Placenta de Égua e a Doutora Milagre

Por definição, Medicina Alternativa quer dizer que não foi provada que funcione ou que foi provada que não funciona. Sabem como se chama a "medicina alternativa" que se provou que funciona? Medicina!

Por definição, Medicina Alternativa quer dizer que não foi provada que funcione ou que foi provada que não funciona. Sabem como se chama a “medicina alternativa” que se provou que funciona? Medicina!

Confesso que há 1 semana ri-me como o Mutley, quando vi o Diego Costa a desistir do jogo após somente 9 minutos de jogo.
A razão é simples: se fizerem uma pesquisa na internet vêem que foi dada uma publicidade enorme (dezenas de milhares de páginas) ao tratamento não-convencional que Diego Costa se iria submeter. Foi uma indecente promoção das terapias alternativas.

Supostamente o “método é milagroso” e “consiste na aplicação de um gel com substâncias ativas e naturais, acompanhado de pequenas descargas elétricas na região atingida”.

A maioria dos artigos refere que a terapeuta da Sérvia, Marijana Kovacevic, é médica, é famosa por tratar inúmeros jogadores, e é apelidada de “doutora milagre”.

O que me chateou mais em todas estas notícias foi a promoção acéfala (sem sentido crítico) de um tratamento, sendo que não existiu o mesmo “cuidado” de também publicarem artigos a mostrar que o tratamento não funcionou!

Por isso, juntamente com a minha indignação pela péssima forma como a comunicação social tratou este caso, aqui fica a minha análise crítica:

1 – As Terapias são “alternativas” por uma razão específica: aquilo que funciona chama-se Medicina. O que é alternativo: Ou está provado que não funciona, Ou funciona por placebo.

2 – Steve Jobs é somente um famoso que morreu devido a tratamentos alternativos. Diariamente há pessoas que morrem devido a este tipo de “mesinhas caseiras”.

3 – Não faço a mínima ideia o que raio é o tratamento por placenta de égua. Não tenho conhecimentos para isso.

4 – O que sei é que se deve ter uma atitude bastante crítica sobre as “mesinhas” que supostamente funcionam na Europa de Leste.

5 – Não existem milagres. Existe sim trabalho, investigações, experiências, testes duplamente cegos, etc, até se ter certeza que um tratamento funciona. Nada funciona por “milagre”. Chamar a algo “tratamento milagroso” é obviamente uma indicação de que se está na presença de algo pseudo.

6 – Nos artigos foi dito que ela tratou vários jogadores. Em momento algum é feita uma avaliação se ela teve algum, pouco, ou nenhum sucesso. Será que os jornalistas imaginam que se eu colocar pensos em 30 pessoas, isso faz de mim médico? Por incrível que pareça, existiram jornalistas a publicar nos jornais imbecilidades como esta: “é uma das médicas mais conceituadas a nível mundial nestas situações“. Sem sequer analisarem as situações em que ela afirma que tratou jogadores.

7 – A grande maioria dos artigos refere que ela é médica. Como referi atrás, até há quem lhe chame “uma das médicas mais conceituadas a nível mundial”. No entanto, ela não é médica. Como ela informa no seu website – que os jornalistas ignoraram -, ela é licenciada em Farmácia.

8 – Por fim, chamam-lhe “Doutora Milagre”, não porque tenha sucesso, mas sim porque a promoção dos jornais é assustadoramente acéfala (tal como explicado atrás). Porque escolheram esse apelido e não outro? A Globo informa que ela também tem o apelido “Mortícia“.

Mariana Kovacevic, com a seleção do Gana. Crédito: Foto: Ghana Soccernet

Marijana Kovacevic, com a seleção do Gana. Crédito: Foto: Ghana Soccernet

Não entendo como o código jornalístico não impõe uma ética jornalística que responsabilize os jornalistas que publicaram artigos de promoção desta farsa. Também não entendo, em nome da credibilidade, como os jornais e televisões não fizeram reportagens posteriores à final a criticarem, com dados objetivos, este tipo de tratamentos supostamente “milagrosos”.

Mas pronto… é a péssima comunicação social que temos… sempre distraídos com “esquilos“.

Termino este post, com um comentário que li num dos jornais: o melhor é não levarmos muito a sério as mentiras divulgadas por aqueles que se dizem jornalistas, e na próxima vez, o Diego Costa deve usar placenta de jumento…

Crédito: DUKE, jornal O Tempo

Crédito: DUKE, jornal O Tempo

4 comentários

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  1. Parece que a nossa comunicação social já só vive de tretas.

    Aqui vai mais um exemplo:
    http://www.record.xl.pt/Futebol/Internacional/mundial2014/portugal/interior.aspx?content_id=886872

    Será que os nossos jornalistas são tão maus que pensam que a maioria dos leitores acredita nisto?

    1. Enfim… 🙁

    • BetinhoFloripa on 03/06/2014 at 11:29
    • Responder

    Certa vez vi a assinatura ex jogador de futebol Ronaldo (jogou na Europa no Real Madri, se não me engano), chamado pelos jornalistas brasileiros como “o fenômeno”.

    Tudo bem a gente ter uma caligrafia feia…a minha mesmo é um desastre…..porém, ao olhar com detalhes a assinatura do fenômeno tive a nítida percepção de que ele não escreveu o nome e sim desenhou algo parecido com o nome dele…sabe quando a pessoa não sabe escrever e alguém o ensinou a desenhar seu nome? Quem trabalha com adultos iletrados sabe do que falo. A minha avó também desenhava algo parecido com seu nome…ora esquecia uma parte do “desenho” e o nome ficava incompleto…ela não sabia ler ou escrever, porém, gentilmente, um conhecido dela a ensinou a desenhar seu nome para que ela pudesse votar nele nas eleições…ela foi criada num tempo em que o destino das mulheres era, tão somente, cuidar dos filhos.. e nunca se interessou em aprender a ler e escrever… até tentei lhe ensinar algo…mas ela simplesmente disse não, porém, o conhecido político dela foi mais bem sucedido na empreitada…é o poder da política…
    🙂

    O que quero dizer é que o fato de se ter dinheiro, ser famoso, usar roupas de grife e ser tratado como alguém que mereça alguma importância não significa que essa pessoa tenha a educação que se esperaria de alguém assim….trata-se de aparência…marketing pessoal…

    Os ditos “médicos alternativos” prosperam graças às pessoas que carecem de conhecimento científico…

    Sempre foi assim na história da humanidade, porém, sinto que com a globalização da informação a tendência é isso mudar…

    Abraços

  2. Durante uma semana existiu uma incompreensível publicidade gratuita à placenta de égua e às supostas terapias alternativas.

    A resposta sobre o insucesso desta terapia foi dada em campo por Diego Costa. Esta é mais uma lição da vida real, exacerbada por uma figura pública (jogador de futebol numa final da Liga dos Campeões Europeus).

    Será que da próxima vez a comunicação social irá ter mais cuidado ao escrever sobre estas tretas? Duvido!
    Parece que atualmente a comunicação social em geral prefere fazer publicidade gratuita, sem qualquer sentido crítico, a qualquer imbecilidade que alegue “milagres” (porque é o que “vende”).

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