O livro ‘Minas dos Carris – Histórias mineiras na Serra do Gerês’ e a busca do conhecimento

(Microsoft Word - Hist363ria das Minas dos Carris.doc)

Mas que raio é que este livro tem de relacionado com a Astronomia?“, perguntam muitos de vocês e eu respondo-lhes desde já… ‘Absolutamente, nada!‘ Isto é se tirarem o facto de pensarem que nos idos anos 40 e 50 do século passado, alguém que trabalhasse nos píncaros geresianos se pudesse deleitar com um céu estrelado e de um negro profundo sem ser contaminado com as bolhas que hoje pintam de vermelho sangue o horizonte nocturno dos Carris…

Então, o porquê deste artigo? O Carlos lançou-me o desafio de escrever algo sobre o livro tendo em conta a campanha de financiamento que está a decorrer. A questão inicial era a de como é que conseguiria integrar este livro numa página destas, isto é, como relacionar o livro com o astroPT.

O astroPT não fala somente de Astronomia ou de Ciência, fala também da nossa eterna busca do conhecimento, para muitos de nós o eterno licor da alma. E este livro tem na sua génese a vontade por parte do autor em procurar saber mais, conhecer mais sobre aquele local.

As Minas dos Carris são nos nossos dias quase como que um prémio ou um objectivo para muitos dos amantes dos desportos de montanha. Os terríveis 9,8 km de um caminho infernal através das montanhas no Norte de Portugal, levam-nos a um lugar que muitos consideram carregado de misticismo e mistério devido à sua peculiar localização. Estando a cerca de 1400 metros de altitude, o abandonado complexo mineiro desperta paixões e a veia poética de muitos.

No entanto, aquele é por estes dias um lugar sem história. Quer dizer, história não falta naquelas ruínas porém, tirando um ou outro relato que se vai turvando na prosa de cada um, nada existe que nos possa contar a história do local. Não a vou abordar aqui, pois não faz parte do objectivo do artigo, mas o facto é que aquele é, por estes dias, um lugar sem história!

Foi isto que despertou no autor a vontade de saber mais, investigar sobre a história das Minas dos Carris. O autor encontra-se nos antípodas académicos da Arqueologia Industrial, disciplina por excelência que estuda e tenta preservar estas memórias abandonadas. Assim, lançou-se num desafio de mais de 7 anos para tentar saber mais.

Nestes 7 anos, e sem qualquer apoio por parte de qualquer entidade oficial, o autor percorreu milhares de quilómetros a pé pela montanha em busca de sinais e vestígios da prospecção mineira na Serra do Gerês (as ruínas são em si um manancial, mas os vestígios noutros locais acabariam por surgir), fez várias visitas aos arquivos mineiros tanto em Lisboa como no Porto, passou horas infindáveis mergulhado no meio de poeirentos livros e papéis bem como na Biblioteca Municipal de Braga, nos arquivos de Terras de Bouro e de Vieira do Minho. Visitou inúmeras pessoas em Montalegre, Campo do Geres, Caldas do Gerês, Covide, Cabril, Outeiro, Porto, etc., etc., etc., além de passar horas infindáveis a estudar velhos mapas. Contactou com pessoas na Argentina, Austrália, Espanha e Luxemburgo. Tudo isto somente com o intuito de desvendar todos aqueles segredos que a história das Minas dos Carris nos guardavam.

Esta é também lá no fundo, a história de como a busca apaixonada pelo conhecimento nos faz contribuir para escrever um pouquinho da história contemporânea de Portugal… algo que uma entidade oficial qualquer deveria fazer…

O livro ‘Minas dos Carris – Histórias mineiras na Serra do Gerês’ está agora numa campanha de financiamento em http://ppl.com.pt/pt/prj/minas-dos-carris pois o autor chegou ao limite das suas capacidades e sem esta ajuda seria incapaz de concretizar o objectivo de todo este processo… divulgar o conhecimento!

Imagem: Rui C. Barbosa

5 comentários

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    • Maria Fátima Gonçalves on 31/08/2016 at 18:50
    • Responder

    As Minas dos Carris pertenceram ao meu avô Domingos Lopes (natural da Ponteira e que depois viveu com a família em S.Bento de Sexta Freita) que as explorou até que um Senhor Importante de Montalegre tentou roubar-lhe a posse do terreno. O meu avô foi para Tribunal e provou que tinha registo de propriedade mas o processo foi longo e as minas estiveram paradas durante muito tempo. Quando a sentença lhe deu ordem para reabrir já a guerra estava no fim e o minério valia pouco.
    Verifico que aparece o nome Domingos Silva, não sei se será engano mas o meu avô era Lopes e não Silva.
    Peço desculpa mas gostava de saber por que razão, no seu estudo, não aparece o Domingos Lopes que eu tenho a certeza que explorou e foi proprietário dessas minas e teve uma disputa com esse tal “Tenente” em Tribunal.

  1. A abordagem numa parte inicial será antropológica, mas acabam as duas por se interligar em certa altura do livro.

    • Carla Pocinho on 13/10/2013 at 18:44
    • Responder

    A abordagem para o livro está no âmbito da Arqueologia Industrial, ou no âmbito da Antropologia? É que pela descrição feita parece-me mais uma questão antropológica, mas obviamente as ciências cruzam-se todas e por vezes é muito difícil situar uma questão que se coloca.

  2. Lembremo-nos também que das minas “nasceram” matérias-primas para muita da tecnologia científica feita na altura… 😉

    • isa marreiros on 12/10/2013 at 14:30
    • Responder

    Adorei 🙂 Concordo quando diz que o Astropt não é só ciência mas essencialmente a eterna busca pelo conhecimento 😉 e este é realmente um exemplo dessa busca pela memória de um lugar, ir ao fundo da questão, conhecer para poder compreender… nada que um cientista não faça, né? Não conhecia e existência desse lugar e fui investigar 😉 achei que é um paraíso desconhecido e tenho de experimentar aquele passeio da Portela do Homem até às minas 🙂 Obrigada

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