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Mar 19

Terraformação, um conceito inviável

Terraformação é um conceito apelativo, mas extremamente especulativo, e, na minha opinião, totalmente inviável.
É um bom sonho de ficção científica, mas a realidade não se compadece com sonhos e a realidade é que terraformação não faz sentido.

O que é a Terraformação?

A wikipedia diz-nos que:
“Terraformação é a denominação dada ao processo, até agora hipotético, de modificar a atmosfera e temperatura de um corpo celeste sólido (como um planeta ou um satélite natural) até deixá-lo em condições adequadas para suportar um ecossistema com seres vivos da Terra.”

Na prática, Terraformar é tornar algo (um planeta ou mesmo uma grande lua) como a Terra.

Apesar de grandes nomes da ciência e da divulgação científica defenderem esta ideia, parece-me que é um conceito totalmente inviável… a vários níveis.

Existe uma inviabilidade ética inerente a este conceito: porque razão iríamos destruir algo totalmente natural para converter em algo para ficar mais de acordo com aquilo que gostamos? Teremos esse direito no Universo? Não chega já fazermos isso na nossa casa (Terra)? Por exemplo, Marte é um planeta belíssimo. Em termos de geologia, poderá mesmo ser um paraíso para os geólogos. Qual a razão para o destruir?

Um projeto destes seria também terrivelmente dispendioso, mais dispendioso do que qualquer empreendimento até agora realizado. É inviável economicamente.

Um projeto de terraformação demoraria, no mínimo, dezenas de milhares de anos. Provavelmente milhões de anos. Seria, assim, inviável temporalmente. Ninguém continuaria um projeto durante muitos milhares de anos…

Politicamente também é inviável. Sendo que um projeto destes demoraria, no mínimo, dezenas de milhares de anos, então não só seriam precisos milhões de governos contínuos sempre a suportar/apoiar o mesmo projeto, mas até tendo em conta que os sistemas políticos mudam, certamente que este projeto não seria sustentável.

As sociedades vão mudando, as culturas também, e as formas de pensar também. Ter um projeto, com a mesma forma de pensar, estagnado durante milhares de anos, seria suicídio social. Alguém imagina que atualmente pudessemos ter um projeto contínuo, sempre o mesmo e sempre viável, começado por um Australopiteco? Socialmente, é um projeto inviável.

Por fim, o mais importante: tecnicamente é um conceito totalmente inviável.

Etapas da Terraformação de Marte

Etapas da Terraformação de Marte

Marte é o “poster boy” para esta ideia de terraformação, ou seja, é o exemplo mais dado, porque é considerado o planeta mais fácil de terraformar.

Mas alguma vez Marte poderia ser como a Terra? Não.

Marte teria que ter mais massa – foi a falta de massa que levou a que a sua atmosfera ficasse rarefeita (ele não conseguiu mantê-la). De que serviria criar uma atmosfera mais densa em Marte, se voltaria a perdê-la? Como se colocaria massa em Marte?

Marte teria que ter um campo magnético como o terrestre. Como o conseguir?

Por mais dióxido de carbono que tiremos de Marte e por mais oxigénio e azoto/nitrogénio que coloquemos em Marte, precisaríamos não só desses, mas de todos os outros gases existentes na atmosfera terrestre. Mais difícil que isso: precisaríamos das mesmas proporções de gases atmosféricos. Mais uma vez, parece-me inviável…

Posteriormente, Marte precisaria de ter uma temperatura e uma pressão semelhantes à Terra, de modo a conseguir ter água à superfície.

Por fim, precisaríamos de colocar em Marte, vida tal como a conhecemos na Terra. Não poderia ser “vida esporádica”, mas sim um ecossistema inteiro.

Crédito da imagem: Stefan Morrell, National Geographic

Crédito da imagem: Stefan Morrell, National Geographic

Além de todas as razões anteriores, existem mais duas razões genéricas para a Terraformação de Marte não ser possível.

Uma delas é que não conhecemos todas as variáveis planetárias.
Existem demasiadas variáveis, que desconhecemos, e existem inúmeras interações entre elas das quais não fazemos ideia.
Se não sabemos essas variáveis, como podemos querer mudar algo se não sabemos o seu funcionamento?

A outra razão passa por definir o planeta Terra. O que é a Terra?
A Terra não é sempre igual. A própria Terra vai mudando. A Terra no tempo dos dinossauros era diferente de agora, em várias coisas, incluindo na constituição atmosférica (percentagem maior de oxigénio, por exemplo). A Terra há somente 2 mil milhões de anos era incrivelmente diferente de agora… nem sequer havia organismos complexos. A Terra antes da vida era incrivelmente diferente de agora… nem sequer tinha oxigénio na atmosfera! A própria vida (a vida terrestre) mudou totalmente a Terra. Quando se fala em Terraformar nunca se tem em conta que na verdade a própria Terra não é uma coisa fixa. Por isso, não se pode terraformar algo se não se sabe sequer de qual Terra – em qual tempo – estamos a falar.

A verdade é que Terraformar é impossível… ou melhor, é extremamente improvável.

