Como nascem as Teorias da Conspiração

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O famoso programa Frontline, um dos programas mais galardoados da história da televisão, fez uma reportagem fantástica sobre as Teorias da Conspiração. Nos EUA passa na PBS. Em Portugal passa na TVI24, num programa chamado “Observatório do Mundo”.
Recomendo que vejam este documentário. Explica de forma extraordinária como nascem e se desenvolvem as Teorias da Conspiração, e sobretudo explica a psicologia das pessoas.

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Estas foram algumas notas que fui tirando durante o documentário:

Os crentes em conspirações privilegiam as explicações simples e claras.
Tudo o que seja demasiado complexo de compreender, é substituído por uma resposta simples, única, e fácil de assimilar.

Os crentes em conspirações não são cépticos.
O cepticismo é colocado de lado, sendo que é seguida obsessivamente uma crença em algo pouco ortodoxo.

Os crentes em conspirações acreditam no que é dito, sem sentido crítico.
Como Michael Shermer diz: o ser humano está preparado para acreditar naquilo que lhe dizem.
Basta estar na rádio, televisão ou internet, que as pessoas acreditam rapidamente que a informação que lhes foi transmitida é verdade.

Os crentes em conspirações ignoram as evidências.
Toda e qualquer evidência a favor da “explicação oficial” é colocada de lado ou então é convertida em mais uma “prova” da conspiração.

Os crentes em conspirações adoram a internet.
Na internet, sob anonimato ou identidades falsas, podemos criar a história mais louca, que há sempre alguém que vai acreditar nela.
A internet potencia as conspirações, porque repetir as mesmas mentiras por todo o lado, leva a que alguns acreditem nessas mentiras, e daí que a mentira passa a ser verdade para alguns.

Os crentes em conspirações sentem-se especiais.
As conspirações fazem as pessoas sentirem-se especiais, porque sentem que têm acesso a informações proibidas e secretas. Sentem que fazem parte de um grupo restrito de “agentes especiais”.

Se queres conquistar a atenção de uma pessoa, diz-lhe que está a ser enganada por outros. Se queres que essa pessoa não desvie a sua atenção de ti, então explica-lhe como ela está a ser enganada. Essa explicação tem que ser bastante elaborada e complexa, mas contada de uma forma simples e directa, que seja facilmente compreensível. E inclui alguns pinguins na explicação.

Se queres conquistar a atenção de uma pessoa, diz-lhe que está a ser enganada por outros. Se queres que essa pessoa não desvie a sua atenção de ti, então explica-lhe como ela está a ser enganada. Essa explicação tem que ser bastante elaborada e complexa, mas contada de uma forma simples e directa, que seja facilmente compreensível. E inclui alguns pinguins na explicação.

Os crentes em conspirações acreditam em tudo o que lêem, logo que estejam disponíveis para concordar com o que é dito.

Os crentes em conspirações privilegiam a crença.
A crença vem primeiro e só depois vêm as “provas” para sustentá-la.
Só as evidências a favor das crenças é que contam.
Há um reforço constante daquilo em que já acreditam.

Os crentes em conspirações detém uma crença forte que não é facilmente combatida.
Em parte faz lembrar a crença de que o nazismo não foi tão mau como se pinta. Ainda hoje há quem acredite que tudo não passa de uma conspiração histórica. É uma crença incrivelmente forte que resiste a todas as evidências que existem.

Os crentes em conspirações assumem que o tamanho do evento tem que ter uma causa do mesmo tamanho.
A conspiração é proporcional ao evento que lhe deu origem.
Na verdade, todos nós queremos acreditar que esta ligação é verdadeira.
Por isso, é extremamente difícil pensarmos que um enorme evento, como por exemplo assassinarem o presidente JFK, poderia ser obra de uma só pessoa louca.
O nosso primeiro pensamento é que a causa tem que ser tão imponente como o efeito, por isso teria que ser pensada por uma enorme instituição secreta.

Os crentes em conspirações acreditam que a crença é proporcional ao evento.
Quanto maior for o evento, maior é a crença numa conspiração.
Se os eventos são menores, como um homicídio de uma pessoa normal, então será um evento “normal”, que acontece.
Se os eventos são enormes, como o homicídio de JFK, então será um evento “anormal”, e por isso a causa também será anormal – terá que ser uma enorme conspiração.

