5 fatos sobre exoplanetas habitáveis

Crédito da imagem:  ESO/M. Kornmesser

Crédito da imagem: ESO/M. Kornmesser

Desde a descoberta do primeiro exoplaneta, em 1988, a lista de planetas encontrados fora do Sistema Solar não para de crescer. Até maio de 2014, cerca de 1800 planetas foram descobertos ao redor de 1000 estrelas. Outros tantos milhares aguardam confirmação.

Encontrá-los é muito difícil. Planetas não emitem luz. Apenas refletem a luz de sua estrela. E esse reflexo brilha cerca de 1 bilhão de vezes menor que de uma estrela. Até pouco tempo, só planetas gigantes (do tamanho de Júpiter) eram encontrados. Com o avanço nas técnicas de detecção, tem sido possível encontrar planetas cada vez menores, com tamanhos próximo ao da Terra. Ou até menores.

Existem vários métodos para caçar planetas. A maioria das descobertas ocorreram através de fotografia direta, medindo variações da velocidade ou do brilho da estrela. Telescópios no solo e no espaço estão empenhados nesta busca.

Confira 5 fatos sobre o que sabemos (e o que não sabemos) sobre exoplanetas habitáveis:

ESTRELAS

As melhores candidatas a ter planetas parecidos com a Terra e com capacidade para a vida, são as estrelas anãs, como o nosso Sol.

As estrelas anãs possuem períodos de vida de dezenas de bilhões de anos. Elas mantem-se estáveis durante boa parte desse tempo. Estrelas maiores também podem possuir planetas, mas elas acabam com o combustível muito mais rápido, em torno de centenas de milhões de anos. Pouco tempo para a vida se desenvolver.

Estrelas anãs vermelhas, como a Kepler-186, onde foi detectado o primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável, são muito comuns no Universo. Elas são menores que o Sol, menos quentes e podem viver por muito tempo. Muitos planetas já foram encontrados ao redor dessas estrelas. No entanto, há estudos que apontam que esse tipo de estrela possui erupções poderosas e frequentes que poderiam colocar em risco a vida em planetas próximos.

EXOPLANETAS

Já foram encontrados planetas com tamanho comparável ao nosso. Também foram encontrados alguns com tamanhos de cerca de 5, 10, 20 vezes maiores que a Terra. São chamados de superterras. Há ainda planetas menores. Contudo, boa parte dos planetas descobertos até ao momento são do tipo gigantes, como Júpiter. Isso não quer dizer necessariamente que o Universo seja povoado na maioria por planetas jupiterianos. Apenas indica que com nossa tecnologia atual é mais fácil encontrar planetas grandes do que pequenos.

A vida pode nascer em planetas gasosos? Não sabemos! Por enquanto, só sabemos que existe vida em um único planeta do Universo e ele é do tipo rochoso: a Terra.

ÁGUA

Já foram confirmados 21 exoplanetas com tamanho próximo da Terra (a maioria superterras) e situados em zona potencialmente habitável. Planetas nesta zona, estão nem muito longe, nem muito perto da estrela. Eles estão na distância certa para que (em teoria) exista água no estado líquido na superfície.

Isso não significa necessariamente que exista grandes oceanos em planetas nessa zona. Pode ser que exista a molécula de água no planeta, mas talvez ela não esteja correndo em rios. Além disso, podem existir planetas com água líquida abaixo da superfície, e que estão fora da zona habitável. Vide Europa, satélite de Júpiter.

Na Terra, boa parte da água veio para a superfície por meio de asteroides e cometas. Mas isso só ocorreu, pois, a nebulosa que deu origem ao Sistema Solar tinha a composição ideal para a existência da água em nosso planeta. Outros planetas talvez não tenham tanta sorte.

Para se ter certeza se existe a molécula de água em planetas fora do Sistema Solar, é necessário isolar a luz vinda dos planetas descobertos e analisar assinaturas específicas. Mas devido à distância envolvida e ao tamanho dos planetas, esta tarefa não é fácil.