Esta é também a razão para nunca encontrarmos uma outra Terra no Universo.
Nunca iremos encontrar um planeta que seja exatamente igual ao nosso neste momento.
Mesmo que encontremos uma outra Terra, poderá ser uma Terra como era no tempo dos dinossauros, ou no tempo em que existiam somente microorganismos, mas encontrar tudo (desde campo magnético, gravidade/massa, constituição atmosférica, vida como a conhecemos, etc) exatamente igual ao que temos parece-me igualmente impossível… ou melhor, extremamente improvável.
No mínimo, tão improvável como existir um outro Carlos Oliveira exatamente igual a mim (desde sinais, passando por doenças e pelas mesmas experiências pessoais, e acabando no segundo exato em que nasci e irei morrer) na Terra. Não existe.

mars_terre

Existe algum sítio no Universo que possa sofrer uma Terraformação?
Sim, a própria Terra.

A Terra terraforma-se gradualmente e continuamente.
Com humanos ou sem humanos, a Terra está sempre a modificar-se. É uma terraformação contínua que já dura há 4,6 mil milhões de anos 🙂

Acerca do autor(a)

Carlos Oliveira

Carlos F. Oliveira é astrónomo e educador científico.
Licenciatura em Gestão de Empresas.
Licenciatura em Astronomia, Ficção Científica e Comunicação Científica.
Doutoramento em Educação Científica com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas.
Criou e leccionou durante vários anos um inovador curso de Astrobiologia na Universidade do Texas.
Foi Research Affiliate-Fellow em Astrobiology Education na Universidade do Texas em Austin, EUA.
Trabalhou no Maryland Science Center, EUA, e no Astronomy Outreach Project, UK, recebeu dois prémios da ESA, e realizou várias palestras e entrevistas nos media.

50 comentários

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  1. Diego Rodrigeus

    Olá Carlos, vc poderia, caso seja possível, divulgar uma matéria a respeito da defasagem ou desatualização da Equação de Drake?
    Até onde eu sei, nem todas as variáveis desta equação podem ser consideradas válidas atualmente, depois de várias décadas passadas após a sua proposta.
    No entanto, mesmo sites ou blogs que divulgam ciência a mencionam como se a mesma ainda fosse válida.

    Obrigado pela atenção!

    Diego Rodrigues.

    1. Carlos Oliveira

      A equação de Drake serve atualmente como organizadora de aulas, por exemplo.
      No entanto, está já desatualizada.

      Drake não considerou luas ou outras galáxias, por exemplo.
      Outro exemplo? A maior parte das estrelas no Universo são binárias, e sabe-se agora que podem ter planetas ao seu redor.
      Outro exemplo? Anãs castanhas/marrons também podem ter planetas a orbitá-las.

      Existem várias atualizações que atualmente se podem fazer 😉

      Mas Drake foi fantástico na altura, quando pensou na equação. E da forma como o fez 😉
      E as variáveis que ele incluiu na equação, ainda hoje são importantes.
      Simplesmente, hoje pensa-se em mais variáveis do que aquelas que se conheciam na altura 😉

      abraços!

      P.S.: este é um exercício que dou aos meus alunos: analisar a equação e modificá-la da forma que eles pensam que ficaria melhor cientificamente 😉

    2. Rui Costa

      Mas há que ter em atenção um detalhe muito importante…
      A Equação de Drake, sendo uma equação matemática, está sujeita às regras da matemática.

      Como é uma multiplicação de vários factores, o valor a que chegamos será sempre variável, de acordo com a variação dos valores que atribuímos a cada um dos factores. Podemos ser mais optimistas em relação a um ou a outro, estabelecer uma margem de variação maior ou menor para cada factor, etc.
      Mas, uma das propriedades da multiplicação, é a “propriedade da existência do elemento absorvente”. O 0 (zero) é o elemento absorvente da multiplicação.
      Sendo a Equação de Drake uma multiplicação com uma longa cadeia de factores, basta que um dos factores seja zero para que o produto seja igual a zero.

      Claro que isto seria um enorme desperdício de espaço mas, na verdade, nós não fazemos a mais pequena ideia da abundância de vida no Universo. Tudo o que conhecemos é um único exemplo: o nosso.

  2. Alberto Diniz

    Sei que não tem haver com o assunto mas posso pedir que façam uma postagem sobre a nova treta apocaliptica envolvendo os proximos eclipses lunares (conhecidas pelos pseudos como Luas Sangrentas)? não aguento mais gente ignorante falando disso para mim. agradeço a atenção

  3. gabriel

    sera q drake errou muito em sua equaçao? e dificil pra mim(e talvez para outras pessoas) aceitar q estamos sozinhos no universo; acho frustante o fato de q, em algum possivel futuro em q a raça humana esteja a beira de uma inevitavel extinçao, nao tenha ninguem afora q possa testemunhar a nossa presença neste vasto universo, seremos esquecidos como um simples esmagar de uma formiga… talvez o uniico legado q iremos deixar sao os sinais de radio vagando pelo eterno espaço….

    1. Carlos Oliveira

      Criar uma equação e imaginar valores para cada fator são coisas diferentes. Drake criou a equação.
      Se o Gabriel disser que N = X + Y x Z + G não está a dizer se estamos sozinhos ou não…

      abraços

  4. Luciano Quintana

    Carlos, como deve ser estimulante e merito de orgulho ter um professor desse nivel.
    Pena que aqui a onde moro, não exista incentivo para estudos cientificos.
    Não fiz e nem tenho condições de fazer uma faculdade, mas estudo por conta Fisica e Astronomia por conta propria, desde que comecei a ler seus artigos.
    Abraço e parabéns pelo sucesso.

