Mar 12

Sol

Era uma vez uma nuvem grande e poeirenta que vivia triste e sozinha num sítio muito escuro e frio. Era tanta a poeira que não conseguia ver nada à sua volta. Viveu assim muito tempo até que um dia percebeu que estava lentamente a encolher. No início ficou um pouco preocupada porque não percebia o que lhe estava a acontecer. Depois, habituou-se e até gostava porque à medida que encolhia ficava cada vez mais quentinha e girava cada vez mais depressa, como uma bailarina.

Isto continuou durante muito tempo com a nuvem a ficar cada vez mais pequenina, mais quentinha e a rodopiar cada vez mais rapidamente. Certo dia sentiu algo diferente. Parou de encolher e do seu interior, ainda mais quente do que o habitual, começaram a sair raios de luz. A pequena nuvem tinha-se transformado uma estrela!

Recém nascida, a estrelinha espreguiçou-se, limpou os olhos ainda sujos com poeira e observou com atenção em redor. À sua volta, à distância, havia muitas nuvens escuras mas também algumas muito coloridas, e junto delas luzes muito brilhantes. Alguns raios de luz que chegavam dessas luzes segredavam-lhe incessantemente aos ouvidos:

– Como te chamas ?
– Como te chamas ?
– Como te chamas ?

A estrelinha quis responder de imediato pois estava muito curiosa e sentia-se só e desejava muito ter alguém com quem conversar. Mas só depois se lembrou que ainda não tinha nome! Tinha de escolher um rapidamente! Pensou por uns momentos e pela sua cabeça passaram muitas belas palavras. Gostou de uma em particular pela forma como as suas letras pareciam fazer música, e decidiu, falando para consigo mesma:

– Vou chamar-me Sol.

Então, pegou em alguns dos seus raios de luz e atirou-os na direção das luzes brilhantes dizendo:

– O meu nome é Sol ! Quem são vocês?

Depois esperou. Passaram-se minutos, horas, dias …. até que desesperada por não receber nenhuma resposta, decidiu mandar raios de luz com a mesma mensagem em todas as direções.

– Porque não respondem?

pensava ela em voz alta.

Estava ela imersa nestes pensamentos há poucos minutos quando chegou um pequeno raio de luz com uma mensagem:

– Olá Sol ! O meu nome é Mercúrio e ando sempre muito apressado.

Poucos minutos depois uma outra mensagem:

– Olá Sol! O meu nome é Vénus e, apesar de estar coberto de nuvens, estou sempre muito quente.

E outra ainda:

– Olá Sol! O meu nome é Terra e tenho grandes oceanos, florestas e desertos!

E mais uma:

– Olá Sol! O meu nome é Marte e sou um deserto pintado de vermelho!

A pequena estrela estava espantada:

– De onde viriam estes murmúrios?

E eles continuavam a chegar mas agora demoravam cada vez mais tempo e os raios de luz segredavam ao seu ouvido cada vez mais baixinho:

– Olá Sol! O meu nome é Júpiter e tenho muitas nuvens coloridas e grandes tempestades!

– Olá Sol! O meu nome é Saturno e tenho um belo anel à minha volta!

– Olá Sol! O meu nome é Urano e em vez de andar, rebolo!

– Olá Sol! O meu nome é Neptuno e aqui faz muito frio e vento!

Tinham passado umas cinco horas desde a primeira mensagem, e então elas pararam de chegar. Oito mensagens, oito novos amigos, pensava a pequena estrelinha:

– Mas onde estarão eles?

Olhou em volta e foi então que viu oito pequenas luzinhas que pareciam girar à sua volta, como mariposas à volta de uma lâmpada, uns mais depressa outros mais devagar. Então perguntou-lhes:

– Porque é que a vossa luz é tão fraca? Quase não vos consigo ver!

Júpiter, o maior deles, respondeu-lhe uns minutos mais tarde:

– Não conseguimos fazer luz como tu. Só brilhamos porque apanhamos alguns dos raios de luz que atiraste na nossa direção e usamo-los para falar entre nós e para falar contigo.

E a estrelinha voltou a perguntar:

– E de onde é que vocês apareceram ?

Desta vez foi o Saturno a responder:

– Nascemos de pedacinhos pequeninos da tua nuvem que giravam à tua volta. Fomos juntando os pedacinhos um a um até ficarmos deste tamanho, mas não conseguimos ficar tão grandes como tu e, por isso, não conseguimos fazer raios de luz.

A estrelinha percebeu então que os seus novos amigos não eram iguais a si, mas isso não importava. Estava contente por não estar só. Passava horas todos os dias a falar com os seus amigos para os quais inventou outro nome engraçado – Planetas.

Uns anos mais tarde, inesperadamente, recebeu a primeira de várias respostas das luzes brilhantes a quem enviara os seus primeiros raios de luz:

– Olá Sol ! Somos tuas irmãs, estrelas como tu!

E outros raios mais chegaram que diziam:

– Nascemos primeiro que tu, noutras nuvens escuras.

– Desculpa termos levado tanto tempo a responder mas estamos tão longe que os nossos raios de luz demoram muito tempo a chegar até aí.

– Vês estas nuvenzinhas escuras à nossa volta? São nossas irmãs que ainda estão por nascer!

A estrelinha ficou cheia de felicidade porque agora a sua família era muito maior. Aos seus oito amigos planetas juntaram-se agora as luzes brilhantes que vira e que afinal eram estrelas como ela. E em brevemente haveria ainda mais. E pensou finalmente:

– Que lindo sítio este em que nasci e que bela família eu tenho. Acho que nunca mais me vou sentir sozinha.

4 comentários

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  1. Excelente!! 😀

  2. Está espectacular, Luís. Já está prometida ao meu filho. 🙂

    • Samuel Junior on 14/03/2014 at 16:09
    • Responder

    Ótima história para iniciar as crianças no conhecimento científico. 😀

    • Flor de Lis on 16/03/2014 at 15:16
    • Responder

    Belíssimo conto! Encantador!

  1. […] tempestade, oposição). Úrano (auroras). Neptuno (diamantes). Formação (características, conto, humor). Planeta gigante expulso do Sistema Solar. Fantástica imagem de Saturno, com Terra, Vénus […]

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