Ceres: Antes da Dawn

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Ceres (foto: Hubble)

Antes que pela primeira vez uma Sonda chegue a Ceres, o que os cientistas sabem sobre esse mundo tão próximo e mesmo assim tão misterioso? Por quais razões esse estranho habitante do Cinturão de Asteroides entre Marte e Júpiter desperta a atenção de Astrônomos, Futuristas e até mesmo Astrobiólogos?

Apesar de estar muito mais próximo e ser maior que muitas luas do sistema solar exterior, Ceres é bem menos conhecido – uma vez que essas luas foram muito observadas pelas sondas expedicionárias e orbitais, algumas com missões no século passado, que visitaram os planetas gigantes ao redor dos quais essas luas orbitam, enquanto que Ceres ainda espera sua primeira visita para 2015, pela sonda Dawn.

A história de Ceres envolve trés mudanças de categoria. Em primeiro de janeiro de 1801,  Giuseppe Piazzi, que investigava estrelas  num telescópio do alto do Castelo Real de Palermo, na Sicília, descobriu acidentalmente um pequeno Planeta, que pareceu fechar a equação da lei de Titius-Bode, para um objeto planetário faltante no vazio entre as órbitas de Marte e Júpiter.

Inicialmente considerado um Planeta, Ceres foi reclassificado como Asteroide a medida em que novos objetos de tamanho semelhante foram sendo encontrados nesse espaço, classificação essa definida por William Herschel, o descobridor de Urano e muitas luas exteriores. Por volta de 2006, os debates em torno do status de Plutão e outros objetos dos confins do Sistema Solar redefiniram a classe de Ceres como um Planeta Anão, até então o único numa órbita perto do Sol.

 

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Sistema Solar Interior e órbita de Ceres

Trajetória e Dominância Orbital

O Cinturão de Asteroides fica entre as órbitas de Marte e Júpiter, e estar aí é a principal razão da classificação de Ceres no novo catálogo como Planeta Anão. Nessa região, o objeto tem entre seus atributos o fato de não ter limpado sua órbita de planetesimais como os planetas principais fizeram.

No entanto, Ceres é o maior e mais massivo objeto na região, com um terço de toda a massa do Cinturão, exercendo influência gravitacional sobre diversos outros objetos. O ano ceresiano é 4,6 anos terrestres, e seu dia cerca de 9 horas.

 

 

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Superfície gelada – composição artística

Superfície e Atmosfera

Muito pouco se sabe sobre a superfície do planeta-anão. Os estudos espectrais indicam presença de materiais hidratados, um indício de significativas massas de água em seu interior. Ferro, argilas e minerais de carbonatos, que são comuns em meteoritos carbonáceos. Há indícios de que Ceres possa ter uma tênue atmosfera com fonte em vapor d’água, pois o gelo da superfície pode sublimar em função da radiação solar – algo comum até pelo menos distâncias de 5 UA ao Sol (1 UA é igual à distância da Terra ao Sol). As medições na faixa do ultravioleta também indicaram hidróxidos provenientes do polo norte de Ceres, um produto da dissociação do vapor de água pela radiação solar.

Associada à pouca gravidade e ausência de campo magnético, é provável que haja produção e perda constante da atmosfera.

 

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Um estrangeiro no Sistema Solar Interior

Estrutura

Os estudos indicam que Ceres deva ter um grande núcleo rochoso envolto num manto de gelo, algo incomum para os mundos do sistema solar interior, sendo que o outro planetoide do cinturão, Vesta, apresenta estrutura mais similar aos planetas telúricos, o que faz com que Ceres pareça um estrangeiro nessa região, e um componente perdido do Cinturão de Kuiper, a região dos planetas anões plutóides e trans neptunianos. O manto é parte de maior interesse em Ceres, ele corresponde a 25% da massa e 50% do volume planetário, e teria algo em torno de 200 milhões de quilômetros cúbicos de água, uma quantia maior que toda a água doce da Terra.

Na astrobiologia, Ceres não chega ao status de interesse de Europa ou Marte, mas se confirmada a presença de gelo de água e alguma química orgânica pode haver especulações em torno de algumas formas de vida em sua forma mais simples terem encontrado sua morada nesse pequeno mundo. Alguns calculam hipóteses sobre um possível oceano líquido perto do núcleo, onde a pressão gera o calor necessário – as chances podem ser maiores se houver a presença de sais ou outras substâncias anticongelantes dissolvidas na água. O oceano de Ceres seria análogo ao de Europa ou Ganimedes, mas igualmente de difícil acesso.

 

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Sonda Dawn

Exploração e Futurismo

A sonda Dawn, lançada pela Nasa em 2007, estudou Vesta até 2012 e depois partiu na direção de Ceres – onde deve chegar em fevereiro de 2015, sendo a primeira sonda a chegar até um Planeta Anão. Dawn é uma sonda muito tecnológica, e foi projetada para orbitar Ceres tal qual orbitou Vesta, uma inovação em termos de precisão orbital e controle.

Ceres ocupa um importante papel entre os futuristas da exploração espacial. A posição de Ceres no Sistema Solar e sua natureza oferecem recursos estratégicos em vários aspectos e pode servir de base fundamental na exploração e mineração dos asteroides – o tamanho planetário e gravidade regular oferece boas condições para a instalação de bases, e a radiação solar ainda oferece boas opções energéticas. Completando, Ceres ainda oferece recursos como água e oxigênio, também combustíveis para naves que explorarão o Cinturão de Asteroides e expedições aos mundos do sistema solar exterior.

 

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