    1. Carlos Oliveira

      Obrigado 🙂

  5. Miguel Albino

    Titã é ainda menor que Marte e possui uma atmosfera mais densa que a da Terra…

    1. Manel Rosa Martins

      Pois tem, e como tem muito menos massa a sua atmosfera estende-se por mais de 1, 400 km.

      Poderá até ter um campo magnético próprio, o que se sabe é que o campo magnético de Saturno (um objecto enorme que é um anel exterior – é o 3º maior objecto do sistema solar) parece proteger a superfície de Titã das radiações solares, resultando numa protecção algo semelhante à da Terra pelo seu campo intrínseco.

      Entretanto as temperaturas muito baixas da superfície, que rondam os -160º C, são mais semelhantes à nossa Lua nas amplitudes mais baixas.

      Como seria viável aquecer artificialmente Titã? Não seria.

      O exemplo que Miguel utiliza é excelente, Titã tem algumas semelhanças com a Terra de há milhares de milhões de anos atrás, dalguma forma essas semelhanças já o terra-formaram, as diferenças é que são tão vincadas que inviabilizam a vida como a conhecemos na Terra neste momento.

      Pode haver vida em Titã, com a mesma “base” de blocos da vida, mas a ser detectada teve que se adaptar de formas muito diversas.

      Um urso polar não sobrevive num deserto equatorial, nem sobrevive a -160º C.

      Resumindo, pode haver vida em Titã, pode haver condições para uma colónia humana sobreviver, mas não há uma probabilidade viável de se lá ir à praia de bikini e fato de banho, ou seja sem protecção artificial.

      Também não estou a ver flores muito bonitas de Estação, que numa estação de 9 anos sobrevivam regadas com, essencialmente, gasolina.

      Isso não impede que deveria haver tão cedo quanto possível uma Missão Humana a Saturno e a Titã.

      Seria é, por enquanto, uma missão suicida. O espaço não está terra-formado, não há ainda protecção eficaz para os astronautas. Uma Missão humana a Marte é ainda também suicida. Classificá-la doutra maneira seria estar a mentir aos candidatos a Astronautas.

      Não se deve mentir, sobretudo a um ou a uma Astronauta. 🙂

    2. Carlos Oliveira

      Miguel,

      Correto.

      Como o Manel referiu, terá sido Saturno a proteger essa lua, uma proteção que Marte não teve…

      Pode também ser uma questão temporal. Neste momento, vemos uma atmosfera substancial em Titã e rarefeita em Marte. Sabemos que há 3 mil milhões (bilhões, no Brasi) de anos Marte tinha uma atmosfera substancial… e na altura Titã poderia ser uma simples rocha ainda a formar-se.

      Ou seja,, é verdade, o que diz 🙂
      Mas pode ser um atributo temporário e/ou de proteção externa 😉

      abraços!

      P.S.-: já se fossemos viver para uma Titã terraformada, é como o Manel diz, além de termos mais “peso” (pressão atmosférica superior) morreríamos com o que Saturno nos enviava em forma de radiação 😉

  6. Ricardo Correia

    Então, Carlos?! Deixou de acreditar na ciência? Há 700 anos atrás ninguém acreditava em telecomunicações e elas hoje existem. Eu acredito totalmente que a ciência vai resolver esse puzzle, nem que demore 700 anos. Vamos ter humanos em Marte com água, cerveja e futebol. 🙂

    1. Carlos Oliveira

      Eu nunca acreditei na ciência, porque na ciência não se acredita: ou funciona ou não 😉

      As telecomunicações são diferentes da terraformação. Nós sabemos o que é preciso para haver terraformação. Há 700 anos ninguém sabia sobre essas ondas do espetro eletromagnético.

      abraços

      1. Ricardo Correia

        🙂 abraço

      2. Jordy

        também diziam que era impossível foguetes deixarem a terra. Nosso conhecimento é extremamente ilimitado. Agora em nosso tempo é claramente impossível terraformar um planeta. Mas não descarto a possibilidade de no futuro com novas descobertas e avanços se possa realizar tal façanha. Muita coisa pode se descobrir conforme avançamos. Sabe se lá como estará a humanidade (caso não nos destruamos) daqui uns 10.000 anos talvez. supondo que nossa espécie e civilização tecnológica durem até lá.

      3. Jordy

        pequeno erro no comentário, eu quis dizer “conhecimento limitado” não “ilimitado”.

  7. Samuel Junior

    Concordo com o texto em quase tudo. Terraformação pra mim é um sonho muito longe de ser realizado a médio prazo (entenda isto como algo próximo dos 10 mil anos). Aqui que está o ponto do qual eu discordo. No documentário TROM é explicado por aquele cientista de ascendência oriental (cujo nome esqueci) os “níveis” civilizatórios considerando a necessidade energética de uma civilização extraterrena qualquer.

    Se um dia o ser humano conseguir absorver energia estelar em grandes quantidades pode ser viável a terraformação de planetas como Marte. No momento não, a temperatura média de Marte congela qualquer ser vivo baseado em água da Terra instantaneamente. Sem falar da atmosfera como falado no texto. Só seria viável se pudesse, por meio de dispositivos artificiais (provavelmente satélites) e com grande gasto de energia (por isto só enxergo viabilidade disto com uma civilização “solar”, como explicado) para aquecer o planeta a temperaturas parecidas com a da Terra.