Os crentes em conspirações acreditam numa ordem das coisas.
Todos nós queremos controlar o mundo à nossa volta. Por isso, temos tantas crenças e mitos. Sempre tentamos isso. Por isso é que se faziam os sacrifícios humanos, por exemplo, para termos chuva. Era uma forma de nos enganarmos de que podíamos controlar “os deuses”.
No caso das conspirações é similar. Nós queremos controlar os acontecimentos. O Universo tem que ter uma ordem. Por isso precisamos acreditar que as coisas não acontecem por acaso, que não são simples “coincidências”, que não são obra de alguém que acorda de manhã e decide fazer algo grandioso.
A forma de nos enganarmos e termos a sensação que controlamos os acontecimentos, é pensarmos que o efeito só aconteceu se existiu uma ordem por trás, se tudo foi controlado.

Os crentes em conspirações são pessoas com muito medo.
Têm medo do desconhecido, de tudo aquilo que não entendem, não compreendem ou não façam parte.

Os crentes em conspirações são pessoas com raiva.
Têm raiva daqueles que têm conhecimento, que têm o poder do conhecimento.
Por isso, as ideias de conspiração têm como alvos primordiais o governo ou organizações secretas, já que são essas instituições que detém mais poder e mais conhecimento sobre a população.
Mas claro que essa raiva por vezes estende-se a outros grupos e instituições que detém conhecimento, como os cientistas.

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5 comentários

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  1. Também há pessoas doutoradas, engenheiros, médicos, professores que acreditam em milagres e fantasmas E isso não faz das crenças verdades.
    O conspirador é uma espécie de preguiçoso ignorante. Cria a sua própria verdade Baseada em fragmentos recortados e montados na sua ordem imaginada construindo a sua realidade, e nada o demoverá daquilo que acredita. Equiparáveis mesmo a crentes religiosos, que por mais provas do contrario, continuam cegos na sua crença de tão envoltos que estão na sua espiral paranóica.
    São um atraso na evolução humana e grande parte deles não pratica aquilo que apregoa. Vivem numa constante caça às bruxas dos tempos modernos.
    Engraçado verificar que à minha volta todos eles obedecem a um padrão: têm entre 30 – 40 anos, são desempregados e vivem em casa dos país à custa dos mesmos.
    Crêem-se os vigilantes do mundo e os únicos iluminados de “mente aberta”.

    Intransigentes a qualquer outra opinião que não a deles. Vulneráveis a contos de fadas e para quem um cientista ou um médico não tem qualquer valor. (Menos quando adoecem e vão ao médico, ai esquecem tudo porque lhes convém).

    Mas o pior de tudo é que não se podem aturar. Xiça.

  2. Eu não achei o documentário, existe algum nome ou link?

  3. Olha achei que talvez fosse me dar mais lucidez sobre o assunto e me deixar mais crítico sobre essas teorias, mas como o amigo falou acima é muito tendencioso, sinceramente não me enquadro no perfil descrito pelo cientista. Se todas essas teorias conspiratórias são mentiras tem muita gente ai nos USA enganada, pessoas que tem muito conhecimento técnico e científico também, pois o que dizer dos engenheiros e arquitetos que questionam a queda das torres gêmeas? São muitas pessoas, são muitas provas e o que vemos é o governo se esquivar e abafar o assunto.

    1. Os cientistas e engenheiros e arquitectos são pessoas. Também podem ser enganados.
      Basta ler os estudos sobre literacia funcional.

      abraços

  4. Este documentário é tão terrivemente tendencioso… que dá vómitos. Palavra de honra!

  1. […] Separar factos de ficção. Distinguir fantasia de especulação e de factos. Sagan. Magia. Teorias da Conspiração (razões biológicas). Brian Cox: literacia científica. Xadrez Cósmico. Beleza da Ciência. […]

  2. […] é um tema recorrente aqui no AstroPT, mas depois da matéria do Carlos sobre o programa Frontline que versou sobre o tema, resolvi postar aqui um texto meio ensaísta que escrevi um tempo atrás sobre o […]

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