Abr 12

Entendendo o Bombardeio Pesado Tardio: cientistas encontraram a maior cratera de impacto da Terra já descoberta

A representação gráfica do tamanho do asteroide que pensamos ter matado os dinossauros e a cratera (150 km) que este criou (à esquerda) em comparação com a cratera (478 km) gerada por um asteroide que atingiu a Terra há 3,26 bilhões anos (centro). À direita vemos a ilha do Havaí (122 km) mostrada aqui para uma melhor compreensão dos tamanhos envolvidos. Um novo estudo revela o poder e a escala deste evento que criou características geológicas únicas, encontradas na região Sul Africana conhecido como o Barberton greenstone belt. Crédito: American Geophysical Union.

A representação gráfica do tamanho do asteroide que pensamos ter matado os dinossauros e a cratera (150 km) que este criou (à esquerda) em comparação com a cratera (478 km) gerada por um asteroide que atingiu a Terra há 3,26 bilhões anos (centro). À direita vemos a ilha do Havaí (122 km) mostrada aqui para uma melhor compreensão dos tamanhos envolvidos. Um novo estudo revela o poder e a escala deste evento que criou características geológicas únicas, encontradas na região Sul Africana conhecido como o Barberton greenstone belt. Crédito: American Geophysical Union.

O Barberton greenstone belt (cinturão de rochas verdes de Barbeton) é considerado uma das regiões mais antigas da crosta continental do planeta. Com cerca de 100 quilômetros de extensão e 60 quilômetros de largura, este cinturão se localiza na África do Sul a leste de Joanesburgo e não muito longe da fronteira com a Suazilândia, uma região onde o ouro foi descoberto pela primeira vez na África do Sul. Os cinturões de rochas verdes, no entanto, são numerosos, amplamente distribuídos geograficamente e ao longo da história geológica, todos eles marcados pela cor verde característica transmitida pelos minerais metamórficos dentro de suas rochas. O Barberton greenstone belt nos mostra agora evidências de um impacto massivo antigo, há mais de três bilhões de anos.

Intenso Bombardeamento Tardio

O documento sobre esta pesquisa foi publicado na revista Geochemistry, Geophysics, Geosystems, onde os cientistas mostram que o impacto que eles estão rastreando ocorreu há 3,26 bilhões de anos atrás, no final do período dramático da história da Terra, conhecido por Bombardeio Pesado Tardio (Último Grande Bombardeamento ou Intenso Bombardeamento Tardio), um período que ocorreu entre três e quatro bilhões de anos atrás, quando inúmeros asteroides impactaram a Terra e os demais objetos do Sistema Solar interior (olhe para a Lua e Mercúrio e veja as marcas representadas por suas gigantescas crateras). Este impacto específico pode ter causado uma grande mudança na tectônica de placas e através da caracterização deste evento, nós poderemos entender melhor as condições onde a vida lutou para se estabelecer, nos tempos primordiais do planeta.

Bilhões de anos de erosão e movimentos tectônicos eliminaram as grandes crateras antigas da Terra... Na Lua, em contrapartida, podemos ver incontáveis marcas  causadas pelos bombardeamentos, nestas imagens de vários ângulos capturadas pela sonda robótica LROC. Crédito: NASA

Bilhões de anos de erosão e movimentos tectônicos eliminaram as grandes crateras antigas da Terra… Na Lua, em contrapartida, podemos ver incontáveis marcas causadas pelos bombardeamentos, nestas imagens de vários ângulos capturadas pela sonda robótica LROC. Crédito: NASA

Estima-se que as alterações no ambiente causadas ​​por grandes impactos como este podem ter exterminado em larga escala os organismos microscópicos existentes, permitindo que outros organismos sobreviventes passem a evoluir. O que ainda é incompreensível para nós é o tamanho de um evento desta magnitude. Dê uma olhada no diagrama mostrado no início do texto e observe, em particular, a comparação da cratera de impacto da região de Barberton greenstone belt com o tamanho da ilha do Havaí.

Este asteroide, de acordo com o artigo da União Geofísica Americana, teria sido três a cinco vezes maior do que o asteroide que criou a cratera de Chicxulub, aquele considerado como responsável em grande parte pela extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos. Ao colidir com a Terra a uma velocidade de 20 quilômetros por segundo, o objeto teria criado uma cratera cerca de 500 quilômetros de diâmetro, um choque maior do que um terremoto de magnitude 10,8, criando tsunamis milhares de metros de altura. Os pesquisadores acreditam que o céu se tornou quente e vermelho e os topos dos oceanos teriam fervido com o calor.

Donald Lowe, geólogo da Universidade de Stanford e co-autor do estudo, afirmou:

Estávamos tentando entender as forças que moldaram o nosso planeta no início de sua evolução e os ambientes em que a vida evoluiu. Sabíamos que o asteroide era grande, mas não sabíamos o quão grande.

A modelagem deste impacto mostra que, embora o evento de Chicxulub tenha liberado um bilhão de vezes mais energia do que as bombas de Hiroshima ou Nagasaki, este impacto mais antigo teria sido muito mais poderoso. Foi mais um dos muitos impactos causados pelo Bombardeio Pesado Tardio.

Algumas das maiores crateras de impacto no Sistema Solar: Chicxulub (Yucatã), Vredefort (África do Sul), Wilkes Land (Antártida – não confirmada), Apollo (Lua), Argyre Basin (Marte), Mare Imbrium (Lua), Isidis Planitia (Marte), Caloris Planitia (Lua), Asgard Basin (Calixto) e Hellas Basin (Marte). A escala do eixo X está em quilômetros. Crédito: Ohio State University.

Algumas das maiores crateras de impacto no Sistema Solar: Chicxulub (Yucatã), Vredefort (África do Sul), Wilkes Land (Antártida – não confirmada), Apollo (Lua), Argyre Basin (Marte), Mare Imbrium (Lua), Isidis Planitia (Marte), Caloris Planitia (Lua), Asgard Basin (Calixto) e Hellas Basin (Marte). A escala do eixo X está em quilômetros. Crédito: Ohio State University.

As crateras de impacto atuais geradas pelos choques originados durante o Bombardeio Pesado Tardio são hoje desconhecidas, vítimas da erosão, do movimento da crosta terrestre e da evolução geológica. Os pesquisadores acreditam que o asteroide que estão estudando impactou uma área com milhares de quilômetros na região do greenstone Barberton, embora suas ondas sísmicas foram responsáveis pelas formações geológicas encontradas na região. É evidente que o sistema solar primitivo era um lugar caótico e perigoso, em que a vida primordial da Terra se encontrava sob ameaça contínua. Mapear um impacto que ocorreu há mais de três bilhões de anos é traçar as dimensões de uma catástrofe muita antiga, numa época em que rocha vaporizada caiu como chuva, devastando o planeta.

O artigo científico foi assinado por Sleep et al., intitulado “Physics of crustal fracturing and chert dike formation triggered by asteroid impact, ~3.26 Ga, Barberton greenstone belt, South Africa“, publicado em Geochemistry, Geophysics, Geosystems.

Fontes

AGU: SCIENTISTS RECONSTRUCT ANCIENT IMPACT THAT DWARFS DINOSAUR-EXTINCTION BLAST

Centauri Dreams: Digging into the Late Heavy Bombardment

Artigo Científico

AGU: Physics of crustal fracturing and chert dike formation triggered by asteroid impact, ~3.26 Ga, Barberton greenstone belt, South Africa

._._.

1 comentário

    • carlos Dias on 12/04/2014 at 15:42
    • Responder

    Ricardo.
    Obrigado pela dica.

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