    1. Carlos Oliveira

      Esse é um ponto interessante: civilizações de tipo II ou III na classificação de Kardashev. Não consigo sequer imaginar o que elas poderão fazer… ou o que poderão ser.
      Nesse caso, pode ser viável… não sei. Mas só nesses casos, sim. Não num género de civilização a que estamos habituados.

      abraços!

      1. Ricardo André

        Eu acredito que com um nível de educação mais eficiente e com um maior equilibrio entre classes, seja possivel evoluirmos para uma civilização bi-planetária e ir progredindo com a evolução da zona habitável do Sol enquanto vai envelhecendo.

        Esse será o grande passo da Humanidade a longo prazo.

        Titã ainda vai ser a nossa casa! 😉
        E Plutão se transforme na nossa nave interestrelar! 😉

        Mas ainda estamos muito longe de isso acontecer…
        E talvez não tenhamos tempo para tal…

  8. Jonatas

    E penso por um lado muito simples: tendemos a artificialidade, deixaremos de viver em um planeta assim como nossos ancestrais deixaram de viver em cavernas e construíram aldeias, depois cidades, e depois, no futuro, bases espaciais.. – no futuro, bases espaciais, climas internos controlados por computador, biosferas pré-planejadas, e até mesmo variedades de plantas e animais com evolução programada e engenharia genética. Pra ficar sujeito a viver em Planetas a merce da imprecisão da Natureza?

  9. Rodrigo

    Quase todas as dificuldades científicas podem ser contornadas – até gravidade e campo magnético artificiais são tecnicamente possíveis, no futuro. Claro que atualmente não – num futuro próximo é impossível terraformar Marte, num futuro distante poderemos talvez dominar os gravitons (ou seja lá o que gere a gravidade), gerar reações químicas em cadeia capazes de transformar os elementos naturais de Marte numa atmosfera terrestre (lembre-se que já é possível sintetizar qualquer molécula – e mesmo alguns átomos – no futuro serão todos), e por ai vai.

    Só não acredito em idéias malucas como viajar ao passado manipulando buracos de minhoca, pois ai é necessária uma energia que só Deus poderia manipular…

  10. Tales

    Olá Carlos, discordo de sua opinião em muitos pontos. Em primeiro lugar começo dizendo que o processo de terra formação pode realmente ser inviável, mais é cedo pra se afirmar isso.
    Discordo do ponto em que você afirma que o processo de terra formação levara no mínimo dezenas de milhares de anos, acredito que quando começar levara no máximo alguns milhares de anos. O que acredito mesmo é que se limitara a séculos, milhares de anos apenas pra dar uma margem de erro.
    Como acredito que o processo levara séculos e não milênios o esforço político que penso ser necessário também é bem menor. Também penso que a maior parte do tempo será perdida para que certos processos ocorram naturalmente depois de provocados durante um intervalo bem menor. Como por exemplo o impacto de asteroides na atmosfera, sê houver um objeto favorável pode ser desviado de sua trajetória original em poucos anos, apesar de levar décadas para atingir Marte.
    Quanto a perda atmosfera precisamos ter mais conhecimento da taxa de perda pra considerar o projeto inviável . Em relação ao campo magnético devo concordar que é um dos pontos mais delicados, mais pode tornar-se possível no futuro a criação de um campo magnético artificial. Pode não ser possível mas nada diz o contrario.
    Não precisamos dos mesmos gases nas mesmas proporções, na mesma temperatura e pressão da atmosfera terrestre, precisamos apenas de uma atmosfera que sustente a vida. Essa atmosfera que sustente a vida não precisa ser igual a terrestre, talvez ela deva ser diferente, um pouco mais marciana, afinal é um planeta diferente.
    . A questão mais fundamental é conseguir as quantidades necessárias dos gases certos (certos pra Marte e não para a Terra). Em relação a vida considero a parte mais fácil já que a mais difícil é chegar até aqui e tornar Marte habitável. Tão ligado nessa parte né? Todo o resto foi pra chegar até aqui, é tipo dizer que conseguir o fósforo o pavio e a dinamite e uma dificuldade e que conseguir a explosão é outra (meio que esta implícito quando você vê os três juntos kkkk). Então você solta algumas bactérias e espera, planta algumas mudas e espera, solta um casal de cada espécie e espera(Noé fez isso e deu muito certo pra ele) , eles sabem o que fazer, não precisa ninguém ensinar. Temos amostras de vida suficientes na Terra (vivendo em todas as condições possíveis a vida, imagináveis ou não) para conseguirmos alguns espécimes compatíveis com o planeta vermelho. Em todo caso a engenharia genética deve ser um bom auxilio ao projeto, e não esqueçamos que ela evoluirá (astro-genética talvez?).
    Quanto a encontrarmos uma definição de Terra isso é realmente irrelevante. Não precisamos de definição nenhuma da Terra. Precisamos de uma definição de planeta habitável, a Terra sustenta a vida porque ela é habitável não porque ela é a Terra. Não precisamos de uma copia da Terra, a não ser que achemos que a vida não será possível em um planeta com a temperatura media de -10 graus (bastante gente no Canadá, na Rússia e na Noruega discordara disso), ou com metade da pressão atmosférica (tem gente na Bolívia e no Nepal que também não irá crer nisso). Podemos não saber a qual Terra queremos chegar mas com certeza sabemos quais as terras que sê encontram dentro dos limites aceitáveis.
    Então as principais limitações a terraformação de Marte ou qualquer outro planeta ou lua são tecnológicas. Mas eu acredito na ciência, esta não evolui de maneira linear. Levávamos vários milênios para dobrar o nosso conhecimento acumulado e a nossa tecnologia no inicio de nossa historia, hoje a humanidade dobra toda a tecnologia e conhecimento a cada poucas décadas e esse processo parece estar longe de se estabilizar. Então imaginar que o processo de terraformação é um processo para varias dezenas de milhares de anos é um erro, muito provavelmente se for possível fazê-lo estaremos iniciando o processo antes do final deste milênio.
    Mas chego a duvidar disso por causa do que diz o Jonatas Almeida da Silva. No futuro viveremos em planetas artificiais, a questão é se esses ambientes controlados fora de planetas em que viveremos terão como um estagio intermediário a terraformação ou não? Pode-se pular do planeta Terra, direto pra gigantescas bases estelares que vagarão pelo espaço despedaçando planetas e estrelas para se alimentarem ou passaremos por um estagio exoplanetário primeiro, não me comprometo a responder essa pergunta.