HABITÁVEL

“Habitado” é diferente de “habitável”. E seria um pouco prematuro classificar como “habitável”, da forma paradisíaca como imaginamos, planetas recém descobertos. Ainda não temos informações de quanto hospitaleiros são esses mundos. A maioria deles só sabemos tamanho, massa ou distância da estrela. Alguns deles só sabemos 1 ou 2 desses dados. Se já é difícil descobrir características de um planeta, mais difícil ainda é saber se existe ambiente para a vida.

Também há a questão: Habitável pra quem? Existe vida na Terra no leito dos oceanos próximo às chaminés vulcânicas. Lá, existem animais vivendo com pressão alta, calor enorme e substâncias tóxicas. Não parece habitável para mim. Traga esses animais para a superfície e veja se eles vivem por muito tempo.

A vida envolve muitos parâmetros físicos e químicos, muito além do jeito antropocêntrico que imaginamos.

SETI

É comum o SETI apontar antenas para estrelas que possuem planetas confirmados. Supondo que existam seres inteligentes nesses planetas, que eles se interessem pela comunicação interestelar e que façam o uso das ondas de rádio para comunicação, o SETI tem utilizado a sua rede de radiotelescópios para sondar possíveis sinas de vida inteligente em vários sistemas.

Até agora, vários sinais foram encontrados. Nenhum com evidência de uma civilização alienígena. Os sinais são de origem natural ou até mesmo da própria Terra, como máquinas de lavar. Acreditem, há antecedentes!

Talvez estamos sós no Universo. Talvez eles sejam tímidos. Talvez não estamos procurando direito.

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7 comentários

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    • Ernesto Cavalcante Frick on 15/08/2014 at 15:35
    • Responder

    SEMPRE FUI FASCINADO POR ASTRONOMIA, MAIS VEJO QUE PODERIAMOS TER AVANCADO UNS 100 ANOS NESSE TIPO DE PESQUISA, PENSO QUE OS IMENSOS PROBLEMAS DA TERRA TENHA INFLUENCIADO NESSE ASPECTO. SE FOR CONFIRMADA A EXISTENCIA DE AGUA EM ESTADO LIQUIDO NO HD40307G , E CERTA A EXISTENCIA DE VIDA, ISSO E FANTASTICO. PENA QUE NAO ESTAREI MAIS AQUI….

    1. Não entendo o porquê desse exoplaneta…

      Por outro lado, o facto de existir água em estado líquido não quer dizer que haja vida…

      abraços

    • Rodolfo Penteado on 29/05/2014 at 16:35
    • Responder

    Uma dúvida que tenho quanto a esses planetas, não só eles, mas também em relação aos mundos do nosso próprio sistema solar é se, a partir de quando tivermos tecnologia suficiente para enviarmos pessoas para eles, as diferenças de gravidade não poderão afetar de algum modo quem vier a colonizar esses lugares.

    1. Sim 😉

    • José Simões on 29/05/2014 at 16:29
    • Responder

    “Planetas não emitem luz. Apenas refletem a luz de sua estrela”

    NÃO

    Os planetas emitem luz se bem que quase exclusivamente numa região não visível do espectro electromagnético, mas sim em frequências mais baixas (bem até a Terra, em alturas na sua formação emitia luz no visível, mas isso são águas passadas).

    Aliás é essa luz (na região dos infravermelhos) que não consegue ultrapassar bem a atmosfera (a atmosfera é algo opaca a essas frequências) e produz o efeito de estufa.

    De resto todos os corpos emitem luz (porque não podem ter um temperatura igual ou inferior ao zero absoluto). Corolário do princípio de Prevost.

    Claro que a radiação de baixa frequência é mais difícil de detectar, o facto que não ser visível nem é o maior problema, afinal é visível, se não para os olhos, para os instrumentos. O maior problema é que os instrumentos eles próprios também a imitem e “encandeiam-se” (a solução é arrefecer muito os instrumentos).

    1. José Simões,

      O AstroPT é um blog de divulgação científica. É feito para a população em geral. Não é uma aula de física para doutorados 😉

      Em qualquer livro e aulas de introdução à astronomia, vê esta diferença entre estrelas e planetas. Existe uma razão para isso. É uma razão educacional.

      abraços!

        • Mauricio on 10/01/2015 at 14:23

        Pois é, Carlos Oliveira, tem gente que não entende isso e quer pagar de “sabidão”.

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