negligencia por completo a influência climática das nuvens, que podem tornar o planeta mais frio (reflectindo a luz solar) ou mais quente (absorvendo a radiação infravermelha).
Planetas na zona habitável da estrela anã-vermelha estão presos gravitacionalmente à estrela, apresentando sempre a mesma face para a estrela-mãe (como a Lua apresenta para a Terra). No lado sempre virado para a estrela, a atmosfera seria extremamente poderosa e as nuvens reflectiriam a luz solar, fazendo com que a superfície pudesse ser nem muito quente nem muito fria, sendo suficiente para ter água à superfície. Se a atmosfera violenta se mantiver em movimento, do lado nocturno do planeta as nuvens poderão manter um “efeito-estufa”, ao absorver a radiação infravermelha que sai da superfície do planeta. Desta forma pode-se manter uma temperatura estável e “morna” à superfície.

Esta ilustração mostra a simulação de nuvens (parte branca) numa planeta que está gravitacionalmente preso à sua estrela amã vermelha. Crédito: Jun Yang

Esta ilustração mostra a simulação de nuvens (parte branca) num planeta que está gravitacionalmente preso à sua estrela anã vermelha. Crédito: Jun Yang

Claro que isto ainda são somente modelos, simulações computacionais, com base naquilo que podemos fisicamente especular.
Mas se é verdade ou não, só observações do fenómeno nos podem confirmar ou desmentir.

Leiam aqui e aqui, e artigo científico.

3 comentários

2 pings

  1. Curiosamente somos emfim “raros” já que as conclusões atuais é que é mais fácil surgir vida e ela prevalecer por muito tempo em sistemas com anãs vermelhas.
    Eu já tinha falado isto a muito tempo e na época me contestaram falando que as anãs vermelhas eram muito irregulares e teriam rajadas cósmicas altamente destrutivas de tempos em tempos oq impediria o desenvolvimento da vida.
    Na época também falei que isto não ocorreria com todas e parece que a ciência também chegou a esta conclusão legal.

    Agora que chegamos a conclusão de onde “em temos de tipo” elas as outras formas de vida se encontram seria interessante saber em termos de regiões na galáxia,
    Claro, a informação atual que temos nos faz concluir que a vida poderia ser disseminada de forma homogênea na galáxia, e eu concordo.
    Mas assim mesmo podemos ter conclusões sobre onde elas não devem existir e diminuir a região a ser procurada.
    Por exemplo, regiões de nebulosas recentes a princípio poderiam ser descartadas já que não haveria tempo de formar a vida e a vida que existiria naquela região deveria ter sido extinta na supernova que antecedeu a nebulosa.
    Ok, é um exemplo muito simplista, mas esse tipo de abordagem pode resultar num mapa de lugares a serem mais suscetíveis a ter vida.

  2. Já é possível estudar as atmosferas de planetas extrasolares para quem sabe, um dia, detetar presença de vida.

  3. Mesmo que soubéssemos sobre esses planetas e onde eles estão, com a nossa tecnologia atual, não teria como mandar uma sonda ou chegar até.

  1. […] 17 bilhões de planetas terrestres (gráfico). Anãs vermelhas (100 bilhões de planetas, 60 bilhões de planetas habitáveis, planetas terrestres habitáveis). Anãs Castanhas (próximas com planetas, vários planetas, […]

  2. […] não es­pe­cula a par­tir do nada, baseia-se em mo­de­los com­pu­ta­ci­o­nais fei­tos por in­ves­ti­ga­do­res do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica que […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.