    E isso é tudo.

  11. Kaio Palaro

    Mais uma excelente postagem! Apesar de eu reconhecer que dizer que é impossível é errado, o correto mesmo (como chegou a ser mencionado no artigo) é falar que é extremamente improvável (sequer por enquanto).

    Só discordo em parte. Pois se for possível uma civilização suficientemente avançada modificar mundos (se for possível, pois é inviável hoje, mas futuramente pode não ser, sendo assim não sabemos ainda), não precisará deixar tais mundos necessariamente iguais a outro (o termo correto seria engenharia planetária, assim sendo), e poderá inclusive modificar somente até certo ponto, de modo que fique habitável, mas não necessariamente para a mesma forma de vida dos modificadores (pois se podem modificar mundos através da engenharia planetária, podem também, muito provavelmente, criar vida que seja adaptada a tal ambiente modificado).

    Também discordo quando é dito: “Existe uma inviabilidade ética inerente a este conceito: porque razão iríamos destruir algo totalmente natural para converter em algo para ficar mais de acordo com aquilo que gostamos? Teremos esse direito no Universo? Não chega já fazermos isso na nossa casa (Terra)? Por exemplo, Marte é um planeta belíssimo. Em termos de geologia, poderá mesmo ser um paraíso para os geólogos. Qual a razão para o destruir?”
    Não entendo qual o problema em modificar um mundo completamente sem vida (não falo de Marte*, falo de algum mundo que venha a futuramente quiçá ser descoberto e que possamos viajar até o mesmo). Pois se não tem vida e está condenado a não ter vida nunca, e alguma civilização puder modificar e ”salvar” tal planeta (ou lua, que seja), por que não fazê-lo?

    Para mim é muito mais absurdo extinguirmos espécies e não cuidarmos bem do nosso próprio planeta (como estamos fazendo atualmente), do que querer modificar mundos e deixá-los habitáveis (só porque são naturais, sendo que o homem já vem modificando a natureza desde que existe). Sendo assim se é considerado absurdo (e incorreto) por alguém modificar mundos só por serem naturais, também digo que é mais absurdo ainda do que modificar algo e tornar habitável (não necessariamente para vida oriunda da Terra), é destruir e colocar espéceas em risco de extinção (ou diminuir a população de determinada espécie por causa do aumento da população, desmatamento, poluição etc.), ou derrubar árvores para construir algo, ou até mesmo experimentos com animais (sou a favor, só citei como exemplo).

    Enfim, é isso. Queria dizer mais sobre o artigo, mas tenho que sair agora. Mas também tem muitos pontos no artigo que foram excelentemente colocados, apesar de eu discordar de algumas partes.

    1. Carlos Oliveira

      Engenharia planetária já me parece um conceito viável… e incrivelmente interessante 🙂

  12. Crash

    Bem não é querendo discordar mais já existe Universidades com curso de astrobiologia, e muita gente da nasa ou mesmo gente dessa área já estudando Terraformação, na minha singela opinião nosso próprio planeta foi terraformado seja do ponto de vista científico(evolução do planeta natural para surgimento da vida) ou religioso(Deus Formou a terra, afinal diz terra era sem forma e vazia…), então o conceito em si já existe e já está sendo levado a sério enquanto isso nós aqui no Brasil discutindo se pode ou não nos States discutem como fazer…enquanto estamos brincando de programa espacial com 50milhões de $$ os States investem 5 bi, enquanto os States estudam mineração na lua … e por ai vai.

    1. Carlos Oliveira

      ” já existe Universidades com curso de astrobiologia”

      Sim, eu dou um curso desses….

      “nos States discutem como fazer…”

      por acaso, falo pelos States…

      “não é querendo discordar”

      até pode discordar. mas convinha saber do que fala… por exemplo, sabendo qual é a fonte. 😉
      É que nem parece saber quem é o autor do texto… e no entanto, diz lá…
      Além de que parece nem saber que o próprio texto menciona a terraformação terrestre como uma limitação, já que se fica sem saber de que Terra está a falar…

      abraços

  13. Marcos Vinicius

    Carlos vou sobre a Terraformação de Marte em questão da Interação da Terra e a a nossa lua , bom primeiro de tudo todas as estrelas no universo tem uma coisa em sua órbita chamada , Zona Habitável, os cientistas sabem que que em nosso sistema solar a zona Habitável começa poucos quilômetros antes de Vênus e termina alguns quilômetros depois de Marte., bem isso significa que os 2 planetas estão dentro da Zona Habitável, Obviamente marte e V^nus não podem ser como a Terra ,exatamente porque falta-lhes uma coisa que a Terra tem e nenhum dos dois tem, a LUA.

