Ética jornalística

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Lembram-se do Misterioso Anel Negro que apareceu nos céus de Inglaterra? Leiam este artigo.
No dia 15 de Abril, por diversos websites internacionais e nacionais (ex: Diário de Notícias e TSF), leram-se diversos artigos a dizer que sobre os céus de Inglaterra apareceu um misterioso anel negro. O mistério foi deixado “no ar” sem os jornalistas terem tentado pesquisar qual poderia ter sido a causa do fenómeno.
Nesse dia, aqui no AstroPT, também publicamos este artigo. E explicamos o que seria.

Depois fomos vendo como essa explicação (não) se foi espalhando pelos locais jornalísticos. Uns não quiseram saber da explicação para nada. Outros completaram a informação inicial dada, com as potencialidades de explicação (ou mesmo a explicação correta).

A TSF foi um desses locais onde se viu a ética jornalística em ação. Podem ler, aqui.
A menção ao meu nome é irrelevante. O crédito dado ao AstroPT e, ainda mais, o link incluído é algo que agradeço enormemente. Mas sobretudo gostaria de realçar a ética profissional dos jornalistas da TSF de não deixarem o “mistério no ar”, mas de darem a melhor informação possível aos seus leitores/ouvintes. E o louvor é ainda maior porque tiveram que “corrigir” – na verdade, complementar – uma informação já dada anteriormente.

Penso que é importante não criticarmos só as falhas, mas também realçarmos quando este tipo de atitudes positivas acontecem. Deve-se congratular os aspetos positivos, claro.

Faço notar que esta atitude onde se coloca em prática a ética jornalística, não é única.
Na recente notícia sobre o suposto indiano de 179 anos, o Notícias ao Minuto e o Diário Digital, por exemplo, tiveram uma atitude semelhante.
E não é só no jornalismo que se vê isto. Por exemplo, no ano passado, o próprio Observatório Astronómico de Lisboa publicou um artigo em que complementava e corrigia a informação inicial dada num artigo anterior.

Porque isto é notícia e deve ser realçado?
Porque infelizmente, apesar de não ser uma atitude única, é uma atitude rara.
Realço que a RTP, por exemplo, durante 1 semana em horário nobre, produziu uma rubrica supostamente de informação, mas que na verdade só serviu para enganar os espetadores com vigarices. Não existiu qualquer pedido de desculpas, não existiu qualquer contraditório, não existiu qualquer jornalismo (em que se deveria procurar informação correta). Sobretudo não existiu qualquer avaliação das informações de modo a poder-se transmitir aos espetadores a realidade dos assuntos. Esta falta de respeito pelos espetadores, vê-se também num segmento semanal onde se goza com o conhecimento dos astrónomos portugueses.

Temos claramente uma diferença entre uns e outros…

Parem a matança!

Parem a matança!

3 comentários

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  1. Enfim… hoje veio um artigo muito bom num dos jornais regionais de Castelo Branco, sobre a RTP e as pseudo-ciências… Assim, enquanto a ciência teve direito a poucos minutos de antena, a astrologia, cartomancia, espiritistas e outras tretas tiveram direito a horas de tempo de antena, isto no jornal nacional, de um canal pago pelo contribuinte…

    Já agora, penso que esta vai ser a notícia do dia:

    http://www.nasa.gov/ames/kepler/nasas-kepler-discovers-first-earth-size-planet-in-the-habitable-zone-of-another-star/#.U1Ah0vldWM4

    Abraço a todos 🙂

    1. Quanto à notícia da NASA, sim, a conferencia de imprensa acabou há pouco tempo… e já tou a ler tantos erros pela web… 🙁

  2. Ponto para a TSF, numa época em que os mass media deixam MUITO a desejar, e em que a cultura e a ciência foram quase totalmente substituídas nos écrans por tele-lixo.

  1. […] primeira vez que celebramos a ética jornalística existente na comunicação social. Por exemplo, neste artigo referimos explicitamente o facto de alguns jornalistas na comunicação social terem corrigido uma […]

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