    Vou explicar isso do ponto de vista inverso ou seja vou explicar como Marte e Vênus poderiam ser Habitáveis sem nenhum problema explicando um exemplo de como os 2 planetas poderiam ter se tornado o que são hoje.

    Imagine Marte semelhante a Terra com oceanos e florestas e vida com com muitas luas como Phobos e Deimos orbitando o Planeta , no entanto como tempo essas luas colidem umas com as outras ou caem em Marte e com o Tempo o Planeta perde essa estabilidade com suas luas e também o de muitas delas cairem no planeta marte perde vário seres e também grandes áreas de Terra. com pouca gravidade sobre sua Superfície o vulcanismo sobre o Planeta diminui e seu Campo Magnético diminui caindo sobre o planeta , marte se torna vermelho como é e inabitável.

    Em Vênus aconteceu ao contrário , imagine Vênus com oceanos grandes faixas de terra verdes e seres vivos
    e com uma grande lua como a nossa e derrepente Vênus perde sua Lua , a Gravidade do sol age drasticamente sobre o planeta o vulcanismo em vênus aumenta e os oceanos evaporam os vulcões do planeta se tornam mais fortes o efeito estufa do planeta torna as nuvem de Vênus mais densas , a luz e o calor do sol não penetram mais sobre o Planeta então o efeito estufa do Planeta vira um Ciclo que não termina mais , mas se as nuvens de Vênus não fossem tão densas e se ele tivesse uma Lua que o Estabiliza-se provavelmente Vênus seria um Gêmeo Idêntico á Terra.

    1. Carlos Oliveira

      O “problema” é que a Lua não é uma força estabilizadora tão importante como se pensava 😉
      Sem Lua, as condições terrestres seriam basicamente as mesmas 😉
      http://www.astrobio.net/news-exclusive/the-odds-for-life-on-a-moonless-earth/

      abraços!

  14. cézar

    Eu acho que você sofre de geocentrismo psicológico =). Por que ficar só na Terra se podemos sair e se a expectativa de vida nela, sem contar com a interferência humana, é de cerca de um bilhão e meio de anos? Marte é um deserto gigante, não tem motivo para deixá-lo assim eternamente. Podemos ir lá sim e colonizar, usar e fruir de um planeta inteiro, construindo um grande ecossistema. O mesmo digo de Vênus e de luas espalhadas pelo sistema solar. Sou a favor de que cada pessoa possa ter seu asteroide e que cidades sejam erguidas em Ceres também. É claro que Marte não vai virar uma nova Terra, mas poderá ficar semelhante ou até melhor. Também é claro que a terraformação é custosa e demandaria milênios ou mesmo milhões de anos, mas isso com a tecnologia atual, porém vc se esquece que há setenta anos o homem sequer havia pisado na lua e que nem existiam satélites. Além disso, as pessoas hoje tem QIs (quociente de inteligência) mais altos e a tendência é que só aumente com o passar dos anos. Isso sem falar da engenharia genética que permitirá que sujam pessoas mais inteligentes e longevas. Outrossim, estão em desenvolvimentos computadores quânticos que também facilitarão o desenvolvimento de novas tecnologias e cálculos. Se em 100 anos a humanidade evoluiu tanto o que dirá em mais algumas centenas de anos? Eu acredito na tecnologia e na imaginação para burlar a imensidão do universo. Eu acho que a humanidade deve se espalhar pelo cosmos, principalmente se houverem os buracos de minhoca. Não vejo problema algum em mudar luas e planetas, incluindo suas órbitas. Se estamos neste universo, devemos usá-lo, porque um dia ele vai acabar e nós morreremos, a não ser que migremos para outro. E sim, em tese é possível encontrar outro de você no multiverso, pois ele é infinito. Assim, como há infinitas possibilidades, há infinitas repetições.

    1. Carlos Oliveira

      Geocentrismo psicológico é achar que por todo o lado tem que existir Terras… 😉

      “É claro que Marte não vai virar uma nova Terra, mas poderá ficar semelhante ou até melhor. ” —- semelhante não chega. Ou é igual, por exemplo nas proporções de elementos na atmosfera, ou você não sobrevive 😉 . Melhor, não sei o que é. Se é melhor, quer dizer que é diferente. Isso quer dizer que você morre lá 😉

      Eu não falei na ideia de Multiverso – que nasceu a partir de ideias geocentricas.
      Eu disse: “No mínimo, tão improvável como existir um outro Carlos Oliveira exatamente igual a mim (desde sinais, passando por doenças e pelas mesmas experiências pessoais, e acabando no segundo exato em que nasci e irei morrer) na Terra. Não existe.”
      A Terra é enorme. No passado as pessoas também achavam que era possível existir um outro igual a nós na Terra. Sabemos agora que isso era só desejos pessoais. Nada mais. Não existe um outro eu na Terra.

      abraços

    2. Jaculina

      As pessoas não estão a ficar mais inteligentes. O saber acumulado da humanidade é que vai aumentando.

      Alterar planetas (e suas órbitas) é uma ideia que me causa alguns arrepios. Só de ver os resultados da intervenção do homem no nosso planeta…

      Para nos expandirmos pelo universo não chegam a imaginação e a tecnologia. É preciso não esquecer que estamos limitados pelas leis da física e da biiologia.

      Finalmente, o desenvolvimento tecnológico não é linear. Basta ver que, mais de 40 anos depois de chegar à Lua, os nosso veículos espacias ainda andam à mesma velocidade e o primeiro homem (ou mulher) em Marte ainda levará mais algumas décadas.

  15. Guilherme

    Acredito que a terraformação seja algo inevitável, a terra, daqui a 100 anos, perderá muito do seus recursos naturais. Como você citou, mesmo que seja algo inviável por agora, futuramente será algo inevitável, seremos forçados a procurar outro lar, seja terraformando ou achando planetas potencialmente habitáveis. Os recursos da terra estão em declínio, seja por degradação, ou pelo crescimento desenfreado da população mundial. Mas concordo, por ora, terraformação ainda é algo inviável, mas não acredito que será por muito tempo.
    Seu texto me proporcionou uma ótima e interessante leitura, obrigado amigo, e um abraço aqui do Brasil.

  16. Tuyara Barbosa

    Carlos, estou no primeiro ano do curso de Gestão Cultural e quero fazer um trabalho de pesquisa sobre o assunto. Gostaria que me respondesse uma dúvida surgida enquanto lia a matéria. Bom, percebi que você acha improvável a existência de uma “segunda Terra”, mas o que acha sobre a teoria da existência de vida (tal como em nossos oceanos) dentro da lua Europa?

    1. Carlos Oliveira

      É uma possibilidade. Não existem evidências para já.

      Mas caso exista, será certamente (sublinho: certamente) muito diferente da nossa.

      abraços

      P.S.: isso não é uma teoria. Uma teoria é isto:
      http://www.astropt.org/2012/09/15/teoria/

      1. Tuyara Barbosa

        Obrigado! Mais uma pergunta (desculpe-me incomodar, estudantes são curiosos haha): Você acha que vale a pena estudar ciência no Brasil?

      2. Carlos Oliveira

        Acha que vale a pena estudar o mundo à sua volta?

  17. Tuyara Barbosa

    Claro, é meu sonho desde os cinco anos! Mas o medo de dar errado é grande, só tenho 15 anos.

    1. Carlos Oliveira

      Qualquer coisa que escolha pode dar errado…

      A probabilidade de dar certo é maior se for para algo que gosta 😉

  18. Tuyara Barbosa

    Muito, muito obrigado! 🙂 Não faz ideia do quanto é bom poder ouvir de alguém experiente no assunto um voto positivo. Já faz meses que estou atrás de alguém que dê valor ao conhecimento, aceitando os riscos. Valeu!

    1. Carlos Oliveira

      Eu quando tinha 18 anos fui para Gestão porque pensei que fosse menos arriscado…

      Só quando fui para Astronomia – que é o que gostava – é que fui feliz. E viajei mais. E ganhei mais dinheiro. E tive mais sucesso 😉

  19. Chico

    Discordo. Por não conhecermos todos os processos e interaçoes possíveis num planeta “terraformando”, justamente por isso seria interessante para estudo em todas as áreas tentarmos. Teriamos de ter um “pacote” viável, como por exemplo, desviar um grande corpo para impactar e acrescentar massa ativando a geologia i interna e fazendo efeito estufa, juntamente com a introdução de pacotes sucessivos de microalgas, vegetaise posteriormente animais começando com decompositores, até uma cadeia fechada de organismos simples. O mais importante é ter certeza que o planeta em questão não possui organismos nativos.

  20. Julio

    Ola Carlos,
    Agora entendi a inviabilidade sobre a “terraformação”. Eu, na verdade, não estava pensando em levar vida a um planeta qualquer(como marte foi citada mas em decorrencia a estas variaveis tanto a massa do planeta e entre outros seria inviavel a permanencia de vida) mas sim a exoplanetas(se não me engano o termo de planetas q tem condições a terem vida), e tb não tinha em mente a ida do ser humano ao planeta em questão e sim só o envio de seres unicelulares ao planeta para, literalmente, ver como eles poderiam evoluir ao longo do tempo.
    Mas não descarto os por menores;
    Alem do envio do seres e não sabermos se nos exoplanetas há vida, poderiamos esta enviando uma especie exotica que poderia exterminar a vida já existente no planeta. :/
    E o monitoramento nos dias de hj seria inviavel, não temos tecnologia para tal.
    E uma coisa que náo havia pensado era na cultura humana, q é divergente, se mudar a forma do ideal politico provavelmente seria cancelado.

    Acaba ficando apenas na base do meu imaginario, pois teriamos que ter uma forma eficiente de envio destes seres e rapida; saber se há vida ou não no exoplaneta para não acabarmos com o ecossistema do local, e o monitoramento… Sei que tem varias outras variaveis ao qual não faço ideia…

    É… É um sonho ao qual, pensando bem, ainda estamos longe de alcança-lo. E se descobrismos vida, acho que ele tb será desnecessario.

    Obrigado, pela resposta no outro post.
    Vcs fazem um ótimo trabalho, continuem assim. 🙂

    1. Carlos Oliveira

      Marte está aqui ao lado e está dentro do nosso enquadramento para “planeta habitável”. É mais “habitável” do que qualquer exoplaneta descoberto até hoje, logo seria o planeta com mais condições para essa vida prosperar 😉

      E é aqui pertinho. Não levaria centenas de milhares de anos a chegar lá (os microorganismos) 😉

      abraços!

      1. Julio

        Caramba, não sabia que marte é mais “habitavel” que os exoplanetas… Nossa, meu conceito de exoplanetas mudou agora. Haha Mas tem alguma escala de comparação? Eu já tinha lido aq na pagina sobre os Gliese, os candidatos a habitar vida e tal. Eu sempre tinha em mente um planeta com agua em forma liquida( grande quantidade; tipo um oceano ou algo do tipo) quando pensava nos exoplanetas. Vc você dizendo que marte é mais “habitavel”, agora entendo o intento de saber se ela consegue ter agua em forma liquida na sua superficie ou não( se não me negano as evidencias estavam apontando para uma salmoura).
        Por fim, fico na duvida se fico triste ou feliz se ela é mais habitavel que qualquer exoplaneta… E por fim não apresentar vida…
        Ficarei desanimado.
        Posso estar errado, mas o conceito de habitabilidade ainda não esta bem definido certo? Se não estar definido, ainda muito a se descobrir sobre o mesmo e marte vai fazer parte do avanço para estabelecer tal definição. Se sim, para mim complica depois desta descoberta de marte ser mais “habitavel” que os exoplanetas.

        Haha. Minha cabeça ainda esta tentando processar a informação.

      2. Carlos Oliveira

        O conhecimento das características físicas dos exoplanetas é limitado. Não se sabe composição, atmosfera, etc. Há vários exoplanetas que se consideram “habitáveis” só devido ao seu tamanho e distância à estrela. Ou seja, é considerado habitável só porque se sabe muito pouco sobre ele.
        Vénus e Marte são mais habitáveis que os exoplanetas… até porque se sabe as características físicas destes dois 😉

        abraços

      3. Julio

        Sei que o assunto começou com terraformação, mas…
        Poxa, sendo sincero, depois de conversar com vc fiquei desanimado em relação aos exoplanetas eu tinha a ilusão de ser quase certo a possibilidade de ser um planeta habitavel. Olhando assim parece q a possibilidade é pequena dele terem algum tipo de vida… Enfim, a realidade é assim, fascinante mas dura. Queria poder viver o suficiente para ver vida em outros planetas, quem sabe vida complexa, não é mesmo? (ficarei na torcida de marte para a possivel vida simples)Até lá continuemos nas hipoteses e investimentos tecnologicos para conseguirmos sanar esta duvida.

        Não sei quais são as previsões. Porém, espero que o homo sapiens sapiens não entre em extinção por causa de seus conflitos culturais antes de usufluir do desenvolvimento tecnologico para responder estas perguntas. Seria uma pena se esta vida complexa e inteligente passasse despercebida, como uma historia nunca contada, em um universo de infinitas possibilidades.
        Idem, em relação as outras vidas que possivelmente nos acompanham pelo espaço a fora… Merecem ser descobertas.

        Abraços, e obrigado pela paciência.

      4. Carlos Oliveira

        Júlio,

        “a possibilidade é pequena dele terem algum tipo de vida” — esta frase não é correta 😉

        Note que os planetas são habitáveis ou não… para a vida complexa que conhecemos.

        No entanto, para microorganismos, muitos locais são potencialmente habitáveis. Na Terra, temos microorganismos a viverem quilómetros dentro do solo (sem precisarem de luz do Sol), no topo das nuvens, em locais demasiado quentes e locais demasiado frios, nos terrenos mais áridos, no fundo dos oceanos onde a pressão é enorme, a respirarem enxofre, etc…

        Não seria surpresa encontrar microorganismos no solo de Marte ou até em Vénus, e muito menos nas luas Europa, Titã, Encélado, etc.

        Além disso, sublinho: vida como a conhecemos. Poderá existir vida baseada numa química diferente da nossa, e quiçá até nem a reconheceríamos 😉
        http://www.astropt.org/2007/07/09/vida-estranha/

        abraços

  21. josu

    Olá boa noite!

  22. Valter Andreiev

    Interessante a matéria mas usar pontos de vista como se fossem fatos, é no mínimo sinal de inocência. É preciso dizer porquê os quesitos são impossíveis, não só enumera-los como impossibilidades. Basta lembrar que pelo que se sabe hoje, até mesmo o tempo por si só, pode iniciar um processo de “terraformação” em marte. A medida que o sol se expande, Marte ficará cada vez mais quente. Considerar o processo como impossível seria natural hoje, como a clonagem na idade média. A propósito, em relação a equação de Drake, não importa o quão egocêntrico se seja. É pura matemática e probabilidade. Dado à quantidade de possibilidades, seria como apostar que iria ganhar na mega-sena no próximo concurso. Todo mês uma multidão de inocentes ajuda a manter esse sistema.

    1. Carlos Oliveira

      Clonagem está bem definido.
      Terraformação não.

      Logo aí no começo básico, cai por terra a comparação…

      Por outro lado, como está explicado no texto, há diversas limitações na terraformação que são indiferentes ao ano em que estivermos. A terraformação demora milhões de anos, não interessando se estamos em 2017 ou no ano 5768. Supondo que até conseguimos colocar mais massa em Marte para poder conter as outras variáveis, então seria mais fácil construir um planeta novo com essa massa e mais alguma, do que andar a incluí-la em Marte. Mais uma vez, esta lógica é real quer estejamos em 2017 ou no ano 9634.

      abraços

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